Resenha: “Parasyte – Edição Especial Colorida #01”

Uma reedição esperada…

Em julho, a editora JBC começou a republicar no Brasil o mangá Parasyte, de Hitoshi Iwaaki, dessa vez em uma edição especial totalmente colorida.

Publicado originalmente no Japão entre 1989 e 1995 na revista Afternoon, da editora Kodansha, o mangá foi concluído em 10 volumes no total. Ao longo dos anos ele foi relançado por lá em edições com 10 ou 8 volumes cada.

No Brasil, o mangá foi lançado originalmente pela editora JBC entre setembro de 2015 e junho de 2016 em dez volumes. Agora a obra retorna em uma edição de 8 volumes e, como dito, com as páginas totalmente coloridas.

Parasyte é um mangá que dispensa apresentações para os otakus mais velhos, tendo ganhado uma nova fama em meados da década de 2010 devido a uma adaptação em anime bem sucedida, mostrando-nos uma obra-prima com muitas reflexões acerca da vida e do modo de se comportar dos seres humanos.

Na obra, alguns parasitas vindos do espaço pousam na terra e começam a tomar o controle do cérebro de alguns seres humanos e, para sobreviver, eles precisam comer outros humanos, ocasionando uma série de mortes inexplicáveis em todo o mundo.

Nesse ínterim, conhecemos Shinichi Izumi, um estudante que acaba sendo parasitado por uma dessas criaturas espaciais, mas ao contrário dos demais, ele não tem o seu cérebro substituído devido a um erro do parasita, com ele ficando, na verdade, em sua mão direita.

Convivendo com essa criatura a partir de então (apelidado de Miggy), Izumi será o único a saber o que estava acontecendo no mundo, mas mesmo assim ele não poderia contar a ninguém para proteger seus familiares…

Parasyte é uma obra que transborda reflexões sobre os humanos e o modo de vida da humanidade. A obra já começa nas primeiras páginas despejando todos os danos que as pessoas causam ao planeta (queimando florestas, poluindo o ambiente, etc), e falando que seria necessário fazer alguma coisa para cuidar de todas as criaturas do planeta. E é nessa ideia que vêm os parasitas.

A história coloca em xeque a suposta superioridade humana sobre todas as criaturas, questionando desde o primeiro momento se nós deveríamos fazer o que fazemos com o mundo atual, além de nos fazer rever nossos comportamentos, pois muitas vezes a obra equipara a humanidade com os parasitas.

Nesse sentido, por exemplo, enquanto Shinichi acha errado os parasitas se alimentarem dos seres humanos, Miggy argumenta que essa linha de pensamento não faz sentido, pois os seres humanos fazem a mesma coisa com outras espécies. Ou seja, não seria errado a morte dos seres humanos pelos parasitas, pois a única coisa que eles estariam fazendo é se alimentar para poder sobreviver, a mesma coisa que os seres humanos fazem com os animais em geral.

Não é que a obra esteja fazendo uma apologia ao veganismo ou vegetarianismo, ela apenas vem criticar o modo como a sociedade humana, de forma mundial, vem destruindo a natureza ou se aproveitando das coisas para o seu próprio bem, sem se importar com natureza e demais espécies que habitam o local.

Ou seja, a sobrevivência é algo inerente a todas as espécies e não apenas ao ser humano, daí que os parasitas quererem sobreviver é só algo comum na cadeia animal. É nesse sentido que a obra também questiona a pretensa superioridade humana. Podem os seres humanos fazerem o que quiserem com o mundo se isso acabar com toda a fauna e toda a flora? Se sim, qual o problema de uma outra espécie vir e acabar com a humanidade?

Assim, por mais que os parasitas sejam vistos como uma praga que vem exterminar a humanidade, eles não seriam vilões por assim dizer, eles apenas estariam na terra para buscar um reequilíbrio. Isto é, o grande ponto da obra acaba sendo sobrevivência. Miggy estar adepto ao corpo do protagonista também é apenas por querer sobreviver.

É nessa questão de querer sobreviver que existem os embates com os seres humanos. Os parasitas acabam ganhando inteligência com o tempo e vez ou outra acabam entrando em discordância com outros parasitas ou com o protagonista da obra, que tem um em sua mão.

Aliás, o mangá é um misto de vários gêneros, esses embates geram um pouco de ação, mas também temos o drama, o mistério e até um humor interessantíssimo também. Mas o que se destaca mesmo é a discussão da obra, é essa incessante crítica à humanidade.

O humor do mangá^^

Parasyte é uma obra-prima e nem precisa de qualquer recomendação da minha parte para todos saberem disso e a volta do mangá é muito bem vinda para mais pessoas conhecerem o título.

Acerca da nova edição, é um tanto diferente ver o mangá em uma edição toda colorida, pois causa um estranhamento, como se a colorização fosse estranha ou como se algo não estivesse correto. Mas isso é só uma impressão inicial, pois a gente se acostuma com o tempo e tudo flui melhor.

No todo, é uma edição muito bem feita para um mangá que é excelente. Se você você tem dinheiro sobrando e/ou vir uma boa promoção não deixe passar a chance de adquirir ao menos o volume inicial.

***

Parasyte: Edição Especial Colorida veio no formato 15 x 21 cm (maior do que a maioria dos mangás da JBC), com miolo em papel Offset e capa cartonada com orelhas e verniz localizado. São 280 páginas, todas coloridas e o preço é R$ 76,90.

Esta resenha só foi possível graças a um exemplar cedido a nós pela editora JBC, por meio de sua programa de parcerias 2024


Ficha Técnica


Título Original: 寄生獣
Título: Parasyte: Edição Especial Colorida
Autor
: Hitoshi Iwaaki
Tradutor: Drik Sada
Editora: JBC
Número de volumes no Japão: 8 (completo)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 15 x 21 cm
Miolo: Papel Offset
Acabamento: Capa cartão com orelhas
Páginas: 272 (todas coloridas)
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 76,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Criaturas parasitas desconhecidas começam a surgir por toda a parte, tomando controle do corpo de pessoas comuns e se alimentando de outros seres humanos. Shinichi Izumi acaba “hospedando” uma dessas criaturas em sua mão direita. Os dois conseguirão viver em harmonia? Será que o mundo sobreviverá a essa invasão?


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