“Nausicaä”: comparando as duas edições brasileiras da obra

Duas versões

O mangá Nausicaä do Vale do Vento, de Hayao Miyazaki, foi lançado pela primeira vez no Brasil entre 2006 e 2009 pela editora Conrad e, na época, teve apenas cinco volumes lançados, ficando incompleto. Conta-se que esse cancelamento fez com que a obra ficasse indisponível para licenciamento no Brasil, com os japoneses nem sequer querendo conversar com as editoras brasileiras. Mas após muito esforço a editora JBC conseguiu trazer a obra de volta ao país e começou a republicá-la agora em agosto de 2022.

De posso do primeiro volume das duas edições brasileiras o BLOG BBM vem falar um pouco sobre elas e compará-las, mostrando o que tem de diferente e semelhante. Vejam a seguir.


CAPA E FORMATO


Ambas as edições vieram com tamanho semelhante (18,2 x 25,6 cm) havendo apenas milímetros de diferença na altura (pró JBC) e na largura (pró Conrad), de modo que quem tem a edição antiga não precisa necessariamente (a depender do seu “””TOC”””) comprar a nova, bastando adquirir os volumes finais para completar a coleção.

Agora na capa, nós já começamos a ver as diferenças entre as edições:

JBC x Conrad (clique na foto para ver em tamanho maior).

Para além da disposição dos elementos na parte superior da capa, as cores são nitidamente diferentes, havendo uma predominância do verde azulado na capa da JBC, enquanto na da Conrad há uma cor mais amarrom-acinzentada.

Só que as cores da arte da capa também são diferentes nas duas versões. A edição da Conrad é mais escura, enquanto a da JBC é mais clara. Podemos notar isso facilmente na roupa da Nausicaä (a menina na capa da obra) que na versão da JBC tem uma cor em harmonia com a capa, enquanto que na capa da Conrad tem uma cor um pouco mais escura. Também é possível notar isso nas partes em preto.

Olhando atentamente é possível ver que a capa da JBC permite notar melhor os detalhes do desenho do Miyazaki, pois a cor mais escura da versão da Conrad acaba ocultando alguns traços do autor. Vejam os detalhes em preto do trecho abaixo, por exemplo.

JBC x Conrad

Para além disso, a capa da versão da JBC parece ter um tipo de acabamento diferenciado, como alguma espécie de verniz que faz com que, ao passarmos a mão, sintamos que ela é diferente das capas de outras obras do mercado. Com tudo o que foi dito até aqui, a versão da JBC larga na frente nessa comparação.

MAS ainda temos que falar um pouco mais da capa. Ambas as capas são em papel cartão e parecem ser da mesma espessura, mas a versão da Conrad possui um diferencial, ela tem orelhas. Falaremos disso em um tópico posterior!!!


QUARTA-CAPA


A quarta-capa (a parte de trás do mangá) também é bastante diversa nas duas versões e a edição da JBC também se sai melhor nesse quesito. A edição da Conrad apenas repete a ilustração da capa e coloca novamente o nome do mangá, enquanto a versão da JBC coloca uma outra imagem (também com verniz) e inclui uma sinopse.

JBC x Conrad

A versão da Conrad é fruto de seu tempo, afinal na época era comum que se repetisse a imagem de capa na quarta-capa de todos os mangás. Nausicaä é até meio diferente, pois apenas um recorte da imagem foi colocado, enquanto em outros mangás era a imagem toda.

Demais a mais, o grande demérito dessa quarta-capa da Conrad é inexistência de uma sinopse. Uma sinopse ajuda aquele consumidor que não conhece a obra a saber um pouco sobre ela e ter um motivo a mais para decidir comprar.


LOMBADA


A lombada das duas versões tem dimensões semelhantes, talvez diferenciando-se apenas por milímetros pró-JBC. Em relação ao modo como elas são, eu não gostei de nenhuma das duas. Vejam a seguir:

JBC x Conrad

As duas lombadas são muito simples e parece ou que está faltando coisas nelas ou que os elementos estão fora de lugar. Não sei ao certo dizer o motivo, mas não gostei da lombada de ambos.


COSTURA


Eu não sou especialista nisso, mas aparentemente a versão da Conrad possui o miolo colado e costurado, enquanto a versão da JBC é apenas colado. Vejam a imagem:

Conrad em cima x JBC em baixo

Na versão da Conrad dá para ver umas dobras, enquanto no da JBC, não. Em sendo assim, a versão da Conrad ganha nesse quesito.


