Mangá Aberto: “A Feiticeira da Tempestade”

Veja como está o mangá

Mangá Aberto é uma nova coluna de resenhas aqui do blog em que mostraremos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. O nome advém de um antigo blog em língua espanhola que fazia exatamente isso^^.

A ideia é apresentar aos leitores exclusivos do blog o que já fazemos em nossas redes sociais, mostrar fotos do mangá acrescentando alguns detalhes sobre as obras e opiniões. A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de A Feiticeira da Tempestade, mangá publicado no Brasil pela editora Darkside Books em julho de 2023.


DETALHES SOBRE A OBRA


A Feiticeira da Tempestade é um mangá de autoria do conhecido “deus do mangá” Osamu Tezuka e se trata de uma coletânea de três histórias publicadas por ele em revistas para meninas no final dos anos 1950. Quais sejam:

  • 1) “A Feiticeira da Tempestade”, publicada entre setembro de 1955 e março de 1957 na revista Shojo Book, da editora Kodansha.
  • 2) “Agência de Detetivas Kokechi”, publicada entre abril e dezembro de 1957 na revista Nakayoshi, também da editora Kodansha.
  • 3) “Anjo Pink”, publicada entre abril de 1957 e fevereiro de 1958, também na Shojo Book.

A versão mais antiga (de que temos conhecimento) de uma coletânea em forma de livro desse mangá, com essas três histórias, data de 1993, tendo ganhado, posteriormente, versão digital e reedições impressas.

No Brasil, o mangá foi anunciado pela editora Darkside Books no dia 27 de junho de 2023 e foi publicado no finalzinho de julho.


FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira de A Feiticeira da Tempestade veio no formato 16 x 23 cm. O tamanho desse mangá é maior do que o da maioria dos mangás da editora (A Menina do Outro Lado, Deathdisco, Fragmentos do Horror, Contos de Horror da Mimi), sendo levemente semelhante ao de O Livro dos Insetos Humanos, mas menor que os mangás do selo Tsuru da editora Devir (com o Gyo).

Vejam a imagem a seguir, onde vocês podem ver a comparação de tamanhos, inclusive com mangás regulares da Panini.

O acabamento do mangá é em capa dura, com miolo em papel offset e corte colorido (falaremos disso mais adiante). Ao todo são 240 páginas, todas em preto e branco.


CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA


A maioria das capas dos mangás publicados no Brasil possuem a mesmíssima ilustração da edição japonesa. Isso não ocorre, no entanto, com A Feiticeira da Tempestade. A capa local utiliza ilustrações diferentes e faz uma composição única.

O grande destaque da capa, porém, fica por conta do nome do autor gigantesco nela, enquanto o título da obra fica diminuto, quase imperceptível. Isso – seja no mundos dos livros, seja no mundo dos mangás – sempre é alvo de críticas por parecer querer vender a obra mais pelo autor e não pela obra em si.

Particularmente, eu não me importo muito com isso, mas considero uma crítica justa, pois, além de tudo, isso é algo que pode gerar confusão em alguns leitores/consumidores. Já me aconteceu, por exemplo, de ver livros em que o título da obra era um nome de um personagem e não saber qual era o nome do título e qual o nome do autor, tamanha a desproporção da coisa. Em A Feiticeira da Tempestade, o leitor não vai confundir os dois, mas pode pensar que é uma obra sobre o autor e não dele mesmo…

Essa é uma escolha que a editora Darkside tem feito para seus autores consagrados (além de Osamu Tezuka, os dois mangás de Junji Ito lançados pela empresa têm o nome do autor em destaque), então é algo que devemos ver algumas vezes mais…

Acerca da quarta-capa nós temos mais uma bonita composição de imagens, além do título em japonês e um texto de Helen McCarthy sobre a obra. E aqui cabe a minha crítica ao trabalho da editora.

O texto em questão fala de Osamu Tezuka e do que ele tratou nos três contos presentes em A Feiticeira do Castelo. Entretanto, o texto não é uma sinopse. É apenas uma fala sobre o que se pode encontrar nos contos que o consumidor pode nem saber que estão no livro.

Sim, pois, em nenhuma parte da capa ou da quarta-capa diz que é uma coletânea de histórias ou menciona as três histórias. Assim, o texto fica sem contexto para o consumidor de lojas físicas, que nunca ouviu falar do mangá. É um texto vazio, que só fala para quem já sabe do que se trata.

Ao meu ver, se a editora queria colocar esse texto, ao menos devia ter colocado uma sinopse-zinha em algum canto, falado que é uma coletânea, etc, etc, etc.

Não é a primeira vez que acontece isso, porém. Em O Livro dos Insetos Humanos, em vez de colocar uma sinopse, a editora também colocou um texto de McCarthy. Lá, porém, como se tratava de uma história só, o texto dava uma boa ambientação e nos deixava intrigado, o que não acontece em A Feiticeira da Tempestade.

Acerca da lombada, a editora Darkside Books utilizou o mesmo design de O Livro dos Insetos Humanos, com uma composição de artes em preto e branco, o nome do autor em destaque e o título do mangá ao lado. De minha parte, achei bem bonita.

