Mangás no Brasil são os mais caros do mundo?

Ou: quantos mangás você consegue comprar com um dia de trabalho?

I

Há quem diga que os mangás estão ficando mais caros a cada ano e que agora só ricos poderão comprar mangás. Entretanto, a grande verdade é que comprar mangás no Brasil sempre foi um privilégio de uma parte da população mais abastada. Mangá nunca foi e nunca será para quem quer, mangá é para quem pode comprar. É claro que quanto maior o preço mais restrita é a parcela privilegiada que pode adquirir os produtos, mas ainda assim é incorreto dizer que agora só ricos poderão comprar mangás, sendo que a realidade sempre foi essa, mesmo na época que mangás custavam R$ 2,90.

As editoras buscam vender seus produtos para a classe média para cima, sejam pessoas com emprego fixo, sejam eles adolescentes que compram quadrinhos com o dinheiro que recebem dos pais. O antigo site da JBC, antes mesmo de a editora lançar mangás BIGs ou de luxo, já informava na parte destinada a anunciantes que o perfil do leitor da editora pertencia às classes A e B, ou seja ricaços^^:

Quando uma empresa diz que vai lançar um mangá por um preço mais acessível para “todo mundo poder comprar” ela está se referindo a uma população com menos poder aquisitivo, mas ainda assim abastada, afinal gastar R$ 13,90 em pedaço de papel é um valor muito elevado para as pessoas mais pobres.

É claro que nada impede que um cidadão que ganhe apenas um salário mínimo* seja um colecionador de quadrinhos japoneses, mas sem dúvida ele não é o público alvo nem da Panini, nem da JBC, nem de qualquer editora brasileira, afinal o salário mínimo no Brasil sempre foi muito baixo e não consegue cobrir os gastos de uma família.

*Uma observação importante. O valor que uma pessoa ganha, muito depende de toda a situação que a cerca e do que ela faz com o dinheiro. Ganhar um salário mínimo no Brasil e ter que sustentar uma família de duas ou mais pessoas significa uma situação de muita pobreza. Se, por outro lado, a pessoa ganha um salário mínimo e mora com os pais, os 937 reais são mais do que o suficiente para viver bem e ainda conseguir juntar dinheiro. Comprar mangás não deve ser problema para essa pessoa. Porém, quando falamos de trabalhador que ganhe um salário mínimo, imaginamos obviamente alguém que tenha que sustentar uma família ou a si próprio, sem depender de ajuda de familiares. Ou seja, imaginamos uma pessoa que tenha que pagar aluguel, alimentação, conta de luz, água, internet, etc…

II

Pensemos nesse trabalhador que ganha apenas um salário mínimo por mês. E se ele gostasse de mangás? Se quisesse ser um consumidor ele teria que reservar uma parte de seu dinheiro para a aquisição dos quadrinhos, tendo que deixar de comprar outras coisas.

Você já pensou em quanto essa pessoa precisaria trabalhar para comprar um mangá no Brasil? E quanto será que uma pessoa que more em outro país e ganhe um salário mínimo precisaria trabalhar para comprar um mangá em seu respectivo país? Foi pensando nisso que nós fomos olhar para outros países ocidentais, ver quanto é o salário mínimo neles e comparar com o preço médio dos mangás. Esse é o assunto da postagem de hoje: ver o quão acessível é um mangá em diversos países.

Vale comentar que a gente deixará de lado diversas variáveis da questão, como custo de vida, índice de desemprego, trabalhadores informais que ganham menos do que o mínimo, etc. A ideia aqui foi falar de um hipotético consumidor de mangás que ganha apenas aquele mínimo estabelecido pelo governo.

