Memória: O mangá que veio para o Brasil sem que a editora conhecesse a obra

E foi um fracasso…

Ainda hoje parece difícil para o consumidor de mangás no Brasil saber o porquê de uma dada série ser lançada no Brasil se “ninguém pediu”, enquanto outros muitos pedidos ainda permanecem inéditos e totalmente ignorados pelas editoras. E se hoje é difícil, no passado era pior ainda.

Porém, com o aumento do número de eventos em que as editoras de mangás participam e, consequentemente, também aumento de palestras, muitas falas dos representantes dessas empresas acabam marcando por nos revelar coisas não totalmente imagináveis. Uma dessas falas veio de Beth Kodama (editora-sênior da Panini) a respeito do mangá Tokyo Mew Mew.

No evento Amigos & Quadrinhos, realizado em setembro de 2015, Beth Kodama comentou que ela não decide quais títulos que a Panini irá tentar licenciar e que isso é uma decisão dos “superiores”. Entretanto, Kodama também comentou que a empresa leva muito em consideração a opinião dos editores, perguntando o que eles acham de tal ou qual série, por exemplo.

Nisso, Beth Kodama revelou que, no passado, foi perguntada sobre o mangá Tokyo Mew Mew e ela não fazia a mínima ideia de que mangá era esse. Na época, uma pessoa lá da editora comentou o que achava e Beth recomendou a vinda da obra, repassando exatamente o que ouviu. O resultado disso é que Tokyo Mew Mew foi licenciado, lançado e não vingou.

Confiram no vídeo abaixo. Recomendo ver a partir do minuto 26, mas é só a partir do 31 em que começa a se falar do mangá.

A verdade é que Tokyo Mew Mew não era um título tão aleatório. O desenho animado já havia passado, anos antes, na televisão por assinatura com o nome de As super gatinhas, mas mesmo assim não deu muito certo, ou por falta de planejamento ou porque  a obra nunca foi popular mesmo…

Na época de Tokyo Mew Mew, a Panini ainda não lançava os títulos mais pedidos pelo público, pois não havia um canal de comunicação eficaz, segundo palavras de Beth Kodama. Consequentemente, muitas aleatoriedades eram lançadas por aqui, e algumas delas muito boas, mas sem apelo ao público da época.

Hoje, a coisa mudou e esse tipo de indicação no escuro aparentemente não acontece mais, o que não impede que obras aparentemente aleatórias ainda cheguem ao nosso país.

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25 Comments

    • Mas certamente esse tipo de indicação no escuro deve acontecer (ou já aconteceu alguma vez) com outras editoras também. Dificilmente seria algo exclusivo da Panini.

  • Starrk

    “não acontece mais” Ninja Slayer e triage X discordam hahahah

    • Hahaha. Não vale pegar trechos fora de contexto^^.

      Vale dizer que “Triage X” pode até ser aleatório, mas é aquele aleatório ancorado em “no mesmo autor de”. “Highschool of the Dead” foi um sucesso, sendo até relançado em uma edição totalmente colorida, “Triage X” ter vindo no pacote não é nada fora do normal.

    • Pouca gente ficou sabendo mesmo^^.

      Mas, na verdade, ninguém tem como saber se um mangá foi um sucesso ou se foi um fracasso^^. A gente sempre tem suspeitas, mas certeza de verdade só quando a editora revela como aconteceu neste caso.

  • Jefferson Alves

    Falando em Panini, a mesma não apresentou sua checklist ainda desse mês de Maio :/

  • SIRIUS BLACK

    “E foi um fracasso…”
    “O resultado disso é que Tokyo Mew Mew foi licenciado, lançado e não vingou.”
    Pff… HAHAHAHAHAHA…
    Ah, é sério? Você jura? Não diga… Eu quero é saber que tipo de fracasso tenha sido exatamente esse, bem como o fato de não ter vingado.
    Porque eu tenho esse mangá completo em 7 volumes, lançado pela Dona Panini que não sabe nem o que ela mesma publica, teoricamente.
    Só ficou faltando a sequência do mangá, em 2 volumes, intitulado de Tokyo Mew Mew à la Mode. Aí, se você considerar este fato, realmente… Ele não vingou. Mas a série principal, até onde o anime cobriu, veio e foi publicada integralmente no Brasil… Felizmente!

