Mangá Aberto: “Ryuko”

Veja como está o mangá

Mangá Aberto é uma nova coluna de resenhas aqui do blog em que mostraremos a edição física de um mangá, geralmente um lançamento. O nome advém de um antigo blog em língua espanhola que fazia exatamente isso^^.

A ideia é apresentar aos leitores exclusivos do blog o que já fazemos em nossas redes sociais, mostrar fotos do mangá acrescentando alguns detalhes sobre as obras e opiniões. A postagem de hoje será sobre a edição brasileira de Ryuko, mangá publicado no Brasil pela editora  Skript em agosto de 2023.


DETALHES SOBRE A OBRA


Ryuko é um mangá de autoria de Eldo Yoshimizu e teve seus capítulos publicados de forma independente pelo autor. Consta que a obra chegou até a ter um volume físico no Japão, também de forma independente, junto à plataforma Mandarake, mas uma publicação por uma empresa oficial só foi acontecer primeiramente no ocidente, quando a editora Le Lezard Noir publicou o título em 2016 na França. Foram dois volumes no total.

Recentemente, a editora japonesa Leed firmou um contrato com Eldo Yoshimizu e os capítulos de Ryuko começaram a ser publicados na revista Torch, com a posterior publicação dos volumes impressos oficiais.

No Brasil, Ryuko foi anunciado pela editora Skript no dia 15 de novembro de 2021 e tinha previsão inicial de sair em 2022. A obra foi sendo remanejada até que finalmente foi lançada em agosto de 2023. A versão local compila os dois volumes originais em apenas um.


FORMATO DA EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira veio no formato 15,3 x 21,5 cm, com capa cartão com sobrecapa e miolo em papel offset. São 488 páginas ao todo, sendo um volume grande e pesado. Em termos de tamanho, ele é um pouco menor que os mangás da Pipoca & Nanquim, mas maior que a maioria dos mangás da JBC e da Panini.


SOBRECAPA, CAPA, QUARTA-CAPA E LOMBADA


A sobrecapa da edição brasileira segue a mesma ilustração do primeiro volume da edição francesa e da edição japonesa da editora Leed. A Skript, entretanto, utilizou um esquema de cores diferente das duas edições, além de fazer um design mais limpo.

Capa francesa
capa japonesa

A parte de trás da sobrecapa possui uma outra ilustração (que a gente não consegue decifrar exatamente o que está mostrando), o logo da editora e o código de barras. Infelizmente, não tem uma sinopse que, como sempre dizemos, é algo importante para os consumidores de lojas físicas saberem o que estão comprando.

A lombada da sobrecapa possui o título do mangá, tanto em caracteres japoneses, quanto em alfabeto latino. Também possui o nome do autor e o logo da editora. É uma lombada bem limpa, sem um destaque a mais, não sendo nem feia, nem bonita.

Em termos de material, a sobrecapa brasileira é de uma qualidade bem inferior. Ela é extremamente fina, podendo rasgar ou amassar a qualquer momento. Se você pegar a sobrecapa de Ryuko e comparar com a sobrecapa de qualquer outro mangá publicado no Brasil, você verá a diferença gritante. Acaba sendo um grande demérito da edição desse mangá.

Abaixo da sobrecapa, tem a capa e a quarta-capa do mangá. Em uma temos uma ilustração e na outra temos o título do mangá em japonês. Há verniz localizado nas partes em vermelho em ambos os locais. Há também verniz localizado na lombada, tanto no título em caracteres japoneses, quanto nos caracteres latinos.

Fora a  questão do verniz localizado, em termos de material a capa é cartão comum, como a maioria dos mangás publicados no Brasil.

A lombada da capa é igual à da sobrecapa. A única diferença é o verniz localizado.

CAPAS INTERNAS


As capas internas são brancas como costumam ser a maioria dos mangás lançados em outros países, como o próprio Japão.


PAPEL DO MIOLO


O papel utilizado no miolo do mangá é offset (papel branco). A editora não falou qual gramatura usou no mangá, mas tudo indica que foi uma bem alta, provavelmente o 120g. Isso porque o mangá é bem mais pesado e na comparação com outras obras, o tamanho fica evidente.

