Resenha: Dia Game

Mais um mangá sobre vampiros? Sim, Dia Game é mais um mangá a utilizar-se desse imaginário tão comum nos últimos tempos…

Já há vários anos, a NewPOP vem se destacando como a editora que aposta no diferente e no pouco usual e, dentro dessa esfera, a empresa se tornou a “casa” dos mangás boys love no Brasil, publicando vários títulos dessa temática.

Boys Love (BL) ou Yaoi é aquele gênero de obras que mostra uma relação amorosa e/ou sexual entre dois homens, porém, ao contrário do que essa definição pode sugerir, essas obras não são destinadas no Japão ao público homossexual masculino, mas sim a mulheres adultas.

O mais novo lançamento desse gênero pela NewPOP é o mangá Dia Game, de Kotora Byaku. Lançado em 2012 pela editora japonesa Gentosha, o mangá possui apenas um volume e foi publicado no Brasil em dezembro de 2018. Lemos o título e viemos dar nossa opinião sobre ele.

  • Sinopse Oficial

Dia é um belo vampiro de cabelos prateados que nunca atacou as pessoas e vivia amedrontado por estar sempre sendo monitorado por Crow, um bruto que pertence a uma organização de caçadores de vampiros. Depois de fugir para o Japão, ele acaba conhecendo um comerciante chamado Totsuka que lhe fornece um local para morar e trabalhar. Com o tempo, Dia passa a se sentir atraído pelo homem, até que, em uma crise de solidão, cogita sugar o sangue de Totsuka para torná-lo vampiro…!!

  • História e desenvolvimento

O primeiro contato que a gente tem com a obra – por meio da sinopse – pode ser meio desanimador, pois se trata de mais uma obra a usar da mitologia dos vampiros para o enredo da história. A própria NewPOP está com Happiness atualmente em publicação, além disso Dia Game sequer é o primeiro mangá yaoi da empresa a ter vampiros na história, vide Blood Honey. Daí que a primeira coisa que a gente pensa é um “de novo isso?”, mas ao contrário do que a gente suspeitava, a obra termina por ser interessante e ter uma leitura agradável.

Em Dia Game, os vampiros quando mordem uma pessoa, além de transformá-lo em um semelhante, podem também apenas colocar um veneno no corpo humano para controlá-lo ao bel prazer. Entretanto, os humanos passaram a tomar contra-medidas à ameaça desses seres, existindo uma organização que caça os vampiros, de modo que estes foram quase extintos.

Crow, o caçador de vampiros

O protagonista da história é o vampiro chamado Dia que nunca atacou um ser humano e que chega ao Japão buscando escapar de um caçador chamado Crow, mas infelizmente ele logo é achado por seu perseguidor. Dia, porém, é salvo por um mercador chamado Totsuka e levado para a casa deste, passará a conviver com o rapaz e logo terminará por nutrir sentimentos por ele, ao ponto de até mesmo cogitar transformar o rapaz em vampiro.

Esse é o resumo básico do mangá. A obra, todavia, não é apenas isso. Ele se desenvolve para além dessa premissa inicial, não ficando apenas na paixonite de Dia por Totsuka. Por ser uma obra de romance é fácil para qualquer leitor descobrir que Crow, o caçador, também é apaixonado por Dia e que isso movimentará a trama do título, apresentando um pseudo-triângulo amoroso, que não chega a ser um triângulo de fato.

No todo, porém, Dia Game sofre por ser um mangá de volume único e ter um mundo, premissa e conflitos para serem explorados, mas que ficam apenas no básico, dando a impressão de que tal ou qual coisa poderia ter sido mais desenvolvida. O drama do protagonista, de se sentir sozinho por ser imortal, ficou bastante raso, carecendo de uma explicação mais desenvolvida e um mergulho mais profundo no passado do vampiro. O amor e o desejo de Dia por uma companhia teriam um impacto maior se assim fosse feito.

Ainda assim, Dia Game trata-se de um mangá bem agradável de ler, apresentando um leve drama, ação em determinados momentos, além de possuir um plot twits para lá de interessante no final. Está certo que o plot twist até poderia ser descoberto facilmente, mas quem lê despreparado consegue se surpreender bastante com a revelação.

Por ser um mangá boys love obviamente haverá cenas mais eróticas, mas o número é mínimo. Dito de outro modo, você não encontrará um “hentai” em Dia Game, apenas uma cena ou outra mais erótica, porém nada pesado (ou pelo menos não muito pesado), apesar da classificação indicativa ser +18.

Dia Game é o primeiro mangá boys love que tive a oportunidade de ler por inteiro, então pouco ou nada sei sobre as convenções do gênero, de modo que a minha leitura foi como se fosse um mangá como outro qualquer (o que é, de fato) e em minha opinião trata-se de um título que realmente vale a leitura, independente de você gostar ou não gênero yaoi. Não se trata de uma obra indispensável, que mudará sua vida ou se tornará sua favorita, mas certamente fará você passar o tempo e se divertir um pouco.

