Os 20 mangás mais longos publicados no Brasil

inu yasha

Hora de mais uma postagem opinativa e de curiosidade.

Listaremos os mangás com mais volumes publicados no Brasil. Eu sei que vocês imaginam muito bem quais títulos estarão presentes, então não haverá muita novidade, porém essa lista, por mais simples que seja, é capaz de mostrar algumas coisas sobre o Mercado Brasileiro de Mangás que as pessoas parecem não perceber com nitidez. Listaremos os vinte mangás mais longos publicados no Brasil e teceremos alguns comentários a respeito deles. Vamos à lista?

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top 10

O que pensar dessa tabela?

Dos dez títulos mais longos publicados no Brasil, seis deles foram publicados em meio-tanko. Apenas Naruto (normal e Pocket), One Piece (Panini) e Bleach foram lançados em formato tanko. Outro ponto a se notar é que metade dos mangás da lista foram publicados pela editora Panini. Também, como pode ser visto, há duas versões de One Piece e duas de Naruto na lista.

Essas informações dizem muita coisa do mercado de mangás brasileiro. Primeiramente, apenas títulos de sucesso estão presentes na lista. Talvez haja contestação quanto à Negima, mas o mangá tem sua força própria, além do nome de seu autor para lhe dar suporte.

Em segundo lugar é nítido que apenas Naruto, One Piece e Bleach são títulos realmente gigantes presentes na lista. Note-se que esses três são sucessos incontestáveis da Shonen Jump e, bem ou mal, tiveram animê exibido na televisão brasileira. Outro que pode ser considerado gigante é Inu Yasha. Mesmo se tivesse sido publicado em tanko, o mangá de Rumiko Takahashi teria um número de volumes enorme e estaria entre os mangás mais longos publicados no país.

top-20

O que pensar dessa tabela?

O TOP 20 vem para reiterar uma premissa já mostrada na primeira tabela: 8 dos 10 títulos da tabela foram publicados em meio-tanko. Contabilizando as duas, nota-se que dentre os 20 mangás listados, 14 foram publicados em meio-tanko e apenas 6 em tanko.

Ao olhar essa configuração é perceptível que obras com 40 volumes ou mais são dificílimas de serem lançadas no país. Dos títulos atualmente em publicação, apenas Naruto Gold e Tutor Hitman Reborn ultrapassarão a marca dos 40 volumes.

E tem mais: dentre todos os mangás lançados no Brasil só Naruto, One Piece, Bleach, Inu Yasha, Dragon Ball, Fairy tail e Tutor Hitman Reborn têm originalmente mais de 40 volumes.

O mercado brasileiro de mangás ainda é muito prematuro, especialmente no tocante a obras muito longas. Só para se ter uma ideia: de 2010 para cá apenas dois títulos inéditos com mais de 40 volumes foram lançados no país, Tutor Hitman Reborn e Fairy tail e, mesmo assim, quando este saiu por aqui ele ainda não possuía tantos números no Japão.

É triste dizer isso, mas mangás como Ah! Megami Sama! e Initial D (ambos com 48 volumes), entre outros, não têm qualquer possibilidade de saírem no país, a curto prazo.  Não estamos descobrindo a roda, mas os dados dessas tabelas comprovam bem a dificuldade de lançamentos de títulos longos. Basicamente, dos mais de 300 títulos publicados no Brasil, apenas 7 têm mais de 40 volumes. Isso é muito sintomático.

Mas por que não trazem títulos longos?

Você deve estar se perguntando justamente isso, não é mesmo? Um dos motivos de não trazerem títulos tão longos é a possibilidade de cancelamento. As editoras falaram algumas vezes que é muito natural que as pessoas deixem de acompanhar os títulos com o passar do tempo e, com isso, as obras podem começar a gerar prejuízo para as editoras. Por isso, quanto mais longo e menos famoso o título, mais complicado é de se trazer o mangá.

Note-se que dos 7 títulos “gigantes”, as únicas apostas arriscadas foram One Piece e Reborn, ambos pela Panini. One Piece tinha um histórico muito ruim de vendas na época da Conrad, enquanto Reborn tinha o seu cancelamento nos Estados Unidos como fator negativo. Mesmo assim a editora apostou e deu certo. Contudo, esse tipo de aposta é tão rara que nenhum leitor deve ter esperança de que as editoras lancem mangás muito longos, pelo menos não por agora.

Obviamente que pode acontecer de eles arriscarem em algum título, mas não se deve achar que veremos um zilhão de mangás gigantes ao mesmo tempo nas bancas.

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Há mais coisas a serem extraídas dessas tabelas. Mas deixamos isso para outro dia ou para outro blog, página ou fórum que queira utilizar os dados. Aqui preferimos colocar ênfase nessa dificuldade de títulos longos serem lançados no Brasil. E você, leitor, acha que há espaço para títulos gigantes no país? Os comentários são livres…

Biblioteca Brasileira de Mangás

16 comentários

  1. Bem interessante essa analise e o teu ponto de vista.
    Concordo com tudo o que você e, infelizmente, não acredito mais na possibilidade de séries longas por aqui (talvez no futuro com o formato Big da JBC).