Em termos de acabamento, como dito antes, o mangá foi lançado em capa dura, sendo daquelas bem resistentes. Além disso, a editora usou verniz localizado no título, nome do autor e logotipo da empresa. Na lombada, a editora também usou verniz no título e no nome do autor. Na quarta-capa, por seu turno, o verniz localizado foi usado no título em japonês e no selo Darkside Graphic Novel. Os detalhes em verniz costumam dar uma maior sensação de estar adquirindo um produto de mais qualidade.


CORTE COLORIDO


Lombada é o nome que se dá àquela junção que fica entre a parte da frente de um mangá (a capa) e a parte de trás (a quarta-capa). Mas como se chamam as outras partes do produto, aquelas em que vemos as páginas? Ela é chamada de corte.

Em A Feiticeira da Tempestade o corte é colorido. Isso significa que em vez do tradicional branco das páginas (ou do preto caso as margens das páginas sejam escuras) veremos o corte colorizado, no caso, em um tom de rosa. Tanto o corte superior, quanto o inferior e o lateral são coloridos. Vejam a seguir:

O corte colorido é bastante comum em edições de luxo de livros ou em algumas edição especiais. No mundo dos mangás, isso é algo bastante raro e A Feiticeira da Tempestade é apenas o segundo título a ter corte colorido no Brasil. O primeiro foi Contos de Horror da Mimi, também lançado pela Darkside Books.


GUARDAS


As capas internas (também chamadas de 2ª e 3ª capas) são as partes que ficam na parte interna de um mangá, atrás da capa e da quarta-capa). Em títulos publicados em capa dura, o que temos são as guardas, que são folhas para unir o miolo à capa.

É comum que as guardas sejam lindamente enfeitadas, para dar um toque a mais no acabamento de luxo do produto. E em A Feiticeira da Tempestade isso também ocorre. A editora dispôs umas ilustrações de árvores, em um ambiente todo em tom rosa avermelhado, ficando em confluência com o corte colorido e o nome do autor na capa.

Guarda
Primeira folha após a guarda
Segunda folha após a guarda
Guarda
Primeira folha após a guarda
Segunda folha após a guarda

PAPEL


O papel utilizado no miolo é o offset, o mesmo usado nos demais mangás da editora e em títulos de outras empresas como o Neon Genesis Evangelion Collector’s Edition e One-Punch Man.

De minha parte, eu prefiro um papel de cor creme (por ser melhor para a leitura e tal) e acho que, principalmente em edições de luxo, esse devia ser o padrão, afinal conforto para os olhos também é sinônimo de qualidade. Feito esse disclaimer, o papel usado pela editora é bom e não vi nenhum problema de má impressão, transparência exagerada, nem nada do tipo.


ACABAMENTO GERAL


Como ficou claro, o acabamento dado pela editora do mangá é muito bom, com um formato grande, capa dura com verniz localizado e corte colorido. A encadernação é excelente e ele não chega a ser desconfortável para manusear, apesar do tamanho.

Assim, o único porém mesmo é o uso de papel branco, como falamos no tópico sobre o papel. De resto, nada a reclamar. O cuidado com a edição foi excelente.


DETALHES EDITORIAIS


O trabalho da editora em relação ao texto é quase totalmente impecável. A tradução é muito boa e a adaptação idem, o que deixa a leitura bastante facilitada e sem gargalo linguísticos. O único problema que eu vi fui uma frase truncada bem perto do final, onde, em vez de usarem um “e”, usaram um “mas”. O sentido ficou o mesmo, mas o uso do “mas” não ficou natural.

Em relação às onomatopeias, a empresa usa o mesmo expediente das demais empresas do mercado, mantendo o original em japonês e colocando uma legenda com a tradução ao lado. Então se você nunca comprou um mangá da editora, não sentira nenhuma diferença.

No mangá temos um aviso aos leitores falando que a obra é fruto de seu tempo e contém determinados elementos que são preconceituosos. Dentre outras coisas, a editora e a Tezuka Productions diz que alterar ou mudar qualquer coisa de um autor já falecido não é a conduta correta a se fazer e, sim, deixar como estar para as pessoas refletirem ainda mais sobre esse problema.

Para além disso, temos também um texto de Helen McCarthy sobre a criação, por parte de Osamu Tezuka, de mangás para crianças. É um texto muito bom que fala sobre como devemos interpretar a obra, não comparando com a produção mais avançada do autor e, sim, levando em conta a época da criação e para quem se destinava. É um texto importantíssimo de ler.


 E UMA CONCLUSÃO


A Feiticeira da Tempestade é uma coletânea de três história de Osamu Tezuka. A primeira (que dá título ao mangá) apresenta as desventuras de uma princesa com um rosto horrível que acaba vítima de um golpe e o modo como ela tenta voltar a provar que é a princesa. É uma história frenética, cheia de aventuras, reviravoltas e um tom novelesco, com um enredo que parece o de um filme juvenil.

A segunda história, “Agências de Detetives Kokeshi”, é basicamente uma reunião de pequenos contos envolvendo uma garota que não tem medo de nada (no caso, literalmente) e que acaba resolvendo alguns mistérios, com sua perspicácia. São narrativas bem divertidas e também cheias de aventuras.

