O preço de “Guardiões do Louvre” é justo?

Ou quando comparar e quando não comparar preços?

Semana passada, o primeiro mangá da editora Pipoca & Nanquim, Guardiões de Louvre, de Jiro Taniguchi, começou a ser vendido em pré-venda na Amazon e, com isso, conheceu-se o seu preço, R$ 59,90. Um valor extremamente elevado para a grande maioria dos consumidores de mangás no Brasil.

Não bastasse custar quase sessenta reais, a obra possui uma quantidade de páginas muito limitada, apenas 136, e isso foi o estopim para começar a pipocar em alguns recantos da internet – inclusive nos comentários deste blog – questionamentos sobre o preço ser caro ou barato, justo ou injusto.

Discussão sobre o preço de uma publicação ser justa ou não, não chega a ser uma novidade. A gente já viu filme parecido, por exemplo, quando a editora JBC começou a publicar mangás em acabamento diferenciado e choveram pessoas para criticar os preços da empresa, dizendo que era um absurdo mangá custar mais de 60 reais.

Recentemente, o preço de Innocent, da Panini, também foi alvo de críticas por custar dois reais a mais que publicações similares da mesma editora, porém não demos muita bola para este caso, pois uma obra mais desconhecida custar dois reais a mais em um cenário de crise não é nada fora do normal, entretanto o caso de Guardiões do Louvre merece uma postagem especial que você verá agora.

A ideia original era apenas discutir se o preço do mangá era justo ou não, mas o post tomou outras proporções e virou um texto em que falamos sobre mangás, consumidores e justiça dos preços. O que falaremos aqui já foi disposto em outros textos do blog muitas vezes nos últimos dois anos e dificilmente terá algo de novo para quem nos acompanha por todo esse tempo. Mesmo assim, peço que leiam, pois a discussão é importante. Então sente-se confortavelmente, pegue a pipoca para apreciar a argumentação ou as pedras para tacar na gente e vamos ao texto, pois ele é longo…

Parte 1: Nem tudo é feito para você

Sabe aquela máxima de que nem tudo gira ao seu redor? De que o mundo tem preocupações muito mais importantes do que você? Pois então, a mesma lógica vale para o mercado de mangás. Nem todos os produtos foram feitos pensando em você como consumidor. Embora essa seja uma realidade que todo mundo tem em mente, muitas vezes algumas pessoas quando veem os preços dos mangás (ou de certos mangás), acabam tendo um lapso de memória e esquecem dessa máxima, criticando as editoras pelos preços praticados e achando até mesmo que elas estão prejudicando os leitores, querendo faturar mais do que deveriam.

Se em algum momento você já pensou algo assim, vamos lembrar, antes de mais nada, que mangá é um produto supérfluo destinado apenas a  uma parcela privilegiada da população que pode pagar por eles. Sim, pois mesmo aquele mangá mais barato, a R$ 12,90, é muito caro para boa parte do povo brasileiro (são 5 kg de arroz a menos na mesa). A diferença entre o público de My Hero Academia Smash (R$ 12,90) e Ayako (R$ 129,90), o mangá com preço mais elevado de nosso mercado, é que o público de Ayako é uma parcela mais privilegiada ainda e que pode bancar uma publicação mais cara e luxuosa.

Dados destinados a anunciante existente no antigo site da JBC. A empresa informa que seu público pertence às classes A e B.

Claro que nada impede que um estudante de ensino médio, vindo de uma família pobre do subúrbio, possa comprar um ou até dois mangás dos mais baratos por mês, mas esse estudante não é o público alvo. Os mangás não foram feitos pensando nesse tipo de cliente.

Uma comparação que pode ser feita é em relação a automóveis. Os chamados carros populares não são “populares” de verdade e só quem pode comprar um carro zero é a classe média para cima. Esse é o público desses carros. Um carro de luxo, porém, não tem como público a classe média e sim as pessoas verdadeiramente ricas. Se você é classe média e quer um carro de luxo, você terá que ralar e muito e, talvez, mesmo assim, nunca consiga um. Não porque a montadora é ruim e quis te prejudicar cobrando mais do que deveria e sim porque ela fez um carro destinado a outro perfil de consumidor, mais abastado.

De modo análogo, se uma editora lança um mangá a R$ 129,90 e você não pode pagar por ele, esse preço não é um absurdo, a editora não enlouqueceu, não está metendo a faca, não está roubando, não está te contrariando. Ela não está fazendo nada de ruim contra você^^. Ela apenas está destinando aquele produto para um outro público, público este do qual você não faz parte (pelo menos não ainda). E não tem nada de errado com isso. Empresa nenhuma tem obrigação de lançar um produto pensando “em todo mundo”.

A grande questão é que existem mangás e mangás e públicos e públicos. Um título atual da Shonen Jump como My Hero Academia ou Black Clover são obras populares e, prioritariamente, destinadas a um público mais jovem, adolescente ou recém entrado na faculdade, por isso precisam ser o mais barato possíveis para que a maior quantidade de gente possa comprá-los. Por essa razão que em geral esses mangás populares são publicados no Brasil em acabamentos mais descartáveis, com papel jornal de péssima qualidade, para baratear o produto.

É também por isso que um mangá como Zetman, vendido a R$ 17,50, em formato pocket e com papel jornal, era muito caro para a época em que foi lançado, mesmo tendo mais páginas que o normal e algumas coloridas em couchê. Ele não cumpriu sua função de ser uma obra das mais baratas possíveis. Todas as críticas ao preço eram bastante justas ao meu ver.

Por outro lado, um mangá como O cão que guarda as estrelas foi uma obra que teve um preço dura e injustamente criticado pelos consumidores exatamente por não entenderem esse caráter de existirem mangás diferentes para públicos diferentes. O cão que guarda as estrelas era uma obra desconhecida, para um público seleto, e que foi publicado em um acabamento melhor, com capa com orelhas e um papel de mais qualidade (Lux Cream), além de um formato ligeiramente maior (15 x 21 cm), isso pelo preço de R$ 23,90. Porém pelo número de páginas ser mínimo, apenas 132, não faltaram pessoas para dizer que era um roubo, inclusive algumas da “imprensa especializada” pff.

O que acontece é que as pessoas não conseguem entender um fato básico de uma publicação cultural. Muitas vezes para um livro ou mangá ser lançado e gerar lucro para a empresa, ele precisa ser destinado a poucos, ter uma tiragem pequena e consequentemente um valor mais elevado, independente do formato adotado (padrão ou luxo). O preço maior de O cão que guarda as estrelas se deve a isso.

Do mesmo modo, é perfeitamente normal que uma obra mais adulta como Ayako, ou de um autor mais de nicho como Shigeru Mizuki ou Jiro Taniguchi tenham um preço de capa maior do que títulos populares. Nem todos os mangás são feitos para todo mundo. As pessoas conseguem perceber isso facilmente com gêneros (um não gosta de romance e rejeita todos os desse gênero, outro passa longe dos battle shonens, etc), mas preços e acabamentos ainda não, ocorrendo o tal “lapso de memória” que falamos mais acima. O blog BBM espera que se você está lendo até aqui, você tenha começar a mudar a sua percepção sobre esse assunto e passe a evitar criticas desnecessárias às editoras. Mas vamos seguindo que ainda tem muito mais texto para conseguir te convencer^^.

