Resenha: Hell’s Paradise #01

O paraíso existe, mas…

Existem mangás que a gente olha para a capa, a sinopse, vê as recomendações das pessoas e pensa: isso é questão de tempo para aparecer no Brasil. Embora não fosse um dos grandes hits do momento, Hell’s Paradise era um caso desses.

Recomendaram-me esse mangá quando ele ainda estava no início, quando ele tinha no máximo uns três ou quatro volumes lançados, e coloquei ele na lista de leituras futuras, mas… nunca li O_o. Continuei a ouvir falar dele um tempo, com vários elogios, o que me deu a certeza de que viria, ainda mais que ele saia no Japão pela editora Shueisha.

Ele demorou um pouco para vir, mas como previsto acabou aparecendo no país, por meio da editora Panini.

De autoria de Yuji Kaku, Hell’s Paradise foi publicado no Japão entre 2018 e 2021 no site Shonen Jump +, da editora Shueisha, tendo seus capítulos compilados em um total de 13 volumes. Em breve também ganhará uma adaptação em anime.

No ocidente, Hell’s Paradise já é publicado em boa parte dos mercados de mangás ocidentais, como EUA, França, Espanha, dentre outros. No Brasil, o mangá foi anunciado em janeiro pela editora Panini e começou a ser publicado em junho, ganhando um segundo volume em julho. A partir de então será lançado um tomo novo a cada dois meses.

Hell’s Paradise conta a história de Gabimaru, um poderoso shinobi da Vila Oculta da Rocha, conhecido por sua capacidade insana de matar, mas que resolve desertar de seu posto buscando viver uma outra vida. Pego em uma armadilha, Gabimaru é condenado à morte, mas recebe uma chance de escapar. Para tanto, ele deverá buscar o “Elixir da Imortalidade”, que se acredita estar no paraíso, e se assim conseguir terá sua pena extinta e poderá viver uma vida sem importunos de ninguém.

Com vistas a um certo objetivo pessoal, Gabimaru aceita o desafio e ele irá junto com sua executora Yamada Asaemon Sagiri tentar encontrar o Elixir em uma terra estranha e incompreendida até então…

A obra é uma história de ação e aventura daquelas que já estamos acostumados, com o já tradicional protagonista overpower, extremamente poderoso e que parece imortal devido a suas intensas (e insanas) habilidades. Então veremos diversos confrontos, com muitos tentando se achar melhor que o protagonista e sempre  sendo derrotados de uma maneira muito fácil.

Embora vejamos lutas já neste volume inicial, ele parece ser apenas uma preparação para o que irá começar. Após várias missões fracassadas a uma ilha misteriosa que se acreditar ser o “Paraíso”, o Shogun decide mandar um grupo de criminosos para o lugar em busca do Elixir da Imortalidade e quem retornar com ele terá seus crimes perdoados e receberá a proteção do Shogun.

É nesse ínterim que Gabimaru está inserido. Ele vai para essa ilha junto com Sagiri (responsável por vigiá-lo e matá-lo caso desobedeça as ordens) e os demais bandidos e as coisas tendem a ser um pouco ferozes no lugar, com a rusga entre os próprios criminosos e os perigos muito peculiares da terra desconhecida.

Ainda que seja uma história comum e que empolgue justamente pelas batalhas, este volume inicial de Hell’s Paradise se mostra muito mais do que um simples mangá de combate, apresentando uma temática comum em todo o tomo, a questão da vida e da morte e o valor que se dá a isso tudo. Há personagens que matam pelo simples prazer de matar, há personagens que não gostam de fazer isso, há personagens que têm medo e há personagens que se deliciam ao ver pessoas se pegarem, etc, etc, etc.

Gabimaru, o protagonista, da história, não é outra coisa senão um assassino, no entanto ele tem uma maneira de pensar toda diferente, não sendo um maníaco que se diverte com o que faz. Na verdade, ele diz que seu maior desejo é morrer por conta do que fez, mas se apega à vida o máximo que pode. Ele é forte, totalmente poderoso, mas – ao mesmo tempo – tem um temperamento completamente pacifista, contradizendo o que se esperaria de uma figura como ele, conhecido por seus inúmeros assassinatos.

