Mangá Aberto: “Vênus Invisível”

Veja como está o mangá

Mangá Aberto é uma nova coluna de resenhas aqui do blog em que mostraremos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. O nome advém de um antigo blog em língua espanhola que fazia exatamente isso^^.

A ideia é apresentar aos leitores exclusivos do blog o que já fazemos em nossas redes sociais, mostrar fotos do mangá acrescentando alguns detalhes sobre as obras e opiniões.

A postagem de hoje será sobre Vênus Invisível – Coleção de Histórias Curtas: O Melhor de Junji Ito, mangá lançado em dezembro de 2022 pela editora Devir. Nossa análise será feita com um exemplar cedido a nós pela editora, a quem agradecemos a parceria. Dito isso, vejamos como é o mangá.


DETALHES SOBRE A OBRA


Vênus Invisível – Coleção de Histórias Curtas: O Melhor de Junji Ito é, como o nome sugere, uma coletânea de contos lançados por Junji Ito, sendo uma seleção em que constaria o melhor de sua produção. Inclusive, o nome do mangá traduzido ao pé da letra seria “Histórias Curtas de Junji Ito – O Melhor do Melhor” para vocês verem  a magnitude que está por trás dos contos escolhidos (ou da propaganda da editora japonesa^^). Vale recordar ainda que esse mangá também foi uma das obras responsáveis por fazer Junji Ito ganhar o prêmio norte-americano Eisner na categoria melhor escritor, então ele tem uma fama por trás.

Tais contos presentes na obra, entretanto, são selecionados apenas dentre os que foram publicados em revistas da editora Shogakukan (empresa que publicou o mangá no Japão). Então, nesse mangá você não verá, por exemplo, contos do Junji Ito já publicados no Brasil nos mangás da Pipoca & Nanquim, visto que esta editora só lançou títulos dele das editoras Asahi Shimbun e da Akita Shoten. Por outro lado, você verá dois contos famosos do autor já publicados no Brasil, no mangá Gyo – lançado anteriormente pela própria editora Devir – que são “A Trágica História do Pilar Principal” e “O Mistério da Falha de Amigara”, mas com um diferencial: esses contos possuem páginas coloridas que não tem na edição de Gyo.

Fora esses dois, compõem a obra oito contos inéditos, um dos quais justamente chamado de “Vênus Invisível”, que dá título ao mangá. Para quem não sabe, é comum que coletâneas de contos ganhem o título de uma das histórias presentes na obra. Como a sobrecapa do mangá possui justamente a imagem do conto “Vênus Invisível”, esse foi escolhido para o título da edição brasileira. Essa escolha é opcional, porém. A versão portuguesa, por exemplo, se chamou apenas Coleção de Contos^^.

Além dos contos, há também em meio ao mangá algumas artes coloridas do autor, intituladas de “galeria”.


FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA


Sobre a edição brasileira, ela veio no formato 17 x 24 cm. Trata-se do mesmo tamanho de Chi’s Sweet Home, Gyo, Uzumaki, O Homem que Passeia, Sunny e várias outras obras lançadas pela Devir em seu selo Tsuru.

Para quem nunca viu um desses mangás trata-se de um tamanho maior que boa parte dos mangás brasileiros, destacando-se tanto em altura, quanto em largura.

O acabamento do mangá é em capa cartão com sobrecapa, e o papel usado no miolo é offset, com páginas coloridas em couchê. Além disso, há também um pin-up (um pôster encartado).

O papel offset, para quem não conhece, é aquele papel branco usado normalmente em cadernos e que também é comum em alguns livros e mangás. Já o couchê é aquele papel “que parece plástico”, também branco, mas com um toque mais suave, tipo seda ou “que parece não ser papel”^^.

A Devir não divulgou a gramatura do papel utilizado, mas é daqueles mais grossos. É importante saber isso, pois existem alguns mangás lançados em offset que possuem páginas mais finas e transparentes, mas não é o caso de Vênus Invisível.

São 272 páginas ao todo, das quais 35 são coloridas (estas distribuídas tanto no início, quanto no meio do mangá). Além disso, existem alguns “quadrinhos coloridos”, isolados em algumas páginas em preto e branco.


SOBRECAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA


A sobrecapa de Vênus Invisível utiliza a mesma ilustração da versão japonesa e a única mudança é realmente o idioma, passando de japonês para o português.

Em termos de acabamento, ela se mostra  diferente dos outros mangás da Devir. Enquanto os outros mangás da editora possuem uma sobrecapa fosca, a de Vênus é brilhosa, parecendo até que foi usado um tipo de papel diferente. Além disso, ela parece ser mais grossa do que de outros mangás, dando a sensação de ser mais “firme” e resistente.