Parte 2: os preços são justos? (A)

O fato de que nem tudo é feito para você, não extingue a possibilidade do preço de algum produto não ser compatível com o que oferece. Pode haver sim mangás com preços muito, muito injustos e nós citamos acima o caso de Zetman. A gente imagina o porquê de esse mangá ter ficado tão caro (provavelmente houve alguma disputa pelo título e a licença ficou com um valor muito alto), mas uma explicação não muda o fato de que o valor do produto é bem mais elevado do que deveria ser.

O problema é que, muita vezes, dizer que um certo valor é justo ou injusto passa muito pela subjetividade, é algo pessoal. Nem todos dão o mesmo valor a certas características dos produtos. Por isso, para muita gente um preço justo é apenas aquele mais baixo possível e não se importam com o tipo de papel e acabamento, contanto que a publicação seja barata. É por isso também que muita gente prefere o padrão Panini “de luxo” do que obras com acabamento realmente diferenciado. Para elas o custo-benefício dessas publicações é melhor.

Não há nada de errado nisso. Se não podemos pagar por algo mais caro, claramente iremos preferir aquele produto em formato mais básico e mais economicamente viável para nós. Se eu não tenho dinheiro obviamente vou preferir sempre comer um sanduiche de salada caseiro que custa dois reais na venda da esquina do que gastar dez reais no Subway.

Entretanto, essa subjetividade acaba gerando distorções (por exemplo, a não compreensão de que existem públicos diferentes e que nem tudo é feito para você) e criando até mesmo consumidores conspiracionistas, que ficam hateando as editoras por causa dos preços altos das publicações diferenciadas.

Uma coisa é você achar um dado mangá caro, outra bem diferente é ficar fazendo comparações absurdas e criando teorias sem sentido para tentar provar que aquele valor praticado pela editora não é um justo. Hoje isso se prolifera de tal forma que chega a ser assustador o quanto as pessoas se esforçam para serem haters.

Você já deve ter visto, por exemplo, alguma pessoa dizendo nas redes sociais aquela balela de que as empresas estariam elevando seus preços de propósito, pois sabem que os consumidores comprarão com 50% de desconto em megastores como Amazon e que esse preço com desconto é que seria o valor justo.

Amazon e editoras estão tramando contra os consumidores?

Esse é um típico exemplo de conspiracionismo sem sentido, pois (ainda que alguma empresa de algum outro tipo de publicação possa realmente estar fazendo isso) não existe qualquer indício que permita a um consumidor de mangás sensato pensar em tal tramoia. Os preços dos mangás em formato padrão, por exemplo, têm subido de forma regular desde antes da entrada da Amazon no Brasil, o que joga por terra qualquer tentativa de ver um conluio das editoras com a Amazon. Por sua vez, os mangás em formato diferenciado têm um quê de ineditismo e não se pode dizer que eles estejam custando mais do que deveriam, ainda mais quando você vê que todos eles possuem valores muito próximos.

O grande problema desse conspiracionismo é que as pessoas que acreditam nisso não estão abertas a enxergar de verdade o que está por trás dos preços. É muito mais cômodo ficar chamando editoras de mercenárias e crendo em hipóteses absurdas do que ver que tal ou qual publicação foi destinado a um outro público, com uma outra faixa de renda, que é um título para poucos, etc.

Se você está lendo esta postagem e, por alguma razão, tem algum pensamento parecido, a gente espera que a argumentação apresentada até aqui tenha começado a mudar a sua visão. Se você é um consumidor novato, não se sinta mal e saiba que é bastante normal achar preços absurdos e acreditar em teorias da conspiração, afinal não é todo mundo que tem conhecimento sobre o mercado e sobre como funciona a política de preços.

Muitos anos atrás eu mesmo achava que as editoras (de livros) cobravam mais do que deveriam pelos seus produtos, visto que eu sempre encontrava livros sendo vendidos em promoções na Submarino a 9,90 quando eles custavam R$ 99,00. O tempo e o conhecimento me fizeram entender o porquê dos preços e o que acontece para uma obra ser vendida com 90% de desconto.

Hoje, a gente não consegue ver injustiça na maioria dos preços dos mangás praticados pelas editoras, seja um básico de R$ 12,90, seja um de luxo R$ 129,90. Os únicos que a gente questiona de verdade são os mangás que a Panini recentemente reajustou por causa das baixas vendas. Os R$ 19,90 por Ninja Slayer em papel jornal , por exemplo, é algo totalmente fora da realidade do mercado. A gente entende as razões, mas não deixa de ser um valor muito, mas muito caro pelo que oferece. Falaremos mais sobre isso…

Parte 3: os preços são justos? (B)

A gente falou que Ninja Slayer vai passar a ter um preço muito caro pelo que oferece. A gente diz isso, pois será o primeiro mangá em papel jornal com média de 200 páginas, sem qualquer uma delas ser colorida, a custar R$ 19,90. É um valor alto demais para um acabamento tão simplificado, são cinco ou seis reais a mais que um mangá no mesmo formato.

Ninja Slayer nitidamente não era um mangá para todo mundo e que, portanto, deveria ter tido uma tiragem reduzida indo exclusivamente para livrarias e lojas especializadas desde o começo. Era o mais sensato a se fazer. Provavelmente grande parte do fracasso do mangá se deve a isso.  Mas a estratégia comercial da Panini era sempre vender tudo nas bancas, então com certeza isso nem passou pela mente dos dirigentes da editora.

Só que um preço de um mangá ser bem maior do que outro com o mesmo tipo de acabamento não necessariamente quer dizer que a obra que está com preço maior não é um preço justo. Os fãs de Ninja Slayer estarão pagando um valor a mais por um erro da editora, mas em outras situações não é isso o que acontece. Às vezes ser mais caro é o único meio de uma dada publicação aparecer no Brasil.

Um grande exemplo atual que a gente pode dar é o mangá Nonnonba, de Shigeru Mizuki, lançado em março pela editora Devir. Ele veio em um formato muito semelhante a GITS (17 x 24 cm e capa normal com sobrecapa), diferenciando-se pelo papel utilizado (Nonnonba usa o Munken, GITS usa o Lux Cream) e número de páginas. GITS tem 352. Nonnonba tem 423. O preço de Nonnonba é R$ 89,90, o de GITS é R$ 64,90.

Ao ver esses preços e compará-los, o consumidor conspiracionista (ou mesmo um consumidor novato que não está acostumado a ver tanta variação de preço) poderia dizer que a Devir está metendo a faca e cobrando muito mais do que deveria pelo produto. Afinal, segundo essa pessoa, seria um absurdo um mangá custar 25 reais a mais que o outro só pela diferença de 71 páginas. Entretanto, o Blog BBM vem mostrar a sensatez a vocês^^. O motivo de Nonnonba ser bem mais caro é a popularidade. Ou, antes, a falta dela.