Na imagem abaixo, por exemplo, você vê Ryuko ao lado de Fênix. Ryuko tem 488 páginas, enquanto Fênix tem 624 e a grossura dos dois é a mesma. Fênix, assim como outros mangás da JBC, Panini e NewPOP, utilizam um offset mais fino, o 90g.

Alguns leitores (especialmente os mais novos) costumam apreciar mais o papel branco, pois o acham mais bonito, dentre outras coisas, mas no meu entender ele não é o ideal para mangás. Além de no Japão não ser costume publicar mangás nesse tipo de papel, ele reflete muito a luz e não é muito bom para a leitura.

Então, principalmente nesses mangás mais caros, o ideal seria usar algum papel de cor creme como o (falecido) Lux Cream, o Pólen Bold, dentre outros. Entretanto, como a editora utilizou um offset de gramatura mais alta, a gente não vai pegar no pé a esse respeito, pois seu uso fez o mangá ficar mais grosso e não ter nenhuma transparência.


ACABAMENTO GERAL


Como dissemos, a sobrecapa de Ryuko é mais fina do que em outros mangás, enquanto a capa cartão possui verniz localizado e, em termos de material, é igual a maioria dos outros títulos. Igualmente falamos que o papel utilizado no miolo, por seu turno, é mais grosso do que o usado na maioria dos títulos no Brasil. O que mais podemos comentar sobre o acabamento?

Bem, o mangá é pesado, de maneira que você pode se cansar de carregá-lo. É um volume, portanto, para você ler apenas em casa, quando estiver deitado ou sentado em uma mesa. Por ser pesado e ter muitas páginas ele não é difícil de abrir? Não, não é. O acabamento geral é muito bom nesse sentido. Ele tem miolo colado e costurado, permitindo abrir o mangá muito mais que a média, além de folhear e lê-lo sem problemas.

O mangá pode ficar com marcas na lombada? Pode, mas é para isso que existe a sobrecapa, para não deixar visível esse tipo de coisa.


DETALHES EDITORIAIS


Ryuko é a primeira história em quadrinhos do Japão da editora Skript, então é natural darmos um pouco mais de atenção ao trabalho editorial da empresa.

Para começar, como pôde ser visto em uma das imagens anteriores, a editora colocou o tradicional aviso de “pare”, para indicar que a leitura do mangá começa do outro lado, juntamente com a indicação de como se lê os quadrinhos. Pode parecer algo inútil, mas de certo existem pessoas que nunca leram HQs japonesas e precisam desse “manual” para não ficarem tão perdidos. Isso vale ainda mais para uma empresa que começou agora nesse meio. Ela pode ter um público fiel que compra tudo (ou quase tudo) que a editora lança e ter esse detalhe acaba sendo crucial.

Outro detalhe que vale mencionar é que o mangá possui ficha catalográfica. Não sei se existe uma lei a esse respeito, mas é algo de suma importância para bibliotecas e livrarias, tanto que agora provavelmente somente empresas de caráter muito amador ainda não a utilizam.

O mangá não tem muitos extras. Além da história em quadrinhos em si, há apenas algumas ilustrações ao final do volume e uma pequena biografia do autor.

Agora falando da tradução, ela foi feita diretamente do japonês por Cassiano Soares e ficou muito boa. Tem algumas notas quanto é preciso, mas no geral é um texto bem localizado, o que faz com que seja acessível para todos os leitores. Ou seja não tem palavras japonesas desnecessárias, não tem honoríficos, etc, etc, etc. É um texto excelente, do jeito que eu aprecio. Eu só não considero 100% perfeito, pois acho que em algumas partes a editora escolheu determinadas pontuações que fez o texto ficar truncado.

Por fim, no que se refere às onomatopeias, a editora utilizou o mesmo método da maioria das editoras brasileiras. Deixou o original em japonês e colocou uma legendinha com a tradução ao lado.


