Retrospectiva 2018 – Editora Panini

Mais um ano dominando as bancas de revistas, além de surpresas e aumentos de preços pouco usuais.

A Panini é de longe a maior editora de mangás do Brasil já há muitos anos e esse domínio tem ficado ainda mais amplo nos últimos tempos devido à diminuição de publicações de sua principal concorrente nesse ramo, a JBC.

Ainda assim, a editora possui diversos problemas e que são constantemente criticados pelas pessoas, muitos de forma justa, outras nem tanto. Um dos problemas cruciais da empresa é a falta de estoque de seus mangás. Em geral, a editora “te obriga” a comprar no lançamento ou o mais perto possível dele, sob pena de você não encontrar os mangás um tempo depois. Isso é facilmente verificável ao notar que vários títulos da editora possuem volumes raros no meio da coleção.

No final de 2018, a empresa fez reimpressões de alguns volumes de algumas séries específicas, como os quatro primeiros volumes de Tokyo Ghoul e o décimo terceiro tomo da nova edição de Berserk. Apesar disso, o senso de urgência em comprar os mangás da editora permanece e a empresa não tem dado mostras de mudanças.

Fora isso, o 2018 da editora Panini teve mudanças significativas em outros aspectos, muitas delas para pior, especialmente em relação ao contato com os leitores, a forma de divulgação, entre outros. Vejamos em detalhes:

  • O abandono das redes sociais

A Panini costumava ser bem ativa nas redes sociais até o início de 2018, postando diversas coisas, respondendo aos leitores (ainda que fossem respostas automáticas), etc. A empresa até tinha um vídeo semanal (para lá de questionável) chamado Planet Time em que contava curiosidade e (fingia que) passava informações.

Mas, de repente, tudo isso parou. A “temporada” do Planet Time acabou e tempos depois as postagens nas redes sociais começaram a minguar. Em duas ocasiões, a editora chegou a ficar quase um mês inteiro sem qualquer postagem em sua página no Facebook.

Só para se ter mais noção da mudança, a empresa sequer divulgou os anúncios feitos em julho em sua página. De modo que ou as pessoas ficaram sabendo dos títulos por outros meios ou só descobriram por acaso, na hora em que a editora postou o checklist ou quando foram fazer alguma compra.

O comando da página no Facebook é, obviamente, terceirizado e ficou claro que houve uma mudança de empresa, resultando nessa diferença gritante. O problema é que essa mudança não foi boa e aguardamos uma melhora. Será que demorará muito?

  • O “abandono” dos shoujos

Conhecida por ter apostado nos shoujos, parecia que a editora deixaria de publicar obras dessa demografia. Acabou Ore Monogatari!!, Acabou Lovely Complex e acabou Kimi ni Todoke e nenhum título havia sido anunciado. Falas de Levi Trindade, durante o Anime Friends, e Beth Kodama, em sua página pessoal no Facebook, fizeram as pessoas terem certeza de que não haveria mais shoujos pela Panini.

No fim do ano, porém, a empresa realizou alguns anúncios e dentre eles havia um shoujo e até mesmo um josei. Então, na realidade, não houve um abandono de fato, mas os dois principais representantes da empresa darem a entender que não havia qualquer expectativa de novos produtos (e, consequentemente, trazendo desesperança nos consumidores) é um pouco complicado e até difícil de entender…

  • Os mangás de má vendagem e os aumentos de preço galopantes

Durante o ano, a editora demonstrou que alguns mangás não estavam lá vendendo muito bem e tiveram alterações drásticas de preço e também em sua forma de publicação. O mangá Highschool DxD foi um caso emblemático, por sofrer dois aumentos de preço na mesma edição. Inicialmente o título iria sofrer um reajuste para R$ 14,90 no volume 10, mas tempos depois a editora retificou a informação anterior e disse que o aumento seria para R$ 16,90. Felizmente para os fãs, só houve mais uma edição desse mangá após o aumento e ele acabou concluído.

Além dele, Toriko e Ninja Slayer, após pausa na publicação dos títulos por alguns meses, tiveram um absurdo aumento de preço passando de R$ 13,90 para R$ 18,90 e R$ 19,90 respectivamente. Além disso, os títulos tornaram-se de distribuição exclusiva para livrarias e lojas especializadas e tiveram suas periodicidade alterada para quadrimestral.

