BBM Responde: Qual a definição de mangá?

stockvault-doubt-and-solution-solutions-and-ideas-concept182817-1024x664Esclarecendo jargões do mundo otaku usados para os fãs, veículos e diferentes formatos!

Voltamos com mais um BBM Responde, uma coluna voltada para responder perguntas que encontramos nas redes sociais e sites. A proposta aqui é responder questões simples, mas que muitos leitores e colecionadores brasileiros têm dúvida. Igualmente a coluna tem como objetivo ajudar aquele novo leitor de mangá a navegar pelo nosso mundo que às vezes pode ser muito exclusivo.

Essa coluna é publicada sempre na primeira sexta-feira do mês e respondemos algumas perguntas dentro de um mesmo tema, dando dicas e ajudando os usuários a encontrarem as informações que precisam. Aproveitamos e convidamos também nossos leitores mais antigos a dividir suas dicas e experiências. Além disso sintam-se livres para usar esse espaço como um FAQ e perguntar qualquer coisa.

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  • O que é “Otaku” e “Otome”?

Termos japoneses que acabaram sendo ocidentalizados, usados para identificar os fãs, comunidade ou mercado de mangás, animes, light novels e toda a cultura pop e mercado relacionado. O termo “otome”, entretanto, vem sendo abandonado, devido a ser considerado um uso errado da palavra original (algo irônico, já que otaku também é e nem por isso foi abandonado).

No japonês, otaku é um termo pejorativo inicialmente relativo a pessoas que vivem em casa com seu hobby (daí o “otaku”, que significa casa), atualmente um indivíduo com um interesse obsessivo, similar ao sentido de nerd e geek. Dessa forma há otakus de trem, por exemplo, uma pessoa fanática por trens que os coleciona e sabe tudo sobre eles a la Sheldon Cooper da série The Big Bang Theory.

Por lá você encontra coisas como: manga otaku, idol otaku, travel otaku, PC otaku, videogame otaku, etc.


  • O que é “Fujoshi” e “Fudanshi”?

Duas formas de se identificar mulheres, Fujoshi, e homens, Fudanshi, independente de sua sexualidade, que gostam e apreciam o gênero boy’s love e/ou yaoi, não só nos mangás, mas também nos animes, dramas, músicas e todo tipo de mídia. Embora seja um termo originalmente pejorativo, com o sentido de pessoa podre, é usado pelo público com orgulho, ressaltando que não tem vergonha de seus fetiches.


  • Existe mais alguma forma de se chamar um fã?

Existem várias, na verdade, especialmente quando se fala de um fã de um certo anime ou obra em específico, similar ao que se faz com bandas, cantores e grupos artísticos. Mas existe mais alguns um pouco mais abrangentes, que tocam outros aspectos da cultura pop japonesa ou acabam sendo usados bastante para essa comunidade (embora não seja exclusivo deles):

Cosplayer: Aquele que faz cosplay. Cosplay é o ato de se fantasiar, emular e representar um certo personagem, geralmente da cultura pop. A pessoa que faz cosplay busca incorporar realmente ao personagem, ao ponto de, enquanto fantasiado, agir somente e tão somente como o personagem representado.

Doujin, Doujinka ou Doujinshika: Ainda podendo ser adaptado para doujinká ou doujinshiká, é aquele que produz doujinshis (ver mais abaixo).

Hikikomori: Literalmente “aquele que se confina”, é uma forma de se caracterizar as pessoas que vivem em reclusão por vontade própria, evitando contato social. Embora reclusos, Hikikomoris podem ter empregos, especialmente os tipo freelance, mas é muito comum serem Hikikomoris NEETs ou Hikoneets (veja abaixo).

NEET: Acrônimo de “Not in Education, Employment or Training”, diz respeito às pessoas que não possuem emprego, não estudam ou estão participando de qualquer tipo de treinamento. O termo acabou muito popular no Japão, onde é usado principalmente para classificar jovens (entre os 15 e 34 anos) que, além do sentido original, também não estão procurando emprego ou tentando qualquer formação.

Ookina Otomodachi: Literalmente “amigão”, é uma forma de se denominar o adulto que assiste ou consome obras infantis.