Ele é um personagem bastante emblemático nesse sentido, pois sua alcunha é ser “o vazio” por não sentir nada ao matar pessoas, entretanto o que vemos nele é algo diferente disso, é uma pessoa calma – até reservada – e que evita matar, só fazendo isso se for muito necessário. É um personagem bem complexo e muito bom de se acompanhar.

Outro personagem complexo da obra é a co-protagonista da história, Yamada Asaemon Sagiri, membro do famoso clã Yamada, clã este responsável por agir – por gerações – como testadores de espadas e executores. Como executora, Sagiri se torna responsável por matar Gabimaru, mas ela tem uma característica bem diferente da de alguém com a sua profissão, possuindo diversas inseguranças que uma executora não deveria ter.

Ela é uma personagem forte – vê-se isso muito bem ao longo do volume com a habilidade dela de manejar a espada, por exemplo – e também muito observadora, capaz de descobrir as entranhas de Gabimaru. Ainda assim, ela é também frágil, com pontos fracos que podem lhe matar, mas que parece crescer – mesmo com suas inseguranças – ao analisar e conhecer mais o seu companheiro de viagem.

Em comum, os dois são facilmente vistos como seres de um jeito pelo lado de fora, mas são diferentes por dentro, precisando controlar bem essas coisas para conseguirem ser fortes e sobreviver, ainda mais na terra estranha que eles adentrarão, da qual não sabem o que os esperará.

Uma coisa que deve ser destacada nesse tomo inicial é que o autor consegue utilizar uma técnica narrativa sensacional, especialmente no primeiro capítulo. Ele é um espetáculo com idas, vindas e explicações que se intercalam de uma maneira brilhante e que fazem a gente continuar sem parar para saber os próximos passos, os próximos acontecimentos, para saber se o protagonista será morto, se escapará ou não. Esse capítulo é um excelente chamariz para a obra, ele nos coloca em prontidão para conhecer o protagonista e nos encantarmos com a história que se seguirá.

No todo, o primeiro volume de Hell’s Paradise se mostra muito bom. A premissa não dista muito de outras obras do gênero e ainda não sabemos direito como a história irá progredir, o que vai acontecer, mas o mangá consegue te fisgar e te fazer se interessar por ele. Vale a pena dar uma chance.

***

Hell’s Paradise veio no formato padrão da editora Panini (13,7 x 20 cm, com miolo em papel offwhite e capa cartão) e – assim como temos dito em outras resenhas – tem as mesmas qualidades e problemas das demais obras da empresa no mesmo formato. A encadernação é boa, mas há certa transparência nas páginas. Felizmente ela é menor do que em outros títulos. O mangá custa R$ 29,90 e sai um volume a cada dois meses.

A gente recomenda de verdade Hell’s Paradise para quem gosta dessas histórias de ação e aventuras com lutas aqui e ali, pois ele certamente irá agradar essas pessoas. Entretanto, fazemos a mesma recomendação que dissemos na resenha de Bloom Into You, esperem promoções!!! Por mais que saindo bimestralmente seja mais fácil para colecionar, o preço cobrado é muito caro e gastar esse valor continuamente a cada dois meses em mais uma série pode comprometer o orçamento de muitos de vocês…

De todo modo, reforçamos, se gostam do gênero, deem uma chance a esse mangá^^.

Ficha Técnica

Título Original: 地獄楽
TítuloHell's Paradise
Autor:  Yuuji Kaku
Tradutor: Felipe Monte
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 13 (completo)
Número de volumes no Brasil: 2 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel offwhite
Acabamento: Capa cartonada simples
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 29,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini

6 Comments

  • Mônica

    Se é pra cobrar 29,90 que pelo menos traga um mangá sem papel transparente. Isso é o mínimo.

  • Rael

    Que bom q você curtiu, Kyon. A obra tem começo, meio e fim mto satisfatório. Só vou comprar o mangá ano que vem, com bons descontos.

    • musck29

      A JBC tem tanta transparência quanto ou até mais…não é um privilégio só da Panini e também não é algo que me atrapalhe a leitura. Agora se for discutir que por 30 reais deveríamos receber uma qualidade melhor, dai sim eu concordo…só que de todas editoras, não só Panini.

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