Resenha: Codename – Sailor V

Naoko Takeuchi não precisa de apresentações. Ela é uma das autoras de mangás mais famosas do Japão e que se tornou conhecida mundialmente por meio de sua obra mais icônica, Sailor Moon. Obra de sucesso estrondoso, ainda hoje gera royalties para a autora com a exploração da marca o tempo todo, dentro e fora do Japão.

O assunto de hoje, porém, não é Sailor Moon e sim sua obra predecessora, Codename: Sailor V. Sailor V conta a história de Minako Aino, uma adolescente de 13 anos que, certo dia, encontra-se com um gato falante, Artemis, e acaba encarregada de uma missão. Agora ela terá que lutar contra os inimigos da agência sombria e descobrir o passado de sua outra vida.

Apesar de ser predecessora de Sailor Moon, Sailor V só foi concluído após a conclusão da história de Serena (Usagi) Tsukino. Naoko Takeuchi simplesmente publicava Sailor V de forma muito esporádica (isso fica claro em várias aberturas de capítulos) e muitos dizem que ela fazia isso para se dedicar a Sailor Moon que começou a sair no Japão mais ou menos após o término do primeiro volume de Sailor V.

Embora relegada a segundo plano e longe de ser genial, Sailor V consegue agradar as pessoas ainda hoje e nos apresenta uma história muito agradável e divertida de acompanhar. Mas por que ocorre isso? Quais as qualidades e os defeitos de Sailor V? É isso o que viemos falar aqui nesta resenha.

 

Antes de mais nada, lembremos que normalmente um mangá tradicional é publicado em capítulos que vão se complementando aos poucos e formando uma história maior. Em geral, os capítulos não são fechados em si mesmos e costumam deixar uma ponta solta para ser resolvida no próximo. Isso acontece com mais facilidade em capítulos que encerram um volume, onde o autor costuma inserir um cliffhanger, um gancho, para aguçar sua curiosidade, te prender, e fazer você comprar o próximo encadernado.

Nem todas as obras são assim, evidentemente. Algumas são episódicas, com cada capítulo possuindo uma história própria e Sailor V é uma delas. Cada capítulo (ou pelo menos, a maioria deles) do mangá solo da Mina é fechado em si mesmo, com uma história própria com começo, meio e fim, ainda que puxe ganchos para o prosseguimento da narrativa. Ou seja, os capítulos do mangá são feitos para você acompanhar a história do próprio capítulo e não se preocupar muito com os anteriores e nem com os que virão. É exatamente por isso que em todo capítulo Mina se apresenta e apresenta a Artemis, o gato falante.

É evidente que essa característica também permitia a Naoko Takeuchi publicar o mangá de forma bem espaçada e, mesmo assim, angariar novos leitores. É claro que existe uma pequena linha temporal, mas rigorosamente falando, você não precisa necessariamente começar a ler Sailor V do capítulo 1. Você pode começar a ler de qualquer momento e mesmo assim se sentirá situado na história, apenas perdendo uma coisinha ou outra que, no final das contas, não terá qualquer importância.

Como cada capítulo tem uma história fechada, o leitor também não precisa ler todos os volumes da obra de uma vez, pode ir lendo aos poucos, um capítulo por dia até terminar. Sailor V é um mangá diferente, para ser lido de forma diferente. E isso não é um demérito, é apenas uma característica diferente e que faz parte dos pontos positivos da obra.

E por falar em pontos positivos, onde há fumaça, há um vulcão ativo, correto?. Mina, por exemplo, representa o carisma em pessoa que agrada o público e o faz acompanhar a obra por ela e para ela. Suas marcas pessoais são bem distintas, embora se assemelhe demais com outras personagens que conhecemos: apaixona-se pela primeira vez toda semana, é meio avoada e vive falando ditados meio sem sentido.

A bem da verdade, Mina não liga muito para sua missão. Ou melhor, até liga, mas tem outras preocupações maiores, como se divertir. É impossível não rir em cada capítulo de alguma trapalhada ou frase engraçada dita pela garota ao se transformar!. Não é preciso muito esforço para vermos que ela é muito parecida com a Serena (Usagi). No anime dos anos 1990 de Sailor Moon já víamos isso, mas em Sailor V é fácil você se pegar lendo o mangá e achando que está lendo Sailor Moon e que a protagonista é a Serena.

Essa ilusão apenas se dissipa quando nos deparamos com várias easter eggs, como a aparição de Serena e Rei. Isso não quer dizer que Mina não tenha uma personalidade única. Ela, por exemplo, não é uma protagonista chorona como era a Serena. Muito pelo contrário, até é bem corajosa e está sempre disposta a lutar e a ajudar as pessoas. O resumo é que Mina reúne todas as características boas de Serena que nos fazem nos afeiçoar a ela e elimina parte das características ruins que fazem com que não gostemos tanto de Sailor Moon. Mina é, portanto, a protagonista perfeita para a história das garotas de marinheiro. Mas Naoko Takeuchi preferiu outra…

Dentre os personagens secundários, destaques para Artemis, sempre surpreso com as atitudes e frases malucas de Minako, e a para a detetive de polícia que é super fã da Sailor V e faz de tudo para encontrá-la. Ambos os personagens ajudam no humor da série e faz com que a história ganhe mais vida e consiga, em certo sentido, ser um entretenimento melhor do que a obra irmã.

Sailor V não é um mangá perfeito e nem passa perto na verdade. Primeiro que a autora parece possuir uma limitação artística muito grande. A cada personagem que aparece, fica parecendo que já o vimos antes naquela mesma história tamanha a semelhança entre os rostos. Fora que a melhor amiga de Mina parece demais com a Sailor Mercury, a policial é a Sailor Mars em pessoa e o amigo otaku da escola é idêntico ao Kelvin (Umino). Tudo muito parecido, tudo muito igual.

Mas o principal problema é a narrativa e o modo como acontecem as coisas. Se, por um lado, é muito divertido ler a história de Mina, por outro, as lutas são um tédio. Basicamente não há drama. Mina simplesmente usa um golpe e acabou, babau, história vencida. Ela derrota todos muito facilmente, como se fosse aqueles personagens overpower. Isso sem contar aqueles velhos problemas de narrativas mal desenvolvidas, em que a protagonista consegue saber o nome dos golpes e como usá-los sem que ninguém os tenha ensinado.

Entretanto, como a história é descompromissada, feita para ser uma leitura leve, esses defeitos são relevados, mas não deixa de ser um demérito muito grande para a obra. Entre pontos positivos e negativos, Codename: Sailor V é uma história bem agradável e tem suas qualidades e vale a pena ler, mesmo que você não tenha gostado do mangá de Sailor Moon.

Originalmente publicada em 3 volumes, a obra chegou ao Brasil em sua versão mais recente que compila a obra em dois tomos. Lançada em formato pocket, papel offset e um montão de páginas coloridas, o mangá é um colírio para olhos e vem coroar um mangá bem divertido de se ler…

  • Ficha Técnica

Título Original: コードネームはセーラーV
Título NacionalCodename: Sailor V
Autor: Naoko Takeuchi
Tradutor: Arnaldo Massato Oka
Editora: JBC
Dimensões: 12 x 18 cm
Miolo: Papel Offset
Acabamento: Capa cartonada simples, algumas páginas coloridas
Classificação indicativa: Livre
Número de volumes no Japão: 2
Número de volumes no Brasil: 2
Preço: R$ 16,50
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