Rekijo: É um tipo de otaku viciado em história, geralmente com um foco pessoal em alguma época ou país. Entre os temas mais comuns estão a história clássica chinesa, a história japonesa (especialmente na época dos xoguns e era Meiji) e períodos de monarquia e nobreza europeus. Embora não tenha nada a ver com anime e mangá em si, existem muitos que unem os dois mundos, e por isso mesmo obras históricas são tão famosas no Japão.


  • O que é Mangaka?

Geralmente aportuguesado para Mangaká, é como se chama os autores de mangá. Podendo ser usado para artistas, roteiristas e qualquer envolvido na produção, escrita e desenho dos mangás ou qualquer quadrinho. No Ocidente, entretanto, é apenas utilizado para se referir a autores de publicações japonesas.

Curiosamente o termo também pode significar “transformar em mangá” (verbo), para casos em que filmes, novels ou qualquer outra mídia é adaptado para mangá, ou seja para a criação de um mangá sem história original. Nessa segunda acepção, entretanto, usa-se um kanji diferente. Por causa dessa confusão óbvia, o termo não pegou no Ocidente, por aqui usamos mesmo “adaptar” para nos referir a isso.

Alguns exemplos de obras desse tipo são os mangás de Madoka, Fate/stay night, as adaptações dos filmes de Makoto Shinkai, Code Geass, HAL, Cowboy Bebop, Log Horizon (mangá), Highshool DxD e os vários outros que vemos chegar aqui no Brasil. É uma categoria gigante.


  • Qual a definição de mangá?

Depende muito da língua em questão. No Ocidente é usado para classificar séries no estilo “mangá” ou que foram produzidas no Japão. No Oriente, embora tenha nascido como um estilo, a palavra atualmente é sinônima de quadrinho, independente de qualquer nacionalidade, estilo, formato e objetivo. Ou seja, mangá seria qualquer forma de expressão onde se usa quadros com desenhos.

Isso causa várias confusões, por exemplo, Lobo Solitário é um quadrinho (logo, mangá para o oriental) produzido no Japão (logo, mangá para o ocidental), mas no estilo alternativo gekigá (que não é parte do “estilo mangá” original). Ou seja, em alguns sentidos da palavra, Lobo Solitário não seria um mangá. Isso é muito claro de se perceber só de comparar a obra com qualquer shounen típico. Atualmente, entretanto, tanto gekigá quanto mangá perderam grande parte da concepção estilista, sendo mangá usado de forma mais universal no Japão e como indicador de nacionalidade no Ocidente.


  • Isso significa então que não existe mais estilo mangá?

Sim e não, o que antes era um estilo claro, tomou proporções tão absurdas que deixou de ser aquele estilo específico, virando um sinônimo de um tipo de produção, incluindo a forma de venda, de serialização, de criação e estilo. Dentro desse enorme monstro você encontra diversos estilos diferentes, o estilo shoujo, o estilo shounen, o estilo Jump, o estilo underground, etc, que seriam o conjunto de estilos e características recorrentes dessas demografias, revistas e comunidades.

Uma correlação que podemos fazer é com gêneros musicais, quando começou por volta de 1950, o Rock era um estilo bem específico que seguia um certo padrão. Com a popularização do gênero, ser rock diz muito pouco sobre o estilo específico, tendo virado uma família enorme de diversos subgêneros, com as mais variadas influências. O mesmo se dá com o mangá.


  • O que é manwha e manhua?

Ambos os termos são palavras derivadas de mangá, na verdade releitura da palavra em coreano e chinês, especificamente. Diz respeitos às obras em estilo mangá. No Ocidente, assim como mangá, são usado como forma de se especificar a nacionalidade, embora nem todo quadrinho coreano e chinês sejam manwhas e manhuas. Os webcomic coreanos, por exemplo, dificilmente são considerados manwha pela comunidade coreana, embora possa ser feitos nesse estilo.


  • O que é OEL?

Literalmente Original English Language, diz respeito a qualquer obra originalmente produzida em inglês, seja ela americana, britânica, australiana ou de qualquer outra nacionalidade. Um mangá japonês pode ser um OEL, contanto que o autor o faça em inglês. Seria a mesma coisa que um livro em língua portuguesa, seja ele de Portugal, Brasil ou Angola.

Na comunidade brasileira de quadrinhos, é às vezes erroneamente usado para indicar os mangás americanos, ou seja, nacionalidade e não língua.


  • O que é Oneshot? Yomikiri? Doujinshi?