Yo-kai Watch, por sua vez, que era um título mensal, também se tornou quadrimestral, mas este sem reajuste de preço inicialmente. No fim do ano, porém, houve a revelação de que o mangá subiria de R$ 8,90 para R$ 13,90. Já Triage X sofreu um reajuste grande, mas para “apenas” R$ 16,90. Agora em dezembro, foi a vez de Mob Psycho 100 sofrer um aumento galopante, saindo de R$ 13,90 para R$ 19,90.

O ano também foi marcado por diversos aumentos de preço menores em outros mangás da editora, sendo o caso de Nisekoi o mais emblemático, tendo subido de preço 3 vezes.

Por fim, e não menos importante, houve uma mudança nos novos títulos da empresa, com uma mudança de papel que fez os preços da editora subirem absurdamente. Veremos mais abaixo.

  • Os mangás a R$ 21,90

Em meados do ano, a Panini promoveu uma mudança improvável e sem aviso prévio. Ela alterou o formato padrão de seus mangás, abandonando o papel jornal e passando a usar o offwhite. O problema é que isso teve um custo altíssimo e todos os novos mangás da empresa saíram pelo preço mínimo de R$ 21,90, um aumento de quase 50% em relação ao antigo preço praticado.

O caso mais emblemático foi o de Black Clover que teve o preço divulgado de R$ 14,90. Porém o lançamento foi adiado e em seguida saiu ao preço novo de R$ 21,90. Óbvio que para muitos o fim do papel jornal é uma excelente notícia, mas o preço elevado em diversos quadrinhos fez com que muitos deixassem de consumir, ainda mais em um momento de crise em que diversas pessoas ainda estão desempregadas.

  • Os Mangás digitais

No segundo semestre de 2018, a editora Panini começou a publicar os seus primeiros mangás em formato digital. Inicialmente, apenas títulos da Shueisha foram anunciados.

Entretanto, pouquíssimos volumes foram publicados e a editora sequer divulgou os lançamentos, eles apenas apareciam nas lojas e pronto. A editora deve divulgar adequadamente ano que vem, quando o catálogo estiver mais robusto (falamos mais sobre isso em outra postagem).

  • As primeiras light novels

Uma das surpresas da Panini durante o ano ocorreu no Anime Friends. Na ocasião, a editora anunciou que começaria a publicar light novels. Os títulos escolhidos foram Sword Art Online e The Last – Naruto The Movie.

Sword Art Online começou a ser publicado em dezembro e o preço (R$ 39,90) assustou muita gente, embora esse valor seja o normal para livros. Já a light novel de Naruto será lançada em janeiro.

  • Novos títulos publicados durante o ano

Em 2018, a editora manteve o alto ritmo de publicações e foram ao todo 19 novidades, sendo 17 mangás, um databook e uma light novel, a primeira da empresa. Esse número de novidades se configura como o terceiro maior ano da empresa, empatando com 2010 e perdendo apenas para 2016 e 2017. Vejam os títulos lançados:

 

Da lista de lançamentos, é impossível deixar de destacar Sword Art Online, a primeira light novel, e o popular Jojo’s Bizarre Adventure.

  • Títulos concluídos durante o ano

Além do databook volume único One Piece Green, durante o ano, a Panini concluiu outros 18 títulos que estava publicando. A lista dos títulos concluídos você confere abaixo:

  • Títulos licenciados para 2019

A seguir você verá a lista de títulos licenciados e anunciados pela editora Panini para serem publicados em 2019.

Destes títulos, The Last: Naruto – The Movie deve ser lançado em janeiro, enquanto Wotakoi tem previsão para ser publicado em fevereiro. A maioria dos demais, deve sair ainda no primeiro semestre de 2019.


Retrospectiva é uma série de postagens que fazemos todos os anos para relembrar o que de melhor e pior aconteceu no mercado brasileiro de mangás, além de outras notícias relacionadas ou não ao nosso país. Para ver todas as postagens deste ano, clique aqui.

4 comentários

  1. O que me preocupa é que a Panini só licenciou os 2 primeiros volumes da Light Novel de Sword Art Online. Se esses 2 não venderem bem adeus chances de verem mais LNs e o resto de SAO pela Panini…

    Curtir

      1. O problema é saber quanto é vender bem para ela… espero que sai mais. Mas não só as novel mas sim s outros mangas da franquia… Quem sabe até a redição dos primeiros em papel melhor.

        Curtir

  2. Tem que ser realizado um bolão por quanto vem o Kanzenban de Dragon Ball. Com direito a prêmio da primeira edição de quem acertar o preço na lata.

    Mas espero que não de a louca na Panini e extrapole inclusive o preço do Kanzenban de CdZ da JBC.

    Curtir

Os comentários estão encerrados.