Mangá Aberto: “Mortos de Amor”

Veja como está o mangá

Mangá Aberto é uma nova coluna de resenhas aqui do blog em que mostraremos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. O nome advém de um antigo blog em língua espanhola que fazia exatamente isso^^.

A ideia é apresentar aos leitores exclusivos do blog o que já fazemos em nossas redes sociais, mostrar fotos do mangá acrescentando alguns detalhes sobre as obras e opiniões. A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de Mortos de Amor, mangá publicado no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim em maio de 2023.

A presente postagem foi feita graças a um exemplar cedido ao blog pela editora, a quem agradecemos à parceria. As opiniões contidas no texto, porém, seguem a mesma premissa dos demais posts da coluna, elogiando o que é para elogiar e criticando o que é para criticar, então os leitores podem ficar tranquilos que a análise será sincera^^.


DETALHES SOBRE A OBRA


Mortos de Amor é um mangá de autoria de Junji Ito e começou a ser publicado no Japão originalmente nos anos 1990 na revistas de mangás shoujos de terror Nemuki, da editora Asahi Sonorama, tendo seus capítulos compilados em um único volume no ano de 1997. Em 2001, o autor fez um capítulo extra se passando após os acontecimentos anteriormente narrados.

Já em 2011, a obra ganhou uma republicação no Japão em uma coleção de obras do autor chamada de Masterpiece Collection (que a Pipoca & Nanquim publicará por inteiro no Brasil) e Mortos de Amor foi o quarto volume dessa coleção. Além dos contos que formam a história principal, esse volume compila outras cinco histórias de Junji Ito, publicadas em outras revistas japonesas como a Halloween (também uma revista shoujo de terror) e a Hana to Yume (também uma revista shoujo, mas que não é focada em terror.

No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Pipoca & Nanquim no dia 27 de janeiro de 2023 e foi lançado em meados de maio.


FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira veio no formato 15 x 22 cm. Para quem não conhece, esse é o tamanho padrão da maioria dos mangás da editora Pipoca & Nanquim (excetuando-se os publicados em capa dura), sendo maior que os títulos comuns da JBC e da Panini, por exemplo.

O acabamento é em capa cartão com sobrecapa e o miolo é em papel pólen bold (falaremos mais disso adiante). Ao todo são 412 páginas, todas em preto e branco.


SOBRECAPA


No Japão (e em alguns outros países em que se lançam mangás) todos os mangás são publicados com sobrecapa. Trata-se de um item (também é chamada de jacket, por alguns) removível que fica acima da capa. No Brasil, a maioria dos mangás são publicados sem elas, de modo que as imagens que ficam na sobrecapa original japonesa são colocadas nas capas brasileiras.

A editora Pipoca & Nanquim (à exceção dos mangás em capa dura) lança todos os quadrinhos japoneses com sobrecapa, igual ao original. Assim, Mortos de Amor também vem com esse item. Particularmente, aacho que esse é um dos maiores acertos da editora, pois mantém a identidade do produto nipônico e dá uma maior distinção aos mangás da empresa.

Em relação a Mortos de Amor, a parte da frente da sobrecapa da edição brasileira segue a mesma ilustração da versão japonesa, mas a versão local é mais sóbria, mais minimalista, dando uma aparência melhor ao todo. Já nas orelhas, temos uma biografia do autor em uma e a sinopse da obra em outra.

Em termos de acabamento, a sobrecapa é feita com um bom material e possui verniz localizado no título, nome do autor e logotipo da editora.

De maneira simplificada, verniz localizado é um tipo de acabamento que dá um destaque às partes em que é utilizado. Quando você passa a mão você sente algo diferente, quase em alto relevo. Além disso, quando movimentado contra a luz você percebe um reflexo nessas partes, dando uma característica aprimorada ao produto.

O verniz localizado também está presente na parte de trás da sobrecapa, tanto nos caracteres japoneses, quanto nas inscrições em nosso alfabeto. A lombada, por seu turno, também possui verniz nos mesmos elementos da parte da frente da sobrecapa.

No todo, considero uma sobrecapa muito bonita e bem feita. O único ponto negativo – na minha opinião – é a ausência de uma sinopse na parte de trás (ela se encontra nas orelhas como informado antes).

