Mangá Aberto: “Battle Royale Omnibus”

Veja como está o mangá

No dia 2 de dezembro de 2023, a editora Pipoca & Nanquim anunciou, durante seu painel da CCXP, que iria republicar no Brasil o mangá Battle Royale, de Koushun Takami e Masayuki Taguchi. O lançamento começou entre o final de junho e início de julho de 2024 em uma edição luxuosa compilando três volumes originais em apenas um.

Battle Royale nasceu originalmente em 1999 como um livro escrito por Koushun Takami e se transformou em um sucesso instantâneo, ganhando em pouco tempo uma adaptação em mangá (2000-2005, em 15 volumes) e um filme.

A franquia chegou primariamente no Brasil em 2001 por meio do filme, chamado por aqui de Batalha Real. O livro original, por sua vez, só foi sair em março de 2014, pela editora Globo, sendo adotado o título Battle Royale.

O mangá, por sua vez, deu as caras pela primeira vez em 2006, pela editora Conrad, e após idas e vindas, foi concluído em 2011 em 15 volumes no total. Também saiu por aqui um mangá spin-off chamado Battle Royale – Angel’s Borders, em apenas um volume.


DETALHES INICIAIS


A nova edição brasileira do mangá foi chamada pela editora Pipoca & Nanquim de Battle Royale Omnibus por reunir três volumes em apenas um e vir em um acabamento de luxo.

Ele veio no formato 16 x 23 cm, com miolo em papel Pólen Bold 90g, capa dura com baixo relevo e hot stamping, e sobrecapa com verniz localizado. São 620 páginas no primeiro volume, sendo três coloridas. O preço é R$ 169,90.

Assim se trata de um produto bem grandinho e que se destaca bastante tanto pelo preço, quanto na estante por seu tamanho e grossura.


SOBRECAPA


A sobrecapa da nova edição brasileira possui uma ilustração própria (uma imagem colorizada da página dupla de abertura do primeiro capítulo), não sendo uma mera cópia das capas originais japonesas. Ainda assim, ela mantém um pouco da “estrutura” e do design com o fundo preto junto a uma ilustração.

A sobrecapa possui verniz localizado na ilustração, nomes dos autores e no título da obra. A composição em si é bem comum, mas a sobrecapa fica mais destacada com o verniz e dá um charme ao produto.

A parte de trás, por sua vez, usa a ilustração do segundo volume japonês (e que, igualmente, foi usado no segundo número da antiga edição local) e também possui verniz localizado na imagem, título e nome dos autores.

As mesmas impressões da parte da frente podem ser repetidas para a parte de trás, mas acho que seria necessário ter uma sinopse para apresentar a obra para os consumidores de lojas físicas.

A sobrecapa aberta mostra que existe uma sinopse nas orelhas, mas usualmente as lojas físicas mantém o produto lacrado, de maneira que não é possível para os consumidores lerem.

Fora isso, a sobrecapa é bonita, a composição da lombada é muito boa e faz bem jus à trama da obra. Já em termos de material, é uma sobrecapa comum, com o mesmo tipo de papel usado na maioria das sobrecapas.


CAPA DURA


A capa dura é de excelente qualidade possuindo detalhes em baixo relevo e hot stamping em cor especial. O baixo relevo e o hot stamping são lindos de se tocar e se ver.

Somente em mãos dá para ter noção de quão diferenciado é o produto, mas a seguir apresentamos algumas fotos e um vídeo para ver um pouco de como é.


GUARDAS


As guardas (partes internas da capa dura) são inteiramente pretas em ambos os lados, combinando bem com o estilo e design da capa e da sobrecapa.


PAPEL DO MIOLO


O papel utilizado no miolo é o Pólen Bold 90g, tanto nas páginas em preto e branco, quanto nas coloridas.

É o mesmo papel da maioria dos mangás da editora (a exceção são os mangás do Louvre), então se trata de um papel de excelente qualidade.

Pode ter uma certa transparência em uma página ou outra, mas é algo tão leve e tão de vez em quando que dificilmente será notado. Então é um excelente papel, talvez o melhor para obras luxuosas, então não há nenhum problema a se relatar.