Esses termos são uma enorme confusão, com vários “significados” inventados pela comunidade. Originalmente temos três coisas diferentes: os volumes únicos (com uma história fechada), os capítulos únicos (histórias fechadas) e as histórias (desde capítulos a volumes) amadoras.

Os volumes únicos, aquelas séries que estão completas com apenas um tomo, são divididos entre coletâneas (anthology, ver mais abaixo) e uma única obra de precisamente um volume. Em inglês pode ser chamado de “single volume”, mas no segundo caso também pode-se usar a expressão “oneshot”. Em japonês volumes únicos são representados pela contagem de 1 volume mesmo.

Oneshot (one-shot, raramente one shot) é uma expressão idiomática que, entre usos, significa algo que possa ser lido completo “numa tacada só”, tal pode ser usado para qualquer tipo de publicação que siga essa ideia de estar disponível na íntegra. Um exemplo de livro oneshot é o Homem que Foge, O Jardim das Palavras e HAL. Entretanto, se você tem um livro contendo uma coletânea de vários capítulos, o livro não é um oneshot, e sim cada um desses vários capítulos únicos e desconexos que é oneshot.

Os capítulos únicos, pela mesma lógica acima, são também oneshots, contanto que sejam completos e histórias fechadas embora possam vir a virar prólogo de uma obra maior ou ser continuado posteriormente, não muda o fato, entretanto, de terem sido lançados como oneshot. No Japão é utilizado o termo “yomikiri“, que literalmente significa “acabar de ler”, aquela mesma ideia de se ler numa tacada só, sendo essa a razão do termo oneshot ter virado a tradução padrão pelos americanos. Também pode se encontrar o uso de “short comic“, mas para qualquer história curta, seja de capítulo único ou não.

Por causa desse uso contínuo do termo oneshot para se referir às yomikiris, o público brasileiro otaku o usa às vezes exclusivamente como sinônimo de capítulos únicos. Ou seja, criou-se quase que uma definição que em português oneshot seriam apenas os capítulos únicos, independente do seu uso original em inglês (que inclusive possui uma infinidade de outros significados em jogos, revistas, fanfic, etc).

Nos volumes, yomikiri é comumente traduzido como capítulo ou história extra ou apenas “extra” mesmo, indicando o sentido de que se trata de uma história fechada e desconexa do resto. Tais yomikiris podem ser gaidens e bangaihens com o sentido de ser uma história fechada, embora muito comumente seja omitido o termo. Outros usos dessa ferramenta são os “testes de séries”, onde a ideia de uma série é apresentada e posta para votação, afim de ver a reação do público.

Por último, quando falamos de obras amadoras (sejam capítulos ou volumes), os japoneses utilizam o termo “doujinshi“, que significaria uma revista feita pela própria pessoa, ou seja, uma publicação amadora ou independente. Embora quase não usado, pela definição japonesa e americana, doujinshis também podem ser yomikiris e oneshots. Vale lembrar também que fancomic ou fanzine são traduções aceitáveis do termo. Também se usa “doujin“, “doujinka” ou “doujinshika” para identificar aqueles que produzem esses doujinshis.

Um último termo a ser citado é o yaoi, originalmente um tipo de doujinshi focado nas paródias, muitas vezes eróticas, de séries famosas, como aquelas obras que criam “pares românticos” com personagens existentes de outros autores. Vários desses juntavam personagens masculinos, como Lelouch x Suzaku (Code Gueass), L x Light (Death Note), Hanamichi x Rukawa (Slam Dunk), por causa disso yaoi passou a ter um sentido similar ao gênero boy’s love. Inclusive a expressão que criou o acrônimo, “yama nashi, ochi nashi, imi nashi” (sem clímax, sem fim, sem significado), foi adaptada para “Yamete, oshiri ga itai” (pare, minha bunda dói), mostrando exatamente essa predominância. No Japão entretanto, se usa yaoi para essas obras de caráter amador ou independente, enquanto as obras oficiais são classificada como “boy’s love”.


  • O que são círculos de doujinshis?

Em japonês chamado de “doujinshi circle” ou apenas “circle”, é como se chama os grupos de doujin que se unem para produzir seus trabalhos, geralmente unidos num tema em comum, dividindo os custos de impressão e produção.

