Resenha: Blade: a lâmina do imortal – volume 1

BladeUma grata surpresa…

Em tempos passados havia uma editora brasileira que trazia mangás ao país chamada Conrad. A Conrad foi a responsável por trazer títulos famosos como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Slam Dunk, Vagabond, Evangelion, Monster, One Piece e o mangá que será nosso alvo hoje, Blade: a Lâmina do imortal.

Blade começou a ser publicado por essa editora lá no longínquo ano de 2004 e, como era regra na época, cada número tinha cerca de 100 páginas, metade do original japonês. Assim como fez com One Piece, Vagabond e vários outros títulos, a Conrad não concluiu Blade, cancelando-o após a edição 38, o que equivale ao número 19 no original. Muito embora o volume 38 tenha sido publicado em 2007, o cancelamento oficial só ocorreu 4 anos depois, em 2011.

No limbo dos mangás cancelados, Blade foi concluído no Japão em 2012 com 30 volumes no total e se tornou um daqueles títulos difíceis de retornar ao país. Contudo para a surpresa de muitos, o retorno de Blade foi anunciado em 2015 pela editora JBC. A obra voltaria no formato BIG que consiste na junção de dois volumes originais em apenas um, destinado exclusivamente a livrarias e lojas especializadas.

O primeiro volume do mangá foi publicado em dezembro de 2015 e já se encontra no terceiro tomo. Aqui, entretanto, falaremos apenas do número 1.

Blade 01

Sinopse

Após ser encontrado quase morto, Manji é salvo por uma monja que acaba lhe dando vida eterna. Querendo sua mortalidade de volta, o samurai faz um acordo com ela: matar um determinado número de criminosos, e só então ela cumprirá sua parte no acordo.

A morte e a espada andam lado a lado. Mas como um samurai imortal irá expiar os pecados cometidos pela sua espada? Lavando sua espada em sangue derramado de forma justa!

História e desenvolvimento

A história de Blade : a lâmina do imortal é, ao mesmo tempo, uma história de redenção e de vingança. Vemos de um lado, um homem que busca a expiação dos seus pecados e, do outro, uma jovem moça que deseja vingar o assassinato de seus pais.

Nesse primeiro volume conhecemos Manji, o protagonista da história, um samurai dos mais habilidosos e que já matou centenas de pessoas. Tendo ganhado a imortalidade contra a vontade, ele deverá matar uma série de pessoas de forma justa – i.e em nome da justiça – para expiar seus pecados e finalmente ter sua mortalidade de volta. Nessa busca, Manji é contratado por uma moça chamada Rin que deseja vingar a morte de seus pais. Aceitada a missão, os dois passam a viajar juntos em busca de pistas que os levem às pessoas envolvidas no brutal crime.

Rin

Essa é a premissa básica que vemos em Blade e, no primeiro tomo, acompanhamos uma série de histórias em que o Samurai e a garota vão atrás de informações e acabam por lutar contra os inimigos. Basicamente,  esquema narrativo não se altera muito e a cada capítulo ou conjunto de capítulos é feito para dar destaque a um confronto.

Porém, não é apenas isso que acontece. Descobrimos particularidades daquele mundo e algumas coisas são questionadas: se existe um samurai que se tornou imortal, será que ele é o único imortal? E será que não existe um jeito de matar um imortal?^^. Essas questões são postas e respondidas ao longo do volume.

Blade

Manji é um personagem incrivelmente forte, daqueles que você vê que, não importa o que aconteça, sairá vencedor no final. Logicamente, ele não é um Saitama invencível, pois para Manji a vitória nunca é fácil, é cheia de percalços e, em alguns momentos, só é possível graças à ajuda da Rin. Embora não ocorra um romance, Manji e Rin vão criando um laço maior a cada capítulo, ainda que esse laço seja apenas pelo objetivo em comum.

Essa é a história que Blade nos apresenta no primeiro volume. Temos lutas, angústias, desenvolvimento de uma relação e muita emoção, porém não nos coloca naquela ânsia de querer ler logo o segundo tomo. Na verdade, trata-se de uma história bem mediana, mas que consegue agradar.

A edição nacional

Blade é publicado no formato 13,5 x 20,5 cm, miolo em papel offset, média de mais de 400 páginas por edição e preço de R$ 39,90. O título tem periodicidade bimestral e é destinado exclusivamente a livrarias e lojas especializadas. Não há muito o que questionar do aspecto físico da edição. Os únicos deméritos é não ter orelhas e o fato de as páginas coloridas não serem em papel couchè.

Já a revisão – que é um problema que vem acometendo a JBC nos últimos tempos – não está 100%, mas está boa e só encontramos erros mínimos de digitação, nada que faça a edição ter um demérito, embora em uma realidade ideal esses erros não devessem acontecer de jeito nenhum! Contudo, perto dos erros absurdos de Another, Blade está perfeito.