Eu compreendo que a maioria das vendas da empresa deve ser pela Internet, mas existem pessoas que compram em lojas físicas e em todas as livrarias que eu vi os produtos da Pipoca & Nanquim eles são vendidos lacrados, de modo que o possível consumidor não vai conseguir folhear e nem ler a sinopse que tem na orelha.  Embora o nome Junji Ito por si só possa ser um catalisador de uma venda, uma sinopse em destaque seria algo bem importante para os consumidores em geral poderem decidir com mais precisão.


CAPA


A sobrecapa fica acima da capa, então é necessário mostrar a capa também. O material da capa é o mesmo utilizado nas da maioria dos mangás (uma capa cartão comum) e não há verniz localizado e nem nada do tipo nela. O mesmo vale para a quarta-capa (parte de trás) e lombada.

Em comparação com a sobrecapa, a editora utilizou ilustrações diferentes para a capa e a quarta-capa, como é costume por parte da empresa, ficando algo bem legal. Já a lombada eu acho que ficaria melhor apenas com o título em português, sem os caracteres japoneses, mas como isso não ficará visível não chega a ser nenhum problema.


CAPAS INTERNAS


As capas internas de Mortos de Amor são brancas. Como eu já disse em outras postagens dessa coluna, eu prefiro que sejam assim, afinal é o normal dos mangás e livros mundo à fora (com exceção de edições especiais). Então, para mim, está tudo certo, está tudo ótimo.


PAPEL


O papel utilizado no miolo é o pólen bold. Trata-se de um papel de cor creme bastante utilizado em livros por ser bom para a leitura e não afetar os olhos. Também tem sido bastante utilizado em mangás de uns anos para cá. O pólen pode ser mais fino e mais grosso e o utilizado pela Pipoca & Nanquim faz parte dos mais grossos.

Eu considero esse um dos melhores papeis nos mangás da atualidade, pois ele tem realmente uma tonalidade melhor, assemelha-se aos mangás originais e dá grande qualidade na impressão, destacando a arte do autor. Sem dúvida, a Pipoca & Nanquim acerta e muito quando escolhe esse papel para seus quadrinhos japoneses.


ACABAMENTO


O acabamento geral do mangá também é muito bom. Além de usar um bom papel e ter capa cartão com sobrecapa e verniz localizado, a Pipoca & Nanquim utiliza costura em seus mangás, de modo que é possível abrir, ler e folhear o mangá muito mais do que os da concorrência em geral, não havendo nenhum problema de encadernação.

É um produto realmente bem feito e que vale cada centavo, daqueles que a gente olha e pensa que todos os mangás, de todas as editoras, poderiam ser assim^^.

Mostrando as costuras
Mostrando as costuras

TEXTO


A tradução de Mortos de Amor ficou a cargo de Drik Sada e, normalmente, os trabalhos dela são muito bem feitos e nesse mangá não é diferente (aliado, claro, à escolha editorial da Pipoca & Nanquim).

Em suma, eu achei a tradução e a adaptação de Mortos de Amor muito boa, daquelas que eu não canso de elogiar e que – em minha opinião – deveria ser o padrão de todos os quadrinhos japoneses. É um texto bem fluído, em um bom português, coeso e coerente, e que faz com que qualquer leitor que pegue o quadrinho para ler não se sinta perdido, mesmo que nunca tenha lido um mangá antes. Ou seja, é um texto em que o leitor não precisa conhecer convenções (fora convenções dos quadrinhos, obviamente) e não tem estrangeirismos desnecessários. É um primor de qualidade.

Para além disso, a editora colocou notas para explicar certas coisas (como o que seria um pager, algo que pode ter sido comum no passado, mas hoje ninguém conhece mais), também mostrando a preocupação da empresa para com todos os leitores. É um tipo de escolha editorial que muito me agrada.

Também não notei erros de revisão e achei que o letreiramento muito bom. O único ponto que eu não gostei diz respeito ao título dos capítulos. A editora deixa o título original (em caracteres japoneses mesmo) e coloca a tradução em baixo, vejam o exemplo a seguir:

Não sei se é uma escolha editorial ou uma sugestão/imposição da editora japonesa (pois é padrão nos mangás do Ito da PN), mas particularmente acho que ficaria melhor apenas com o título em português, com os nomes em japonês dá um aspecto meio poluído demais para a página…


PARATEXTOS


Os únicos extras da edição são uma pequena biografia do autor e uma descrição de onde cada conto foi publicado originalmente.