De igual modo, não entram aqui preços dos mangás em promoção. Consideramos apenas o preço cheio. Dito isso, vejamos país a país…

Ao final, há um resumo para quem não quer ler tudo^^. Recomendados que leia tudo, afinal são dados importantes, mas se tiver preguiça, clique aqui para ir ao final

III


FRANÇA


Antes de falar dos mangás, primeiro precisamos falar do salário mínimo na França. Até onde conseguimos pesquisar cerca de 10% dos trabalhadores franceses recebem um salário mínimo por mês. Assim como no Brasil, esse valor é constantemente reajustado. Em 2017, o valor foi de 9,76 Euros por hora ou 1480 Euros mensais. Na França, salário mínimo mensal é contado pelo período de 151,67 horas mensais (+- 22 dias de trabalho). Além disso, a carga horária semanal é de apenas 35 horas de trabalho (7 por dia), diferente da maioria dos outros países que serão apresentados nesta postagem.

Os valores apresentados acima referem-se ao salário bruto, antes dos descontos dos impostos. Após o desconto, o trabalhador recebe cerca de 1149 por mês. Porém, para efeito de comparação utilizaremos o salário bruto, visto que não tivemos como obter de forma precisa o valor dos descontos em todos os países analisados.

*A informação sobre o salário mínimo francês foi retirada de um vídeo do Youtube. Você pode conferir tal vídeo, clicando aqui. As informações dele são datadas de 2016. Os valores na nossa postagem usados são os de 2017. Você pode ler mais sobre o salário mínimo na França clicando neste link (a matéria está em francês). Em 2018, o salário subirá para 9,88 euros por hora.

***

Assim como em todos os países, o preço dos mangás varia bastante. Então utilizaremos o valor que vimos ser o mais praticado: 7 euros. Desse modo o trabalhador francês só precisa trabalhar menos de uma hora para conseguir comprar um mangá. Um dia de trabalho permite ao trabalhador comprar até 9 mangás. Sem dúvida alguma um salário para lá de bom para quem deseja colecionar quadrinhos japoneses no país.

RESUMO:

  • Salário mínimo: 68,32 € por dia ou 9, 76 € por hora.
  • Preço médio do mangá: 7 €
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: – de 1 hora de trabalho.
  • 1 dia de trabalho permite comprar: 9 mangás.

ALEMANHA


Pode parecer estranho para muita gente, mas há países que não têm regulamentação sobre salário mínimo, com o patrão podendo pagar o quanto quiser ou, em muitos casos, com cada categoria tendo um mínimo próprio.

A Alemanha era um desses países. Ela só adotou o salário mínimo universal muito recentemente. Como mostra a notícia do jornal O Globo, o país só começou a ter um valor mínimo em 2015, à época valendo 8,50 euros por hora trabalhada.

Em janeiro de 2017, o salário mínimo alemão sofreu um reajuste passando a ser de  8,84 euros por hora. Assim, se você trabalhasse 5 dias por semana, 22 dias por mês, com uma carga horária de 8 horas iria receber ao final do mês por volta de 1400 euros. Entretanto essa quantia trata-se de um valor bruto, antes do desconto dos impostos. Uma fatia considerável desse valor é retido, existindo variáveis de quanto pode ser esse desconto a depender de quem é a pessoa: solteiros e casados pagam valores diferentes, por exemplo. Mesmo com os impostos, pode-se afirmar sem medo que o trabalhador ganhará pelo menos 1000 euros líquidos.

Para efeito desta postagem utilizaremos o valor bruto. Desse modo, considerando uma jornada mensal de 22 dias, com 8 horas diárias de trabalho, o trabalhador alemão ganha 63,63 Euros por dia ou 7,95 Euros por hora.

(*Para saber mais sobre o salário mínimo alemão e os impostos eu recomendo alguns vídeos do canal Viaje com a Cris (clique aqui e aqui) e outro do canal Alemanizando (clique aqui).)

***

O preço médio de um mangá na Alemanha varia entre 6 e 7 Euros. Alguns um pouco mais, outro um pouco menos, a depender do formato e da editora. Utilizaremos aqui o preço de 7 euros. Assim, considerando um trabalhador que ganha um salário mínimo, ele teria que trabalhar uma hora para conseguir comprar um volume de mangá. Ao trabalhar um dia inteiro, o alemão poderá adquirir 9 mangás.