Com o tempo, esses círculos passaram a ter uma acepção similar aos selos editoriais, uma forma de montar uma coleção. Inclusive daí passaram a existir círculos compostos de apenas uma pessoa, essas obras ganharam o apelido de kojinshi, e que os produz são chamados de kojin (literalmente indivíduo).


  • Por que editoras não lançam doujinshis?

Na verdade as editoras japonesas estão sempre de olho nesse tipo de produção, existem vários eventos (como o Comiket) onde esse tipo de coisa é vendido em stands e as editoras buscam novos talentos.

Um caso que eu conheço de cabeça é a autora de Emma e Otoyomegatari, Kaoru Mori, bem famosa na França e EUA, onde todo seu catálogo foi publicado. A autora iniciou sua produção em círculos de doujinshis, até ser “descoberta”. Posteriormente alguns de seus doujinshis foram publicados no volume Shirley.

Esse tipo de caso não é maioria, mas acontece até bastante. Uma vez publicados os doujinshis perdem esse nome, já que não são mais obras independentes. Ou seja, embora uma editora possa decidir encadernar e lançar um doujinshi, a partir do momento que ela o faz aquilo não é um doujinshis mais.

No caso das editoras brasileiras, seria muito difícil para elas terem acesso a essas convenções e autores independentes afim de negociar e lançar essas obras diretamente para o país. Outro ponto a ser considerado é que vários deles são paródias ou fazem referências a outras séries que podem ser empecilhos legais, por ferirem direitos autorais.


  • Tipos, formatos e veículos de mangás (quadrinhos)

Além das classificações envolvendo demografia e temática (que já comentamos bem anteriormente), há também classificações quanto ao formato e veículo. Tais não são comumente usadas ou citadas no Ocidente, mas são formas diferentes de se explorar esse meio de comunicação.

Comic: Ou comikku, diz respeito ao formato padrão, onde as páginas são divididas de forma variáveis e a história é formada de várias dessas páginas em conjunto. O típico quadrinho americano e europeu. Todos os tankoubons são comics nesse sentido. Uma tradução exata seria “quadrinhos”.

1 page: Literalmente “uma página”, são os quadrinhos cuja história se completa dentro de uma página, que pode ser dividida de forma variável em diversos quadros. Geralmente usado em jornais, comédias, paródias ou promocionais.

Yonkoma (4-koma): Literalmente quatro quadros, são as tirinhas típicas japonesas, similar às ocidentais de três. Existe toda uma regra de como trabalhar cada quadro e designs típicos, embora o estilo do traço seja geralmente o mesmo encontrado nos mangás. Yonkomas podem ser usados como formato padrão da publicação, onde a união dos vários yonkomas formam uma história, como K-on, One Week Friends e Azumangá Daioh, nesses casos chamados de Story Yonkoma; como para produção de extras e tirinhas de fato, como nos finais de Fullmetal Alchemist, nesse caso chamado de Fujouri Yonkoma (absurdo/ridículo, trabalhos de gozação, paródia e comédia) ou Moe Yonkoma (onde a história é feita para agradar e emocionar o leitor).

Ichikoma (1-koma): Literalmente um quadro, é o quadrinho formado de um único quadro, que sozinho já apresenta a situação e a conclusão. É especialmente usado na comédia. Um exemplo disso são as páginas de capítulo de Quem é Sakamoto?. Ao lado uma delas, onde o personagem usa uma lupa e um mapa para ver seu casa, como se fosse no Google Earth. Outro exemplo são aqueles quadros longos, onde a história se desenvolve conforme se movimente o olho de uma extremidade a outra, algo utilizado, por exemplo, nas lombadas somadas dos mangás. A diferença entre um Ichikoma e uma ilustração, é que o ichikoma necessariamente possui uma mensagem, uma ação, um motivo, uma história que devem ser interpretados. No Brasil encontramos isso em algumas charges de jornais e memes, por exemplo.

Web comic: Formato digital que utiliza sites para ser publicado. É especialmente famoso na Coreia do Sul e China. Comumente há os webcomics que imitam as páginas típicas de mangás e os que não seguem nenhum padrão de páginas de papel. Esses últimos são depois rearranjados de forma a caber nas páginas para serem impressos, caso isso aconteça; um exemplo é Hetalia. No mundo das light novels você também encontrará web novel.

