NI 34. Kadokawa expande no Ocidente

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Faz acordo com Crunchyroll e compra a Yen Press

Em 2008, a Kodansha deu um grande salto, do Japão aos Estados Unidos, fundando uma filial chamada Kodansha Comics USA, utilizando-se das bases da editora Del Rey que foi fechada, especializada no lançamentos de suas marcas e títulos no país. Algum tempo depois a editora firmou uma parceria com o Crunchyroll Mangas e passaram juntos a fazer lançamentos simultâneos de capítulos via a plataforma do Crunchy, enquanto a Kodansha Comics lançava os volumes físicos.

Agora quase 8 anos depois da investida de sucesso, uma outra gigante do Japão crava suas garras nas Américas: o grupo Kadokawa. Num perfeito déjà vu, a Kadokawa divulgou duas enormes negociações hoje: o acordo de exclusividade com o Crunchyroll e a compra de 51% da Yen Press.

A Yen Press é uma das maiores editoras americanas de mangá, segundo o release da empresa, a segunda maior, e agora sob controle direto da Kadokawa que possui a parcela majoritária das ações da empresa. A editora divulgou também enormes aumentos na venda de light novels no país desde que começou a publicá-los em 2014 e continua informando que, sob o gerenciamento da Kadokawa (a maior editora de light novels do Japão), a empresa irá investir agressivamente no seguimento.

Do outro lado, a Kadokawa firmou uma parceria com o Crunchyroll, que agora terá acesso exclusivo a todos os animes da empresa a partir do próximo ano. Além disso, haverá colaborações também na área das publicações, provavelmente nos moldes já testados e comprovados com a Kodansha.

Para quem não lembra o grupo Kadokawa é a união de várias editoras de médio porte que atualmente está em processo de fusão e reorganização, são elas: Kadokawa Shoten, ASCII Media Works, Enterbrain, Fujimi Shobo e Media Factory. Juntas elas se tornam um dos três maiores grupos editoriais japoneses de mangá, junto com a Kodansha e a Shueisha, e o primeiro e mais poderoso de light novels.

Vale comentar também que a terceira delas, a Shueisha, em 2002 também comprou uma grande parte de uma das maiores editoras do seguimento americano, a Viz Media.

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E como isso impacta o Brasil? As ações das 3 gigantes do mercado japonês comprovam o interesse dessas editoras em cortar os licenciantes e lançar elas mesmas seus próprios mangás da forma que querem. Futuramente, essas gigantes podem começar a se interessar nos arredores. Não seria absurdo, por exemplo, que toda a produção e adaptação das nossa versões acontecessem nos EUA e apenas fossem impressas no Brasil, como acontece com várias outras áreas e produtos.

O próprio Crunchyroll, grande parceiro da Kodansha e agora da Kadokawa, já mostrou interesse em lançar capítulos em português, chegando a provocar que tais acontecimentos estariam muito mais próximos do que imaginamos.

Entretanto ainda existe um outro lado que podemos ressaltar, embora não tenha abandonado os mangás, a Kadokawa claramente tem grandes planos para as Light Novels e, coincidência ou não, essas obras estão chegando ao Brasil com uma frequência inédita.

Será que esses “planos” nos Estados Unidos de aumento de consumo e publicidade das LN não pode também aumentar o nosso contato com essa mídia?

É com certeza uma boa época para ser fã de Light Novels!

4 Comments

  • Keiko-chan

    “Kadokawa Shohten….Gorano sponsa no tekio de, okori shimasu…”
    É tão bom ver esse nicho crescer. Antes na minha sala de fundamental e ensino médio, não tinha ninguém que gostasse de mangá. Hoje você vira o rosto e vê uma pessoa com camiseta do Soul Eater no banheiro.

  • Com mais coisas nos EUA isso não tornaria mais simples licenciar títulos aqui pro Brasil, digo, pra todas as editoras envolvidas?

    • Roses

      Não necessariamente. Ter o título licenciado nos EUA e França é com certeza uma boa base de como trabalhar com aquilo. O formato BIG, por exemplo, já vem sendo usado nesses mercados faz um bom tempo. Assim de fato, se uma editora quiser usar um formato desses, é mais fácil de provar a eficácia e da editora concordar.

      Mas em termos de simplicidade e facilidade nas licenças, até onde sei esse já é um processo bem simples, se comparado ao passado quando as editoras tinham que negociar com outras editoras por terem comprado as licenças para toda a América.

      Acho que no fundo o processo não mudaria, mas seria uma boa base para se apoiar, com certeza.

  • […] Mais recentemente, por exemplo, a Kadokawa Shoten comprou e tornou suas subsidiárias diversas editoras menores (ASCII Media Works, Enterbrain, Fujimi Shobo e Media Factory), que por sua vez se uniu a Dwango, tornando-se um dos maiores grupos midiáticos do Japão. Essa expansão e “canibalismo” das gigantes japonesas ultrapassou até seus limites territoriais, tornando-se multinacionais com sedes e subsidiárias na China, Coreia, Taiwan e até Estados Unidos, onde três das maiores editoras de mangás pertence às três gigantes japonesas. […]

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