Resenha: Fireworks – Luzes no Céu (Livro)

O livro daquele filme esquecível…

Eu assisti ao filme animado Fireworks – Luzes no Céu muito tempo atrás e, definitivamente, eu não gostei do que me foi apresentado. Talvez eu nem tenha entendido o final, talvez o desenvolvimento tenha sido ruim, etc. Então, eu resolvi assistir de novo para saber melhor o porquê de eu não ter gostado. Meu intento, porém, foi por água abaixo, pois dormi em menos de dois minutos e quando acordei estava tocando a música de encerramento. Não pude deixar de pensar que eu assisti a melhor parte do filme.

A verdade é que eu queria ver o filme novamente para poder compará-lo com o livro que a editora NewPOP estava prestes a lançá-lo. Com a minha falha, resolvi deixar isso para depois e ler o livro primeiro de modo que só fui rever o filme mesmo agora, depois de terminada a leitura.

Fireworks – Luzes no Céu nasceu originalmente como um filme lançado no Japão em 1993 e dirigido por Shunji Iwai. Entretanto, em 2017 a obra ganhou um remake como filme de animação (o que a maioria das pessoas conhece), tendo Hitoshi One como responsável por reescrever o roteiro (mudando a idade dos personagens, apresentando mais desdobramentos, etc). Acontece, porém, que é bastante comum que esses filmes de animação ganhem adaptações em outras mídias (romance e história em quadrinhos) e  com Fireworks não foi diferente.

O livro ficou a cargo do próprio Hitoshi One (roteirista do filme de animação) e o mangá teve Makoto Fugetsu (Re:Zero Capítulo 2 – Uma Semana na Mansão; Granblue Fantasy) como responsável.

No Brasil, o filme chegou a passar nos cinemas e atualmente encontra-se disponível na Netflix. Já o romance e o mangá foram anunciados pela editora NewPOP em dezembro de 2018. O primeiro foi lançado em fevereiro e o segundo encontra-se sem previsão até o momento.

Comprei o livro, o li e agora venho falar um pouco do título para vocês.

  • Sinopse Oficial

Um fogo de artifício tem uma forma diferente dependendo do ângulo de que é visto? Norimichi vive numa cidade litorânea pacata do interior. No dia de um grande show de fogos de artifício, ele concorda em ir até o farol da cidade com seus amigos para ver os fogos “de lado”. Naquela noite, entretanto, Norimichi recebe um convite inusitado para fugir com Nazuna, a garota de sua classe de quem ele gosta. Os planos da dupla falham quando a mãe dela aparece e a leva embora. Com o coração apertado com a ideia de nunca mais ver Nazuna, Norimichi faz um pedido: se, pelo menos, ele pudesse tentar mais uma vez… Uma história extraordinária do amor de dois jovens que repetem o mesmo dia, na esperança de ficarem juntos.

  • História e Desenvolvimento

A premissa de Fireworks – Luzes no Céu deixa bem claro a ideia de que a obra trabalhará com o clássico loop temporal visto em diversas obras, de diferentes mídias e diferentes culturas, como Feitiço do Tempo (talvez um dos filmes mais lembrados que se utilizam dessa premissa) e Re:Zero (a obra atual do nosso mundinho otaku mais famosa). Fireworks, porém, não apresenta apenas um loop temporal simples e qualquer e sim um salto entre dimensões, entre mundos diferentes, chamados na obra de Mundo dos Desejos.

A história acompanha dois jovens, o garoto Norimichi e a garota Nazuna, buscando ficar juntos ao longo de um dia. Ele parece gostar dela e ela também parece gostar dele, mas os dois raramente se falavam até esse dia em que tudo seria diferente, em que coisas mágicas e surreais aconteceriam. Norimichi, entretanto, tinha um problema, um amigo que gostava de Nazuna. A narrativa verdadeiramente começa quando Norimichi e seu amigo, Yusuke, decidem fazer uma competição de natação e ele perde. Nazuna, que se intrometeu no meio, então convida Yusuke para assistir a queima de fogos de artifícios que ocorreria de noite. É aí que tudo pega fogo!.

Yusuke, no entanto, não dá as caras e Norimichi termina encontrando com a garota e lhe transmite a decisão do amigo de não aparecer. O garoto logo descobre que Nazuna estava fugindo de casa e, após um incidente envolvendo a mãe da menina, Norimichi deseja que as coisas fossem diferentes, que ele tivesse vencido a disputa aquática com Yusuke e que Nazuna tivesse o convidado e não ao amigo. O desejo se realiza quando ele lança um pequeno orbe que a menina encontrara na praia e ele volta àquele momento no passado em que estava ocorrendo a competição. A obra, então, se desenvolverá assim, com Norimichi buscando passar o dia com Nazuna e ele jogando o “orbe dos desejos” toda vez que alguma coisa saía errado.