Existe uma diferença de popularidade entre GITS e Nonnonba. GITS é conhecido até por uma parcela do público que compra hqs americanas e odeia mangás. Pode até se dizer (embora não exista uma pesquisa que aponte isso) que boa parte do público desse mangá, não consome mangás regularmente. Nonnonba, por outro lado, é nicho dentro do próprio nicho de consumidores de mangás. Mais que isso, é nicho, dentro do nicho, dentro do nicho, dentro do nicho. Uma obra pouco conhecida, de um autor pouco conhecido do grande público.

Assim, um mangá popular como GITS pode ter uma tiragem maior, visto que a expectativa de vendas é alta. Já Nonnonba é um mangá que venderá para poucas pessoas, então a tiragem deve ser baixíssima, fazendo o preço aumentar bastante.

A gente sempre está falando disso neste texto, mas para quem não entendeu ainda aqui vai uma explicação: a tiragem de uma obra diz muito sobre o valor do produto. Quanto mais volumes são impressos, menos a editora paga por unidade e, consequentemente, menor será o preço de capa. É por isso, por exemplo, que muitas fotocopiadoras diminuem o preço da “xerox” a partir de uma certa quantidade de cópias. É a mesma lógica utilizada pelas grandes gráficas que trabalham com mangás. Mas isso não é uma lógica exclusiva de gráfica e copiadoras. O que é feito em larga escala tende a ter um menor preço. Por isso, por exemplo, que produtos sem agrotóxicos são mais caros no Brasil, pois não são feitos em grande escala. O mesmo vale para produtos de dietas especiais, sem lactose ou sem glúten. Em geral, são mais caros por não serem feito em larga escala.

Será que nesta foto se encontra toda a tiragem de um volume de CdZ – Kanzenban?

O valor de Nonnonba é muito alto perante os outros mangás com características semelhantes, só que sabendo que a obra é de Shigeru Mizuki – um artista renomado, mas que não é de conhecimento do grande público consumidor de mangás – o preço não soa nada absurdo. Afinal é um mangá para pouquíssimas pessoas e deve ter tido uma tiragem mínima. Nenhuma editora sensata faria uma tiragem enorme para um mangá de um autor praticamente desconhecido.

Em resumo, o preço de Nonnonba é muito caro para mim e para vários de vocês que estão lendo essa postagem, mas tendo todo esse referencial, não dá para mim e nem para vocês que estão lendo dizer que os R$ 89,90 são injustos. A questão é que quem tem bom gosto e aprecia esses títulos mais diferenciados e de nicho acaba tendo que pagar o pato por uma certa obra não ser popular o suficiente para vir mais em conta.

É claro que ainda tem o fator da escolha editorial. A Devir escolheu lançar o mangá em um formato grande e mais luxuoso, destinando-o a uma parcela mais rica da população. Poderia, talvez, ter escolhido um formato mais simples e que barateasse um pouco o produto, mas ainda assim provavelmente sairia por um valor elevado.

Vale, por fim, dizer que cada editora possui custos diferentes (algumas pagam mais conta de luz do que outras, tem mais funcionários do que outras, etc) e esses custos impactam nos preços dos mangás. Por isso que a NewPOP consegue fazer um mangá em offset a R$ 16,00, enquanto Panini e JBC cobram R$ 15,90 por papel jornal.

Parte 4: Guardiões do Louvre tem um preço justo? E por que a resposta é um “sim”?

Como dissemos no início do texto, a ideia inicial da postagem era apenas discutir se o preço de Guardiões do Louvre era justo. Acabou saindo do controle e virou esse monstro. A verdade é que o preço é justo e não tem muito o que se falar a respeito.

Consideramos o preço justo por todo o acabamento que ele receberá. Em primeiro lugar, ele virá em um formato grande (a editora comentou que seguirá a edição francesa que, segundo a Amazon desse país, possui as dimensões 23,5 x 33 cm, mas a empresa não confirmou se a versão brasileira terá exatamente essas dimensões ou se terá um centímetro a mais ou menos), além disso terá miolo em papel couchê 150g, será capa dura e será todo colorido. Esses detalhes já justificam o preço e mostram (ou deveriam mostrar) para boa parte do público consumidor que, na verdade, o mangá está é mais barato do que deveria.

Mas ele só tem 136 páginas, como pode ser justo pagar R$ 59,90 por tão poucas páginas? Vamos tentar explanar mais detidamente^^. Jiro Taniguchi é um autor renomado, mas ele é para um público de nicho. O grande público não tem interesse em mangás em que literalmente não acontece nada. As obras do autor são contemplativas e quem está acostumado com títulos de ação ou romance simplesmente tende a se afastar desse tipo de mangá. Logo, uma editora que se arrisca a lançar um mangá de Jiro Taniguchi no Brasil tem que fazer uma tiragem pequena ou pelo menos bem menor do que de um título da Shonen Jump.

Além disso trata-se de um formato luxuoso e de grandes dimensões. O formato 23,5 x 33 cm torna Guardiões do Louvre como o mangá com maior dimensões já publicado no Brasil. Nenhum outro tem o tamanho dele. Embora tenha só 136 páginas, a quantidade de papel utilizada é superior à quantidade utilizada em qualquer volume de Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban ou de Fragmentos do Horror.

Vamos colocar na conta que o papel utilizado em Guardiões do Louvre é de melhor qualidade (couchê) do que o dos dois títulos citados acima e possui uma alta gramatura: 150g (trata-se do primeiro mangá publicado no Brasil a ter uma gramatura de papel tão alta. Até então, 90g era o limite máximo que tinham chegado e, mesmo assim, com o offset). Fora isso, ele será todo colorido, coisa que nem CdZ, nem Fragmentos são.

Vamos recapitular então:

  • Guardiões do Louvre deve ter uma tiragem pequena
  • Guardiões do Louvre usa mais papel por página do que CdZ e Fragmentos
  • Guardiões do Louvre tem um papel de maior qualidade
  • Guardiões do Louvre é todo colorido

Se ele sair perfeitinho da gráfica, ele terá maior qualidade física do que esses dois mangás, ambos também publicados em capa dura. Para o caso de você não acompanhar de perto o mercado de mangás: Guardiões do Louvre custa R$ 59,90, Fragmentos do Horror R$ 54,90 e CdZ R$ 64,90. Em outras palavras, Guardiões do Louvre deve ter mais qualidade física e está na média do preço de publicações parecidas. Eu não sei como conseguiram fazer um produto tão barato. São só 136 páginas? Legal, mas são 136 páginas em uma qualidade que deve ser excelente e que provavelmente nenhum outro mangá já teve no Brasil. Quero ter o produto em mãos para poder julgar melhor, mas olhando pelas descrições o preço está em conta e está barato pelo que oferece.