ACABAMENTO GERAL


Por ser uma edição de luxo, obviamente o acabamento geral de Battle Royale Omnibus é excelente. Assim, ele tem miolo colado e costurado, boa sobrecapa, boa capa dura, papel excelente, encadernação ótima, etc, etc, etc. Assim, o único demérito que você verá na edição é ele ser um pouco pesado para carregar^^.


HISTÓRIA


A história de Battle Royale se passa em uma nação autoritária do leste asiático e que é governada por um tirano. Esta nação mencionada é fictícia, mas a descrição se assemelha a um Japão alternativo, sendo um país formado por um arquipélago de ilhas, mas onde praticamente não se permite críticas ao governo e o rock é um estilo de música proibido…

Uma das medidas totalitárias desse governo é escolher uma turma aleatória do 9º do Ensino Fundamental para participarem de um “jogo” chamado “O Programa”.

Os alunos são deixados em uma ilha, com uma arma (à mercê da sorte) e devem se matar até só sobrar um. Caso não queiram se matar, todos serão mortos automaticamente. Assim, sem saída, eles devem matar as pessoas que há pouco tempo eram seus melhores amigos…

A trama básica de Battle Royale é essa. E assim acompanharemos uma dessas turmas, no qual conheceremos o protagonista Shuya, um jovem com “questões ideológicas” e desejo de justiça que, ao perder seu melhor amigo logo de cara, quer reunir pessoas para escapar do lugar. Entretanto, uma vez dentro do jogo as pessoas mudam, sentem medo, e a matança generalizada começa de um jeito ou de outro, não existindo exatamente pessoas que se possam confiar. Ainda assim Shuya continuará tentando seguir com sua ideia utópica.

A obra, porém, não se foca apenas no protagonista e dá destaque às histórias e ao passado de vários dos outros alunos. Assim, antes de vermos alguém sendo morto, acompanharemos um pouco de seus desejos, sonhos, medos e ambições que acabarão ali naquele lugar. Também veremos o passado de outras pessoas que ficarão em destaque e que se mostrarão como personagens essenciais para o decorrer da trama…

***

Como um todo, o mangá é bem interessante e legal de acompanhar. As histórias dos personagens que perderão (ou não) suas vidas, o medo do momento, o desejo de sobreviver, a tirania dos malvados, a montagem das cenas, tudo é muito bom, tudo é muito bem feito, tudo é muito legal de ver e as mais de seiscentas páginas do volume passam voando.

A obra vai apresentando os personagens, ressaltando suas histórias e como cada um pensa em uma situação atípica, de vida ou morte. Há pessoas que têm certeza que receberão apoio dos amigos, há outros que acham que serão caçados logo de cara, e assim por diante, tudo de acordo com sua personalidade, de confiança ou falta de confiança, maldade ou ingenuidade.

O protagonista da obra, por exemplo, é sedento por justiça, mas toda sua construção é de alguém ingênuo, de alguém que acredita demais nas pessoas, mesmo numa situação crítica em que é cada um por si. Já outros personagens são malvados por natureza, não se importam com nada, e estão lá para sobreviver, e assim por diante.

Claro que existem coisas que podem não ser tragáveis a todo mundo. A obra é bem explícita e mostra diversas formas de violência na cara do leitor de uma maneira que fica no limiar entre ser necessário para mostrar o quão ruim é aquela nação, e o desejo do choque pelo choque desnecessário…

***

Afora isso, Battle Royale é realmente um mangá legal, divertido e intenso, mas não isento de problemas. O principal problema, a meu ver, e que se desdobra em todos os demais é que o título tem uma trama excelente, com um distopia intrigante, mas é meio caricaturizada.

Os personagens como um todo, por exemplo, são “personagens-tipo”, são personagens que a gente vê que só foram criados para aquele objetivo específico, para representarem aquele tipo de comportamento (o protagonista que acredita na bondade das pessoas e não se deixa corromper, o cara esperto bom em computadores e assim por diante).

Se a gente se deter mais especificamente ao governo, veremos que a obra coloca todos como malvados por natureza, ao ponto de não se importarem com as vidas humanas. Logo, todos os que se opõe ao governo (ou a alguma decisão do governo) acabam sofrendo ataques violentos, sobretudo assassinatos. Dessa forma, os que comandam “O Programa” igualmente são malvados ao extremo e o mangá não poupa detalhes ao mostrar isso aos leitores.

