Digimon Tri e um adendo sobre a distribuição de mangás digitais

DIGIMON TRINão, não falaremos sobre o animê…

Ontem foi exibido nos cinemas japonesas o primeiro “filme” da nova série de Digimon, intitulada Digimon Tri, que foi produzida pela Toei Animation em comemoração aos 15 anos da franquia.

O filme é, na verdade, um conjunto de quatro episódios distintos que foram exibidos juntos. A série é uma continuação direta de Digimon Adventure – o primeiro animê – mas aparentemente sem esquecer a segunda temporada, visto que T.K e Kari possuem aquele digivice “avançado”.

Muitos mistérios foram colocados e, surpreendentemente, Digimon Tri conseguiu ser muito melhor do que qualquer um poderia supor. Depois de tantas séries bem fraquinhas, parece que eles acertaram a mão na narrativa e fizeram uma história que promete ser bastante consistente e, quem sabe, se igualar ou ser melhor que Digimon Adventure ou Digimon Tamers…


I

Mas não viemos falar sobre o animê. Viemos falar sobre a sua distribuição em terras brasileiras^^. Como o desenho não seria exibido na televisão japonesa e sim no cinema, nós ocidentais teríamos que esperar para podermos assisti-lo, pois não haveria cópias “alternativas” pela internet tão cedo.

O máximo que teríamos seria apenas uma versão gravada das salas do cinema e todos sabem como esse tipo de gravação é ruim. Seria necessário esperar o lançamento do BD (mês que vem) para que pudéssemos ver Digimon Tri de forma decente.

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Mais eis que no Brasil e em outros países do mundo, Digimon Tri foi licenciado oficialmente! Em nosso país, o Crunchyroll obteve a licença e colocou os quatro episódios do animê no ar, rigorosamente no mesmo dia em que foi exibido no Japão, sem que precisássemos esperar nada. Pudemos assistir com todo o mundo e comentar em tempo real nas redes sociais e nos fóruns sobre o animê e as teorias em torno dos mistérios apresentados por ele.

Quem não tem uma conta no Crunchyroll e assistiu ou vai assistir Digimon Tri sem ser por esse site nos próximos dias, saiba que direta ou indiretamente você só estará assistindo Digimon tão rapidamente apenas porque ele foi licenciado de forma oficial para exibição digital.

Aqui no Brasil, alguns sites piratas chegaram ao cúmulo de, ao colocar o animê na internet, nem ao menos se dar ao trabalho de mudar a legenda do Crunchyroll. Outros fizeram tradução própria, mas só em três sites encontrei os “créditos” ao Crunchyroll.


II

Esse fato faz vir à tona uma coisa muito interessante que são as pessoas que ficam detratando os serviços de streaming on demand, como o Crunchyroll e Netflix, e achando que quem paga por eles só pode ser louco. Todo mundo já deve ter dito, visto ou lido a seguinte frase: “por que eu vou pagar por algo que posso ter de graça?”.

Quem nunca aceitou qualquer argumento, eis a resposta agora com Digimon. A realidade mostrou que é importante sim ter um produto licenciado no país e que se não fossem as pessoas que pagam e fazem o serviço existir no Brasil, não haveria Digimon Tri tão rápido para ninguém…

Se a pirataria consegue, muitas vezes, ser mais veloz e eficiente que o serviço oficial – às vezes demoram-se meses para a Netflix ter um filme que está nos sites piratas poucos dias após a estreia nos cinemas -, ela (a pirataria) não pode fazer nada quando existem certos limitadores como foi no caso de Digimon… Mesmo se algum site não conseguiu os vídeos do animê diretamente pelo serviço oficial, indiretamente foi de lá também que eles (os vídeos) vieram.


III

Nesse sentido, gostaríamos de fazer um adendo a uma postagem que publicamos recentemente, intitulada “Mangás digitais, por que não?”. Nela, entre outras coisas, falamos que a existência de um “mercado” de mangás digitais não “mataria” os scanlattor e para quem não quisesse ou não pudesse pagar, absolutamente nada mudaria.

Hoje, eu digo que uma coisa poderia mudar sim, caso comecem a existir limitadores tal qual esse limitador de Digimon.

Imaginemos: e se, de repente, os japoneses inventassem algum tipo de papel ou algum produto que impedisse que as revistas semanais pudessem ser scaneadas? É um exemplo extremo e muito louco, mas que nunca se pode descartar. Caso os nipônicos fizessem isso, seria adeus shonen jump toda semana para você.

O que você faria sem o seu capítulo semanal de One Piece e Bleach? Não sentiria falta de ler Nisekoi, Boku no hero academia e vários outros mangás? Aguentaria esperar até quando (e se) Panini ou JBC publicassem os títulos?

Pois é, se tivéssemos um “mercado” oficial de mangás digitais não correríamos esse risco. Provavelmente, se tal coisa acontecesse os sites piratas pegariam as imagens dos sites licenciados, como muitos deles já fazem com, por exemplo, Ataque dos titãs e Nanatsu no taizai, títulos licenciados pelo Crunchyroll Mangás.

O nosso exemplo foi no limite do extremo, mas existem diversas outras coisas que tanto japoneses, quanto brasileiros, poderiam fazer para deletar ou diminuir o poder da pirataria na internet. Por mais que as pessoas digam que pirataria nunca irá morrer e se transformará continuamente, não se deve ter tanta certeza disso…

Nesse sentido, o caso Digimon Tri foi emblemático e nos lembrou – na mesma semana em que um site pirata de filmes foi fechado no Brasil- que precisamos sim de produtos oficiais no país e de pessoas que paguem por eles… Sem esses serviços, podem surgir limitadores (uma política anti-pirataria bem mais forte, no Japão, por exemplo) que nos impeçam de consumir um produto cultural que queremos…

Não está na hora de você parar de ser contra a venda de mangás digitais pelas editoras? Não está na hora de você passar a querer isso também? Se um dia os japoneses arrumarem um jeito de blindarem-se contra a pirataria pode ser tarde demais para nós, tarde demais mesmo…

BIBLIOTECA BRASILEIRA DE MANGÁS

2 Comments

  •  

    Com todo respeito, é preciso ser muito retardado para ser contra um mercado oficial de distribuição digital.

    Tipo, se um indivíduo só consome conteúdo pirata, ao entrar esse novo formato de distribuição, na verdade ele teria mais uma “fonte” do qual seria possível ter acesso ilegal da mesma forma… E provavelmente com uma tradução melhor que a de uma cambada de scanlations feitos por moleques com inglês de nível de quinta-série espalhadas internet afora.

  • Nada contra o formato digital, mas gosto de toda a experiência que é a compra de um mangá físico: ir à banca, escolher o mangá que você levará para casa entre dezenas, aquela única cópia que será exclusivamente sua; ao lê-lo, sentir a textura do papel, o cheiro do papel e da tinta. Fora o fato que a cópia física dá a sensação de possuir algo, que esse algo é colecionável, e que é seu de verdade.
    O dinheiro que eu gasto com livros e mangás anualmente, já dava para comprar um ebook, mas não me acostumo com esse formato. Claro que este abre a possibilidade quase infinita de opções, mas ele não me é atrativo. Se as editoras tentassem trazer uma experiência de leitura diferente das letras pretas em um fundo branco no formato digital, como textos e ilustrações mais elaborados, talvez aumentasse meu interesse. Imagino o formato digital de livros com ilustrações animadas, como o jornal Profeta Diário do universo do Harry Potter, e os mangás com algumas cenas em movimentação real como um anime.

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