Infelizmente eu não conheço a história. Ter qualidade física não indica que a obra seja boa e valha a pena comprar. Mas O homem que passeia, outra obra do autor lançada recentemente no Brasil pela editora Devir, muito me agradou e é por meio dele que eu estou “avaliando” a minha capacidade de gostar de Guardiões do Louvre. Podem ser só 136 páginas, mas se tiver a mesma qualidade de história que em O homem que passeia, são 136 páginas que valem bem mais do que as 200 de outros títulos. Se a obra for ruim, paciência…

Parte 5: resumo

O resumo desta postagem é o seguinte. Se você acha Guardiões do Louvre caro porque não pode pagar pelo produto você está certo em dizer que está caro. Não importam as características da obra e o que levou a editora a colocar esse preço, você continuará não tendo dinheiro para comprá-lo, então está caro para você. Embora possa ter parecido o contrário, não quisemos mudar sua opinião nesse sentido.

O objetivo da postagem foi colocar luz sobre questões que ficam obscuras para a maioria do público, de modo que mesmo que você considere o preço de Guardiões do Louvre ou qualquer outra publicação caro, você não fique criticando as editoras por colocar esse preço, considerando os preços injustos, e nem crendo em teorias da conspiração que se difundem nas redes sociais.

Por fim, o preço de Guardiões do Louvre, a nosso ver, é justo por ser uma obra de um autor de nicho e pelo que oferece em termos de acabamento, estando na média do mercado de mangás.

***

*Não gosto de escrever textos “defendendo” um produto que nem foi lançado. Quando CdZ – Kanzenban teve o preço anunciado alguns leitores me disseram para escrever um texto dizendo se o valor cobrado era justo ou não. Eu recusei, pois primeiro tinha que ter o produto em mãos. Hoje eu fiz o contrário, mas há uma razão para isso. Em 2016, a gente não tinha uma base de comparação clara. Não havia mangás em acabamento diferenciado. Só se conseguia comparar com livros ou com outros quadrinhos e ambas as comparações eram bastante injustas por serem produtos muito diferentes, de origens diferentes e para públicos diferentes. Hoje, a gente tem uma base de comparação mais forte, pois uma dezena de produtos destinados a uma parcela mais rica da população otaku já foi publicada. Pelas características dessas obras, a gente consegue hoje dizer que o preço de Guardiões do Louvre é justo em comparação com esses outros e está na média do mercado. Claro que se o produto for lançado e vier cheio de erros e defeitos, mudarei de opinião de imediato.


Extra: Lista dos mangás e obras do mundo otaku com maior valor agregado

Em negrito os que são em capa dura


  • Ayako (Veneta): R$ 129,90 
  • Another – Box (JBC): R$ 129,00
  • Nonnonba (Devir): R$ 89,90
  • Ghost In The Shell – Perfect Book (JBC): R$ 79,00
  • Akira (JBC): R$ 69,90
  • Speed Racer – Box (NewPOP): R$ 65,00
  • The Ghost In The Shell (JBC): R$ 64,90
  • The Ghost In The Shell 2.0 (JBC): R$ 64,90
  • Cavaleiros do Zodíaco – The Lost Canvas Ilustrações (JBC): R$ 64,90
  • Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban (JBC): R$ 64,90
  • Guardiões do Louvre (Pipoca & Nanquim): R$ 59,90
  • O homem que passeia (Devir): R$ 55,00
  • Fragmentos do Horror (Darkside Books); R$ 54,90

Curta nossa página no Facebook

 Nos siga no Twitter

BBM

70 Comments

  • Roses

    “inclusive algumass da “imprensa especializada” pff.”
    Vou te dedurar para a Mara.

    • SIRIUS BLACK

      Taí uma coisa que eu queria saber… O que é essa tal de “Imprensa Especializada”?

  • Thiago

    Nego acha que preço é baseado apenas na quantidade de páginas e que tem estar abaixo de 20 reais por ser mangá

    • JMB

      Pois é. Otaku ás vezes é um bicho tão escroto que acaba se auto-sabotando.

      • Consumidores de gibis ocidentais também estão nesse nível aí de pedantismo e auto-sabotagem. Never forget uma porrada de gente à época do lançamento de Miracleman, na Panini, deixando de comprar o gibi por, supostamente, TUDO SER UM GOLPE DA MALVADA PANINI para lucrar em dobro, soltando a obra em formato comum apenas para, depois, relançarem em encadernado. Anos já se passaram e nada do tal encadernado ou de continuarem a história pós-fase Alan Moore.

        FICO PUTO ATÉ HOJE, POIS EU QUERIA TER EM CASA A VERSÃO DO NEIL GAIMAN E PROVAVELMENTE TEREI QUE GASTAR CEM PILAS PARA IMPORTAR NA AMAZON

        *desabafo*

        • O famoso caso onde a expectativa do encadernado matou o próprio encadernado. Conheço um MONTE de galera que deixou de comprar Miracleman esperando o encadernado, e aí eles não compram essa versão e como que a Panini teria motivos pra lançar uma versão melhor? Doideira isso.

  • JMB

    Bem, ninguém é obrigado a comprar nada, né?

    Além disso, aposto que a maioria do pessoal que reclama dessas faixas de preço são os mesmos que se contentam com a linha “””””””””””””””””luxo”””””””””””””””””””” da Panini.

  • Ótimo post. Seria legal se mais sites que falam de trecos otacos aqui no Brasil se esforçassem dessa forma.

    Vejo esse mangá como um produto que não tem como prioridade maior atingir o público médio consumidor de mangás seriados mais famosos, sim voltado mais para a galera ~colecionadora~ de gibis aqui do Brasil. A faixa de preço está mais ou menos em linha com outras obras que a Pipoca e Nanquim costuma lançar. Na real, vejo a Pipoca e Nanquim mais como uma editora que tem esse enfoque de público, os colecionadores que não se importam em pagar caro por um produto de luxo. É questão de estar dentro ou não mesmo dessa delimitação.

  • hayashy

    nossa q triste ler esta matéria… os mangás deveriam ser pra todos mas….infelizmente é assim, produtos supérfluos…queria q tudo fosse diferente.

    • Roses

      Nada é para todos, essa é a definição do capitalismo. Nem comida, energia, água é para todos, imagina mangá. Você vive num mundo onde dinheiro define que tipo de vida você merece ter ou ao que terá acesso. Vai se acostumando, você passará o resto da vida desejando coisas que nunca poderá ter. 😛

      • hayashy

        Verdade. Mas a gente vai tentando e sonhando, não custa nada né? Eu corro atrás dos meus objetivos para tanto é preciso muita vontade e dedicação.

        • Roses

          Originalmente eu ia comentar exatamente que estávamos fadados a passar os restos da vida na ilusão de que esforço iria mudar as coisas. XD

          • SIRIUS BLACK

            HAHAHAHAHAHA… A Roses é cruel, mas ambos os comentários dela deixam bem claro a nossa realidade de acordo com o capitalismo.

          • hayashy

            Sim,ela é cruel! ahah, mas é a mais pura verdade. Trabalho e só posso comprar aquilo que posso. Por isso, que eu estou deixando de colecionar titulos novos e tentando terminar as antigas coleçoes quero deixar completas. As vezes compro algumas coleções em promoções de acordo com meu orçamento de fim de mês que já é calculado. fora os gastos com a luz, agua, internet comida…etc

  • Colecionismo não é para todos e isso é um fato mais do que batido kk eu só comecei a colecionar depois que começa a trabalhar e isso faz todo sentido kk é já já esse mangá ta 30 reais na Amazon para a galera que gosta de um preço mais camarada, só relaxem pessoal haha. O próprio Espadas e Bruxas do PN que é 120 eu paguei 62 mês passado. SÓ ESPEREM !