RESUMO:

  • Salário mínimo: 63,63 € por dia ou 7,95 € por hora.
  • Preço médio do mangá: 7 €
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: 1 hora de trabalho.
  • 1 dia de trabalho permite comprar: 9 mangás.

ITÁLIA


Não existe nenhuma lei que regulamente o salário mínimo na Itália. Desse modo não é possível verificar o quanto uma pessoa que tenha um trabalho formal e seja muito pobre precisa trabalhar para conseguir comprar um mangá. Logo, não poderemos incluir o país nas pesquisas.


ESTADOS UNIDOS


Falar de salário mínimo nos Estados Unidos é um tanto quanto complicado. Existe uma lei federal datada de 2009 que regula o salário em 7,25 Dólares por hora. Só que os Estados Unidos é um país bem diferente do nosso em termos de economia, leis e tudo mais. Com exceção da constituição, as legislações locais de cada estado valem mais do que a legislação federal. Desse modo, os estados têm autonomia para decidir (ou não decidir) o valor do salário mínimo. Nisso existem estados em que o salário é maior do que o estipulado pelo governo federal, em alguns é igual e em outros é menor. Alguns mais não tem legislação sobre o assunto e, em razão disso, seguem o que diz a lei nacional.

Vale comentar que nos estados em que o valor é menor do que o mínimo nacional não houve redução salarial. Eles simplesmente não subiram o salário quando a lei nacional foi aprovada. Você pode conferir qual o salário mínimo por estado, clicando aqui.

Devido a tudo isso, o salário mínimo pouco ou nada tem a ver com a média salarial do que o cidadão americano mais pobre recebe, tornando a comparação com outros países mais complicada. Ainda assim, como existem estados que seguem essa lei, utilizaremos esse valor para esta postagem.

Seguindo salário mínimo nacional norte- americano, os 7,25 Dólares por hora, viram 58 Dólares por dia (8 horas diárias) e 1276 Dólares por mês (22 dias). Esses valores não incluem as deduções de impostos.

***

Há muita variação de preço nos mangás dos Estados Unidos, afinal as características das obras são muito diferentes entre si, existindo mangás em capa dura, edições 3 em 1, edições com brindes, etc. Mesmo nos mangás “normais” os preços variam bastante, indo de 9,99 até 13,99 Dólares. Escolhemos o preço de 10,99 para ser o “padrão” por ser um dos que mais se repetiram.

Assim, um cidadão norte-americano que receba o salário mínimo federal precisaria trabalhar pouco menos de duas horas para conseguir comprar mangás. Com um dia de trabalho, esse cidadão poderia comprar 5 mangás.

Só para não passar batido: se a pessoa mora em Washigton ou Massachusetts o salário dela será de 11 dólares por hora, permitindo que ela compre um mangá com uma hora de trabalho e 8 mangás por dia. Por outro lado, se a pessoa morasse em Wyoming ou Georgia receberia 5,15 dólares por hora, precisando de duas horas de trabalho para comprar um mangá. As pessoas desses estados conseguiriam comprar apenas 3 mangás com um dia de trabalho.

RESUMO:

  • Salário mínimo federal: $58 por dia ou $7,25 por hora.
  • Preço médio do mangá: $10,99
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: 2 horas de trabalho.
  • 1 dia de trabalho permite comprar: 5 mangás.

ESPANHA


O salário mínimo e as leis da Espanha são um tanto quanto curiosas. Para começar, na Espanha há o costume de ter 14 pagamentos, um por mês normalmente e outros dois extras, um a ser pago em dezembro e outro de forma aleatória quando o patrão achar adequado, mas geralmente  no verão. Algumas empresas, porém, resolvem colocar o valor desses dois extras ao longo do ano e fazer apenas 12 pagamentos.

