Resenha: “Zoo no Inverno”

Caminhando por um parque? Não…

O mais recente mangá lançado pela editora Devir foi Zoo no Inverno, de Jiro Taniguchi, publicado em dezembro de 2021 no Brasil. A obra veio pelo selo Tsuru, em formato similar a O Homem que Passeia e O Gourmet Solitário, títulos do mesmo autor editados anteriormente pela empresa.

Por ser uma obra de Jiro Taniguchi e aparentar ser no mesmo estilo que os outros dois mangás lançados pela Devir, esperávamos um trabalho com um estilo mais contemplativo, em que o momento e a observação importassem mais do que a história, em que o título dissesse exatamente o que é o mangá. MAS… não é bem assim (E isso não é uma reclamação!).

Se em O Homem que Passeia a gente vê um homem passeando e em O Gourmet Solitário a gente vê um homem comendo sozinho, Zoo no Inverno não é sobre estar em um zoológico no inverno^^. Mais do que isso, a obra – na verdade – é um compêndio de uma vida, de um homem que, de uma hora para outra, decide se tornar um criador de mangás e passa a ter uma vida diferente, com muitas dificuldades e novidades…

Zoo no Inverno, então, conta a história de Hamaguchi, um jovem que trabalhava em uma empresa comum e que um dia tem o azar de ter que servir de “segurança” para a filha do chefe. Entretanto, quando algo acontece nesse trabalho de “segurança” (e acontece em uma ida ao zoológico no inverno, daí o título da obra), a vida dele muda de supetão e veremos o rapaz trilhando o caminho dos mangás.

A história, então, é sobre o desenvolvimento da vida de uma pessoa, com decisões e inseguranças, enquanto futuro criador de mangás na cidade grande. Veremos Hamaguchi ser empregado como assistente de um mangaká, trabalhar demais, conhecer pessoas, trabalhar demais, ter seus próprios objetivos enquanto artista, trabalhar demais, sofrer de uma falta de criatividade, trabalhar demais, e, claro, amar.

A narrativa se passa no final dos anos 1960 e veremos muitas referências a mangás (como A Lenda de Kamui) e artistas que despontavam naquela época (como Shotaro Ishinomori, Shigeru Mizuki e Takao Saito), dando-nos um pequeno panorama das influências que faziam nos artistas daquele momento e que eram tidos como referência.

Entretanto, apesar de a cena do mangá estar inteiramente na obra e ser o ponto central da história, a trama como um todo é sobre o desenvolvimento de Hamaguchi como pessoa. Ele quer ser um artista, ele tem desejos, ambições e sonhos que primeiro precisam passar pela realidade de ele ser um ser humano comum. Hamaguchi, na verdade, é um jovem que ainda está se acertando enquanto pessoa, buscando ter uma vida própria, em uma profissão que ele ama, o que gera dúvidas e inquietações, tanto nele mesmo, quanto nas pessoas que o conhecem.

Sim, pois, ele abandona um emprego fixo que – querendo ou não – lhe daria retorno financeiro e uma estabilidade, para ir viver em outra cidade fazendo algo que podia não dar certo, que podia deixá-lo em situação difícil, pois nem todo mundo consegue ser autor de mangá e sobreviver com essa profissão…

Não obstante, os receios ficam ainda mais evidente ao longo da obra, quando o protagonista vê as dificuldades em que ele e os demais assistentes que trabalham com ele se encontram, todos desejando ter uma série, serializar um mangá, mas necessitando de muito mais trabalho do que era imaginado.

A parte final do mangá não chega a ser uma resolução dos problemas e dos medos – afinal a obra apresenta apenas um pedaço de uma vida -, mas ela mostra como os encontros fortuitos podem nos mudar positivamente e nos fazer crescer um pouco, enquanto pessoa, enquanto artista, mesmo que ainda sejamos muito imaturos.

Em outras palavras, a história termina reapresentando tudo o que vinha sendo trabalhado ao longo da obra, mostrando uma pessoa jovem, uma pessoa que ainda está começando a viver, e que precisa aprender sobre as dificuldades e tentar superá-las, sabendo que algumas delas (que algumas dessas dificuldades) não podem terminar tão bem como nas histórias de fantasia dos mangás…

Zoo no Inverno não é o melhor mangá de Jiro Taniguchi lançado no Brasil, mas é uma obra muito boa também, que consegue nos prender bastante, tanto pela cena do mangá, quanto pela perspectiva da vida do protagonista. Sem dúvida é um mangá que vale bastante a pena a leitura.

***

A edição é similar aos demais mangás lançados pela Devir, com capa cartonada com sobrecapa e miolo em algum papel (não divulgado) da família dos offwhites. De igual modo, o sistema de leitura é o oriental (como todos os mangás lançados no Brasil), mas as onomatopeias continuam sendo traduzidas (que é a marca da Devir nos mangás, já que as demais editoras não costumam fazer isso nos dias de hoje). No todo, é um trabalho bem competente.

Ficha Técnica

Título Original: 冬の動物園
TítuloZoo no Inverno
Autor: Jiro Taniguchi
Tradutor: Arnaldo Oka
Editora: Devir
Número de volumes no Japão: 1 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 17 x 24 cm
Miolo: não divulgado
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Classificação indicativa: Não divulgada
Preço: R$ 55,00
Onde comprar: Amazon / Comix

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