Resenha: Overlord #01 e #02

Voltamos a Nazalic…

No início de janeiro, a editora JBC publicou no Brasil os dois primeiros volumes do mangá Overlord, de Satoshi Oshio (roteiro) e Hugin Miyama (desenhos). A obra é uma adaptação da série de livros de mesmo nome escrita por Kugane Maruyama (também licenciada no Brasil pela editora JBC) e começou a ser publicada no Japão em 2015 pela editora Kadokawa Shoten, ainda estando em andamento, atualmente com 14 volumes já lançados.

Por aqui, o título foi anunciado em setembro de 2019 e tinha previsão de começar a ser publicado no primeiro semestre de 2020, mas as intempéries do ano atípico fizeram a obra ser reprogramada e lançada apenas no início de 2021.

O mangá conta a história de um homem fanático por um jogo de “realidade virtual” chamado IGGDRASIL, um game online que está prestes a ser desativado. Momonga – nome que ele adotou no jogo – decide ficar online até o último instante, rememorando os bons tempos em que o game era popular.

Entretanto, quando dá a hora do fim, nada acontece e o jogo continua no ar. Ou é isso o que aparenta. Na verdade, Momonga logo percebe que muitas coisas mudaram, a começar pelo fato de os NPCs (os personagens não-jogáveis) terem adquirido vida.

Ele, então, começa a verificar o que está acontecendo e logo conclui que não está mais em IGGDRASIL e sim em um mundo completamente novo. Momonga, então, decide adotar o nome de Ainz Ooal Gown (o antigo nome de sua Guilda) para buscar se fazer conhecido e ver se encontra alguém que o reconheça.

Os dois primeiros volumes do mangá apresentam a introdução da história, onde conhecemos Momonga (Ainz), os guardiões da guilda (os antigos NPCs), e o mundo novo, bem como alguns outros personagens esparsos.

Acerca do mundo, ele é parecido com o jogo do qual Momonga se lembrava, existindo magias e alguns monstros, mas muito diferente em sua estrutura, com guerra entre povos e uma mitologia própria. Ainda não foi possível ver muito sobre esse “mundo”, mas na superfície ele aparenta ser igual ao de outras obras em que um protagonista acaba indo parar em um local similar a um jogo, apresentando elementos comuns, como a existência de aventureiros, monstros, magias, poções, etc.

Acerca dos personagens, nesses volumes iniciais vários deles são apresentados, especialmente os guardiões de Momonga, além de alguns moradores locais. Mas, sem dúvida, o personagem de maior destaque é justamente o protagonista, sendo o único em quem a gente consegue ver mais facilmente sua personalidade e seus desejos.

Enquanto humano, Momonga não dista muito de personagens de outras obras, que usam os games como uma válvula de escape à dura vida, à dura realidade. Em um certo momento, inclusive, quando ele fica sem dúvidas de que está em um outro mundo ele se questiona se deveria mesmo querer voltar, visto que não tinha família, amigos e nem namorada na terra. Parecia uma pessoa ressentida com o que a vida tinha lhe colocado e o jogo lhe trazia uma felicidade que ele não tinha nela. Ou seja, ele é realmente um desses personagens clichês ao estilo Sora e Shiro (No Game No Life) que parecem representar o próprio consumidor japonês que não vê sentido na atabalhoada vida real e busca um escapismo para isso. Não vemos Momonga, no entanto, feliz por estar no novo mundo, mas também não está infeliz. Na verdade, sua única ambição é justamente se encontrar com outros jogadores que possam estar nesse lugar, quase como se ele quisesse reviver os tempos áureos do jogo.

Já enquanto Ainz, ele é um ser superpoderoso – talvez o mais forte entre os seres – que ataca os malvados e ajuda pessoas. No entanto, acerca desse último ponto, a sua ajuda parece ser mais no sentido de isso contribuir para a sua fama do que qualquer coisas. No primeiro volume, por  exemplo, ele só decide ajudar um vilarejo depois de se lembrar de um companheiro de jogo que o havia salvado e não por desejo próprio de salvar alguém. De igual modo, porém, não é também como se não quisesse ajudar, mas ele se sente estranho ao ver os agradecimentos das pessoas.