Em 2017, o salário mínimo espanhol foi fixado em 9.906,40 Euros anuais. Esse valor pode ser dividido em 14 pagamentos de 707,60 Euros ou 12 de 825,65, a depender da empresa. Todos esses valores são válidos para quem tem uma carga horária de trabalho de 8 horas por dia.

Vale comentar que pelas leis espanholas se você trabalha menos de 8 horas diárias, você ganha o valor proporcional ao mínimo. Desse modo se sua carga horária fosse de 4 horas diárias, seu salário seria de apenas 353,80 Euros por pagamento (12 mensais + 2 extras ao longo do ano). Pouco mais de 10% das pessoas da Espanha ganham um salário mínimo ou proporcional a ele. Todas essas informações são provenientes do site Salário Mínimo.es, de um blog espanhol e de uma reportagem do jornal El Mundo. Os números aqui apresentados representam o salário bruto, sem contar as deduções.

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Os mangás espanhóis custam mais ou menos 8 Euros por volume, alguns um pouco mais ou um pouco menos a depender do título ou da editora. Jojo Bizarre Adventure, por exemplo,  custa 12 Euros, enquanto Ranma 1/2 Kanzenban custa 14,95 Euros. Para esta postagem usaremos o preço médio de 8 Euros.

Usando os dados aqui apresentados: se você trabalhasse 8 horas por dia, 5 dias por semana, 22 dias por mês e trabalha em uma empresa que lhe pague 14 vezes ao ano, você ganharia cerca de 32 euros por dia. Ou seja, com um dia de trabalho você conseguiria comprar até 4 mangás. Para comprar um mangá você só precisaria trabalhar duas horas. Esta conta foi feita seguindo o salário bruto, sem os descontos.

Caso, a pessoa trabalhe apenas 4 horas por dia, ela teria uma renda diária de 16 euros e poderia comprar 2 mangás. Esta conta também foi feita seguindo o salário bruto, sem os descontos.

RESUMO:

  • Salário mínimo: 32 € por dia ou 4 € por hora.
  • Preço médio do mangá: 8 €
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: 2 horas de trabalho.
  • 1 dia de trabalho permite comprar: 4 mangás.

BRASIL


Como todos vocês devem saber, em 2017 o salário mínimo no Brasil foi fixado em 937 reais. Esse valor é o equivalente a R$ 42,59 por dia ou R$ 5,32 por hora para um jornada de 8 horas diárias, cinco dias por semana, e 22 dias por mês.

A gente sabe que a carga horária máxima de trabalho no Brasil é de 44 horas semanais e também sabemos que existem trabalhadores que trabalham apenas 6 por dia e que tudo isso mudaria a conta. Entretanto resolvemos seguir um padrão de 40 horas semanais para a comparação com outros países ser mais justa.

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A maioria dos mangás por aqui custa R$ 13,90, que são os títulos em formato padrão da Panini. Alguns custam mais baratos como o futuro My Hero Academia Smash! e os meio-tankos de Berserk e Yo-kai Watch. Já outros mais caros: R$ 14,90, R$ 15,90 ou mais a depender do acabamento e da editora. Para efeito de comparação usaremos o valor mais praticado: R$ 13,90.

Nesse sentido um cidadão que ganhe apenas um salário mínimo por mês precisaria trabalhar mais ou menos 3 horas para conseguir comprar um mangá. Um dia inteiro de trabalho do mesmo sujeito permitirá a ele comprar até 3 mangás.

Como estamos falando do Brasil, vamos lá: com 3 horas de trabalho você compra um mangá até o valor de R$ 15,90 (Your Name) e com 1 dia de trabalho você compra até um BIG da JBC (Blade). Para outros mangás mais caros como Cavaleiros do Zodíaco – kanzenban e The Ghost In The Shell são necessários um dia e mais 5 horas de trabalho.

