Resenha: Slime #01 a #04

Transformando-se em um ser poderoso?

Em agosto de 2020, a editora JBC começou a publicar no Brasil o mangá That Time I Got Reincarnated as a Slime, de Taiki Kawakami conhecido como o mangá do Slime. A obra é uma adaptação da série de livros de mesmo nome escrita por Fuse e começou a ser publicada no Japão em 2015 pela editora Kodansha, ainda estando em andamento, atualmente com 16 volumes publicados.

Por aqui, o título foi anunciado em novembro de 2019, começando a sair quase um ano depois, devido às intempéries de 2020 que bagunçaram o cronograma da editora. Ao todo, foram lançados quatro volumes até o momento, o último deles em dezembro.

O mangá conta a história de Satoru Mikami, um jovem assalariado japonês que, certo dia, acaba morto na rua e reencarna em um mundo paralelo como uma slime (posteriormente nomeada de Rimuru) um dos monstros mais insignificantes do lugar. Entretanto, graças aos desejos que fez pouco antes de morrer, Rimuru adquire habilidades únicas e vai, pouco a pouco, tornando-se um dos seres mais poderosos do mundo alternativo.

Veremos na obra, então, Rimuru reunir um grande séquito de seguidores, entre goblins, ogros e diversas outras espécies, formando um tipo de família (ou sociedade) e ajudando até mesmo em combates que – se não fosse ele – poderiam significar o fim da vida de muitos.

Embora o renascimento em um mundo alternativo, em uma forma não humana,  seja assustadora, Rimuru consegue se adaptar muito bem e vai – graças às suas habilidades adquiridas ao renascer – pouco a pouco podendo até mudar de aparência, copiando a forma de aranhas, morcegos e todo tipo de criatura. Um dos pontos marcantes da obra, porém, ocorre quando (isso não é spoiler, pois fica claro na primeira página do primeiro volume) ele absorve uma humana – assim como ele vinda da Terra – e consegue se materializar em um corpo parecido com a garota, mas com características mais andróginas. Isso faz com que ele consiga experimentar comidas, sabores, entre outras coisas que não podia antes, mas ele continua o mesmo ser poderoso de sempre.

Nesse ínterim, o nosso protagonista não parece sentir falta de sua vida na terra, tornando-se mais um morador habitual do lugar e envolvendo-se também em conflitos. Mais do que isso, ele parece pedir por esses conflitos, estando envolto em um grande senso de justiça, de querer o bem dos outros. A humana que ele absorveu, por exemplo, tinha sido amaldiçoada por um Lord Demônio (talvez o tipo de ser mais poderoso do mundo alternativo) e a slime parece querer uma vingança, embora não verbalize isso, visto que não teria muitas chances de vencer, apesar de ser bastante forte.

Sim, pois, Rimuru é, de longe, uma das criaturas mais fortes do lugar, ao ponto de fazer monstros evoluírem, copiar ferramentas em instantes, criar poções de cura, etc, etc, etc. Não por acaso, o grande séquito de seres que ele salva acaba por o venerar e achar ruim quem o importuna.

O mundo do mangá é, obviamente, um mundo de fantasia com todos os elementos que filmes ou jogos exibem. Assim, há monstros diversos, magias e tudo mais. Não se trata, porém, daqueles universos que emulam totalmente games. Não há “telas” de comando e coisas assim. É mundo de fantasia “””normal”””, que vemos em qualquer obra do gênero. Há a questão de evolução e tal, mas isso também é algo comum das obras de fantasia (vide as armaduras de Guerreiras Mágicas de Rayearth).

MAS uma das coisas que é mais interessante nesse mundo alternativo é que os seres, em geral, não têm nome, pois é preciso que alguém lhes nomeie e isso não é uma coisa simples nessa sociedade. Quem recebe o nome termina por evoluir e quem dá o nome precisa ter poder para isso. Rimuru mesmo – com seu poder – dá nomes a diversos seres, fazendo-os evoluir.

Amostra de evolução.

Em termos de andamento de história, diferentemente de Overlord (em que o mangá passa voando), Slime é um título recheado de textos longos, com muitas explicações e elucubrações em quase todas as páginas. No início, vemos Rimuru aprendendo sobre seus poderes e sobre o mundo, enquanto no decorrer dos capítulos as tramas, os personagens, os povos e tudo mais são melhor explorados.  Apesar disso, a obra não fica monótona e segue um ritmo muito bom, com diversos acontecimentos ao longo dos volumes iniciais.

Isso é um ponto importante porque a trama avança bastante e logo somos apresentados aos grandes poderes de Rimuru e à sua “forma humanoide”. Inclusive, o primeiro volume sozinho passa a sensação de que a obra deu uma guinada de uma hora para outra, apresentando uma história que demoraria uns seis volumes para ser feita em outro mangá. Em Overlord, outra obra da JBC, muita coisa também acontece, mas parece que a obra ainda está em sua introdução, sem que a história tenha avançado tanto.

Nesse sentido, Slime apresenta-se como uma obra bem melhor, bem mais interessante e intrigante. Ainda não sabemos exatamente os rumos da história (visto que, no volume 4, estamos ainda em meio a uma luta e não há prognósticos do que possa vir depois), mas de qualquer forma Slime é, de longe, uma das obras de fantasia mais interessantes dos últimos tempos.

Se você gosta de obras de fantasia, certamente irá gostar de Slime. A gente recomenda bastante para todos vocês, inclusive aqueles que não gostam tanto de títulos desse gênero.

FICHA TÉCNICA

Título original: 転生したらスライムだった件
Título Nacional: That Time I Got Reincarnated as a Slime
Autor: Taiki Kawakami
Tradutor: Tiemi Ogawa
Editora: JBC
Dimensões: 13,2 x 20 cm
Miolo: Papel Snow 
Acabamento: Capa cartonada simples
Classificação indicativa: 16 anos
Número de volumes no Japão: 16 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 4 (ainda em publicação)
Preço: R$ 27,90
Compre em: Amazon / Comix

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