Ainz é diferente de outros protagonistas de histórias semelhantes, neste sentido. Em Slime, por exemplo, mangá também publicado pela editora JBC, o protagonista está a todo momento ajudando os seres, como se todos eles fossem formando sua nova família nesse mundo paralelo. Em Re:Zero, Subaru também está lá se arriscando para salvar todo mundo, ainda que ele tente salvar mais seus conhecidos do que tudo. Já Ainz possui tudo – a força, os servos, etc – e quer espalhar a sua força pelo mundo para ser conhecido e ver se encontra algum de seus companheiros de jogo, esse é o seu objetivo ao ajudar pessos.

Sobre a questão da força, Ainz realmente parece uma divindade de tão forte, conseguindo acabar com os inimigos sem muito esforço. Inclusive, a obra tem algumas passagens de humor em relação ao seu poderio, já que ele imagina que um certo inimigo é poderoso e, no fim, é apenas um coisa qualquer, um adversário fraco.

Demais personagens, por ora, apenas pairam em torno de Ainz. Quem mais se destaca, obviamente, é Albedo, uma das antigas NPCs e que é apaixonada por Ainz, gerando diversas cenas de humor, com ela querendo ficar com seu mestre. Além dela, outro que se destaca é um ratinho gigante que ele enfrenta no segundo volume e que se torna uma espécie de mascote.

Em que pese o fato de a obra apresentar lugares comuns já batidos (o humano que odiava a sua vida e adora o novo mundo; o grande poder em relação aos demais e a ambientação semelhante a um jogo), de um modo geral, Overlord é um bom mangá, com uma narrativa bastante ágil e uma história que parece bem promissora, mostrando os mistérios do mundo e o modo como Ainz se tornará conhecido.

O mangá é bastante rápido, com uma sequência de cenas que faz com que a obra termine em pouco tempo. Os autores têm uns atropelos no primeiro volume aqui e ali, mas isso é algo que pode ser relevado, já que no volume 2 as coisas melhoram.

O problema dessa obra é que, por ser veloz, as escolhas do roteirista deixaram o mangá um tanto quanto vazio, em questão de conteúdo, comparado à light novel. A parte do ataque à vila e o aparecimento da Teocracia Slane (que ocorre no primeiro volume) é bem mais detalhada na obra original, com você conseguindo entender melhor a natureza das pessoas envolvidas. No mangá, fica parecendo apenas um ataque qualquer, a pessoas que você não tem empatia alguma até ali. Só para se ter uma ideia da natureza da adaptação em quadrinhos, o primeiro volume adapta todo o primeiro livro da light novel, o que faz com que muita coisa fique de fora.

Entre mortos e feridos, porém, o saldo é positivo, pois se trata de um mangá que realmente agrada e apresenta uma história coesa e interessante de se acompanhar nesse início. Se você ainda não cansou de histórias com pessoas indo para outro mundo, tenha certeza que o mangá de Overlord te agradará em cheio. Se não é o seu caso, existem outros mangás da JBC que te agradarão mais.

FICHA TÉCNICA

Título original: オーバーロード
Título NacionalOverlord
Autor: Satoshi Oshio e Hugin Miyama
Tradutor: Yukari Muramoto
Editora: JBC
Dimensões: 13,2 x 20 cm
Miolo: Papel Pólen Soft
Acabamento: Capa cartonada simples; algumas páginas coloridas.
Classificação indicativa: 14 anos
Número de volumes no Japão: 14 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 2 (ainda em publicação)
Preço: R$ 29,90
Onde comprarAmazon / Comix

1 Comment

  • Caio

    História super rushada e por 30 contos, vou passar longe. Prefiro investir somente na obra original.
    JBC atrasou mais de um ano o lançamento do segundo volume da light novel por conta desse manga, até desanima acompanhar a série com esses intervalos gigantes,

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