  • A edição nacional

A edição brasileira veio no formato 12,7 x 18,1 cm, teve miolo em papel offset e uma página coloridas no início. As capas internas não foram coloridas, mas tiveram uma imagem em preto e branco e uma tirinha. O acabamento é aquele normal da editora, bem maleável e fácil de folhear. Em outras palavras, está muito bom como de costume.

Em relação ao texto, está bem fluído e bem localizado para o nosso idioma, não existindo nenhum honorífico ou coisas do tipo. Acerca da revisão de texto, ela está boa e único ponto a se destacar negativamente é uma repetição de falas em dois balões já nas páginas finais:

Não fosse por esse detalhe acima, a revisão de texto estaria perfeita, já que não notei outros erros no mangá.

  • Conclusão

Sem dúvida alguma o tema dos vampiros já está mais do que batido, mas mesmo assim às vezes é bom ler mais uma obra desse gênero. Dia Game não tem nada de inovador, mas sua leitura é agradável e apresenta uma trama interessante que dificilmente deixará o leitor desapontado.

Contudo se o que você deseja é uma obra mais erótica, com cenas mais explícitas, são poucas as que você verá nesse volume.

  • Ficha técnica

Título: Dia Game
Autor: Kotora Byaku
Tradutor: Karen Kazumi Hayashida
Editora: NewPOP
Número de volumes total no Japão: 1
Número de volumes no Brasil: 1
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos
Preço: R$ 18,00
Dimensões: 12,8 x 18,1 cm
Acabamento: Papel offset, capa cartonada simples
Onde comprarAmazon / NewPOP Shop

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12 comentários

  1. Taí uma coisa interessante sobre público alvo, eles tem um público x,mas inesperadamente atraem um público y e z. Tipo,eu sou um homem bissexual masculino, mas gosto muito do Yaoi,que aliás foram por meio deles que fui entender melhor a minha sexualidade e o meio editorial lá no meu Sekaiich Hatsokoi. A mesma coisa homens adultos,meninas e mulheres lerem mangas shonen. É interessante se a obra for feita de certa forma,acaba atraindo um público inesperado. Eu imagino o tamanho do estranhamento dos japoneses de verem um homem de 1,86 com cara de yakuza na sessão de mangás BL com o Sekaiich Hatsokoi na mão.
    Outra observação em particular para o yaoi que virou BL: É interessante que esse fenômeno é bem observável no Sekaiich Hatsokoi por ele ter tanto as características do yaoi de antigamente quanto dos BLs atuais, enquanto o antigo era o ativo e passivo eram arquétipos e feitiches de dominação,hoje há ativo,versátil e passivo,mas eles não são caracterizados de forma arquetípica, o ativo pode ser uma pessoa grande ou uma pessoa pequena,o tamanho não fica mais relacionado a posição sexual na qual os personagens gostam de ficar, além da expansão de temáticas. As revistas que vi isso são a Opera Magazine,Canna e OnBlue.
    Aqui uns links do Blyme sobre o assunto:
    http://blyme-yaoi.com/main/2014/09/07/especial-new-wave/
    http://blyme-yaoi.com/main/2017/10/30/uma-introducao-as-revistas-bl-parte-1/
    http://blyme-yaoi.com/main/2017/11/25/uma-introducao-as-revistas-bl-parte-2-artisticas-e-conceituais-nsfw/

    Curtido por 1 pessoa

    1. Pelo o que entendo, o termo “yaoi” surgiu por causa de paródias, os doujins inspirados em séries já existentes. Como era algo feito de fã pra fã só para satisfazer a ideia de ver certos personagens juntos, essas histórias não precisavam ter um plot elaborado (‘yaoi’ é a abreviação de uma frase que em japonês significa algo como ‘sem história, sem sentido’ por causa disso). No Japão sempre foi usado “BL” para as publicações oficiais, independe da história ou de ter cenas de sexo ou não; mas por uma série de fatores, no ocidente acabamos adotando “yaoi” pra tudo sem fazer essa distinção entre publicações amadoras ou oficiais, e usamos até hoje.

      Vejo muita gente comentando sobre ter notado uma mudança em certos aspectos do gênero ultimamente, mas acho que na verdade o que acontece é que até uns anos atrás nós tínhamos acesso à pouquíssimas obras, e as que acabavam ganhando anime e ficando populares eram justamente as que tinham essas características. Então, se o que você tem disponível é apenas Junjou Romantica e Gravitation durante anos e anos, as pessoas vão criar uma ideia do gênero com base somente nisso, quando na verdade já existiam vários mangás da mesma época ou anteriores que apresentavam personagens com porte físico parecido ou temáticas mais sérias.

      A própria NewPop apesar de ser a única a tentar trazer obras desse gênero também acaba dando preferência pra esses títulos com cara de “yaoi padrão”, provavelmente porque imaginam que é isso que os consumidores estão acostumados e esperam ver.