De um lado, isso é algo muito bom, pois mostra como esse governo ditatorial é ruim, pois todos os que estão do seu lado são pessoas malvadas mesmo, digno da mais absoluta repulsa, por outro lado isso é algo que diminui um pouco a verossimilhança com a realidade, como se a história fosse pensada de forma maniqueísta (o famoso só existe o bem e o mal).

Os alunos participantes de “O Programa” igualmente parecem divididos nessa dualidade “bem e mal”, existindo os personagens bonzinhos e existindo os malvados. A obra até tenta contornar isso, falando dos medos das pessoas e tudo mais, só que os personagens que se destacam acabam ficando, em sua maioria, nessa linha de pensamento maniqueísta.

Esse conjunto de coisas faz com que a obra destoe um pouco do que ela quer passar. A distopia apresentada é para ser algo sério, algo pesado, algo mais adulto, mas o “adulto” só é mostrado por meio da violência gráfica, mas em nível dos personagens, a obra é um pouco pobre, não conseguindo criar personagens únicos…


CONCLUSÃO


A qualidade do mangá da editora Pipoca & Nanquim é impecável como sempre, de maneira que é impossível se reclamar dos aspectos técnicos, todos muito bem feitos. A história também é bem interessante, apesar de termos algumas críticas.

O ponto, porém, de maior discussão é o preço. Desde que foi divulgado, o preço foi alvo de crítica por seu valor excessivamente elevado, R$ 169,90. E não tem muito o que se falar a esse respeito, é um preço extremamente alto e a grande maioria das pessoas não têm como comprar.

A questão é que (e aqui eu repito o mesmo que eu disse na postagem sobre o mangá O Declínio de um Homem) infelizmente essa é a realidade do país para um produto de luxo. Mais que isso, o preço acaba não sendo tão dispare quanto parece à primeira vista. Kimba, mangá lançado pela NewPOP, saiu por R$ 149,90 e ele tinha cerca de 100 páginas a menos, um tamanho menor, e nem sobrecapa usaram. Então o preço está dentro do que se espera pela qualidade apresentada.

Então, é um preço muito alto? Muito, muito mesmo, mas está tudo dentro da média do mercado. No mais, a gente só pode indicar para todos ficarem atentos às promoções, pois ele pode ficar com preços um pouco menos impeditivos (um pouco).


FICHA TÉCNICA


Título Original: バトル・ロワイアル
Título: Battle Royale Omnibus
Autor
: Koushun Takami; Masayuki Taguchi
Tradutor: Drik Sada
Editora: Pipoca & Nanquim
Número de volumes no Japão: 15 (completo)
Número de volumes no Brasil: 2 (ainda em publicação / a ser concluído em 5)
Dimensões: 16 x 23 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa dura com sobrecapa
Páginas: 620
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 169,90
Onde comprar: Amazon

SinopseShuya  cresceu em um orfanato e sonha em se tornar um astro do rock; Noriko é uma garota doce e gentil que gosta de cozinhar e cuidar de seus irmãos; Shinji é o melhor atleta da escola e faz sucesso entre as colegas; Kawada é um sujeito de poucas palavras que guarda um terrível segredo; Sugimura é um lutador habilidoso que domina todas as artes marciais; Kazuo é um impiedoso líder de gangue; e Mitsuko sabe usar o sexo para conseguir tudo o que quer… O que estes jovens têm em comum? Foram todos selecionados para “O Programa ”, um jogo sádico promovido por um governo ditatorial, que reúne todo ano 42 estudantes do fim do Ensino Fundamental em um local isolado, obrigando-os a caçar uns aos outros até que reste apenas UM sobrevivente. Enquanto alguns alunos não perdem tempo e logo entram no jogo, Shuya e Noriko se recusam a participar da carnificina, determinados a encontrar alguma forma de fugir daquele pesadelo sem precisar sujar as mãos de sangue. Mas, quando a ordem é “matar ou morrer”, até que ponto eles podem confiar em seus colegas de sala?


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