RESUMO:

  • Salário mínimo: 42,59 Reais por dia ou 5,32 Reais por hora.
  • Preço médio do mangá: R$ 13,90
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: +- 3 horas de trabalho.
  • 1 dia de trabalho permite comprar: 3 mangás.
Obs: Na introdução eu falei que mangás sempre foram para uma parcela privilegiada da população, mesmo quando custavam R$ 2,90. Tenho certeza que alguém deve ter pensado que eu enlouqueci, mas vamos fazer o mesmo exercício. Em 2001, o salário mínimo era 180 reais. Isso dá 8,18 reais por dia ou 1,02 por hora. Desse modo para comprar um mangá em meio-tanko é preciso 3 horas de trabalho. Hoje com 3 horas de trabalho você compra um tanko de até R$ 15,90. Tem mais. Com um dia de trabalho você só conseguiria comprar 2 mangás em meio-tanko se ganhasse um salário mínimo em 2001. Hoje você consegue comprar até 3 tankos. Pois é… Esqueça essa história de que os mangás eram mais baratos em 2001. Eles eram bem mais caros do que hoje em dia e já eram voltados para uma parcela mais abastada da população…

ARGENTINA


O salário mínimo na Argentina está em crescimento, segundo notícia do Uol. Em junho, ele subiu para 8860 pesos argentinos mensais e em janeiro de 2018 ele subirá para 9500 por mês. Como ainda estamos em 2017, usaremos o salário atual.

Os 8860 pesos argentinos mensais equivalem 402,72 por dia, considerando 22 dias de trabalho por mês. Assim como na maioria dos países, o salário mínimo é para uma carga horária de 8 horas diárias, segundo notícia do El País. Assim, o valor do salário é de 50,34 por hora. Reiteramos, como nos outros países, que esses valores correspondem ao salário bruto, sem considerar os possíveis descontos de impostos.

***

A Argentina vive um cenário de inflação. Como mostra uma notícia da revista Isto É, em setembro a inflação acumulada na Argentina já era de 15,4%. Só para você ter uma ideia do quanto isso é alto, a única vez que o Brasil teve inflação maior do que isso desde a criação do plano Real foi em 1994 e 1995, nos dois primeiros anos da criação do plano, quando os preços ainda não tinham se estabilizado totalmente…

A inflação argentina se faz sentir também no preço dos mangás. Até meados do ano o preço médio dos mangás era de 150 pesos argentinos, hoje gira em torno de 180 pesos argentinos, alguns um pouco mais, outros um pouco menos, a depender do formato e da editora.

Sendo assim atualmente para comprar 1 mangá o argentino que ganhe um salário mínimo precisa trabalhar quatro horas. Um dia inteiro de trabalho do mesmo sujeito permitirá a ele comprar 2 mangás.

RESUMO:

  • Salário mínimo: 402,72 pesos argentinos por dia ou 50,34 por hora.
  • Preço médio do mangá: 180 pesos argentinos
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: 4 horas de trabalho.
  • 1 dia de trabalho permite comprar: 2 mangás

PORTUGAL


Em Portugal, o salário mínimo em 2017 foi de 557 Euros por mês. Para 2018, o salário deve subir para 580 Euros, segundo as últimas notícias. Como ainda estamos em 2017, utilizaremos os valores atualmente vigentes. Desse modo, um trabalhador ganha 25,31 Euros por dia ou 3,16 euros por hora para uma carga de 8 horas de trabalho diário.

*É importante dizer que não encontramos informações sobre a quantidade de horas máxima de horas trabalhadas permitida por lei em Portugal. Então para efeitos de comparação utilizamos o padrão de 40 horas semanais ou 8 horas diárias. Vale comentar também que as regiões autônomas de Açores e da Madeira possuem um salário mínimo diferente do salário nacional.

***

O custo do mangá padrão no país é de 9,90 Euros. Há alguns mais caros, mas a maioria está nesse valor. Por esses dados, para comprar um mangá um trabalhador português precisa trabalhar 4 horas. Com um dia de trabalho, o português pode comprar dois mangás.