Yomikiri: Como explicado acima, histórias curtas tipo comic de capítulo único. São comumente usadas para testar ideias, fazer propaganda (de filmes, animes, etc) e comemorativas. Alguns gêneros e revistas trabalham quase que exclusivamente com esse tipo de material (principalmente por focarem menos na história em si é mais no erotismo), como o Boy’s Love, Yuri e Hentai. Inclusive às vezes a história faz sucesso e é continuada de forma episódica, formando Tsudzuki Monos (ver abaixo).

Tsudzuki mono: Histórias formadas por diversos episódios separados, que embora sejam completos unitariamente, fazem parte de um todo maior. Um exemplo é Gourmet, onde cada capítulo representa histórias fechadas, mas com um mesmo protagonista, dentro de um mesmo universo. Ou seja, um pouco de antologia (anthology) e de story manga.

Anthology: Literalmente antologia, às vezes escrito em japonês como kushuu ou outras variações, são coletâneas de obras selecionadas, geralmente do mesmo autor, mas podem ser também em volta de um mesmo tema ou de uma revista em especial. Tirando o gênero e aspectos gerais, as histórias dentro são totalmente desconexas. Clique no link acima para mais informações.

Story Manga: Literalmente “história em quadrinho”, assim como no Brasil, é uma forma de separar os quadrinhos que tem a intenção de contar uma história e dos quadrinhos que servem para outras finalidades.


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14 Comments

  • “(…) quando começou por volta de 1950, o Rock era um estilo bem específico (…). Com a popularização do gênero, (virou) uma família enorme de diversos subgêneros, com as mais variadas influências. O mesmo se dá com o mangá.” -> achei este exemplo excelente para poder correlacionar.
    Mas falando só uma pitadinha sobre minha opinião sobre o grande e abrangente rock atual para poder correlacionar com uma certa demografia, acho que o rock meio que se perdeu ao longo do tempo, abarcando gêneros e mais gêneros, que são inventados da noite para o dia só porque uma música tem uma gaita ou um violino no meio da melodia… criando assim “duzentos mil” gêneros. Alguns exemplos são os subgêneros dentro do subgênero Heavy Metal, tais como Power Metal, Nu Metal, Metalcore e Gothic Metal, fora outros bizarros que eu olho e fico pensando onde isto acaba…
    Por um lado isto pode ser bom, por outro talvez não.

    Tudo isto me lembra muito o “seinen”, que abarca uma cacetada de coisas, algumas muito estranhas, como os animes com “menininhas” geralmente slice of life, entre eles: K-ON!, Lucky Star e Kill Me Baby, que simplesmente “não têm para onde ir”…

    • Roses

      Sim, Senna, o mesmo aconteceu com o mangá. Pegue Gantz e Inuyashiki, se você não soubesse nada do autor e de onde vem, ele tem muito mais em comum com graphic novels que mangá. Os quadros retangulares, a computação gráfica, falta da simbologia de mangás (aquelas gotas, fundos temáticos e de destaque, olhos grandes, etc), realismo maior. Compare aquilo com Tezuka e ache uma semelhança, te desafio. A verdade é que virou um estilo indiscriminado, qualquer coisa vale, literalmente qualquer coisa. E, como você comentou, seinen virou a casa padrão de qualquer coisa alternativa.

  • Posso polemizar? Se você mostrar “Turma da Mônica” pra um japonês, no japão, ele vai falar que é mangá. ;] Do mesmo jeito que se você mostrar a mesma revista pra um italiano, ele vai chamar de fumetti… e se mostrar dragon ball pros seus avôs(ou bisavôs), eles vão achar que “é um gibi bem legal!”…

      • DoutorSocial

        Há, achei quem nunca foi num evento de anime e participou de uma roda de gente que normalmente não se fala ao vivo. Já vi nego querendo BRIGAR por conta de “definições”. É que nem falar “desenho” e não “anime”: sempre tem alguém que se dói.
        Olha a seção de comentários desse vídeo, e você já acha gente chamando uns aos outros de “boçal”:
        https://www.youtube.com/watch?v=nboDmZwolwY
        Desde que eu vi esse vídeo eu mostro pro povo que gosta dessa briga, haha

        • Roses

          Bem, a ideia do post era exatamente mostrar que “definições” é uma questão de contexto e arbitrariedade da comunidade. O que é mangá, o que é oneshot, o que é otaku, nada disso é um “fato”, mas pura arbitrariedade sem fundamentação lógica ou condizente com a realidade original. É assim porque se criou o costume e pronto.