  • Lis D

    Tangenciando um pouco o assunto, imagino se lançar Ayako em dois volumes iria ter uma recepção melhor. Mesmo que o preço final total fosse maior, a ‘diluição’ entre os dois talvez diminuísse o impacto do valor unitário (além de ser bem melhor pra ler hehe)

  • Panini aumentar preço de um mangá que vende pouco pra não deixar o leitor na mão é escroto, mas os preços gourmet são perfeitamente normais. kkkkkk Em que mundo a gente vive? Acho que cada editora tem o direito de cobrar o quanto quiser e a gente como consumidor, olhar a carteira e ver se vale a pena pagar o quanto pedem. Simples assim!

    • A Panini aumentar o preço de Toriko e outras obras é uma consequência dos erros da editora (como falta de estoque, falta de política de renovação de público, problemas de distribuição, etc, etc), erros estes que sempre existiram e ainda existem. A diferença é que antigamente, a editora mandava as obras para a geladeira, hoje aumenta o preço penalizando o consumidor fiel.

      É completamente injusto Ninja Slayer custar 19,90 quando obras no mesmo acabamento custam 15,90 ou 14,90 o até mesmo 13,90. A gente compreende os motivos do aumento, mas o preço não deixa de ser injusto, tendo em vista que tudo ocorreu por erros da própria editora.

      É diferente dos “mangás gourmet” que são feitos em melhor acabamento, visando quem quer melhor acabamento e pode pagar por eles.

      “Acho que cada editora tem o direito de cobrar o quanto quiser e a gente como consumidor, olhar a carteira e ver se vale a pena pagar o quanto pedem. Simples assim!”

      Essa é uma das conclusões implícitas da postagem^^.

      • Dizer que eles erraram na prospecção é meio hipócrita, até porque quem mais perde com a má venda é eles. Erros sempre ocorrem e vão ocorrer, tanto por parte da Panini quanto por nós. Não acho justo o tamanho alarde que estão fazendo sobre os reajustes. Se algo estivesse fazendo mal pra sua vida financeira, tu não iria cortar ou ajustar? Ai que mora a hipocrisia.

        • Você não entendeu corretamente. Os erros da editora são sistemáticos, são erros do modo como a editora trabalha e que, por exemplo, fazem com que o consumidor que quer comprar um mangá não possa comprar. Não é uma questão de que erros podem ocorrer, é questão que o método de trabalho da editora já está errado desde o início. Se você for olhar para outras editoras, você só acha semelhança na JBC. Todo o resto de editoras brasileiras E ESTRANGEIRAS (argentina, italia e frança que são os países que a gente acompanha mais de perto) não trabalham dessa forma absurda como a Panini trabalha em que o consumidor quer comprar o produto, tem dinheiro para comprar e não consegue porque a editora simplesmente não deixa.

          Explicando melhor para o caso de você não ter entendido direito:

          Se você quer começar a comprar Naruto Gold hoje, você não consegue porque o volume 1 está esgotado. A editora não reimprime. Então ou você se vira e paga 50 reais ou mais num volume usado no mercado livre ou você não começa. Basicamente todas as séries longas da Panini sofrem com isso desde sempre e o pior é que muitas séries têm vários volumes no meio da coleção que você não acha de jeito nenhum, nem na loja da editora, nem em lojas especializadas, tornando muito difícil começar ou completar uma coleção. Em outras palavras, ou você começa a colecionar no mês de lançamento e não perde nenhum número ou sofre para tentar colecionar depois, porque a Panini não liga para você. Repetindo, somente a Panini (e a JBC) faz isso. Demais editoras do Brasil e do mundo trabalham de forma totalmente diferente, sempre reimprimindo volumes esgotados e dando oportunidade a leitores começarem a colecionar a qualquer momento.

          Só que tem um problema sério nesse modo da Panini trabalhar. Muitas pessoas vão deixando de comprar no meio do caminho (seja por falta de interesse ou por falta de dinheiro mesmo) e as vendas vão diminuindo e diminuindo. A editora sabe disso, todas as editoras sabem disso, e a Panini simplesmente não liga. Se você não tem o volume 1 e nem os outros volumes para vender, você não consegue criar novos leitores e não consegue compensar, ainda que minimamente, a perda de consumidores. Se o mangá é Naruto e vende bem, ele irá se sustentar sem problema e por isso a editora não liga. Se o mangá vende mal…… aí ou a editora o mangá para geladeira como ocorria no passado ou aumenta o preço como tem feito agora.

          Toriko é um caso claro em que a editora não deixou as pessoas comprarem o mangá por falta de estoque, o mangá perdeu leitores demais ao longo do caminho e ela reajustou o preço para “salvar” o título. Não tem como olhar isso de forma tão positiva. O modo como a Panini trabalha em todos os seus mangás é que resultou nisso. O público fiel de Toriko que pague o pato pelos erros da empresa.

          Você disse que não acha justo o alarde por causa dos preços, eu já acho que o alarde foi muito pouco. A editora deveria ter sofrido muito mais críticas do que sofreu. O público deveria ter pegado pesado, pois as más vendas é culpa unicamente da editora e do modo como ela trabalha, querendo vendas imediatas e não se preocupando com os leitores que não podem comprar no momento que foi lançado ou que sequer ficaram sabendo da publicação no momento em que ela se iniciou. As consequências desse modo de trabalho estão aí… E o pior não parece que vai mudar e isso pode se repetir no futuro.

          ———
          Isso é apenas um ponto, os erros sistemáticos são vários, incluindo distribuição (até hoje várias cidades do país ainda não estão recebendo os mangás da Panini) e planejamento (a editora ainda não entendeu que nem todos os mangás podem ter uma tiragem alta e ir para bancas de revista. Ou finalmente entendeu já que Toriko e os outros deixaram de ir para as bancas).

          ———-

          Aqui no blog também não fizemos alarde, pois os erros da editora a gente já falou diversas vezes ao longo dos anos. Repetir (i.E fazer uma postagem especifica criticando a editora) era chover no molhado. Preferimos enfatizar e discutir se a estratégia adotada pela editora em transformar mangás em quadrimestrais era boa e só comentar por alto dos erros.

          https://bibliotecabrasileirademangas.wordpress.com/2018/04/02/transformar-mangas-em-quadrimestrais-foi-uma-boa-estrategia-da-panini/

  • Marcelo

    Faltou dizer que há a possibilidade da pessoa comprar depois de passado um certo tempo, o valor diminuirá. Só pegar o caso do Kanzenban dos Cavaleiros, de 64,90 por menos de 40 Reais depois de uns 2 meses. Como dizem, os que comem apressados queimam a língua (nesse caso, a carteira). ^^

    • Isso é uma outra discussão e que se abordássemos teria que desenvolver um tópico a mais. Mas é verdade, se eu não posso pagar pelo preço de capa, se eu não sou rico o suficiente para gastar 129,90 à vista em, Ayako eu esperarei a obra que desejo abaixar muito de preço ou ser vendida em algum sebo. Se isso nunca acontecer, paciência.

