
Um pouco de interrogação…
Em dezembro de 2023, a editora Panini começou a publicar no Brasil o mangá Star Wars: The Mandalorian, de Yusuke Osawa, dando continuidade aos quadrinhos japoneses adaptando obras da famosa franquia norte-americana.
Publicado originalmente no Japão na revista Big Gangan, da editora Square Enix, esse mangá continua em andamento por lá (atualmente com 2 volumes lançados) e adapta a série de mesmo nome produzida pela Disney. Ao que tudo indica, ele deve durar bastante, se a intenção for adaptar todas as temporadas.



Na obra acompanhamos um caçador de recompensas que aceita uma missão para lá de esquisita, ter que encontrar alguém de uns 50 anos sem maiores informações sobre esse ser. O que ele não sabe é que esse ser, na verdade, é um órfão com um poder inimaginável e ele acaba fugindo com esse ser buscando protegê-lo de todos o que querem seu fim…
O primeiro volume é bastante introdutório, apresentando uma cena inicial em que veremos que o caçador de recompensas irá proteger o tal órfão, mas em seguida mostrando os momentos anteriores a isso, com o protagonista capturando um fugitivo e, então, aceitando a missão que o levará até o órfão.
É um volume tecnicamente muito bom, com uma quadrinização bem feita, que dá agilidade à narrativa, além de diversas cenas de ação que empolgam bastante. Você vai lendo, lendo, lendo e em pouco tempo chega ao final do volume de tão bom que é o jeito que é contado a história…
Mas isso não significa que o mangá seja para todo mundo…



Como eu já comentei em outras postagens, eu jamais vi um filme de Star Wars de forma que as únicas coisas que eu sei sobre a franquia são aquelas que todo mundo conhece por ser algo da cultura pop e multi-referenciado em diversas obras (como o fato de Dart Vader ser o pai do Luke).
Assim sendo eu não conheço os pormenores da trama, dos personagens, do mundo criado, etc. A despeito disso, a leitura dos mangás sempre foi muito inclusiva, de sorte que não havia necessidade de conhecer a franquia para a gente adentrar na história e se divertir com ela. Dito de outro modo, era como se a gente estivesse lendo qualquer outro mangá, com as informações sendo colocadas aos poucos para o leitor ir apreendendo o ambiente aqui e ali.
O mesmo não se mostra em Star Wars: The Mandalorian ou pelo menos não totalmente. Assim como outros mangás, ele também apresenta um início que, supostamente, pode ser visto por todas as pessoas, mostrando um caçador de recompensas trabalhando em busca dos foragidos. Assim, a gente consegue ir acompanhando a história, vendo as aventuras do protagonista, com os entreveros, as lutas, etc. Isso é legal, é divertido.
Ocorre, porém, que muitas coisas não são explicadas, sendo jogadas assim para o ar, como se fosse conhecimento corrente. Isso vale tanto para termos e coisas específicas de Star Wars, quanto para coisas existentes no mundo real, mas que as pessoas em geral não conhecem.
Em um determinado momento, por exemplo, cita-se a palavra “parsec”. Pelo contexto, a gente entende que se refere a local, país, redondezas, mas só pesquisando sobre é que a gente entende realmente e que é uma unidade astronômica real. O mesmo vale para “Pauldron”.


“Beskar”, por outro lado, é algo particular da franquia Star Wars, mas pelo contexto (e pelos desenhos) a gente entende que ele é algo usado para fabricar armaduras, entretanto em um determinado momento fala-se de um tal “símbolo” e não existe explicação para isso e a gente não sabe se é um símbolo desse “Beskar” (e nem o que significaria isso) ou se está falando de alguma outra coisa.

Assim, Star Wars: The Mandalorian parece feito para quem já conhece bem a franquia e tem todos os conhecimentos enraizados. Nesse mangá não houve uma preocupação de inserir as pessoas novas nem por parte do autor nem por parte da editora (a Panini não colocou nenhuma nota desses termos), as coisas foram só jogadas para que talvez depois, muito longinquamente, se explique, bem diferente de outros mangás da franquia em que tudo era bem claro desde o volume inicial.
Isso não chega a ser um impeditivo para a leitura do mangá, mas essas interrogações podem deixar muitos leitores confusos aqui e ali. Então se você não conhece nada de Star Wars e/ou não viu a série original, Star Wars: The Mandalorian não é para você (não é para mim). Mas se você gosta da franquia, esse é um mangá bem competente e vale a pena dar uma chance.
Até o momento, só saiu o primeiro volume no Brasil e ainda não há uma data para o segundo número.
Ficha Técnica
Título Original: スター・ウォーズ:マンダロリアン
Título: Star Wars: The Mandalorian
Autor: Yusuke Osawa
Tradutor: Mateus S. Alencar
Editora: Panini
Número de volumes no Japão: 2 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel offset 90g
Acabamento: Capa cartão
Páginas: 166 (sendo 4 coloridas)
Classificação indicativa: 12 anos
Preço: R$ 37,90
Onde comprar: Amazon / Loja da Panini
Sinopse: Mando e A Criança estão em fuga, e não há lugar seguro para eles! Anos depois da queda de Palpatine, um solitário caçador de recompensas recebe uma missão bastante simples: encontrar e devolver uma criança ao grupo remanescente do outrora todo-poderoso Império. Esse misterioso órfão tem um poder provavelmente capaz de virar o jogo a seu favor. Alheio a isso, porém, o mercenário foge com o pequenino, a fim de protegê-lo das forças que desejam exterminá-lo. Eis a história do Mandaloriano e sua busca desesperada para salvar a Criança e a si próprio. Mangá baseado na cultuada série criada por Jon Favreau para o universo de Star Wars.
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Pauldron dava muito bem para ser traduzido como ombreira. Beskar foi um termo inventado pela primeira vez aqui e o tal símbolo mencionado também fica em aberto para quem acabou de iniciar a série de TV. Então acho que a adaptação tá igual.