Resenha: “New Normal #01”

Os tais sentimentos num mundo pós-pandemia…

Em agosto, a editora MPEG começou a publicar no Brasil o mangá New Normal: Sentimentos em um Mundo Pós-Pandemia, de Aihara Akito.

Ele começou a ser lançado originalmente no Japão no final de 2020 pela editora Funguild e ainda segue em andamento, atualmente com 7 volumes publicados.

A obra – que como pode ser visto, teve seu início na época da pandemia – reimagina o nosso mundo no futuro, numa época em que uma pandemia foi parcialmente controlada, mas cujos efeitos foram devastadores e persistem até os dias atuais, com as pessoas usando máscaras em todos os ambientes…


UM POUCO DE CONTEXTO


Como dito, a trama se passa no futuro e tem como ideia central o fato de que as máscaras se tornaram tão necessárias, mas tão necessárias, que chegaram ao ponto de serem indispensáveis e até mudarem de significado com o passar do tempo.

Assim, na obra surgiu uma geração inteira de pessoas que nunca viram os rostos das outras (à exceção de familiares) sem máscaras, de maneira que a região da boca, com o tempo, se tornou erótica no contexto do mangá.

Já não há mais uma pandemia em andamento, só que as pessoas ainda usam máscaras, pois o vírus ainda está em circulação e qualquer um pode pegá-lo a qualquer momento. Daí que as demais noções para evitar o espalhamento do vírus, como o distanciamento social permanecem.

Por conseguinte, o momento atual do mangá vê a época de quando as pessoas não usavam máscaras como uma outra era que não existe mais e que não voltará a existir… uma época distante… uma época que parece ter existido apenas nos filmes…


UM POUCO DA HISTÓRIA


A obra se passa em um ambiente escolar e a gente conhece alguns adolescentes, com destaque para Hata e Natsuki. Hata é um garoto comum do clube de drones, enquanto Natsuki é uma adolescente normal que tem como paixão o “mundo de antigamente” em que as pessoas não usavam máscaras, iam a parques, comiam sem máscaras, etc, etc, etc.

Um dia Hata vai procurar um bebedouro na escola e acaba encontrando Natsuki bebendo água. No que, por um descuido, Hata termina por ver o rosto da garota sem máscara, gerando um grande constrangimento.

Mas o que poderia ser o fim de uma amizade acaba virando uma oportunidade e Natsuki decide mostrar seu rosto novamente para Hata, mas dessa vez por querer, contanto que Hata também mostre o rosto dele.

Entre mal entendidos e confusões, Hata e Natsuki começam a vislumbrar um pouco do mundo sem máscaras, mas algo parece estar para acontecer…


MUNDO, HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO


O mundo “normal” desse mangá é um mundo um tanto quanto drástico, conquanto ainda não sabemos como é o vírus causador da pandemia nessa obra. Essa radicalidade do mundo se mostra não somente pelo uso incessante de máscaras (que até mesmo moldou o comportamento das pessoas) como também por aspectos estruturais que restringem e condicionam mais as pessoas.

Tóquio está separada do resto do Japão por um muro, existem equipes que estão à caça de pessoas infectadas, as escolas são rígidas em seus estatutos, etc, etc, etc. Tudo isso forma um mundo à parte que vai sendo pouco a pouco nos mostrado dentro do mangá, um mundo que parece um verdadeiro ambiente de guerra.

Enquanto existe esse mundo diferente, a gente vê as pessoas vivendo suas vidas, em especial os adolescentes Hata e Natsuki. Então, o que a gente acompanha na maior parte do tempo é uma vida escolar comum (a despeito das máscaras), com os jovens indo para a escola, com suspeita de namoro entre um e outro, com as garotas achando os rapazes pervertidos, tudo da forma mais corriqueira possível.

Como a gente segue Hata e Natsuki, o que a gente vê durante a obra é um desenvolvimento de um romance, ou suposto romance, entre os dois, com eles (que sempre foram amigos) passando a ficar mais tempo juntos e a se ver sem máscaras, como no mundo antigo…

A bem da verdade, no primeiro capítulo eu pensei que estivesse lendo algum hentai, pois todo o arcabouço da história não era outra coisa senão o erotismo das partes íntimas. A diferença, no entanto, é que as partes íntimas em questão é o rosto, na região da boca.

