
Investigação atual
Watch Dogs Tokyo é um mangá de autoria de Seiichi Shirato e Shuhei Kamo e foi publicado no Japão entre 2022 e 2024 na Kurage Bunch, da editora Shinchosha. Seus capítulos foram compilados em dois volumes até o momento, com o terceiro (último da série) previsto para o dia 9 de julho de 2024.
No Brasil, o mangá começou a ser publicado agora em junho pela editora Mythos e a empresa nos cedeu um exemplar para análise. De posse do volume, lemos o mangá e agora viemos falar um pouco sobre ele para vocês.



UM POUCO DE CONTEXTO PESSOAL
Watch Dogs Tokyo, na verdade, é baseado em uma franquia de jogos da Ubisoft e a pessoa que vos escreve não conhece absolutamente nada sobre videogame, de maneira que eu nunca tinha ouvido falar da franquia até o anúncio do mangá.
Então, essa obra era um título que estaria fora do meu radar e, se a Mythos não tivesse me enviado um exemplar, provavelmente eu não o compraria, visto que algumas experiências anteriores com mangás baseados em jogos não foram das melhores (alguns não faziam sentido algum e outros pareciam apenas um manual de jogo).
Aliado a isso, a sinopse do mangá (divulgada no site da editora e em outras lojas online) não me pegou e parecia algo bem genérico e sem carisma ou, quando muito, algo que fosse direcionado apenas e tão somente a quem já conhece a franquia.
Nesse sentido, eu comecei a leitura do mangá bastante desconfiado, mas fui surpreendido com uma boa história, bem consistente, coesa e que não precisa ter qualquer conhecimento prévio para poder entender.
UM POUCO DA HISTÓRIA
Watch Dogs Tokyo se passa no Japão, mais especificamente, na cidade de Tóquio em uma ambientação levemente futurista (mas quase contemporânea) na qual uma empresa desenvolveu um sistema complexo (chamada J-ctOS) que envolve uma inteligência artificial que é capaz de prevenir diversos incidentes, como desastres naturais ou mesmo crimes.
Tal sistema acaba sendo de grande valia para a população, pois tornou a vida de todos mais prática. Entretanto, a falta de privacidade passou a reinar, pois todos os dados das pessoas passaram a ser registráveis (o que elas compras, o que comem, onde vão, etc).

Se isso em si já é um problema (afinal dados pessoais podem ser usados de forma ruim), torna-se pior quando a corporação por trás da estrutura realmente usa esse controle sobre a população para atos escusos e ilícitos. E é aí que começa a história do mangá.
Na obra, a gente acompanha o policial Goda e sua tentativa de mostrar que o sistema está sendo usado de maneira injusta e ilegítima, como para ajudar a eleger um determinado político ou para ajudar certas organizações. Para tanto, Goda acabará se juntando se um grupo de hackers ativistas chamado DedSec…
O mangá começa no “tempo presente” da história com Goda e uma ajudante invadindo um certo prédio em busca de provas dos atos ilícitos com uso da J-ctOS e sua empresa criadora. Posteriormente a isso, a obra volta um ano no tempo, mostrando como Goda – por meio de uma investigação de assassinato – começou a desconfiar da J-ctOS e como teve contato com o grupo de hackers.
DESENVOLVIMENTO E REFLEXÕES
Watch Dogs Tokyo é basicamente um mangá de investigação daqueles convencionais, mas usando de uma temática muito atual, como a manipulação da sociedade feita pela Internet, os problemas de se confiar em inteligência artificial, dentre outras coisas.

Assim, a obra tem várias cenas de ação, então mais de uma vez veremos embates, troca de tiros (ou quase isso) e luta corpo a corpo, em meio às investigações do protagonista. Desse modo, o mangá vai criando cenas intensas o tempo todo, causando expectativa, êxtase e um sentimento catártico no leitor.
Em meio a isso, há diversas reflexões sobre a sociedade atual e sobre o que ela poderia vir a ser. Primeiramente, por ser uma obra investigativa, há a tradicional indagação sobre o que é “justiça” de verdade e a impossibilidade de chegar a uma resposta elucidativa. Em seguida, temos o mais importante que é o perigo da manipulação em massa por conta da inteligência artificial.