A questão dos fogos de artifício que dá título à obra é um dos pontos importantes da história, pois isso é o que mais marca a mudança no tempo, a mudança de mundos. Existe uma discussão sobre os fogos serem redondos ou achatados a depender do lugar em que se vê. Obviamente, eles são redondos, mas ao fazer um salto temporal e dimensional, as coisas mudam, e os fogos podem ser achatados ou ter formas completamente estranhas. Outras coisas acontecem também, como a mudança na direção de hélices, o formato de um picolé, etc, mas são mesmo os fogos as maiores marcas de que os personagens não estão no mundo correto, que eles estão em um outro lugar, em um outro mundo, o chamado mundo dos desejos.

A narrativa é basicamente isso, um pretenso romance entre dois adolescentes em fuga e que, por conta de um objeto mágico, uma viagem entre mundos distintos acontece. Norimichi e Nazuna são só duas crianças (no sentido de serem pessoas imaturas) querendo viver um pequeno momento que não se repetirá de novo, já que uma das duas pessoas acabará se mudando. Não existe nada grandioso na obra e o pretenso romance nem chega a acontecer de fato (embora existe uma certa coisa importante que surge em um momento perto do fim), com um final que deixa bastante a desejar.

Ainda assim, o livro consegue oferecer um final mais digno do que a animação, pois termina com um momento de drama bem específico, com uma fala que mostra exatamente os sentimento de Norimichi e não aquele momento sem sal em uma sala de aula que aparecem no filme animado. Além disso, a obra é narrada em primeira pessoa pelo garoto, de modo que conseguimos saber mais seus sentimentos, suas emoções e principalmente suas dúvidas sobre o que está acontecendo, assim muitas das interrogações que tinham no filme de animação desaparecem ao longo da leitura do livro, por serem melhor apresentadas, como a questão da fuga da Nazuna, a morte do pai dela, entre outras coisas.

O livro, no entanto, é mal feito por conta da inexperiência do escritor com o gênero. Ele pode ser narrado em primeira pessoa, mas existem partes em que o garoto não estava presente, então em vez de ignorar essas passagens e apresentá-las por meio de rememorações ou coisas assim, o escritor simplesmente coloca as passagens como se fosse um roteiro. Definitivamente, uma escolha equivocada e amadora. Ele até tenta se justificar nos paratextos, mas não convence.

De modo geral, a gente até pode dizer que o livro foi melhor que o filme, mas no todo não foi uma obra grandiosa e que mesmo como entretenimento não se saiu muito bem. Fireworks é algo qualquer coisa, é algo esquecível.

  • A edição nacional

A edição brasileiro do livro veio no formato 10,6 x 14,8 cm, com miolo em papel Avena, ao preço de R$ 26,90. O tamanho é o mesmo da maioria das light novels da editora como Re:Zero, Toradora! e No Game No Life, mas Fireworks não é uma light novel, não possui ilustrações e nem nada do tipo. Tirando isso, trata-se de uma edição padrão da NewPOP.

Os problemas acontecem quando vamos ao texto. Infelizmente, em Fireworks os erros de revisão afloram em abundância, de um jeito que a gente não costuma ver nas obras da editora. Existem tradicionais erros de palavras com letras trocadas ou coisas assim, que terminam passando despercebido muitas vezes, mas há também alguns problemas de gramática que a gente não costuma ver. Há um verbo que deveria estar no infinitivo e não está, e uma sucessão de erros de concordância de gênero, com várias palavras escritas no feminino quando deveria estar no masculino, entre outras coisas. Isso acaba tirando a imersão da obra e faz com que paremos a leitura para ver se entendemos direito a passagem. Uma pena.

  • Conclusão

A leitura de Fireworks – Luzes no Céu foi bem interessante, em alguns momentos até mesmo divertida, mas a história não consegue convencer o suficiente. A ideia de que os desejos têm consequências está lá e a de que você não consegue mudar o mundo também, mas elas só aparecem como um meio para vermos o pretenso romance entre Norimichi e Nazuna. O livro consegue dar mais ênfase e emoção às mudanças de mundo, mas não consegue consertar a narrativa. Continua infantil, pueril.

Seja no filme (com suas belas imagens e suas bonitas canções), seja no livro, Fireworks tinha uma história com grande potencial, mas que não conseguiu passar tudo o que poderia, pois não nos ofereceu tanta empatia com os personagens, nem com os dramas apresentados. O resultado é que não conseguimos nos importar com a história que está sendo contada. Em suma, Fireworks não cativa e termina por ser bem esquecível.

  • Ficha Técnica

Título Original: 打ち上げ花火、下から見るか?横から見るか?
Título NacionalFireworks – Luzes no Céu
Autor: Hitoshi One
Tradutor: Débora Tasso
Editora: NewPOP
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 10,6 x 14,8 cm
Miolo: Papel avena
Acabamento: Capa cartonada com orelhas
Preço: R$ 26,90
Onde comprar: Amazon

2 comentários

  1. Tenho o dever moral de incentivar todo mundo a assistir o filme original, do Shunji Iwai, quando tocam no assunto. São 40min incríveis!

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  2. Bom, eu quero ler esse livro só para consertar esse filme na minha cabeça. Pra mim é um filme sem final, parece que acabou antes do climax e faltaram resolver as coisas. Pelo menos é lindo em termos de animação e tem uma música igualmente linda.

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