
Veja como está o mangá
As Grandes Desventuras Amorosas de Yumeko!, de Mamakari, é o primeiro mangá da editora Harlequin no Brasil e, como sempre fazemos nas primeiras publicações de novas editoras, iremos detalhar como está o mangá, seu acabamento físico, detalhes editoriais, dentre outras coisas.
Não falaremos da história, porém. Para isso, fizemos uma resenha específica, pois é um mangá que gostei de um jeito que achei necessário ter uma postagem própria para falar apenas da trama (leia clicando aqui). Dito isso, vamos ver como está o mangá.
CAPA, PAPEL E ACABAMENTO GERAL
As Grandes Desventuras Amorosas de Yumeko! teve os dois primeiros volumes lançados juntos pela Harlequin durante o mês de junho. As capas seguem as mesmas ilustrações da edição impressa japonesa da editora HarperCollins.
A Harlequin mantém um design semelhante com os corações, mas com uma fonte própria. Para o primeiro volume eu achei que não ficou lá essas coisas, mas combinou bem com o segundo.

O material usado na capa é o cartão 300g, o mesmo da maioria dos mangás no Brasil até onde a gente sabe. Então é um produto com características semelhantes aos quadrinhos japoneses que estamos acostumados por aqui.
A capa possui laminação fosca, sem detalhes adicionais. Ou seja, não tem verniz localizado, não tem hot stamping, nem qualquer outro detalhe. É uma edição com acabamento simples. O mesmo vale para a lombada e a quarta-capa.
Sobre a lombada (imagem a seguir), considero que podia ser melhor, visto que os elementos distam entre o volume #01 e #02. Embora não tenha ilustração contínua, a lombada tem elementos que advém da capa e da quarta-capa, como pernas de estrelas, aí isso faz com que no conjunto não fique harmônico.

Como é possível ver na imagem acima, os meus exemplares também vieram com lombadas desalinhadas (o texto do volume #02 está um pouco mais acima do que o #01).
Isso é algo meio inevitável, pois costuma ser problema de gráfica. O processo é feito por máquinas e o descalibramento delas pode fazer a impressão começar mais acima ou mais para baixo. Talvez outros exemplares estejam mais certinhos, depende da sorte.
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Sobre a quarta-capa (imagens a seguir), ela é ok. Não gosto muito do design, mas tem sinopse e isso é algo a se destacar. Nem todos os mangás possuem, então é sempre bom elogiar quando uma editora coloca.

Para terminar de falar sobre a capa (lombada e quarta-capa), vale deixar claro que o mangá veio em capa cartão simples (sem orelhas, sem sobrecapa). Assim, ele se configura com um mangá daqueles básicos, semelhante aos da JBC, Panini e Universo dos Livros.
Agora falando sobre o formato, o mangá veio no tamanho 13,2 x 20 cm. Esse é o padrão dos mangás da editora JBC atualmente, então (para quem guarda por tamanho) o mangá da Harlequin pode ficar na mesma estante sem problema.

O papel utilizado no miolo foi o Pólen Bold 90g. Esse é o mesmo papel usado pela Pipoca & Nanquim e Comix Zone em seus mangás. Também é usado pela JBC, NewPOP e outras editoras em algumas publicações, especialmente as de luxo.
É aquele papel creme, grosso e bom para leitura, com pouca ou quase nenhuma transparência. O Pólen Bold é um dos papeis que mais gosto, então acho que foi um acerto por parte da Harlequin.



A encadernação, por sua vez, é colada e costurada (como fazem Pipoca & Nanquim e Comix Zone), então é daqueles em que dá folhear e abrir o mangá bastante, sem medo de páginas caírem.
Assim sendo, o que podemos dizer é que acabamento geral do mangá é um grande meio-termo entre uma publicação comum e uma publicação premium. Ele usa o tamanho dos mangás básicos e com características deles (sem orelhas, sem sobrecapa, sem verniz localizado), mas por outro lado, ele tem um papel de excelente qualidade, além de ter miolo colado e costurado.
Embora R$ 49,90 seja um valor alto, as características do mangá fazem jus ao preço (considerando os mangás das outras editoras).


CAPAS INTERNAS E DETALHES EDITORIAIS
Sobre as capas internas, a capa interna da frente é totalmente branca. Ao lado temos uma folha de rosto e logo em seguida vem um sumário, uma nova folha e na página seguinte começa o mangá.


Na capa interna de trás, há o aviso de “Pare!”, com diagrama de leitura e tudo. Normalmente, as editoras colocam na última página, então é estranho ver na capa interna de trás, mas também não é nada a se criticar. Deve ter sido para economizar páginas e está tudo certo com isso.
Logo do lado, há a página com expediente, copyright e ficha catalográfica. É uma página básica que todos os mangás costumam ter.

Agora falando do trabalho editorial da Harlequin, eu posso dizer que gostei bastante, ainda que tenha algumas ressalvas.
Para começar, o tratamento dado às onomatopeias foi perfeito. Ela manteve o original japonês e colocou uma legenda do lado, de uma maneira bem inserida na arte, com fonte semelhante e não poluindo a página. Foi um trabalho semelhante aos das editoras mais tradicionais do mercado.



O trabalho com as letras dentro dos quadrinhos e balões também foi bem feito, não havendo nenhum balão cheio demais e nada descentralizado (ao menos que eu tenha notado). A única ressalva é que algumas fontes usadas causaram um certo estranhamento.
Na maior parte do tempo eu não vi problema, mas algumas vezes parecia que alguma das fontes escolhidas destoavam um pouco da “harmonia”. Eu não sou um especialista neste assunto, então eu não sei dizer se é só a minha percepção (por comparação a mangás de outras editoras) ou se há mesmo algum problema nas fontrs escolhidas.
Outra ressalva tem a ver com a montagem de uma das páginas do primeiro volume que acabou fazendo com que a impressão cortasse uma letra em um determinado quadrinho logo no início do mangá.

