[TRADUÇÃO] Entrevista de Norihiro Yagi no Lucca Comics & Games, na Itália

Autor esteve presente no país europeu

Entre os dias 28 de outubro e 1º de novembro de 2022, aconteceu na Itália o famoso evento Lucca Comics & Games, considerado um dos maiores do mundo. Na ocasião, um dos autores convidados a participar foi Norihiro Yagi, criador do célebre Claymore e que atualmente está publicando Soukyuu no Ariadne (ainda inédito no Brasil).

Durante o evento ele participou de várias atividades, dentre as quais alguns painéis. O site italiano Tom’s Hardware publicou um compilado falas do autor. Resolvemos, então, trazer esse conteúdo para o blog.


FALAS DE YAGI DESCRITAS PELO SITE TOM’S HARDWARE (https://www.tomshw.it/)


TOM’S HARDWARE: O mangaká, que está pela primeira vez na Itália, é um amante de viagens e gostaria de falar as fontes de inspiração para o seu imaginário Dark Fantasy.

NORIHIRO YAGI: Desde pequeno eu me interessava pelo mundo europeu, assim como por jogos e videogames de fantasia. Sempre tive um fascínio pelas ambientações do exterior e estive em vários lugares da França, onde provavelmente nasceu o interesse por lugares medievais. Há cerca de vinte anos visitei os museus e cidades desse país (França). Logo depois, fiz Claymore, e esses lugares podem ter me inspirado. Eu visitei principalmente Paris e os lugares turísticos que eu só tinha visto em filmes.

A particularidade da primeira grande obra-prima do mangaká (Claymore) é certamente a escolha de protagonistas femininas, uma ideia ainda inusitada na época, que antecipava os tempos atuais. Por trás dessa decisão, na realidade, parece não haver uma explicação específica, mas apenas um grande desejo de contar algo que possa satisfazer as ideias de Yagi.

Sempre achei uma coisa muito “cool” ter uma personagem feminina, uma figura mais graciosa que lutava com grandes espadas contra monstros e criaturas selvagens. Isso criou um contraste, uma coisa muito limítrofe. Eu gostava do conceito de combate, mas esse contraste entre doçura e criaturas monstruosas sempre me fascinou. Eu não tinha muitas referências ideológicas, nem sinto que fui o primeiro ou influenciei artistas posteriores. Eu só queria criar uma personagem feminina que fosse forte.

E, de fato, Claymore vê suas protagonistas – Claire em primeiro lugar – lutando com monstros de todos os tipos, envolvidos em cenas de ação que parecem semelhantes às dos filmes, tão amados pelo mangaká…

Eu sempre vi cenas de ação em filmes, mas quando você faz isso em um mangá, o cenário é completamente diferente. É preciso algo que ainda não está em filmes e animes, mas sim totalmente original que pode ser aplicado na forma de escrita da obra.

Soukyuu no Ariadne é uma obra completamente diferente de Claymore. Leana, imperatriz do império Ariadne, e Lacyl, um simples menino destinado a se tornar um herói, são os protagonistas desta nova aventura assinada pelo autor japonês. O autor fala disso:

Dentro de mim as duas obras são bem separadas e diferentes. Com Claymore eu criei um tipo de mundo de fantasia que foi encerrado com mangá. Depois eu queria fazer um shonen (mais convencional). Mesmo na visão do mundo entre Claymore e Ariadne eu tinha uma abordagem totalmente diferente. Para o leitor podem parecer semelhantes porque são fantasia, mas dentro de mim nunca estiveram conectadas.

Enquanto em Claymore existe muito foco na criação de personagens, em Soukyuu no Ariadne o processo criativo é sobre outra coisa. Se a figura do herói “se define pelo combate como um processo natural” o discurso muda para todas as criaturas e monstros que os protagonistas enfrentam durante sua aventura.

Eu me inspirei no calendário chinês e suas doze criaturas, começando pelo rato. Cada animal corresponde a um tipo de pessoa, e no mangá uma raça. Também foi divertido e fascinante para mim também ter um tipo de personalidade e atitude para definir cada um deles.

Originalmente, o mangá se aproxima do mundo da ficção científica e depois toma um rumo mais fantasioso. Mas esse gênero retornará de alguma forma graças às Cidades Voadoras de Ariadne?

Quando criei as Cidades Voadoras, queria criar um lugar acima do mundo em que vivemos. Os protagonistas tinham que ser meninos que aspiravam a ir para aquele lugar, uma cidade secreta acima do mundo. Eu tive essa visão primeiro, depois quis desenvolver a história na direção da ficção científica. Não posso antecipar muito, mas ainda é minha intenção.

O objetivo de um mangaká é sempre fazer produtos diferentes. Esta viagem à Itália poderia ser uma fonte de inspiração? 

Minha ideia é escrever e transmitir ideias divertidas através do mangá. Estou viajando na Itália e vendo coisas novas. O conceito de viagem pode ser interessante.

Em 2007, o estúdio Madhouse fez uma adaptação animada de Claymore. O autor esteve envolvido nos primeiros momentos de produção?

A equipe queria me consultar porque eu ainda estava fazendo o mangá. Na verdade, depois do meu ok, dei sinal verde, confiei. O charme e a expressão do mangá são diferente e uma vez que eles foram confrontados, cedi o meu posto.

Neste ponto, dado o sucesso de Soukyuu no Ariadne, nos perguntamos sobre a possibilidade de ver uma adaptação em anime no futuro.

Gostaria de ver meu protagonista voar no céu.

Fonte: Tom’s Hardware


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