Vale lembrar que em Portugal apenas uma editora publica mangás regularmente, a Devir, e normalmente ela publica no máximo uns 3 ou 4 mangás por mês, possuindo uma variedade de títulos limitada. Então comprar tudo o que sai em Portugal não é muito problema.

RESUMO:

  • Salário mínimo: 25,31 € por dia ou 3,16 € por hora.
  • Preço médio do mangá: 9,90 €
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: +- 4 horas de trabalho.
  • 1 dia de trabalho permite comprar: 2 mangás.

MÉXICO


No México, o salário mínimo é diário. Em 2017, 0 valor foi fixado em 80,04 pesos mexicanos e é considerado um dos mais baixos da América latina. Ele é tão baixo que de todos os países aqui listados é o único em que, com um dia de trabalho, não é possível comprar nem um mísero mangá sequer.

Assim como na maioria dos países, a lei mexicana prevê que a carga horária máxima de trabalho seja de 8 horas por dia.

***

O preço médio de um mangá mexicano é de 85 pesos, maior do que o salário mínimo. Assim para comprar um mangá é preciso trabalhar um dia e mais uma hora de trabalho.

Obviamente existem mangás mais caros, alguns custam 99 pesos como Noragami e Bestiarius, enquanto outros custam 169 como Ghost In The Shell ou Zelda, mas a maioria custa 85.

RESUMO:

  • Salário mínimo: 80,04 pesos mexicanos por dia ou 10,005 pesos mexicanos por hora
  • Preço médio do mangá: 85 pesos mexicanos
  • Para comprar apenas 1 mangá é preciso: 1 dia e 1 hora de trabalho.
  • 1 dia trabalho de permite comprar: 0 mangás.


Resumo do resumo (A) : 1 dia de trabalho permite comprar quantos mangás se você morasse em:


  • França = 9 mangás
  • Alemanha = 9 mangás
  • Estados Unidos = 5 mangás em média (3 a 8 a depender do estado)
  • Espanha = 4 mangás (ou 2 se você recebe metade do salário)
  • Brasil= 3 mangás (ou 2 no caso de Fairy Tail Gaiden, Naruto Gold, OPM, etc)
  • Argentina = 2 mangás
  • Portugal = 2 mangás
  • México = 0 mangás

Resumo do resumo (B) : Quanto tempo você precisaria trabalhar para comprar um mangá se morasse nos seguintes países:


  • França: pouco menos de uma hora
  • Alemanha: uma hora.
  • Estados Unidos: uma a duas horas a depender do estado.
  • Espanha: duas horas
  • Brasil: três horas
  • Argentina: quatro horas
  • Portugal: quatro horas
  • México: um dia e uma hora.

***

Acerca da pergunta que intitula esta postagem, fica claro que a resposta é um “não”. Os mangás no Brasil não são os mais caros do mundo. Com esses dados, fica evidente que o país em que o mangá é menos acessível para as pessoas mais pobres dentre os países analisados é no México. Por sua vez, na França e na Alemanha é onde são mais acessíveis. Vale lembrar que não consideramos qualidade física dos mangás. Levamos em conta apenas e unicamente o preço que é o quesito básico na acessibilidade. Custo-benefício não entra nessa conta.

Veja, por exemplo, que muita gente ao ver a qualidade dos mangás mexicanos fica impressionada que, ao converter o valor para o real, dê mais ou menos o preço dos nossos mangás. Porém, os mangás do México são bem mais caros para o povo mexicano mais pobre do que os mangás brasileiros são para o povo mais pobre daqui. Note que é necessário um dia e uma hora para se comprar um mangá no México. Com esse tempo de trabalho, no Brasil dá para comprar duas edições de Blame! ou GTO, que tem mais qualidade física que os mangás mexicanos. Então, nem tem o que se invejar dos mexicanos. Eles têm mangás aparentemente com maior qualidade, mas pagam mais por isso.

***

Você trabalha e ganha mais de um salário mínimo? Faça o cálculo você mesmo, quanto tempo você precisa trabalhar para conseguir comprar um mangá?