Só que o grande detalhe dessa sobrecapa é outro. O verso da sobrecapa possui uma imagem extra, uma imagem limpa, sem texto (o que pode ser interessante para os que não gostam de sobrecapa, pois podem pegar o item e o transformar em um pôster^^).

Notem a seguir que as imagens são diferentes. A sobrecapa possui um olho com a personagem séria no meio dele, enquanto o verso possui o outro olho com a personagem sorrindo. O que isso significa? Bem, só lendo o mangá para saber… ou não^^.

Agora falando da quarta-capa (a parte de trás do mangá), como foi possível ver nas imagens acima ela é uma imagem contínua que vem desde a capa. Em si, a quarta-capa é totalmente vazia só existindo o código de barras.

De um lado é fácil entender o motivo de ter ficado assim, afinal trata-se de uma ilustração única e quiseram dar destaque a ela. De outro, eu acho que tinha espaço para colocar uma sinopse, mesmo que pequena, em algum canto. Isso é algo de grande ajuda para as pessoas que compram em lojas físicas.

Eu entendo que o título e as demais inscrições da capa já dão a deixa do que é o mangá, mas uma sinopse seria interessante mesmo assim, principalmente para quem não conhece o autor. Uma sinopse falando quem é Junji Ito já seria suficiente para fazer despertar o desejo dos consumidores.

Uma sinopse também seria interessante para os que já conhecem o autor, pois alguns deles podem se sentir frustrados ao encontrar no mangá dois contos que ele já viu em Gyo (ainda que em Vênus Invisível tenha páginas coloridas que não tem em Gyo).

Evidentemente, ter ficado assim também pode ter sido uma imposição japonesa e aí a Devir não tinha o que fazer, mas isso é apenas especulação da minha parte.

Agora sobre a lombada da edição brasileira, ela ficou lindíssima. As cores mais bonitas da ilustração ficam em cheio na lombada e fazem ela se destacar em qualquer lugar. As cores utilizadas pela Devir no título, subtítulo e nome do autor e da editora ajudam bastante nisso. Ficou excelente.


CAPA


Abaixo da sobrecapa temos a capa em uma cor escura e aqui temos algo bem legal. Em ambientes neutros, sem muita luminosidade, você consegue até ver que tem um desenho nela, mas ele não é tão nítido assim. Entretanto, ao manusear o mangá contra a luz, em um lugar claro ou com ajuda do flash do celular, você consegue ver a arte em mais detalhes. É um efeito muito legal. Vejam.

Notem como realmente até é possível ver alguma coisa, mas só com a luz é que os detalhes se mostram bem mais nítidos. Isso é um detalhe que gostei bastante.


PIN-UP


O mangá possui um pin-up em seu interior. Pin-up é um pôster encartado, daqueles que não é possível (ou não se recomenda) tirar. O pin-up possui imagem na frente e no verso. Vejam a seguir:

Frente
Verso

PAPEL DO MIOLO


Em seus mangás, a Devir costuma usar algum papel da família offwhite, que são de cores mais creme e isso muito me agrada, pois eu prefiro esses papeis menos claros e que são bons para a leitura e não refletem tanto a luz. Em Vênus Invisível, porém, a editora usou papel branco, dois papeis brancos, o offset e o couchê. De maneira geral, para as páginas coloridas e o pin-up, a empresa usou o papel couchê e para as páginas em preto e branco ela usou o offset.

Falamos “de maneira geral” por um motivo. As páginas coloridas não ficam apenas em um lugar do mangá, elas são distribuídas ao longo do volume. Aí existem alguns lugares em que há páginas coloridas esparsas e antes e depois delas algumas páginas em preto e branco também ficam em couchê. Além disso, existem algumas páginas em que há apenas um quadrinho colorido e o resto é preto e branco.

Talvez seja por isso que foi usado o papel offset nesse mangá, pois haveria uma discrepância de cores muito grande entre as páginas preto e branco, coloridas, e semi-coloridas. Eu realmente prefiro papel de cor creme, mas não discordo do uso do offset. Nesse caso específico mesmo, por conta da intensa variação de cor que seria o uso de um outro papel, é mais entendível ainda o uso dele.


OUTROS TÓPICOS


No todo, eu acho o acabamento do mangá muito bom: tem sobrecapa (que, em minha opinião, deveria ter em todos os mangás, de todas as editoras brasileiras), um pôster encartado, muitas páginas coloridas, é excelente. Além disso, a encadernação é muito boa, de modo que você pode folhear, manusear e ler o mangá sem qualquer problema. O único demérito é que, por ele ser grande e ter papel offset e couchê no miolo, ele é um pouco mais pesado do que a média, o que pode incomodar um pouco, mas não chega a ser nada demais.