          • “Onde está a polêmica?” -> Ao comentar sobre este post com um amigo meu e ver o primeiro comentário do @DoutorSocial, me perguntei a mesma coisa…xD

            “Já vi nego querendo BRIGAR por conta de “definições”. É que nem falar “desenho” e não “anime”: sempre tem alguém que se dói.” -> Agora, sim @DoutorSocial, isto acontece mesmo. Nunca briguei por conta disto, mas as pessoas discutem por várias coisas. O ponto crítico destas discussões é quando não temos pessoas equilibradas o suficiente para não “matarem”/matarem umas às outras por causa disto. Eu mesmo “saio no tapa” com um amigão meu quando a gente discute por causa de certos assuntos. Mas mesmo que a gente se enerve por causa de nossos pontos de vista, ideologias ou filosofias, graças que somos equilibrados o suficiente para no dia seguinte ou mesmo minutos depois, estarmos comendo sashimi e assistindo algo juntos lado a lado sem ficar com aquela rusga/raiva.
            Mas na internet, acho que desde sempre, e cada vez mais potencializado, o anonimato faz muita gente dizer um monte de mer** sem a mínima preocupação, então nêgo xinga e ofende à vontade sem o menor pudor…u_u

  • Anna

    Olá, Roses, achei a matéria muito interessante e esclarecedora, só tenho uma correção. O termo para meninos que gostam de BL/yaoi é fundanshi (com A) e não fundonshi. Fundonshi é um tipo de roupa íntima masculina que se usava no Japão antigo
    Na capa desse mangá, dá para ver o que é um fundonshi:
    http://kissmanga.com/Uploads/Etc/7-19-2012/9571422i75041.jpg

    • Roses

      >.> não sei como deixei passar isso… deve ter sido autocorrect quando escrevi no celular. Um é fundoshi (só um n) o outro fudanshi (a e o n na segunda silaba). Obrigada pelo toque. 🙂

      • @Anna, só para registrar, também não é “FundoNshi”, é “Fundoshi”. E… fundoshi não é exatamente uma roupa íntima… os caras que lutam sumô por exemplo, usam fundoshi, apesar de hoje em dia ser um fundoshi, digamos, especial, chamado de “Mawashi”.

        Bem, eu também achei “Fundoshi” um termo muuuito estranho para homens que gostam de BL/Yaoi/etc., mas como não estou tão habituado com estes termos e tem muitas palavras no japa que têm significados diferentes dependendo dos kanji’s usados, achei que este pudesse ser um caso que eu não conhecia, e por isto não falei nada…rs

        • Anna

          Ah, sim, desculpa, acho que deve ter sido o corretor ou uma distração. Não sabia sobre o sumô, obrigada pela informação. Eu achei que fosse uma roupa íntima porque além desse mangá, vi também no drama Nobunaga Concerto o personagem usando isso por baixo do quimono.
          E eu só percebi porque sou fã de BL mesmo! kkkk

          • Roses

            Se fosse para traduzir seria algo mais parecido com tanga ou um biquíni. É uma roupa para tapar as partes íntimas, mas não é algo indecente de ser visto. No passado os homens usavam fundoshi para várias coisas, como trabalhar na água e lutas de sumo, é uma roupa mínima que tapa a área íntima frontal, mas não é uma roupa íntima como calcinhas, cueca e tal. Eu realmente gosto de pensar que é uma tanga-cueca ou uma sunga para o dia a dia, hehehe.

          • @Roses, sim, é traduzido como tanga mesmo.
            E sobre isso que você disse -> “No passado os homens usavam fundoshi para várias coisas, como trabalhar na água”, eu iria citar algo parecido, pois fundoshi é usado inclusive em natação…xD. Tem um fundoshi específico que é indicado para crianças que estão aprendendo a nadar…=)
            E, sim, não é como as nossas calcinhas ou cuecas, como eu disse não é “exatamente” uma roupa íntima, mas pode até ser tratada como.
            “Eu realmente gosto de pensar que é uma tanga-cueca” -> kkkkkkk, não tive como não rir disto… e sim, acho que podemos definir como isto aí mesmo. xD

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