    • A Beth Kodama foi bem clara no vídeo ao dizer que ele não vingou. Não existe nenhuma razão para se duvidar da palavra dela.

      Um mangá ter sido concluído não significa que ele vendeu bem. Há várias obras que foram concluídas e as editoras abertamente disseram que não vingaram, gerando prejuízo em todos os volumes. Homunculus, meio-tanko de evangelion, etc. Exemplos não faltam.

    • Frango com Farofa

      O que eu fiquei sabendo é que essa continuação “Tokyo Mew Mew a la Mode” não foi bem sucedida nem no Japão. Meu chute é por causa da ausência da Ichigo, que vai pro exterior e a líder do grupo é substituída por outra bem menos carismática.
      Eu comprei os mangás na época e gostei. Mas eu tinha 11 anos… :S

      • Frango com Farofa

        Reformulando porque meu comentário anterior ficou mal escrito:
        O que eu fiquei sabendo é que essa continuação “Tokyo Mew Mew a la Mode” não foi bem sucedida nem no Japão. Meu chute é por causa da ausência da Ichigo, a líder do grupo, que vai pro exterior e é substituída por outra personagem bem menos carismática.
        Eu comprei os mangás na época gostei. Mas eu tinha 11 anos… :S

    • WJ

      Tokyo Mew Mew A La Mode foi lançado (e relançado) nos EUA e em todos os países onde a série principal foi lançada com boas vendas. Se não aconteceu no Brasil, o motivo só pode ser fracasso do título, pois obviamente a Panini lançaria mais dois volumes de um título que vendeu. E segundo, por que seria a probabilidade da Panini interromper a publicação de só 7 volumes?

    • Acho que você não leu o texto direito.

      Quando dissemos que “não acontece mais”, estamos falando de “indicação no escuro” (o caso de Tokyo Mew Mew). E o texto também diz claramente que “isso não impede que obras aparentemente aleatórias ainda cheguem ao nosso país”.

      Ou seja, nós dissemos no texto que títulos aleatórios continuam aparecendo. O que mudou, o que não acontece mais, são “indicações no escuro” por parte de editores da Panini (pois a postagem só fala dela).

      Todos os títulos que você citou são da JBC e, por mais que sejam aleatórios, não se enquadram no assunto da postagem. Ao menos não existe nenhuma declaração falando que esses títulos vieram por “indicações no escuro”.

      Mesmo porque títulos aleatórios TEM QUE aparecer mesmo. A questão é que existem títulos e títulos. Se de um lado existem alguns esquecíveis, por outro lado há um monte de títulos aleatórios que são muito melhores que boa parte das obras populares.

  • WJ

    Aposto que o mesmo aconteceu com Sugar Sugar Rune que veio na mesma época (e graças a Deus, porque Sugar Sugar Rune é maravilhoso). Gosto de Tokyo Mew Mew também, mas preferia que tivesse sido um bom de verdade, tipo Shugo Chara, que não foi lançado por aqui até hoje…

  • gilberto.

    Olhando esse vídeo, fico feliz de muita coisa ter mudado no mercado de mangá. Que evento foi esse? Parece que estava acontecendo em um boteco qualquer. Que coisa desorganizada!! A Beth dando a palestra e um povo lanchando no fundo do vídeo. Só faltou o tiozinho encher um copo de Skol para a Beth e colocar uns petiscos na mesa. Deplorável. E isso é de 2015!! Jesus…

    A crise econômica fez as editores pensarem muito bem antes de lançar algo. Elas estão preocupadas com o que o consumidor quer, o formato certo, o preço certo. Isso era algo que ninguém se importava muito lá em 2010. 2010. Só de imaginar que há poucos anos as editoras lançavam algo sem um mínimo de preparo e estudo de marketing… Não fico surpreso, pois tudo era lançado do jeito mais barato possível, o dólar estava baixo, a economia estável. Naquela época, ainda era permitido fazer coisas desse tipo.

    Tokyo Mew Mew, se não me engano, passou na tv aberta, mas posso estar enganado. Lembro de ter visto na tv algumas vezes, e não foi no Cartoon Network, pois não tenho acesso a esse canal na tv a cabo.