Assim como no caso da lombada desalinhada, isso pode ser coisa pontual de gráfica e outros exemplares estejam bem, mas talvez a página podia ter sido montada/diagramada de um jeito que se precavesse desse problema.
Mesmo empresas tradicionais enfrentam isso vez ou outra, mas não é algo constante. Então a Harlequin precisa se atentar a isso já que esse é o primeiro mangá da empresa.
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Agora falando de um ponto muito positivo, uma coisa que eu gostei bastante é que quase todas as placas (e demais inserções onde haveria texto japonês) estão traduzidas para o português. Então o nome da empresa onde acontece a história, os textos de um quadro negro, de um celular, de uma bolsa de presentes, tudo está em nosso idioma.
Isso é algo muito bom, pois evita notas de rodapé desnecessárias e torna a leitura mais fluída e “mais parecida” com o original. Apenas em um local eu reparei que o texto estava em japonês e tinha uma nota.



Agora falando em tradução, considero a tradução da Harlequin para esse mangá o mais próximo do 100%. É uma tradução e uma adaptação feita para o público leitor brasileiro de forma geral e não para o “leitor de mangá”. Assim, é um mangá com muito menos coisas japonesas, com menos notas de rodapé, o que torna a leitura muito mais imersiva para qualquer pessoa.
Um leitor de mangá experiente consegue ficar imerso em qualquer mangá, na maioria das vezes, mas certas características otakus da tradução (honoríficos, por exemplo) podem tirar a imersão de alguém de fora. Como a Harlequin tem um público específico, direcionar a tradução para algo abrangente é um grande acerto.
De mais e mais, não notei erros de revisão em nenhum dos dois volumes, e também não recordo de ter algum gargalo linguístico. Então foi um trabalho bom no geral.
CONCLUSÃO
Por ser uma empresa nova no ramo dos quadrinhos japoneses, havia dúvidas sobre como viria o primeiro mangá da Harlequin, visto que editoras de livros publicando mangás não é uma novidade e nem sempre elas tiveram um bom desempenho editorial.
A Harlequin, porém, tende a ser a melhor dessas editoras de livros que começaram a publicar mangás. Primeiramente, o mangá foi traduzido diretamente do japonês, o que é algo muito básico, mas basta lembrar que algumas traduziram seu primeiro mangá do inglês (como a Galera Record) que isso vira algo digno de nota.
As onomatopeias e a diagramação dos textos nos quadrinhos foram bem feitos e o texto (tradução, adaptação e coesão) estava muito bom.
Uma parte disso, certamente, é pela presença de alguns profissionais de mangá e língua em geral. O tradutor, Lucas Cabral, trabalha em obras da JBC, Panini e outras editoras atualmente. O copidesque foi feito também por um tradutor, o Lui Navarro, e a revisão teve como uma das responsáveis a conhecida Taki Okamura (ex-JBC e ex-Conrad).
Sobre a questão do acabamento físico, se o mangá tivesse orelhas ou sobrecapa seria algo próximo do suprassumo. Isso porque ele tem um papel excelente (o melhor para mangás em minha opinião), miolo colado e costurado e tamanho padrão de mangá no Brasil.
O mangá custa R$ 49,90 e esse é o mesmo preço de alguns mangás da JBC, MPEG e Universo dos Livros. E o mangá da Harlequin é nitidamente melhor do que a maioria. Assim, se tivesse esse acabamento a mais (as orelhas ou sobrecapa) seria algo bom demais para o preço cobrado.
Mesmo assim, o acabamento está bom, os detalhes editoriais também, e o preço está dentro da média do mercado. A empresa podia ter optado por uma edição de luxo ao estilo Pipoca & Nanquim, mas isso faria a obra ter um preço bem mais elevado, daí que a escolha da Harlequin foi muito boa, uma edição meio básica, meio premium, por um preço na média.
Gostei bastante do trabalho da empresa nesse primeiro mangá.
FICHA TÉCNICA
Título Original: デブとラブと過ちと
Título: As Grandes Desventuras Amorosas de Yumeko!
Autor: Mamakari
Tradutor: Lucas Cabral
Editora: Harlequin
Número de volumes no Japão: 11 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 2 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,2 x 20 cm
Miolo: Papel Pólen Bold 90g
Acabamento: Capa Cartão
Páginas: 192
Classificação indicativa: não disponível
Preço: R$ 49,90
Onde comprar: Amazon
Sinopse: Yumeko Koda nunca foi feliz com sua vida, nem com seu trabalho e muito menos com sua aparência. Só que, depois de sobreviver a um acidente que poderia ter sido fatal, ela acorda bem diferente. Os médicos alegam perda de memória, mas Yumeko gosta de pensar que sua verdadeira personalidade, apaixonada por si mesma e por tudo o que faz, apenas veio à tona. A mudança de atitude espanta, mas todo mundo logo se descobre encantado pela energia positiva e pela alegria que cercam Yumeko. Ela volta com tudo ao trabalho e também se permite sonhar com o amor. Até que uma suspeita sobre o acidente que a transformou é levantada… E se foi de propósito? E se houver um mistério maior envolvendo seu eu do passado? Será que isso tudo levará Yumeko de volta aos velhos hábitos?