***

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16 Comments

  • SIRIUS BLACK

    Bastante interessante essa postagem e fiz questão de mostrá-la para dois amigos meus, que sempre dizem que comprar mangás no Brasil é coisa somente para ricos, já que eles acham que eles é quem têm reais condições. Agora, ter o status de salário mínimo como o da França e da Alemanha… É um sonho para mim.

  • Torço para que um dia a cultura seja prioridade em todos os países. Cultura (em todas as suas manifestações) e educação (com investimento nos educando e educadores).

  • SIRIUS BLACK

    EUA e Espanha estão somente um pé na frente da situação do Brasileira e o Brasil, somente um pé atrás. Estão próximos, por assim dizer. Agora, o México… Parece beirar a miséria. 1 dia e 1h pra conseguir comprar um único mangá? A situação deles me deixou impressionado e perplexo.

  • pimpao10

    Não é o mangá que é caro, não. NÓS É QUE SOMOS POBRES!
    Me lembrou uma coisa: Esqueci de comentar, mas nesta Black Friday a Panini estava dando desconto progressivo em sua loja online. 15% em compras acima de 150, 30% acima de 300 e 50% acima de 450! Eu achei bem legal, pois costumo comprar a cada 2 meses e os da panini que não vão pra livrarias são mais difícil pra mim de acompanhar (por preguiça de ir a banca mesmo. também por que nem encontro a maioria dos títulos). Enfim, Eu consegui os 50% e fiquei feliz em economizar mais de 200 reais.
    Mas vendo o Facebook da editora, vi a galera escrachando a editora, dizendo que começar o desconto com compras acima de 150 era um absurdo. A maioria crianças e pessoas que certamente nem acompanham obra alguma, claro. Mas me fez pensar numa coisa: SERÁ QUE OS MEIO-TANKO NÃO DEVEM VOLTAR A APARECER? Digo, mangás são produtos de nicho, e vendo aqueles comentários vejo que há ainda um mercado que pode ser atingido se praticado um preço melhor. Eu entendo que a falta de animes na TV diminui alcance de mangás de criança e que Yokai Watch é uma exceção, mas será que não tem mais necessidade e espaço para meio-tankos no mercado? (Digo isso mesmo odiando o formato)

  • Alexandre

    Parabéns pelo post! É besteira comparar a compra de mangás entre pessoas de nacionalidades diferentes. Exemplo: um brasileiro comum conseguiria comprar vários mangás a 9 euros cada (35 reais cada)? Não. É cada qual com sua realidade.

  • Haha, belo post @Kyon. Fiquei com a nítida impressão de que este post também foi fomentado por uma discussão que tive com Roses aqui mesmo no BBM em outro post meses atrás…rs
    Mas enfim, resumindo minha opinião acerca do post, eu só acho que a classe média hoje tem mais recursos financeiros que outrora, e ela não é classe A e nem B, portanto tanto a JBC como a Panini deveriam mudar seus conceitos de público-alvo para as classes A, B e C.
    Tirando isto, é como disse o PIMPAO10, antes de falarmos se o mangá é caro ou não, devemos observar que “NÓS É QUE SOMOS POBRES!”…=(

    • Nem foi. Rs

      A ideia para esta postagem surgiu ao ver pessoas comentando o quanto os mangás do México eram baratos^^. Posteriormente ela foi incrementada ao ver um monte de gente sentido saudades da época que mangá era R$ 2,90. Entre a ideia original e a postagem final muita coisa mudou.

      • Hahaha, tranquilo @Kyon, então foi só impressão minha mesmo. É porque algumas das coisas comentadas por ti aqui foram discutidas entre nós à época.
        Agora, pegando este tema do sentimento de saudade de certas pessoas da época em que Sakura custava 2,90, lembro que eu e um amigo meu já discutimos a respeito e ele fez um breve estudo indo mais ou menos pelo mesmo caminho que você foi para fazer o post, falando de salário mínimo e tal, e realmente chegou-se à conclusão de no início dos anos 2000 os mangás eram mais caros que hoje mesmo…
        Eu acho que a tendência inclusive é que o preço “básico” (13,90) dos mangás fique ainda mais caro em breve (digamos que num médio prazo), puxado para cima por diversos motivos e fatores.