Veredicto

Apesar de ser um tema muito clichê e de ter uma forma de contar a história muito rudimentar, Blade é uma obra que supera as expectativas e nos apresenta uma narrativa interessante, com muita emoção e reviravoltas. É um mangá perfeito para quem gosta de histórias de lutas, de espadas, samurais, etc. Se este não faz seu gênero fuja imediatamente. Há outras obras da JBC melhores para você^^.

Por fim, embora o preço assuste muita gente, é fácil o encontrar bem abaixo do preço de capa em diversas livrarias e lojas virtuais.

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BBM

7 Comments

  • Bom, você sabe que eu sou um defensor do formato BIG, não coleciono Blade por achar que para mim (destaque no “para mim”) o mangá não é o suficiente para gastar R$ 39,90. Mas compro Éden, e devo admitir que gostei muito do que vi nele e acredito que em questão de qualidade seja algo muito próximo em Blade. O pessoal reclama dizendo que é “mais caro que dois tankos”, mas ninguém aqui sabe realmente quanto Blade custaria se fosse tanko normal, então não tem como afirmar isso, e como você bem disse, é possível comprar com descontos, Saraiva e Amazon esses dias estavam vendendo por menos de 30.

    Você comentou do fato de as páginas coloridas não serem em couché, mas sabe que isso é um ponto positivo pra mim? Eu não gosto muito desse papel, acho que ele destoa demais do resto do mangá (principalmente nos brite) e é “brilhoso” demais. Desde que vi Planetes, eu meio que me “apaixonei” pelas páginas coloridas em offset, acho que a falta do “brilho” do couché acabou realçando as cores. Mas é uma opinião bem pessoal.

    Sobre a história não tenho o que comentar, não li Blade e dificilmente lerei (quem sabe no futuro com uma boa promoção). É como Vagabond, até me desperta a curiosidade, mas não a ponto de ser comprado.

    Ótimo post Kyon.

    • Comprei Blade 01 por 20 na Amazon^^. Não me agrada muito histórias de samurais, então o preço foi determinante. Como estava barato e eu queria conhecer a história, comprei. Duvido que se fosse dois volumes separados eu conseguiria pagar tão pouco.

      Assim que eu vir outras promoções assim, irei comprando os outros aos poucos^^.

      —–

      A verdade verdadeira é que eu prefiro o papel couchè, inclusive para as páginas em preto e branco. Nem precisa ser necessariamente o couchè, só precisa ser um papel que tenha uma textura de “plástico”.

      Recentemente comprei o segundo volume de Gen, pés descalços (Acho que foi na mesma promoção de Blade) e descobri que esse volume era uma reimpressão. E na reimpressão não era (ou não parecia ser) papel offset. O mangá estava bem mais fino, mas mesmo assim o papel era muito bom, parecido com o couchè, com essa textura de “plástico”. Não sei se é um offset “tratado”, ou se é um outro tipo de papel, mas ficou excepcional.

  • anon

    Vejo muita gente reclamando desse formato big por causa do preço, mas acho que por ser um mangá exclusivo para livrarias, as pessoas deveriam perceber que a forma de venda não é igual à das bancas. Como você comentou, livrarias conseguem dar descontos muito bons e ter edições mais antigas em estoque, enquanto que nas bancas o preço de capa é final e muitas vezes se você perde uma edição, pode ter dificuldade de encontrá-la depois.

    Acho esse formato uma boa solução para obras mais longas ou que provavelmente não venderiam tão bem em bancas, pois viabiliza a vinda de mangás que de outra forma teriam risco de ser cancelados. Eu particularmente só estou esperando juntar mais algumas edições para pegar Blade em uma dessas promoções ^^

    • Roses mulher cade você com seus post ?kkkkk so comecei a visitar o site pelas suas informações. Voce nem me esclareceu uma duvida que , tem site falando na crise do papel , eu tinha visto aqui que voce falou que ela nao existe de fato, se ela nao existe porque continuam afirmando ?coisa estranha , to confusa , esclareça para mim Plis .abraço

      • Roses

        Meus posts sai nas Quintas. Tipo, o que posso te afirmar é que não existe uma crise nacional ou global envolvendo papel. Nem há nenhum tipo de papel no momento que esteja em crise no país.

        Agora se uma editora ou duas usam um papel X que parou de ser fabricado e estão com dificuldade de achar alternativas e decidem chamar isso de crise… Bem, aí na verdade é uma crise específica de uma editora ou duas.

  • João

    É a melhor obra que já li na minha vida. Ainda bem que veio pela JBC.

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