BBM Lista – 4 vezes que a adaptação brasileira ficou muito boa

Mais uma lista…

Não falamos o idioma japonês no Brasil, então todos os mangás que são publicados por aqui precisam ser adaptados para a língua portuguesa. De modo geral, não temos do que reclamar e muitas adaptações são excelentes. Ainda assim algumas se destacam muito mais.

Hoje listaremos quatro adaptações que nos encheram os olhos de tão boas que ficaram.


Lua Nublada (A Voz do Silêncio)


Em uma certa cena no final do volume 3 do mangá A Voz do Silêncio, de Yoshitoki Oima, a personagem Nishimiya tenta dizer que gosta do personagem Ishida e que quer ser a namorada dele, mas o rapaz não entende o que ela fala.

Para quem não conhece o mangá, Nishimiya têm deficiência auditiva e não consegue se comunicar direito pela fala. A garota tenta dizer de novo e de novo e o rapaz compreende que ela diz “Lua Nublada”, uma adaptação sensacional.

Se você já viu diversas obras da cultura pop japonesa, já deve identificar facilmente o que é dito no original. A garota quer dizer que ama o rapaz e existe uma semelhante fonética entre o verbo gostar (suki) e a palavra lua (tsuki) e é impossível reproduzir isso no nosso idioma. A adaptação brasileira, então, faz um jogo de palavras entre “namorada” e “nublada”. Muito legal.


“Espisiquiatra” (Spy x Family)


No primeiro volume do mangá Spy x Family (uma obra sobre um espião que precisa criar uma família para uma certa missão), a personagem Anya – filha fictícia do personagem principal – é entrevistada para ser aceita em uma escola e, em certo momento, ela é perguntada sobre a profissão do pai.

A garota consegue ler mentes e sabe a real profissão dele, então ela se confunde e começa a dizer que ele é um espião. A garota logo percebe o erro, logo percebe que cometeu um deslize, e complementa falando espisiquiatra.

Como visto na imagem acima, a editora adaptou também as frases seguintes para dar o tom cômico certo e fazer sentido com o que foi dito. Perfeito.

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Emilia Minha Tchutchuca (Re:Zero – Capítulo 2: Uma Semana na Mansão)


Em Re:Zero, o personagem Subaru Natsuki, em certo momento, chama a personagem Emília de E.M.T (Emília Maji Tenshi). O normal, nesses casos, é adaptar o texto já que não faz sentido manter isso em japonês. Salvo engano, na versão brasileira da Light Novel, a adaptação ficou como E.A.D (Emília Anjo Demais).

No mangá Re:Zero – Capítulo 2: Uma Semana na Mansão isso não seria possível, pois a imagem mostra claramente um E.M.T bem grande. O tradutor, no entanto, conseguiu colocar uma adaptação das boas, colocando um “Emília Minha Tchutchuca”.

Muito embora exista o anjo na parte de cima da imagem, a palavra Tchutchuca faz todo o sentido no contexto da obra, já que Subaru acha Emília muito bonita e anjo tem essa conotação de ser algo belo. Gostei bastante mesmo.


Duplas falas (Lucífer e o Martelo)


Mas, sem dúvida alguma, a melhor adaptação que eu tive a oportunidade de ver são as duplas falas (as falas sobrepostas) de Lúcifer e o Martelo. Sempre que aparece um golpe ou algum nome específico, a versão brasileira coloca frases sobrepostas, para marcar que existem duas leituras possíveis.

“Dragão Negro” pode ser lido também como “Invincible!!”. Já “Cavalo Astral” pode ser lido como “Unicorn!!”
“Lança que cria o mundo!!” pode ser lido “Ama no Nuboko”

A minha admiração por esse recurso foi maior depois que eu soube em mais detalhes o porquê de isso existir na edição brasileira e como isso ocorre no Japão. Basicamente, Lúcifer e o Martelo é um mangá seinen que busca fazer uma paródia / homenagem aos mangás shonens de batalha e utiliza de todos os recursos possíveis, inclusive visuais, para emular isso. Assim, além dos Kanjis, a versão japonesa do mangá também se utiliza de furigana (uma pequena escrita ao lado do kanji, indicando como se ler ele) e esse recurso é comum apenas nos mangás juvenis (shonens e shoujos), mas não nos seinens.