  • Jorginho

    A Beth é uma péssima profissional! Ela revelar q fez isso só expõe ainda mais o quanto ela é ruim! Nem se deu a trabalho de ir pesquisar ou dizer ao superior que realmente não conhecia, afinal, deveria pensar no ‘bolso’ da empresa q paga seu salário! Jamais manteria uma editora essas! Outro exemplo que dei recentemente foi com Toriko, ela fazia textão pra divulgar One Piece a cada lançamento, mas para Toriko ela apenas falava o número do volume. “Má vontade seletiva” com seu ganha pão, é tenso né? Como editora, ela deveria trabalhar bem todas as obras e prezar pelo sucesso de cada uma delas. Só no Brasil pessoas assim conseguem se manter… é inacreditável… acho ela péssima! Foi um dos motivos pelos quais abandonei coleções da Panini… talvez volte a comprar o dia que trocarem de editor…

    • Starrk

      Exagero seu comentário, a Beth sempre foi praticamente a única porta voz da panini com o público, acompanho ela desde a comunidade da panini no facebook onde ela falava sobre a editora com os leitores, ela sempre deu a cara a tapa várias vezes pela editora, e como qualquer pessoa, pode errar e acertar, culpa-la exclusivamente pelos males da editora é injusto, lembre-se que há várias pessoas em vários niveis que tem maior poder de decisão no que e como divulgar.
      Mas concordo em relação aos títulos, a panini realmente não sabe lidar com seus títulos de má venda, é visível como a editora foi desleixada com ninja slayer, toriko e triage X, deviam ter feito campanhas para aumentar a visibilidade dos mangás ou e até mesmo colocado a periodicidade dos mangás para trimestral.Ninja Slayer mesmo estava no início e poderia ter sido reformulado a tempo de não precisar ter tido o maior aumento de todos (queria muito ter começado a coleção, mas a 20 reais o volume não rola mesmo).
      Mas novamente, isso tudo não é só culpa dela, e sim da editora em geral.

      • Jorginho

        Desculpa amigo, ele podia até ser “gente boa” nessa época, mas isso não a redimiu do trabalho porco q fez! Ela não gostar de uma série é direito dela, mas a partir do momento q a Panini decide editar alguma obra, ela tem q “AMAR” aquela obra! É assim q um editor bom trabalha! Se o editor não demonstra vontade e empolgação por aquele título pq o público teria? Ela “dar a cara a tapa” como comunicação da editora mtas vezes pode ter o efeito reverso… como nesses dois casos q citei.. seria melhor q ela ficasse quieta… e antes q digam, detesto o Cassios e o Del Greco também! O mercado precisa de gente nova, não pessoas q editam mangás há 20 anos! Já deu pra essa galera!

    • Starrk

      obs: ali em cima quis dizer ORKUT, não facebook, sim, faz tempo rsrsrs

  • Gente, até hoje tenho esse mangá <3 Um dos shoujos mais levinhos e divertidos que já foi lançado aqui no Brasil xD

    • Uma editora novata tem dificuldade de conseguir licenças de mangás e quando surge uma Gentosha que lhe oferece títulos sem problemas você vai lá e escolhe alguns para lançar^^. A Gentosha não tem quase nenhuma obra popular, então é normal vir esses títulos mais desconhecidos.

      —-

      Mas vale dizer que o My Anime List não é muito parâmetro. É bastante normal obras serem populares em uma parcela de consumidores de mangás e quase ninguém no MAL conhecer. Assim como é bastante comum obras serem um primor de qualidade e ter nota baixa por lá. A questão é que nem todo mundo usa o My Anime List. Muita gente nem faz ideia que o MAL existe ou simplesmente não gosta de usar.

      É só ver o recém lançado Guardiões do Louvre (https://myanimelist.net/manga/83791/Sennen_no_Tsubasa_Hyakunen_no_Yume__les_Gardiens_du_Louvre). Só 240 pessoas o conhecem no MAL, mas o mangá saiu por aqui, saiu na Itália, nos EUA e na França 2 vezes. Por ser do Jiro Taniguchi é um mangá em certo sentido popular entre uma parcela de consumidores, parcela esta que não usa o MAL.

      Mas “God Save The Queen” é bem aleatório mesmo. Rsrs

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