A terceira história, “Anjo Pink”, também é quase uma reunião de pequenas histórias, dessa vez envolvendo uma nuvem (chamada Pink) que toma a forma humana e ajuda diversas pessoas. Assim como as outras narrativas da coletânea, “Anjo Pink” é uma história juvenil com bastante tensão e muitas aventuras.

***

Apesar de o mangá ter apenas 240 páginas no total e ser uma coletânea de três histórias distintas, as histórias são longas e com muita coisa acontecendo, especialmente na primeira história. Contribui para isso, o fato de ter muitos quadros dentro da mesma página, o que pode acabar cansando.

De minha parte eu demorei um bom tempo para conseguir ler o mangá, pois eu não entrei de vez nas histórias. Não consegui encontrar o ritmo adequado, de modo que eu acabei cansando e deixei o mangá parado na estante por alguns meses. Voltei a ler recentemente e consegui ler tudo em poucos dias.

São realmente histórias juvenis, mas são muito agradáveis de ler. Lembram um pouco Turma da Mônica, os quadrinhos clássicos Disney, etc, etc, etc. É um mangá bem legalzinho e eu só não indico para crianças, pois mesmo para um adulto o preço é bem impeditivo, mas se você tiver a oportunidade (dinheiro e/ou alguma promoção imperdível) esse mangá vale.


Ficha Técnica


Título Original: あらしの妖精
Título: A Feiticeira da Tempestade
Autor
: Osamu Tezuka
Tradutor: Luiz Claudio Bodanese
Editora: Darkside Books
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 16 x 23 cm
Miolo: Papel offset
Acabamento: Capa dura e corte colorido
Páginas: 240
Classificação indicativa: Livre
Preço: R$ 89,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: A Feiticeira da Tempestade reúne três histórias publicadas na década de 1950. Ambientada no Japão do período feudal, a história que dá título ao livro gira em torno de duas jovens que são envolvidas em uma conspiração e precisam aprender a superar suas limitações, enfrentar os inimigos e uma maldição decorrente do pacto feito por seus pais. No meio de uma acirrada guerra entre clãs, a rainha do castelo Kuwagata sela um acordo com uma feiticeira e aceita trocar os rostos de suas futuras crianças, tendo como contrapartida a segurança do reino. O pacto é consumado um ano depois, quando a rainha dá à luz Ruri, uma menina com cara de bruxa, forçada a esconder seu rosto atrás de uma máscara. Hakobe, a filha da feiticeira, nasce com feição graciosa, mas, destoando de seus semelhantes, tem uma natureza positiva e o coração bondoso, o que irá gerar conflito com as intenções maléficas da sua mãe. A obra inclui também Agência de Detetives Kokeshi, cuja protagonista é Pako, uma estudante do ensino fundamental cheia de determinação. Com a ajuda de seu irmão Taro e do cão Moru, ela tenta desvendar os mistérios à sua volta valendo-se da facilidade de analisar a situação com precisão e calma, sem se intimidar com o perigo. Pako é a prova de que idade e tamanho não são obstáculos quando se tem coragem e iniciativa. Fechando a coletânea, Anjo Pink retrata a jornada da impulsiva Pink, uma nuvem em forma de garota, que desce dos céus para o mundo dos humanos em busca de diversão. Mesmo sob ameaças da rancorosa nuvem de chuva Sepia e do seu pai, sr. Brown, Pink permanece entre os humanos, fazendo amigos rapidamente e ajudando-os com seus poderes sempre que possível. Apesar de alguns reveses, ela transforma o seu círculo com a força da amizade, do respeito e da empatia.


NOS SIGA EM NOSSAS REDES SOCIAIS



2 Comments

  • Anônimo

    Uma edição maravilhosa para contos maravilhosos. Sim temos elementos que possam de alguma forma constranger leitores atuais mas contextualizando o lançamento das histórias na década de 50, no pós guerra, Japão destruído e sem perspectivas, para meninas e mulheres (algo raro para a época) mostrando que mulheres são fortes e capazes é sem duvida uma obra atemporal que relata problemas até hoje atuais. DarkSide Books como sempre não precisa nem falar né? Sem dúvidas a melhor em qualidade geral nos mangás. Eu particularmente amo capa dura e cortes coloridos, sei que a maioria prefere capa cartão com sobrecapa no entanto, talvez para esses leitores esse quesito não os atraia, mas eu comprei, li muito rápido porque as historias me cativaram e avalio muito bem o mangá de forma geral. Osamu Tezuka não recebeu o título de Deus do mangá a toa e a DarkSide fez muito jus à obra. Sem contar que fica maravilhoso ao lado do Livro dos Insetos Humanos, igual a coleção Junji Ito da P&N. Para colecionadores é uma mão cheia. Queria outro títulos do Tezuka lançado por eles para fazer uma bela coleção, mas infelizmente já foram lançados pelas outras editoras. Recomendo a todos a compra e leitura desse mangá.

  • Vey… Que agonia ele não ser exatamente do msm tamanho dO Livro dos Insetos Humanos 😀

Comments are closed.