ORELHAS, “PÁGINAS COLORIDAS” E CAPAS INTERNAS


Como dissemos em um tópico mais acima, a edição da JBC é em capa cartão, enquanto a edição da Conrad é em capa cartão com orelhas. Ter orelhas faz com que a capa da edição da Conrad esteja sempre fechada, mesmo que não tenha nada em cima. Já a versão da JBC, às vezes pode ficar com a capa um pouco levantada. Isso não chega a ser nada demais, mas é um ponto a se mencionar.

MAS agora existem grandes diferenças entre as versões da Conrad e a JBC e tem a ver justamente com a existência dessas orelhas. As orelhas da edição da Conrad são enormes e nela há um texto e uma imagem que serve de introdução para a história, falando como a humanidade se destruiu e chegou ao ponto em que começa a narrativa.

Orelhas/Conrad

A versão da JBC, por sua vez, como não tem orelhas, coloca esse mesmo texto e essa imagem na primeira capa interna, aquela que fica logo atrás da capa. Mas há um detalhe interessante, a versão da JBC possui um pin-up (um pôster que é encartado no mangá/ não pode ser removido) mostrando a Nausicaä, vejam a seguir:

Capa interna da JBC e Pin-up

Esse pin-up possui uma dupla imagem. Na parte de trás dele há uma mapa da região onde acontece a história. Parece algo inútil, mas um mapinha desses termina por ajudar a compreender um pouco mais a geografia do local e fazermos entender melhor onde acontece cada coisa.

Outro lado do Pin-up (JBC)

Esse pin-up é feito em papel couchê, um papel diferente do usado no resto do mangá. A versão da Conrad não possui o pin-up, mas essas duas imagens estão presentes!!!. Lembram das orelhas? Pois então, essas imagens estão na parte interna delas. Na parte interna da capa tem o mapa e na parte interna da quarta-capa tem a ilustração da Nausicaä.

Capa interna (Conrad)
Outra capa interna (Conrad)

A versão da JBC ainda tem um algo a mais colorido além do pin-up. O primeiro volume vem com um pôster ENORME igual original japonês. Esse sim é para você conseguir expor em seu quarto^^.

Pôster da edição da JBC

A minha edição da Conrad eu comprei usada e não veio pôster nele. Procurando resenhas antigas, da época do lançamento, não vi menção a isso (veja a resenha do Universo HQ, por exemplo).

De modo geral, ter orelhas dá uma charme a mais na edição da Conrad, mas o pin-up e o pôster faz a versão da JBC ganhar pontos também. No todo, eu diria que aqui daria empate, mas como tem o pôster, eu tendo a colocar uma vantagem para a edição da JBC.


PAPEL


O papel usado na versão da editora JBC é pólen bold 90g. Não existe informação sobre o papel usado na versão da Conrad, mas parece ser um da mesma família e da mesma espessura, de modo que não há diferenças visíveis entre as duas edições.


MIOLO


Um dos pontos de maior diferença entre as versões da Conrad e da JBC diz respeito às cores do miolo. Assim como as cores da capa, há uma diferença significativa nas cores do miolo. A edição da Conrad parece usar o tradicional preto e branco no miolo, enquanto a versão da JBC usa branco e sépia.

Assim a versão da Conrad parece uma edição normal, com uma cor normal e vívida, enquanto a versão da JBC parece causar um estranhamento, dando a impressão de estar desbotado. Vejam esse exemplo abaixo.

JBC na parte de cima x Conrad na parte de baixo

Entretanto, assim como ocorre na capa, a versão da JBC é que se sobressai: a cor é para ser desse jeito mesmo (sépia), sendo muito bonita, dando um destaque muito legal à arte de Miyazaki. É algo que realmente causa estranhamento no começo, mas após poucas páginas você vê que tinha que ser daquela forma exatamente.

Além disso, a versão mais escura da Conrad faz perder detalhes da arte do autor em alguns momentos. No exemplo abaixo dá para ver claramente que a cor preta na versão da Conrad apaga vários detalhes da máscara e da luva da personagem.

JBC na parte de cima x Conrad na parte de baixo

A diferença, importante dizer, pode ser por alguma questão gráfica (não conheço essa parte), mas de toda forma a edição da JBC é que usa a cor mais adequada ao mangá e, salvo engano, é a mesma da original japonesa.

Esse desconformidade das duas edições chega a ser estranha, pois tanto a Conrad (em entrevistas da época), quanto a JBC dizem que precisava aprovar até mesmo a tinta a ser usada na obra. Assim, as cores usadas deveriam ser as mesmas. Fica o mistério.


PARATEXTOS


Paratextos são elementos adicionais à obra principal, como um comentário do autor, uma análise de um crítico, etc, etc, etc. O próprio mapa presente em Nausicaä, por exemplo, pode ser um paratexto. Dito isso, a versão da JBC possui alguns outros paratextos. Em uma das capas internas há um texto de Hayao Miyazaki, bem como comentários de um editor da Animage (A revista em que o mangá foi pré-publicado).

