
Conhecendo mais Miyamoto Musashi
Dizer que Miyamoto Musashi é uma das figuras históricas japonesas mais famosas no ocidente é chover no molhado. E isso acaba sendo mais verdade mesmo dentre os consumidores de mangás, visto que uma das obras mais emblemáticas e conhecida pelos leitores é Vagabond, de Takehiko Inoue, um mangá que retrata a vida do famoso espadachim.
Na verdade, muitas obras, de diversas mídias, contam e recontam a história dele e Vagabond não é o único mangá a fazer isso. No Brasil, além dele, tivemos também A Besta, de Hideki Mori e Miyamoto Musashi, de Shotaro Ishinomori, e a eles se junta agora A Lenda de Musashi de Mamoru Sasaki e Goseki Kojima, publicado recentemente pela editora Pipoca & Nanquim e do qual falaremos hoje.



A Lenda de Musashi visa a abordar um outro aspecto da vida do Samurai. Enquanto boa parte das obras falam da juventude de Miyamoto até sua luta mais marcante contra Sasaki Kojiro, esse mangá quer ir além a apresentar o espadachim mais maduro, suas ambições e questionamentos e o que o levou a escrever O Livro dos Cinco Elementos.
O mangá começa, porém, justamente no momento do auge de Musashi em que acompanharemos, por exemplo, o famoso duelo contra Kojiro e o nascimento da técnica com duas espadas. A partir do segundo capítulo, no entanto, veremos o desenrolar dos pensamentos e das dúvidas do espadachim a respeito de sua arte, como a questão das armas de fogo fazerem frente às espadas.

Durante o passar dos capítulos veremos o espadachim envolto em diversas situações e agindo com maestria conforme a necessidade. E se sua técnica com a espada continua excelente com o passar dos anos, sua mente ainda tinha dúvidas em relação a diversas coisas.
A mais emblemática das dúvidas se referia justamente à questão da vida e isso se mostrou mais incidentemente com a questão da perseguição aos cristãos no Japão. Musashi seguia como filosofia de que a vida não deveria ser jogada fora por pouca coisa, mas, no entanto, ele se vira em confronto com pessoas que morriam por acreditar em um Deus e não rejeitar a sua fé como o Governo queria.
O confronto do Espadachim com eles acabou gerando um grande balanço na cabeça dele, ao ponto de ele conseguir finalmente dissipar suas dúvidas e decidir não tirar mais a vida de ninguém com suas espadas. Esse capítulo em específico é esplendoroso de tão bom, pois a gente (que vive no mundo cristão) consegue ver um embate de ideias excepcional, que gera questionamento e até solução para dúvidas existenciais.



A Pipoca & Nanquim licenciou dois mangás de Goseki Kojima, Kogarashi Monjirou (do qual já falamos aqui) e A Lenda de Musashi. Embora o segundo tenda a ser linear, no sentido de ir acompanhando o passar do tempo, os dois mangás têm o comum o fato de os capítulos serem praticamente independentes, com cada um deles contendo uma história com começo meio e fim.
Falando especificamente de A Lenda de Musashi, cada capítulo possui um título e dentro desse capítulo acontece uma história e ela termina ali mesmo. Salvo engano, apenas em um dos capítulos ocorre uma reaparição de personagem. No mais o mangá vai se desenvolvendo capítulo a capítulo e pouco vemos da evolução do personagem.
Dito de outro modo, como os capítulos são quase independentes as coisas vão acontecendo, acontecendo e a gente não percebe uma mudança no Musashi ou porque o autor não conseguiu passar isso ou porque é muito sutil, de maneira que uma pessoa não versada no contexto não consiga entender adequadamente.
Claro, quando a gente compara o primeiro com o último capítulo se nota uma mudança radical, mas parece mais uma mudança tendo em vista o desenrolar para o final, como o capítulo envolvendo os cristãos.

Falando mais sobre não ser uma pessoa versada no contexto de vida do espadachim, durante todo o mangá aparecem personagens dos quais Miyamoto Musashi já ouviu falar ou já teve contato antes. No final, por exemplo, aparecem dois personagens que parecem importantes na vida do samurai, mas que até então não tinham aparecido nesse mangá.
A editora tem um glossário muito bom para nos contextualizar sobre quem são tal ou qual pessoas, mas em minha opinião a aparição desses personagens teriam muito mais impacto se a gente já os conhecesse antes. Talvez quem tenha lido Vagabond recentemente e tenha tudo fresco na memória ou quem conheça mais sobre a vida de Musashi a aparição deles seja realmente mais impactante. Para a maioria dos leitores (eu incluso) não foi assim.
No mais, dos dois mangás do Goseki Kojima da Pipoca & Nanquim, o Kogarashi Monjirou é melhor e por muito. Não estou dizendo que A Lenda de Musashi é ruim, apenas que ele não me causou tantas emoções assim. Ele é um mangá legal, com alguns capítulos excelentes, mas que tem seus problemas (como a citada pouca interação entre um capítulo e outro) de maneira que ele não virou “uma das melhores obras que eu já li”. De todo modo, é um mangá que eu indico para quem deseja ler mais uma história sobre o famoso Miyamoto Musashi.
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A Lenda de Musashi veio no formato 15 x 22 cm, com miolo em papel Pólen Bold 90g e capa cartonada com sobrecapa. É uma edição muito bem feita (tem miolo colado e costurado) como costumam ser os mangás da editora Pipoca & Nanquim.
Essa resenha foi feita graças a um exemplar cedido a nós pela editora Pipoca & Nanquim, a quem agradecemos a parceria. As opiniões a respeito da história independem disso.
Ficha Técnica
Título Original: 宮本武蔵
Título: A Lenda de Musashi
Autor: Mamoru Sasaki; Goseki Kojima
Tradutor: Drik Sada
Editora: Pipoca & Nanquim
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 15 x 22 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 268 (sendo 7 coloridas)
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 79,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: A lenda de Miyamoto Musashi (1584 – 1645), o espadachim que combinava força, técnica e astúcia para conquistar o título de invencível, criador do estilo de luta com duas espadas, já foi contada e recontada em romances, novelas, peças de teatro, filmes e mangás. Muito se fala do período de sua vida que vai da juventude até o auge no duelo contra Sasaki Kojiro, outro mestre da esgrima… Contudo, como foi a vida de Musashi após os feitos tão memoráveis dessa época? Quais experiências, dúvidas e angústias o transformaram para que cultivasse a sabedoria e serenidade com as quais escreveu o Livro dos Cinco Elementos no ocaso de sua vida? Mamoru Sasaki (1936 – 2006) — um roteirista tão prolífico quanto versátil, que contribuiu para programas de rádio, TV, filmes, tokusatsu e mangás dos mais variados gêneros — se uniu a Goseki Kojima (1928 – 2000) — consagrado autor de gekigás (mangás com tramas realistas voltadas para o público adulto) famoso pela arte das séries Lobo Solitário e Samurai Executor — para imaginar como teria sido a fase da maturidade quase desconhecida de Musashi, surpreendentemente repleta de inquietações, e seu papel em diversos episódios históricos na turbulência política e religiosa que marcou o Japão do século XVII. Para a celebração do aniversário de 50 anos do romance épico Musashi, de Eiji Yoshikawa, o mangá foi originalmente serializado em 1985 na revista Manga Action (editora Futabasha) e, no mesmo ano, ganhou uma edição encadernada.
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