      Eu nunca comprei nenhuma publicação de luxo pelo preço de capa. Nem os BIGS da JBC. Essa é uma estratégia que eu adoto há anos e vem desde quando eu comprava mais livros que mangás. E nem é uma “estratégia” de fato. Eu simplesmente não tinha (e não tenho) como pagar o preço inteiro e ficava de olho nas promoções.

      • Marcelo

        Exatamente. ^^ Eu mesmo só compro os Kanzenbans de Cavaleiros depois de passado certo tempo.

        E isso é interessante, KYON. Sugiro uma matéria sobre isso: a queda de preço de Mangás (sejam de luxo ou não) depois de certo tempo. E todas suas implicações nas suas áreas (penetração de mercado nas pessoas que não poderiam pagar o valor cheio, possibilidade de esgotamento dos estoques, quem compra a preço cheio e quem não compra, dificuldades de certas pessoas em adquirirem Online em Amazons da vida etc.).

  • Tiago Massaharu

    Tendo oportunidade de morar no Japão, durante cinco anos, nunca vi essa frescura de publicações voltadas para público classe A ou B. Todas as editoras mantém um mesmo padrão e formato ( número de paginas, qualidade do papel e medidas ) a não ser publicações especiais para colecionadores de determinadas obras (por exemplo uma edição colorida de um conteúdo já publicado visando o público geral de valor acessível) logo percebo o motivo do Brasil demorar pra evoluir como sociedade. Se vc não tem dinheiro sua saida é engolir conteúdo bosta ( é triste ver as pessoas achando que estão absorvendo o que tem de melhor ) e o pior é aquele que tem acesso de fato ao que existe, sendo consciente disso, ainda acha normal outras não terem acesso e ainda se vangloria pelo fato de ser de uma casta elevada demonstrando uma vaidade imbecil por ter acesso a conteúdo cultural que os pobres reles mortais nunca terão acesso. Realmente tem coisas que não foram feitas pra gente.

    • Outro dia o próprio BBM noticiou que saiu no Japão uma nova versão do mangá Ayako custando o precinho camarada de 11988 ienes (mais de 300 reais).

      Achar que só existe mangá em tankobon no Japão é ignorância (ou talvez desonestidade, só pra tentar desqualificar o mercado de mangás de luxo no Brasil).

      • SIRIUS BLACK

        Shizuo, ele não está nem por dentro do próprio mercado de mangás – que originou o nosso! – do país em que ele diz que esteve por 5 anos, quem dirá desse em que ele está, agora. Por isso que o Kyon e a Roses o ignoraram completamente. Não vale a pena argumentar com esse tipo de pessoa que completamente ignorante neste tipo de assunto.

    • SIRIUS BLACK

      Legal… Você morou no Japão durante 5 anos e não conseguiu ver a diferença de tamanho do mercado consumidor de mangás deles com o nosso? Não conseguiu perceber que lá há uma distribuição de renda, digamos, mais justa e igualitária, possibilitando o acesso dos japoneses a esse tipo de cultura? Porque lá há políticas e leis que funcionam, e que não é um país mergulhado em corrupção. Que a economia deles é mais estável do que a nossa, que vive em crise? E que lá, em comparação ao Brasil, todo mundo tem acesso a educação e que possui hábito de leitura? Acho que não, né?

  • Mike

    Excelente texto, destrinchou por completo o assunto.
    Quanto tempo será que demora até sair um amazon prime de mangás…

  • NaBoa

    Resumindo: Abaixem a cabeça e aceitem tudo que as editoras ditam, não contestem, não reclamem, não comparem. Viva o luxo, viva o “tenho gibi por que posso”.
    Logo lojas como Etna e Tok Stok venderam gibis, que estarão na seção de decoração de salas.
    E só para constar, diferente dos carros, os livros (gibis inclusos) possuem imunidade tributária, e a editora PN está enquadrada no Simples Nacional.
    O que eu critico na editora PN é que os produtos deles são mais caros que os da Panini e tão caro quanto da Mythos, mas diferente das duas primeiras eles não recebem criticas, ou quando elas acontecem os críticos são defenestrado.

    • Roses

      Na boa, você sai por aí criticando, comparando e contestando os preços do Rolex? Ninguém está dizendo que você não pode ter opinião do quão absurdo ou supérfluo são tais produtos ou preços, isso não significa em momento algum que aquilo não seja válido. Só significa que não é para você. Uma empresa não te deve nada, seu direito é dizer “gostaria que fosse diferente para que eu pudesse adquirir” e não definir que aquilo é errado porque não lhe convém. Esse é o resumo.

    • “Resumindo: Abaixem a cabeça e aceitem tudo que as editoras ditam, não contestem, não reclamem, não comparem. Viva o luxo, viva o “tenho gibi por que posso”.”

      Tudo errado. Leia a postagem de novo^^.

      —-

      A postagem é bem clara: exponha que o preço está alto e que você não pode pagar esse preço. E critique QUANDO existe razão para criticar.

      Só que não existe razão para se criticar o preço dizendo que é um roubo, dizendo que a editora é mercenária, fazendo comparações com produtos totalmente diferentes, criando teorias da conspiração sem o menor sentido.

      O caso de Guardiões do Louvre é bem claro quanto a isso. Um monte de gente dizendo que está caro, quando basta uma a simples análise de tudo o que ele vai ter, para sabermos que o produto está barato. Esse valor é caro para mim e para muita gente que, assim como eu, não pode pagar esse valor, mas está barato… Comparando com o que realmente deve ser comparado (com outros mangás) eu não imaginava ele vindo por menos de 80. Chega a ser surreal custar apenas R$ 59,90.

      Claro que depois de lançado se ele vier todo descuncumbelado pode haver razão para críticas, mas se vier perfeitinho, toda crítica por causa do preço será tão vazia, quanto é agora.