 A HISTÓRIA E UMA CONCLUSÃO


A sinopse da editora fala que “com muita ação, suspense e reviravoltas surpreendentes, a obra é um explosivo thriller policial onde o Bem e o Mal parecem os dois lados de uma mesma corrupta moeda”. Essa é uma descrição muito perfeita de Ryuko, pois o mangá é exatamente uma obra assim, desde as primeiras páginas você parece estar lendo algum filme ocidental de ação em que as coisas acontecem em um ritmo eletrizante e você tem que ir passando mais e mais páginas para ver o desenrolar da trama.

Mais do que isso, o mangá apresenta situações surreais como uma moto dentro de um metrô ou a mesma moto indo para cima de um helicóptero. Tem muito tiro, tem muito combate, perseguição, etc, etc, etc. Ryuko é realmente um filme de ação americano em forma de mangá.

E isso é tanto para o lado bom, quanto para o lado ruim. A protagonista (e demais personagens envolvidos com ela) é aquele tipo quase imbatível que faz um monte de coisa, aparece do nada nos lugares, sai ilesa de quase todo confronto com tiros e mesmo quando acaba não tendo sorte, existe um algo a mais para salvá-la. Isso faz parte da emoção da história, do modo como a narrativa nos prende, mas não se pode negar que é apenas convenção para o roteiro andar.

Apesar disso tudo ser verdade, e ação frenética necessitar que a gente queira ler tudo o mais rápido possível, passar as páginas rapidamente pode não ser uma boa ideia, pois pode te deixar com uma visão mais incompleta da obra de Eldo Yoshimizu. As cenas tem muitos detalhes e você precisa se atentar para tudo, pois pode deixar escapar alguma coisa e/ou achar que uma cena ou outra não fez sentido.

O autor desenha em tons escuros muitas vezes e isso também faz com que precisemos de uma maior atenção, mesmo com a quadrinização fazendo com que a leitura seja rápida e dinâmica.

De mais a mais, a história parece meio perdida no começo (os dois primeiros capítulos), mas com o decorrer da trama ela vai se assentando e você consegue entender tudo o que está acontecendo: o desejo de Ryuko de encontrar a mãe que ela não sabia que ainda estava viva, as organizações criminosas em busca de certas coisas, etc, etc, etc.

Eu acho que a melhor forma de falar sobre o mangá Ryuko é dizer que ele é uma experiência. Eu costumo falar muito isso para certo tipo de obra mais complicada de se lidar, e com esse é um pouco dessa forma. Ele tem uma história meio convencional, mas o modo como é montado, o clima que é feito, ele desperta a vontade de ler. Eu ainda não sei se ele é um mangá muito bom ou não, mas sem dúvida eu adorei a experiência e eu recomendo a leitura.

Existe o grande pesar do preço ser impeditivo, mas se vocês conseguirem uma boa promoção, acho que vale bastante a pena arriscar com esse mangá.


Ficha Técnica


Título Original: 龍子
Título: Ryuko
Autor
:  Eldo Yoshimizu
Tradutor: Cassiano Soares
Editora: Skript
Número de volumes no Japão: 2 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (completo)
Dimensões: 15,3 x 21,5 cm
Miolo: Papel offset
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 488
Classificação indicativa: não há
Preço: R$ 89,00
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Membro do alto escalão da máfia japonesa, a feroz Ryuko se envolve com uma misteriosa organização terrorista. A trama fica ainda mais densa com questões políticas de alguns países… e o sequestro da mãe da perigosa protagonista! Algo que pode, ou não, estar relacionado com a morte de seu pai. Com muita ação, suspense e reviravoltas surpreendentes, a obra é um explosivo thriller policial onde o Bem e o Mal parecem os dois lados de uma mesma corrupta moeda. Lançado em dois volumes, a Skript reuniu toda a aventura em uma única edição.


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1 Comment

  • Matheus Fonseca

    Esse eu peguei na pré venda e logo chegou eu já li…uma das melhores, senão a melhor qualidade gráfica q eu tenho na coleção, impecável!! E a história me surpreendeu positivamente, mangá top!!

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