 A HISTÓRIA E UMA CONCLUSÃO


Mortos de Amor é uma coletânea de 10 contos, entretanto cinco deles foram uma única história que dá título ao mangá. Nesta história uma cidade – muita afetada pela neblina – tem uma crença de leitura da sorte nas encruzilhadas. Nesse ínterim, quando o protagonista da história, Ryusuke, chega a ela, um estranho ser apelidado de “Garoto da Encruzilhada” começa a aparecer fazendo predições amorosas negativas para as meninas, o que resulta em suicídio de várias delas. Nisso, o protagonista começa a investigar o caso e  logo fica claro que pode ter relação com ele próprio.

Essa é uma histórias padrão do Junji Ito, muito bem feita, daquelas em que uma coisa simples vai escalonando de um jeito que fica fora de proporções, ultrapassando o campo da loucura. É uma história sensacional e que vale por si só. Os demais contos têm seus méritos narrativos também, com alguns sendo muito bons e outros nem tanto, mas o que vale de verdade são os cinco contos iniciais que fazem parte da historia principal e é por eles que eu recomendo o mangá.

Apesar disso, a recomendação é restrita por conta do gênero, pois nas histórias de terror costumam ter mais coisas que muitas pessoas não se sentem bem lendo e Mortos de Amor tem muitas delas, como a já falada questão do suicídio. Então, a gente recomenda para quem gosta de histórias de terror, pois é um título que irá te agradar.


Ficha Técnica


Título Original: 死びとの恋わずらい
Título: Mortos de Amor
Autor
: Junji Ito
Tradutor: Drik Sada
Editora: Pipoca & Nanquim
Número de volumes no Japão: 1
Número de volumes no Brasil: 1
Dimensões: 15 x 22 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 412
Classificação indicativa: Não divulgado
Preço: R$ 86,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Um amor inocente desencadeia um inferno sangrento em outra coletânea soberba do mestre do horror Junji Ito! Ryusuke e sua família retornam para a cidade onde ele viveu sua infância, um lugar quase sempre encoberto por uma densa neblina e marcado por uma estranha tradição: seus habitantes gostam de ler a sorte com estranhos em encruzilhadas. Mal ele chega e começam a circular rumores sobre garotas que estão se matando por causa de um jovem encantador que perambula em meio a névoa lendo a sorte dos outros, o “Garoto da Encruzilhada”. Escondendo um segredo sinistro do tempo em que passou na cidade antigamente, Ryusuke agora vai tentar capturar o garoto e encerrar esse caso, porém… Composta de cinco capítulos tão cativantes quanto perturbadores, a história Mortos de Amor, que abre este volume, foi contemplada com um Prêmio Eisner em 2022, na ocasião de sua publicação nos Estados Unidos, e adaptada para filme live-action em 2001. Originalmente, saiu em 1996, época em que o autor estava escrevendo seu nome na História dos mangás de terror, dentro da revista Nemuki, da editora Asahi Sonorama (atual Asahi Shimbun), e ganhou uma quinta e última parte em 2001, para a satisfação dos fãs. Esta edição encadernada, elaborada no Japão em 2011, reúne ainda mais cinco contos inéditos no Brasil, dois deles protagonizados pelos bizarros irmãos Hizikuri, totalizando dez histórias de Junji Ito em sua melhor forma.


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2 Comments

  • […] Como eu disse na resenha anterior, compreendo que a maioria das vendas da empresa deve ser pela Internet, mas existem pessoas que compram em lojas físicas e em todas as livrarias que eu vi os produtos da Pipoca & Nanquim eles são vendidos lacrados, de modo que o possível consumidor não vai conseguir folhear e nem ler a sinopse que tem na orelha.  Embora o nome Junji Ito por si só possa ser um catalisador de uma venda, uma sinopse em destaque seria algo bem importante para os consumidores em geral poderem decidir com mais precisão. […]

  • Danilo

    Como sempre, o capricho da Pipoca & Nanquim deixa quase todas as outras editoras no chinelo.

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