O texto de Miyazaki existe também na versão da Conrad, mas o comentário do editor, não.

Capa interna JBC com um texto de Hayao Miyazaki e falas de um editor da Animage.
Texto de Hayao Miyazaki na edição da Conrad

A edição da Conrad não possui mais paratextos. Já a edição da JBC possui mais um, este falando um pouco mais sobre a obra de Hayao Miyazaki.

Texto da JBC falando sobre Hayao Miyazaki

TEXTO (1)


A pessoa responsável pela tradução da obra é a mesma nas duas versões, Dirce Miyamura, então o texto presente nelas não sofre muitas diferenças na adaptação. Há alguns casos como “bala de sirene” que virou “bomba sonora” ou “troca de carcaça” que virou “ecdise”, mas de maneira geral as variações são sutis.

As diferenças mais marcantes dizem respeitos às notas de rodapé. A edição da JBC possui bem mais notas explicativas do que a edição da Conrad, mas não vi problema em nenhuma das duas versões. O texto e a adaptação parecem bem fluídos, sem gargalos linguísticos, de modo que tudo flui muito bem.


TEXTO (2)


A versão da Conrad possui um demérito de tapar certas passagens da arte com uma caixa de texto. Ou seja, em vez de apagar o texto em japonês e reconstruir a imagem, a editora apenas colocava uma caixa de texto em cima. A versão da JBC, por outro lado, faz certinho. Vejam a comparação.

Versão da Conrad
Versão da JBC

Esse problema também reflete a época do lançamento, já que em 2006 ainda era comum muitos mangás serem lançados dessa forma.


PREÇO


O preço da versão da Conrad era R$ 29,90 (vinte reais a mais que o preço dos mangás em formato padrão da época) que corrigidos pela inflação daria um total de R$ 74,20. O preço da versão da JBC foi R$ 49,90 (quinze reais a mais que o preço dos mangás em formato padrão). Para a época, o preço da versão da JBC foi bem mais convidativo que o da versão da Conrad.


VEREDICTO


A bem da verdade as duas edições (Conrad  e JBC) são bem bonitas e não há muito o que dizer de maneira geral do acabamento, pois cada uma tem características próprias e únicas e valem tanto para a leitura, quanto para colecionar. Mas a cor sépia da versão da JBC faz com que ela – em minha opinião – seja uma edição melhor que a da Conrad, pois tem um charme que a edição antiga não tem.


RESUMO


JBC CONRAD
Formato: 18,2 x 25,6 cm Formato: 18,2 x 25,6 cm
Capa cartão  Capa cartão com orelhas
Papel pólen bold 90g Talvez o mesmo
Miolo colado  Miolo colado e costurado
Pin-up e pôster
Cor sépia e branco Cor preto e branco
 3 paratextos  1 paratexto
Verniz na capa
Sinopse na quarta-capa
Imagem nova na quarta-capa Repetição de imagem

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5 Comments

  • Jones Cabeludo

    A versão da Conrad é melhor, mas pela versão da JBC ser barata, estou comprando toda a série novamente em vez de comprar apenas os dois volumes que faltam.

  • ALEXANDRE CARVALHO

    Excelente comparação. Eu tenho as da Conrad, comprei a da JBC e já tive a coleção original japonesa (que passei pra frente por considerar uma edição muito ruim), além de ter manuseado a da Viz.
    Posso confirmar que a da JBC é a mais fiel tanto na cor da impressão, quanto no encarte e no pôster. E te garanto que a edição da JBC é centenas de vezes superior à japonesa.
    Já a da Conrad eu notei que com o tempo a tinta escureceu um pouco. Na época era visível a cor sépia, nas olhando hoje é quase imperceptível essa nuance, soando como tinta preta mesmo. Lembra inclusive a tinta da Viz, que também é quase preta.
    De todas as edições a minha preferida ainda é a da Conrad (embora a da jbc quase empate): tipografia do título, design e cores de capa (adoro a cor marrom-acinzentada da 1 e a cor verde da 5), orelhas (que dá uma firmeza a mais pra capa do que a da JBC) e etc, mas leve em conta que nausicaa é meu manga favorito é que tenho apego nostálgico a essa edição da Conrad.
    A japonesa, por incrível que pareça, é a pior de todas: papel tão ruim ou pior que jornal. A folha é muito fina, frágil e acinzentada. A tinta sépia japonesa é mais clara ainda, tornando a leitura muito cansativa por ser impresso em um papel cinzento.
    O que mais me impressionou foi o fato da edição japonesa ser um lixo e mesmo assim os licenciantes cobrarem um cuidado absurdo da JBC.

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