      • NaBoa

        Rolex é mais jóia do que relógio. Mas eu posso comparar um relógio Hugo com um Tommy ou um Lacoste. Assim como posso comparar carros da Mercedes, BMW e VW. Mesmo sendo produtos individualmente diferente, são compráveis.
        Eu não disse em nenhum momento que é “roubo”, que são “mercenários”. Disse e repito que os livros deles são mais caros quando comparados com similares, e que mesmo assim eles são aceitos, diferente do ocorre com os produtos das demais editoras. Talvez por eles serem youtubers há muitos anos, se pega leve com eles.
        Em relação às limitações comparativas por conta de tiragens diferente, pergunto: quando vamos comprar algum bem, ponderamos a quantidade fabricada por cada empresa para podermos comparar preços? Não. Sabe-se que quanto mais daquele item a empresa fabricar, menor será seu custo total, mas isso não interessa para o consumidor, o que interessa é o preço cobrado e não o custo do produtor.
        Posso comparar o preço por pagina, e isso não estará errado, pois por mais que sejam formatos diferentes, com miolos diferentes, tem que se buscar unidades comparativas. Sei que nesse caso, um maior numero de paginas pode diminuir o custo, mas como já disse não sou o produtor.
        • Ayako (Veneta): R$ 129,90 – 720 páginas – R$ 0,18 por página
        • Box Another (JBC): 129,00 – 824 paginas – R$ 0,16 por pagina.
        • Nonnonba (Devir): R$ 89,90 – 423 páginas – R$ 0,21 por página
        • Ghost In The Shell – Perfect Book (JBC): R$ 79,00 – É livro, não HQ.
        • Akira (JBC): R$ 69,90 – 362 páginas – R$ 0,19 por página
        • Speed Racer – Box (NewPOP): R$ 65,00 – 624 páginas – R$ 0,10 por pagina
        • The Ghost In The Shell (JBC): R$ 64,90 – 352 páginas – R$ 0,18 por página
        • The Ghost In The Shell 2.0 (JBC): R$ 64,90 – 304 páginas – R$ 0,21 por pagina
        • Cavaleiros do Zodíaco – The Lost Canvas Ilustrações (JBC): R$ 64,90 – Não é HQ.
        • CDZ – Kanzenban (JBC): R$ 64,90 – 240 páginas – R$ 0,27 por pagina
        • Guardiões do Louvre (Pipoca & Nanquim): R$ 59,90 – 136 páginas – R$ 0,44
        • O homem que passeia (Devir): R$ 55,00 – 244 páginas – R$ 0,23 por página
        • Fragmentos do Horror (Darkside Books); R$ 54,90 – 224 páginas – R$ 0,24 por página

        Poderia comparar com Escalpo, com os capa dura da Bonelli da Mythos, com a Salvat. Mas fiquei apenas nos mangás. Há livros mais caros que os do PN, mas não são muitos.
        Quanto a eu poder ou não comprar, isso não lhe diz respeito. Além do fato de eu poder escolher não comprar, isso não inibe o meu direito de opinar e criticar. Em nenhuma das vezes que postei criticas eu utilizei palavras de baixo calão ou xingamentos. Respeito a aqueles que tem opinião adversa da minha, apenas não concordo com os argumentos levantados.

        • Essa comparação com páginas faz até sentido, mas vc esqueceu um detalhe todas as páginas do Guardiões do Louvre são coloridas, então não daria para comparar o preço por página dele com os outro mangás….

          • NaBoa

            Eu sei, mas apenas utilizei os exemplos postados na matéria. Sei bem das limitações de comparar preço por página, mas esse é o único dado objetivo que nós temos para efetuar comparações.

          • SIRIUS BLACK

            Na Boa, você esqueceu que em ambos os mangás de GITS há páginas coloridas em boa parte deles. Então a sua análise, neste ponto, não está batendo com o valor que você está mencionando pra cada página.

        • Roses

          Mas aí que está comparar não é a mesma coisa que criticar. Comparar é um processo de julgar o custo-benefício de algo sob certas perspectivas subjetivas. Você pode comparar e julgar se aqui vale a pena PARA VOCÊ. O que você não tem direito é decidir que isso não é aceitável porque não lhe convém. O fato de você apenas considerar número de páginas e não o tamanho das páginas ou gramatura ou papel é exatamente um reflexo dos seus valores. Mas nem todos têm esse mesmo valor. E independentemente de você valorizar ou não, você também tem que reconhecer que isso afeta sim o preço. Você pode achar que era desnecessário e que não queria dessa forma, mas isso não muda a realidade. Ignorância também não é uma boa desculpa para continuar a reclamar, se não entende, então busque entender o porquê. O custo-benefício talvez mude, talvez não, mas pelo menos você entende o que tá acontecendo ao invés de bater o pé e insistir que só vai comparar por número de páginas.

          • NaBoa

            Roses por favor, não me chame de ignorante, pois em nenhum momento desqualifiquei sua opinião, não insultei nem a você e nem a nenhum outro que discordou de mim. Eu apenas tenho uma opinião diferente da maioria dos freqüentadores do site.
            Como eu disse em postagem abaixo, eu não preciso ser um contador especializado em custo industrial para definir se um produto é caro. Tipo de papel, tamanho e todos os custos envolvidos na produção são segredo, nem eu, nem você ou qualquer um que esteja lendo esta postagem sabe ao certo os custos incorridos nem deste mangá, nem de nenhum produto que consumimos. O único custo que podemos saber é o nosso, e é o único que importa. O quanto nos custa comprar algo. O custo de cada empresa é problema deles, não meu.
            Eu não posso comparar subjetividades, apenas comparações objetivas são validas. Comparando os livros do PN com outras editoras, os livros deles são em média mais caros. O que vem depois disso é só subjetividade. Comprar ou não é escolha de cada um.

            • Roses

              Leia novamente meu comentário, eu disse “ignorância”, aka condição em que não se está a par da existência ou ocorrência de algo, falta de conhecimento, em resposta ao seu comentário de que desconhece os processos, etc. Por favor, vamos ler direito os comentários dos amiguinhos antes de se ofender.

              Tamanho, tipo de papel e outras características foram informadas pela editora, não são segredos. Os custos desses materiais também não são segredos, basta se informar com as produtoras desses papéis. Demais “segredos” da área, basta ter o interesse de pesquisar, há livros, cursos e comentários de pessoas que trabalham com isso que ajudam a entender como funciona o mercado. Há fatos conhecidos, como relação de preço e tiragem, algo inclusive que as próprias editoras de mangá explicaram e até recentemente.

              O que parece é que você não tem o menor interesse em conhecer ou entender, apenas julgar sem nenhuma informação e sem nem mesmo ter visto o produto, baseado num único par de fatos: o número de páginas e o preço de capa. O que você escolheu e por que já é parte da sua subjetividade.

          • NaBoa

            Então por favor, detalhe os custos deste gibi. Quanto custou o papel, quanto custou o serviço gráfico, os direitos e tudo mais. Como eu disse, eu não sou produtor, não me interessa o custo de produção de bem algum, só me interessa o meu custo, pois eu sou o consumidor, do contrário nunca haverá produto caro, pois o produtor sempre terá um argumento para justificar o preço.
            E a minha critica principal não é quanto ao valor em si (que é alto), mas sim ao fato de que a PN lança produtos em média mais caros que a concorrência, mas quem é constantemente criticada pelos preços é a concorrência. Essa carta branca ao PN me chamou a atenção. Se a Panini tivesse lançado esse mesmo gibi, no mesmo formato, com o mesmo preço, o povo estaria pedindo o fígado do Levi e da Beth.

            • Roses

              Obviamente que não sei nem saberei custo nominal, mas no texto acima foi listado que características têm maior custos que as demais. Panini nunca lançou algo nessas configurações para começo de conversa, o custo é alto, mas condiz com o tipo de material sendo usado. Se isso é algo caro para você não é motivo para crítica à empresa. Se tem interesse em saber por que eles têm um preço elevado, busque saber oras.