Watch Dogs Tokyo mostra bem que um sistema baseado em inteligência artificial tende a ser falho porque, no fim das contas, se trata apenas de algoritmos criados por seres humanos e esses algoritmos podem ser manipulados em prol de um objetivo maquiavélico (ou vários objetivos maquiavélicos).
O legal desse mangá é que a trama em si é inteiramente sobre isso, mas o que torna o mangá divertido são as investigações e as cenas de ação. Isto é, a gente começa a gostar do mangá pelas cenas que ele apresenta, mas a trama é que abarca tudo, sendo bem profunda (apesar de não parecer) e nos leva a refletir sobre o nosso próprio mundo, o mundo que quereremos e o que desejamos evitar.
Tudo isso, porém, só é efetivo porque o mangá é bem feito. Shuhei Kamo, responsável pelo mangá, consegue criar uma narrativa ágil, com boa arte e quadrinização, de maneira que a leitura é bastante fluída e natural. Assim, a gente é bem introduzido na trama e mesmo desconhecendo um termo ou outro, as coisas vão ficando muito claras e a história vai crescendo a cada momento.
Por fim, um dado importante é que se você não souber que é uma adaptação de um jogo (ou, se for igual ao meus caso, se você não souber como é o tal jogo) não lhe fará falta, pois o mangá é feito para ser centrado nele mesmo.
Isto é, você pode ler ele como qualquer outro mangá, sem ficar se preocupando com referências, ou se é continuação ou adaptação de um jogo. Esse é um outro ponto forte da obra, pois tudo o que é discutido, pois tudo o que é falado se encontra dentro do próprio mangá.

A EDIÇÃO BRASILEIRA
A edição brasileira veio no tamanho 13,7 x 20 cm (o mesmo tamanho do mangás da Panini), sendo menor do que a maioria dos mangás da Mythos, com miolo em papel offwhite (mas sem nenhuma transparência), e capa cartão com verniz localizado. O preço é R$ 36,90.
CONCLUSÃO
Eu realmente achei o mangá muito bom e é uma excelente pedida para quem gosta de obras investigativas, com um pouquinho (bem pouquinho) de suspense e muita ação. A obra consegue prender a gente muito bem na história e a trama é bem feita nesse volume inicial, levando a boas reflexões.
Para além disso, a edição brasileira é bem ok e o preço é bem interessante no atual mercado brasileiro (é raro ver mangás de cerca de 200 páginas por menos de R$ 39,90). Por tudo isso, recomendo bastante para quem tiver a oportunidade de adquirir, é um título que pode surpreender vocês do mesmo jeito que me surpreendeu.
Esta resenha foi feita graças a um exemplar cedido a nós pela Mythos, a quem agradecemos a parceria. As opiniões sobre a obra, porém, independem disso.
Ficha Técnica
Título Original: Watch Dogs Tokyo
Título: Watch Dogs Tokyo
Autor: Seiichi Shirato, Shuuhei Kamo
Tradutor: Gabriela Takahashi
Editora: Mythos
Número de volumes no Japão: 2 (a ser concluído em 3)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 228
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 36,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Siga as aventuras do Detetive Goda, do Departamento de Polícia Metropolitano de Tóquio, enquanto ele investiga um conluio entre políticos, yakuzas e a corporação envolvida no lançamento da J-ctOS, o painel da cidade inteligente usado para prevenir desastres naturais e a criminalidade. Suspenso de seu cargo, Goda irá formar uma parceria com Bastão de Aço Inoxidável, uma hacker ativista DedSec, para revelar o domínio de Tóquio pelas mãos de oponentes gananciosos.
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