Resenha: “Salaryman Z #01”

Um outro Zom 100???

Salaryman Z é um mangá de autoria de NUMBER 8 e Ten Ishida que começou a ser publicado no Japão em 2023 na revista de mangás seinens Morning, da editora Kodansha, e ainda está em andamento, atualmente com 6 volumes publicados.

Esse é um título que foi abraçado pela Panini em vários países do mundo, tendo saído por ela na Argentina (desde julho de 2025), Espanha (setembro de 2025), além de México, Itália e França (desde outubro de 2025). No Brasil, foi anunciado pela mesma editora em julho de 2025 e o lançamento começou também em outubro.

Salaryman Z é mais um mangá que vem na esteira do clássico Apocalipse Zumbi. Na obra, acompanhamos um assalariado japonês chamado Yusaku Maeyamada, um homem da atualidade, que vive no mundo após a pandemia de Covid, mas que tem dentro de si o “espírito” de um “salaryman” das antigas, que faz de tudo e mais um pouco pela empresa em que trabalha.

Certo dia, em meio à rotina do trabalho matinal, coisas começam a acontecer, as linhas de trem sofrem atrasos, e logo começam a surgir monstros na cidade, ou melhor dizendo, as pessoas começam a se transformar em zumbis. Maeyamada toma para si a responsabilidade do momento e começa a organizar a empresa para que todos possam sobreviver, tratando tudo como se fosse… mais uma rotina do trabalho…

Nesse primeiro volume, Salaryman Z é uma grande galhofa, um mangá que faz a gente rir com diversas baboseiras colocadas à torto e a direito, em especial por conta do protagonista totalmente fora da casinha.

Yusaku Maeyamada é um salaryman bem antiquado, com toda uma mentalidade tradicionalista acerca do trabalho, das obrigações como funcionários, no trato com os subordinados e clientes, mas também acerca da ética, mesmo em situações pouco usuais.

Assim, ele vive repetindo frases de figuras importantes da indústria e toma suas atitudes tendo elas como norte e/ou ponto de partida. E ele não faz isso exatamente de maneira caricata, mas sim séria, como para mostrar o jeito como um funcionário japonês deve agir.

A grande galhofa acontece porque o rapaz, ao ver a situação de emergência em que estavam, estabelece métodos de sobrevivência como se estivesse lidando com “clientes”, como se fosse nada mais, nada menos do que um trabalho.

Desse modo, ele identifica como a vida ficaria sem luz e internet, trata um dos colegas de trabalho (que acabou mordido) como uma amostra para “entender o cliente”, dentre outras coisas.

Os próprios colegas de trabalho, volta e meia, acabam achando a situação um tanto quanto inusitada, mas meio que todos entendem que eles são funcionários de uma empresa que busca lucro e não um grupo de salvamento da humanidade.

Embora seja uma grande galhofa, o mangá parece ser muito uma exaltação desse estilo mais clássico do salaryman japonês. Há uma ode ao trabalho (ou antes à dedicação do trabalhador), às coisas tradicionais (a empresa do protagonista é de impressoras e papeis), à ética acima de tudo, e assim por diante.

Parece haver uma louvação exagerada a tudo isso desde a primeira página do mangá, falando sobre como uma pessoa deveria trabalhar em um ambiente realmente novo, totalmente diferente, como se as pessoas se resumissem ao que fazem, ao seu trabalho, sem uma maior individualidade.

Essa mistura de algo sério com uma galhofa faz o mangá parecer meio perdido no que quer, pois faz a gente rir de situações hilariantes ao mesmo tempo em que tenta passar uma mensagem do valor da pessoa ser dado pelo seu emprego e o modo como ela age.

Assim, esse volume inicial dista muito de uma obra recente de tema semelhante, Zom 100. O início de Zom 100 (e só o início, vale dizer) pega um funcionário que é totalmente explorado por uma empresa e ele fica feliz (como se tivesse se libertado das garras de um monstro cruel) ao ver que houve uma pandemia zumbi.

Assim, enquanto Zom 100 (repetindo, apenas no volume #01, pois depois o mangá vai para outras searas) parece ser toda uma crítica à sociedade atual, ao capitalismo, à busca pelo lucro incessante, Salaryman Z parece – por outra via – louvar tudo isso, como se quisesse dizer a todos que o funcionário é importante e que as pessoas deveriam se sentir gratas por trabalharem.

***

A bem da verdade, Salaryman Z não é um mangá ruim por si mesmo, pois a gente consegue rir muito das situações e o primeiro volume é até interessante e, em certo sentido, diferente.

Só que o interesse e a diversão proporcionadas não são o suficiente para a gente querer continuar a leitura, pois além de ficar aquela coisa de “será que estão querendo passar essa mensagem ruim mesmo?”, ele não nos mostrou nada que despertasse um interesse maior.

De nossa parte, então, a gente termina por aqui mesmo, e particularmente eu não recomendo esse mangá. Pode ser que melhore muito depois? Pode ser, é algo que acontece com algumas obras, mas não iremos continuar mesmo…


FICHA TÉCNICA


Título Original: サラリーマンZ
Título: Salaryman Z
Autor
: NUMBER 8; Ten Ishida
Tradutor: Graciela Naguisa
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 6 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 4 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offwhite
Acabamento: Capa Cartão
Páginas: 192
Classificação indicativa: 18 anos
Preço: R$ 46,90
Onde comprar: Amazon

SinopseNa era Reiwa existe um assalariado que leva a sério o modo antigo de se trabalhar. Yusaku Maeyamada, 40 anos. Seu cotidiano, dedicado a reflexões sobre os ensinamentos dos grandes empresários do passado, acaba abalado por um vírus desconhecido e uma nova pandemia. Estado de Emergência versus Filosofia de Trabalho. Eis o primeiro volume deste eletrizante “Businessman Survival”.