    A única coisa que eu mudaria nessas tabelas são os meio-tankos, acho que não dá para usa-los em nenhum tipo de comparação. Primeiro que eles duplicavam o número de volumes, segundo que alguns nem eram mensais, as vezes até mesmo quinzenais. Além de questões como preço que influenciavam.

    Ótimo post como sempre.

    https://itadakimasuanimes.wordpress.com

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  2. Acredito que mais fatores devam ser analisados tb.
    Vcs falam de mangás grandes, mas mangás grandes estão bem ligados com a Shonen Jump.
    E o mercado BR de mangás tá crescendo bem, pois veja…se tratando dos maiores da Jump atualmente nós temos também TORIKO e Ansatsu, e muito provavelmente mais pra frente teremos Boku No Hero. Fora que já tivemos Dragon Ball, Reborn, Bleach, Naruto e . Ou seja…praticamente todos os mangás grandes da Jump. Só falta Gintama. Fora o Fairy Tail.
    Temos novos que também são grandes lá no Japão…como MAGI e Nanatsu no Taizai.

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    1. E também temos outros grandes sucessos lá no Japão e aqui, mas que são de menor número de Volumes e cada vez mais eles estão trazendo pra gente. Como Tokyo Ghoul, akame ga kill e terra formars.
      Acho que o fator “mangás compridos” não é lá um fator tão importante para analisar o cenário Brasileiro de Mangá. Até porq os mangás de maior volume já estão bem antigos…e temos os mais importantes atuais.

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      1. Não analisamos o cenário do mercado de mangás do Brasil^^. Achamos que o mercado brasileiro de mangás está excelente e as editoras têm trazido títulos muito bons, sejam eles conhecidos, sejam desconhecidos.

        O nosso foco foi mostrar uma coisa que as pessoas não percebem: mangás longos não têm vez no Brasil 😦

        Nossa definição de mangás longos foi 40 volumes ou mais no Japão. E só tivemos 7 deles no Brasil. (Naruto, One Piece, Dragon Ball, Bleach e Reborn (da shonen jump); Inu Yasha e Fairy Tail, de outras revistas). Além disso, de 2010 para cá só tivemos 2 mangás gigantes inéditos. Tivemos reedições de Naruto, Dragon ball e One Piece, mas esses não eram inéditos, então não contam.

        Esses dados mostram que mangás de sucesso inquestionável no Japão como Gintama (cerca de 60 volumes e ainda em publicação), Detetive Conan (mais de 80 volumes e ainda em publicação) ou Ah megami sama (48 volumes e concluído recentemente) dificilmente virão ao Brasil, pelo menos em curto prazo, por causa do alto número de volumes…

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      2. Gintama deu prejuízo inclusive em outros países o pessoal que vive pedindo vai ficar eternamente pedindo, não é kyon, ou vc acha que tem alguma chance, ainda que remota?

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      3. Guilherme, eu ainda não acredito que Gintama venha. Mas a Beth Kodama deu a entender que se “Arakawa under the bridge” vender bem, ele abre caminho para Gintama. Resumindo: se Gintama aparecer por aqui, só depois de 2018.

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  3. Negima! Magister Negi Magi deveria ter sido incluído na lista, mesmo que ele tenho tido força própria ou porque o nome do mangaká tenha lhe dado suporte. Foi uma exclusão da sua parte, mesmo com essas justificativas. Afinal, 76 números meio tanko é algo a ser, sim, considerado. E que outras coisas você poderia ter extraído dessas tabelas, Kyon? Você poderia me responder, por favor?

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    1. Muitas coisas. Um bem simples é o seguinte: há 3 mangás cancelados entre os 20 títulos com mais volumes. Cada um por um motivo diferente, mas serve para ver que não basta ter muitos volumes para que uma obra venda bem…

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      1. OPS! Agora que eu vi que Negima! foi incluso na lista. Não prestei bem atenção, peço desculpas a você por ter falado besteira. Enfim… Sobre os mangás cancelados, eu sei que Futari H foi cancelado por ser longo e não haver um fim. Ele ainda está sendo publicado no Japão. One Piece teve um histórico ruim de vendas, o que resultou o seu cancelamento pela Conrad, mas e quanto a Vangabond? Desconheço o motivo de seu cancelamento.

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      1. Ouch! Cara, que coisa doida! A Conrad fez uma coisa realmente sem noção! Se tivessem continuado com as duas, teriam ganhado muito mais dinheiro. Eu, hein? Vai entender essa editora maluca. HUAHUAHUA! É a primeira editora que eu vejo recusar ganhar mais grana com um mangá. Obrigado pela resposta, Kyon!

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  4. Há uma informação que seria imprescindível para esse tipo de análise, mas que ninguém há possui: Tiragem e vendagem. Todos sabemos o quanto cada titulo vende em terras nipônicas, mas em terras tupiniquins não. Lá como cá, as editoras não revelam o quanto venderam, mas há duas empresa que realizam esse levantamento e vendem para o mercado publicitário. Aqui não há esse mercado. Nessa ausência utilizamos os números americanos por terem um perfil assemelhado ao nosso (embora muito mais numeroso). Na ausência destas informações, o melhor que pode-se fazer é o que essa postagem nos ofereceu.

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