Agora falando de elementos internos, as onomatopeias continuam a ser traduzidas. Como comentei em textos passados, sobre outros mangás da editora, não é algo que me incomoda, mas há muitas pessoas que consideram um sacrilégio e odeiam esse tipo de coisa. Se você é um deles, vale recordar que em uma live, no início de 2022, a Devir chegou a falar que estuda rever isso para futuros lançamentos, mas ainda não aconteceu em Vênus Invisível.

Para quem não sabe do que estamos falando, onomatopeias são (de uma forma bem restrita) aquelas inscrições que representam sons. Normalmente, nos mangás publicados no Brasil elas são mantidas em japonês e as editoras colocam uma legenda. Já a Devir traduz, como é possível ver na imagem abaixo.

Se eu tivesse que fazer alguma crítica nesse sentido de tradução de elementos é que determinadas coisas não foram traduzidas. Existem algumas passagens no mangá em que há uma inscrição em japonês (como em um papel, por exemplo) e a editora em vez de traduzir, manteve o desenho e colocou uma nota de rodapé. Isso não é incomum, algumas editoras fazem dessa forma, mas por utilizar onomatopeias traduzidas a gente gostaria de que essas passagens também fossem adaptadas para o nosso idioma, pois soaria mais natural.

Mas isso é uma questão de gosto, cada editora faz da forma que acha melhor. Só que o mangá possui alguns problemas reais quando falamos de texto. Na leitura, foram perceptíveis vários erros de revisão no mangá. Há uma ou outra crase mal colocada, vírgula fora de lugar, palavra que não deveria estar na frase, dentre outros. Para os mais desatentos pode passar despercebido, mas fica nítido para quem é mais exigente.

Não chegam a ter tantos erros assim, mas para um mangá que custa R$ 85,00 eles não deveriam acontecer. Fica esse ponto de atenção para a editora melhorar no futuro.


E UMA CONCLUSÃO


No todo, Vênus Invisível possui um acabamento que eu considero bastante satisfatório. Tem sobrecapa, um tamanho maior que destaca bastante a arte do autor, um efeito bem legal na capa, muitas páginas coloridas, então é uma edição que eu gostei muito realmente.

O problema principal dele é o preço. Ele custa R$ 85,00 e isso não é para todo mundo. Mas vale a pena mesmo assim? Vale a pena juntar dinheiro para conseguir esse título? Olha, eu considero as histórias presentes no mangá muito boas e não foi a toa que o autor ganhou o Eisner por essa obra. A seleção de contos presente neles é uma das melhores que eu li do autor, então eu realmente acho que vale a pena. Na Amazon, o mangá está sempre em promoção, então quem tem interesse vale dar uma olhada por lá…


Ficha Técnica


Título Original: 伊藤潤二短編集 BEST OF BEST
Título: Vênus Invisível – Coleção de Histórias Curtas: O Melhor de Junji Ito
Autor
: Junji Ito
Tradutor: Arnaldo Oka
Editora: Devir
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 17 x 24 cm
Miolo: Papel offset / couchê
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 272 (sendo 35 coloridas)
Classificação indicativa: Não divulgado
Preço: R$ 85,00
Onde comprar: Amazon

Sinopse oficialEste impressionante volume apresenta as dez mais notáveis histórias curtas do mestre Junji Ito (Uzumaki, Gyo), incluindo a clássica “O Mistério da Falha de Amigara”, a adaptação da perturbadora “Poltrona Humana”, de Ranpo Edogawa e o mangá autobiográfico “Mestre Umezz e Eu”, em que Ito conta a influência que Kazuo Umezz teve na vida dele (e como eles quase trabalharam em um projeto juntos). A sensacional Vênus Invisível, que dá nome a essa coletânea, é uma surpreendente história de ficção cientifica sobre uma linda jovem, que adora ufologia, e literalmente desaparece diante de seus pretendentes – uma história que só poderia ter sido criada por Ito. Inclui ainda: Bilhões Solitários, Poltrona Humana, Mulher Lambedora, Uma Paixão que não é deste Mundo, Como o Amor veio ao Professor Kirida, A Trágica História do Pilar Principal e O Filho Póstumo.


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1 Comment

  • A única coisa que me decepcionou, foi a lombada kk Fugiu do padrão que estava sendo seguido por Uzumaki e Gyō. De resto, ótimo mesmo. Não tinha me ligado nos erros de recisão, meio preocupante isso daí

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