          • Os Nokia tinham jogo da cobrinha…hehehe…
            Bem, realmente…
            Mas não dá para comparar diretamente, pois celulares não são mercado de nicho, era no início, mas agora é geral, então dá até para dizer que os celulares ficaram muito mais acessíveis, não exatamente baratos. Mesmo que os celulares tenham evoluído e muito tecnologicamente, na minha opinião hoje não é possível comprar um celular mediano com 1 salário mínimo, é perfeitamente possível comprar um EXCELENTE celular por menos de um! Eu não sei vocês, mas eu acho o LG X Power ou o LG K10 excelentes aparelhos, especialmente na relação custo-benefício, agora se nêgo quer comprar aparelhos que praticamente saíram agora das fábricas (como um certo Zenfone, Iphone não sei das quantas, Motorola G sei lá o quê, LG G6, etc.) ou se as pessoas querem comprar mini/semi-computadores que acessam a internet, servem de videogame e cabem no bolso, aí vai gastar mais que o mínimo mesmo…

  • Igor Dias

    O único problema que vejo no Brasil é a questão do papel. Pelo lado das editoras, creio que deviam se esforçar para trazer um papel jornal de melhor qualidade, ao invés de trazer offset, offwhite ou luxcream. Pelo lados dos leitores, tenho visto muita exigência do pessoal que coleciona para qualquer edição sair num acabamento que encarece o mangá. Muitas vezes é a primeira vez que o mangá sai no Brasil e já querem uma edição com papel luxcream e sobrecapa.

  • FABIO RATTIS LIMA

    nao sou estudado, mas tenho um bom emprego na area de tecnologia, com base na media de manga q eu compro, consigo comprar 1 vol em 15 min de trabalho, levando em consideração q moro em SP, e o aluguel daqui é mais caro, e tantas outras coisas, kkkkk isso nao é la tudo isso kkkkkk

  • Hanzeon

    Gostei bastante do artigo, muito útil!!! Aprecio todo o esforço que você fez, continue com o bom trabalho!!!!

  • Creio que seria muito esclarecedor fazer uma pesquisa sobre quem é o público de mangás no Brasil. É visível que são produtos destinados às classes mais abastadas, mas em minha experiência pessoal, seja por contato direto, ou participação em eventos, grande parte dos consumidores de mangás são bastante pobres (gostaria de saber o ponto de vista de cada um sobre isso). Vejo muitos adolescentes que estudam em escola pública em um horário e trabalham em outro e mal tem dinheiro pra passagem dos ônibus se sacrificando pra comprar mangás. O mesmo com trabalhadores informais que sustentam mulher e filhos. Não é à tôa que quando os preços aumentam acontece tanta revolta. Parece existir uma lacuna entre o público que as editores tem e aqueles que elas querem ter.

    • @Ives, quando li seu comentário fiquei com os olhinhos brilhando… kkkkk
      Haja vista, parte do seu comentário tocar EXATAMENTE num mesmíssimo ponto no qual citei num comentário meu mais acima “uma discussão que tive com Roses aqui mesmo no BBM em outro post meses atrás…”.
      Como eu disse no mesmo comentário mais acima, “tanto a JBC como a Panini deveriam mudar seus conceitos de público-alvo para as classes A, B e C”, no mínimo. Dependendo de certos fatores, esticar o público-alvo para a classe D também, por que não?

      O que você disse da sua experiência pessoal, basicamente é a minha também, citada meses atrás na tal discussão, e deve ser a de muitas outras pessoas… E, a última frase do seu comentário é perfeita, resume o próprio comentário de maneira excelente, parabéns!

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