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      1. Aí não tenho certeza. Havia yaois com história,mas eram estilo romantismo de segunda geração que o amor impossível acabasse em tragédia e claro o yaoi como hentai homoerótico e pornográfico, que eu também gosto. Agora se existia yaois com história mais experimentais,pelo que li no Blyme,são mais recentes. O Sekaiich Hatsokoi,Meu Primeiro Amor Maior do Mundo: O Caso de Onodera, fica exatamente nessa mistura de transição. Há os casais de diferentes idades ou mesmo tamanho e bissexuais,no caso do namorado do Takafumi,que alias há uma crítica ali pela autora para tipo de grupo de fujoshi que gosta de ver relacionamentos homossexuais apenas como feitiche,mas extremamente homofóbicas quando se vem diante de um relacionamento real,equivalente do homom que bate cinco contra um no porno lesbico,mas não permite essas mulheres terem o mesmo direito ao casamento ou ter lugar na sociedade. Além da adaptação do anime corrige certos erros da autora para tornar a história mais crível,retirando alguns feitiches de dominação que não funcionariam na história.

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        1. Sekaiich Hatsokoi é de 2008, mas tem muito título bom dessa época ou anterior sim. É que também depende do autor e do tipo de história que a pessoa quer abordar. Por exemplo, histórias sobre romances entre estudantes colegiais geralmente focam nos personagens descobrindo e questionando sua sexualidade, lidando com bullying na escola ou inseguros sobre o futuro. Geralmente quem vai se identificar com esse tipo de história são pessoas mais jovens que também estão passando por algo assim, então tendem a ser histórias mais leves.

          Já histórias com personagens mais adultos tendem a lidar com temas um pouco mais pesados como problemas no ambiente de trabalho, homofobia, o fato da família não aceitar a sexualidade do personagem, insegurança sobre se é possível manter um relacionamente com uma pessoa do mesmo sexo etc. Mas é claro que existem também comédias e mangás mais focados só na parte erótica em qualquer caso, e muita coisa ruim também, lógico rsss

          Sobre essa questão das “fujoshi homofóbicas”, eu já vi discussões assim principalmente no tumblr, mas discordo totalmente. Primeiro porque nunca conheci uma menina fã de yaoi que não fosse a favor dos direitos LGBT, e outra porque quando vejo as pessoas criticando esse tipo de fã, eles geralmente dão exemplos de atitudes que vejo principalmente em meninas novas, de 14-15 anos, que provavelmente nunca tiveram contato com pessoas ou histórias com temática gay. Então pra mim esse tipo de atitude imprópria, como perguntar para uma pessoa real se ele é “seme ou uke”, soa mais como falta de informação e ignorância do que a pessoa estar realmente agindo de má fé, e na maioria dos casos elas mudam caso alguém explique a situação. Sobre a questão de mulheres consumindo material erótico gay, não vejo problema algum também, desde que a pessoa saiba a diferença entre ficção e realidade trate as pessoas reais com respeito.

          E fiz uma lista de recomendações com alguns dos meus títulos preferidos, caso tenha interesse: https://textuploader.com/1sb6l

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          1. Obrigado pela indicação, essa parada de fujoshi homofóbica apareceu pra mim no Takafumi no Bai no qual a Shujinko Nakamura escreve o caso do cavalo selvagem das vendas,o Takafumi que lida com essa situação. Obviamente deve ser um grupo muito pequeno e dependendo do contexto e época pra serem assim,na prática e aqui no Brasil nunca tive o desprazer de encontrar esse tipo de pessoas ou relatos sobre isso por essas bandas. Mas pela sua escrita annon…É você a Yukinaime que sigo lá no twiter?

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            1. Eu acho que como essa discussão começou nos círculos americanos, deve ser uma coisa mais cultural de lá mesmo. Porque pelo menos pelo o que vejo nas páginas de yaoi brasileiras, muita gente LGBT participa dos grupos e todo mundo interage de boa, não importando se é homem, mulher, hétero ou não. As discussões acabam sendo mais por causa de personagens e ships mesmo hahah

              Não, não sou essa pessoa ^^’

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            2. Não aparece responder no seu comentário,vou botar aqui.Deve ser isso mesmo que você diz,também nos meios daqui as discussões são mais dessa natureza. Que recentemente a pessoa que sigo falou mais ou menos isso que você disse, outra pessoa,que me passou a mente é Jonathan Pereira,com qual tive uma discussão bastante produtiva sobre o termo trap ser aplicado a qualquer travestir e como vem ficando obsoleto com o tempo. De qualquer forma,obrigado mais uma vez pela lista.

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  2. Pessoal, sabem dizer se o mangá Berserk mudou de periodicidade? Pois os volumes 26 e 27 foram lançados em novembro e dezembro respectivamente na Amazon.

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  3. Pessoal, vocês sabem dizer se Berserk mudou de periodicidade? Pois os volumes 26 e 27 foram lançados em novembro e dezembro respectivamente na Amazon.

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    1. Não mudou. O que aconteceu é que o 26 atrasou muito. Ele originalmente é de outubro, mas mesmo atrasando a editora não costuma mudar os meses em que uma obra sai.

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