Algumas vezes, inclusive, os autores utilizam os furiganas para “brincar” com as leituras, colocando uma forma que não é a escrita exata do kanji. O autor de Lúcifer e o Martelo, então, utiliza furigana justamente como uma forma de gerar a mesma sensação que os mangás shonens, por isso coisas como “Cavalo Astral” e “Unicorn”.

O tradutor local quis trazer esse aspecto para a versão brasileira e fez isso da duplas falas. Ficou sensacional. A nossa explicação sobre isso é bem deficitária, então a gente recomenda você ler o excelente texto do tradutor Thiago Nojiri explicando essa a outras coisas.

8 Comments

  • Yan

    Falas sobrepostas deveriam ser regra para situações como a citada no artigo. Fica bem melhor.
    A de Re:Zero usada no exemplo acho que ficou estranho e desnecessário, poderiam apenas ter coloca “anjo”, como no original.

  • loneprayer

    Não são exemplos tão legais como esses, mas eu gostei dessas adaptações:

    Em Stardust Crusaders, o protagonista Jotaro fala seu célebre bordão “yare yare daze” praticamente o tempo todo, que é uma expressão de descontentamento, mas que não possui uma tradução clara. Normalmente os fansubs traduzem pra “mas que saco” que soa meio forçado em algumas ocasiões, e nem sempre cola muito bem. A Panini adaptou pra “não fode” o que combinou perfeitamente com o personagem^^

    No primeiro volume de We Never Learn, tem uma parte que a Takemoto faz um simulado em que ela traduz palavras em inglês, só que ela não sabe nada de inglês, então ela erra tudo e o editor colocou palavras que se assemelham a pronúncia do português nas respostas dela, eu achei que ficou bem interessante.

    • Teppei

      Eu particularmente odiei a tradução de “yare yare daze” feita pela Panini. Para mim, destoa muito da personalidade do personagem, acaba deixando ele mais extremo do que realmente é. A única vez em que o Jotaro é mais rebelde, em Stardust Crusaders, é no começo do mangá, quando ele está na prisão e na forma que ele trata a mãe dele. Mas depois, ele é apenas um cara quieto no qual as situações que ele enfrenta o incomoda. Ele continua a usar também “yare yare daze” na parte 4, e a tradução escolhida pela Panini vai combinar menos ainda com o Jotaro dessa parte. Se for pra usar um “não fode”, seria melhor com a Jolyne, a filha do Jotaro, essa sim uma personagem bem mais enérgica e rebelde.

      • loneprayer

        Mas o Jotaro tá puto o tempo todo kkkkkk ele é a personificação do adolescente rebelde e descolado que fala palavrões pra parecer legal. E ele se demonstra descontente o tempo todo de ter que sair de casa e viajar meio mundo por causa de um vampiro fanfarrão.

        Porém eu concordo que na Parte 4 isso pode destoar, já que lá o Jotaro é um adulto e é bem mais controlado. Mas ele até que aparece bem pouco ao decorrer de DiU, então não incomoda tanto.

  • RPM Souza

    Esse último talvez devesse se tornar o padrão dos Shonens no Brasil, japonês no fundo e tradução maneirona em cima, ao invés das terríveis notas de rodapé. Já na hora que vi lembrei do post do Nojiri e fui ver se tinha post novo (infelizmente não). Escreveu pouco, mas com muito conteúdo (inclusive a tradução do mangamura, que talvez as editoras BRASILEIRAS devessem ler).

    Falando no Nojiri, lembrei da Roses e dos ótimos textos do “Desmitificando”. Ela está bem? Há meses que não vejo posts dela.

  • Kenny

    Quero ver como a Panini vai se sair com Kaguya-sama no capítulo do “chinchin”, que até já tem exemplos no anime, e lá pra frente quando eles jogam shiritori que é um jogo de palavras com sílabas que a stiuação toda demanda uma readaptação completa.

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