Tudo o que a obra apresentava parecia exalar erotismo, erotismo de hentais, de obras ecchis e tudo mais, com os personagens vendo as partes que não deveriam ver, e eles sendo descritos e desenhados com aquele pudor, com aquela vermelhidão que a gente vê nas obras eróticas quando alguém é visto sem roupa, de calcinha ou algo assim.

O segundo capítulo deu uma amenizada nisso, mas ainda continuou essa coisa de ser algo pecaminoso ver as pessoas sem máscaras, do mesmo jeito que mostrar as partes íntimas…

A questão principal é que Natsuki é vidrada no mundo de antigamente, então ela desejaria vivenciar aquele mundo, mesmo ainda ficando vermelha e sentido vergonha de mostrar o rosto. É como se alguém fosse fascinada no naturismo, mas ficasse acanhada de pessoas a verem nua.

O ponto é que apenas ela tem isso, daí que o modo como o autor fez a história ficou parecendo um clima erótico de verdade, o que prova que – ao menos nesse quesito – ele construiu uma realidade bem factível e verossímil, ao ponto de a gente acreditar fortemente e ver um erotismo naquelas cenas.

Fora isso, me parece que o mangá não ficará apenas nessa coisa de romance entre os protagonistas e o desenvolvimento da vida escolar deles. Conforme o volume foi avançando, a história nos apresentou elementos que, aos poucos, vão construindo um mundo que parece em ruína, um mundo em que pode existir coisas fantásticas e sobrenaturais e que são escondidas da população.

Não dá para saber se é isso ou não, mas se coisas postas ao longo do volume forem elementos para serem aproveitados posteriormente, tudo indica que haverá alguma mudança no decorrer da história. De minha parte, eu preferiria que se mantivesse nesse clima atual, com a vidinha normal dos personagens, juntamente com o clima desse “novo normal”.

Assim, o que eu posso dizer é que eu gostei desse primeiro volume, mas eu acho que ainda preciso de mais tempo para poder indicar o mangá para vocês. Eu achei ele interessante, gostei mesmo do que vi, mas é preciso um pouco mais para entender até onde essa obra vai…


A EDIÇÃO BRASILEIRA


A edição brasileira de New Normal veio no formato padrão da editora MPEG, isto é no tamanho 13,7 x 20 cm, com miolo em papel offset 90g e capa cartonada com sobrecapa e verniz localizado. O primeiro volume teve 192 páginas, todas em preto e branco. O preço é R$ 37,90.

Se trata de uma edição muito bem feita, com uma boa encadernação e um acabamento que os fãs de mangás costumam gostar, com a importante sobrecapa. De minha parte, eu só trocaria o papel branco, por um papel creme e ficaria tudo bem, mas também não irei reclamar a torto e a direito.

Em termos de texto, aparentemente houve um trocadilho de duplo sentido que foi impossível de traduzir e tiveram que colocar uma nota, mas de maneira geral é um texto bem feito e não notei erros de revisão.


Ficha Técnica


Título Original: ニューノーマル
Título: New Normal: Sentimentos de um Mundo Pós-Pandemia
Autor
: Aihara Akito
Tradutor: Renata Leitão
Editora: MPEG
Número de volumes no Japão: 7 (ainda em publicação)
Número de volumes no Brasil: 1 (ainda em publicação)
Dimensões: 13,7 x 20 cm
Miolo: Papel Offset 90g
Acabamento: Capa cartão com sobrecapa
Páginas: 192
Classificação indicativa: 16 anos
Preço: R$ 37,90
Onde comprar: Amazon

Sinopse: Anos atrás, tivemos que nos adaptar a uma nova realidade, novos meios de interagir com os outros, estudar, trabalhar, mas e se isso fosse o novo normal permanentemente? Em New Normal o mundo vive uma pandemia permanente e as máscaras no rosto não tem hora pra sair. Nesse mundo, vamos acompanhar a história de duas pessoas especiais vivendo e crescendo nesse novo normal, em uma sociedade diferente e que ainda enfrenta dilemas éticos e amorosos.


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1 Comment

  • Anônimo

    Alguém me explica como essa editora consegue lançar um mangá com papel offset 90g, e sobrecapa e verniz localizado por R$ 37,90, enquanto as grandes editoras que conseguem uma tiragem MUITO maior estão cobrando quase R$ 45 por um tankozinho meia boca com papel 66g cheio de transparência e capinha comum?

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