              É igual comprar carro, todos os carros têm valores diferentes. Por quê? Cada empresa trabalha com características diferentes, algumas que te agradam, outras que não agradam, mas que não pode ser simplesmente resumido à potência do motor, por exemplo.

              Os produtos da PN não são “caros”, são altos. Ser caro ou barato é a sua subjetividade em relação ao custo benefício. Basicamente você está comparando um golzinho e uma picape e dizendo “cara, que absurdo o preço da picape e ninguém reclama, se o golzinho fosse esse preço o pessoal caia matando”. Sim, uma picape não é um golzinho, são ambos automóveis, mas diferem e muito ao ponto que uma comparação crua dessas não tem valia.

              Assim como alguém pode comprar a picape por precisar do espaço de carga, alguém compra um produto de luxo da PN pois quer tal qualidade. E essa qualidade tem preço, em cores, formato muito maior que o normal, papel não só de um tipo mais caro, numa gramatura bem maior que o da concorrência. Tentou perguntar à editora: PN, qual a justificativa para esse preço? Que tipo de produto posso esperar por um valor alto desses?

              Número de páginas x preço de dois produtos totalmente diferentes nada significa.

          • NaBoa

            Roses você não compreendeu. Subjetividades não são comparáveis. Só se compara objetividade. Compara-se um WV 1.0 com um Fiat 1.0 ou um GM 1.0. Já o prazer que uma pessoa tem ao adquirir um bem, isso não é comparável por ser subjetivo. Se é possível comparar comparar carros, imóveis, países, por que gibis não? A única coisa que precisa é uma medida padrão. Eu usei o número de páginas pois é o mais fácil. Todos os gibis da PN custam mais R$ 0,40 por página, exceto Cannon. Isso não ocorre com essa frequência na Mino, na Nemo, Devir por exemplo. Na Mythos ocorre, e foi que me chamou atenção. Por que não leio criticas a politica de preços do PN na mesma frequência que leio na Panini, Mythos e Veneta? Minha critica não foi em relação a politica deles ou quem compra seus produtos, mas sim ao fato que eles parecem imunes a criticas. Por que? Talvez por serem youtubers, talvez por serem muito ativos nas redes sociais, talvez, talvez, talvez. Por que?

            • Roses

              Eu desisto, talvez se você tivesse pegado um volume deles de verdade em vez de ver apenas páginas e preço, entenderia porque as pessoas aceitam pagar.

        • horse

          Um grande erro é comparar o preço por página e não especificar o material usado nelas, o tipo do papel, gramatura, cor ou não fazem a diferença no preço por página sim.

  • Fernando Cabrera Perez

    Sobre a questão dos preços do mangás, eu concordo exatamente com o texto.

    Os aumentos não foram tão significativos e preço está na media, por exemplo o guardiões do louvre está na media de preço do pipoca e nanquim, ainda mais que será inteiro com paginas coloridas (se não estou enganado). Então não foge muito do preço das hqs deles.

    Agora com Hqs da Panini acho que o preço subiu consideravelmente, alguns preços chegaram a ser reajustados em 51%, o que não entra na minha cabeça, tudo pode ter ficado mais caro e etc , mas um aumento de 51% não tem explicação.

    O que causa toda essa irritação nos consumidores é a falta de transparência da Panini em relação aos aumentos, ela mesmo confirmou que errou de não avisar nada e somente jogar o preço e dana-se.

    Mesmo com todas as explicações dela sobre o aumento nas Hqs (Até com um video) não convenceu a quase nenhum leitor.

    Ainda mais que disseram que aumentaram os valores para manter o alto padrão de conteúdo e impressão e em linha com os mesmos títulos publicados em outros países, ai os caras lançam The Walking Dead Volume 2 com diversos balões com frases não traduzidas ou com erro de digitação e o pior erraram 3 vezes o nome do Robert Kirkman (Autor).

    Ai fica complicado =P

  • Ótima matéria, extremamente esclarecedora. Tomara que com isso toda essa métrica de comparação de preço por número de paginas, independente do formato acabe. Por isso eu amo esse site!!! <3

    • O problema não é comparar preço por número de páginas, o problema é por falta de conhecimento esquecer TODO O RESTO como se não existisse e utilizar o resultado para ficar hateando editoras.

      Se a pessoa quer usar o resultado dessa “conta” para decidir se compra ou não, tudo bem. Não tem nada de errado nisso. Cada um usa o que quiser para saber se vale a pena comprar um produto. O problema é ficar criticando editora usando um critério falho desses.

      Eu duvido que isso acabe.

  • Já comprei o meu por R$ 45,90 com o cupom de desconto do PN, um ótimo preço. O Homem que Passeia foi o meu mangá preferido ano passado, espero que esse seja bom que nem ele. E espero que com esse lançamento a editora consiga abrir as portas pra trazer outros mangás (agora podendo negociar com as editoras japonesas também).

  • NaBoa

    Ok. Sei bem das limitações em comparar preço por pagina, mas é o único dado objetivo que nós consumidores temos. Eu não sei o quanto custa adquirir os direitos de uma obra, não sei os royalties acertado entre as partes, não sei o custo editorial, não sei o custo gráfico, não sei a tiragem, não sei a taxa interna de retorno que eles esperam, não sei e ninguém aqui sabe, todos apenas chutam, imaginam, acham, mas os dados efetivos ninguém tem e ninguém jamais os terá. O mesmo vale para a maioria dos produtos que consumimos e nem por isso deixamos de comparar os preços. Eu não preciso ser um contador especializado em custo industrial para definir se um produto está caro ou não, basta eu, como consumidor, comparar com produtos semelhantes e vou poder auferir juízo de valor.
    Agora como eu vou comparar um Sandman com um Escalpo? Como vou comparar o Jiro da Devir com o Jiro da PN? De forma objetiva, no status de consumidor não há muitas ferramentas além do preço e número de páginas. Posso aceitar pagar muito mais caro por um produto na qual me agrada mais que outros similares, mas daí vai da subjetividade do individuo.
    E sobre eu perseguir a PN, apenas vejo os livros deles saírem com valores bem salgados e as pessoas aceitarem, e acho curioso que quando outra editora pratica preços semelhantes o povo cai matando.

    • “E sobre eu perseguir a PN, apenas vejo os livros deles saírem com valores bem salgados e as pessoas aceitarem, e acho curioso que quando outra editora pratica preços semelhantes o povo cai matando.”

      o problema aqui parece ser mais o público do que as editoras

    • Você não entendeu a postagem mesmo O_o

      Acho que nem vale a pena escrever qualquer coisa, mas vamos tentar só mais uma vez. Se não der certo, desisto de tentar argumentar:

      Em primeiro lugar: preço por página não é um dado tão objetivo quanto você faz parecer. Se você compara dois produtos sem qualquer relação, não só não é um dado objetivo, como é um dado falho. O que está por trás de se comparar preço por página é apenas a ideia de que a história é mais importante do que qualquer acabamento e serve só para o leitor se situar e ver se vale a pena para ele, como consumidor, pagar um dado valor pela história. A comparação sozinha não serve para realizar um juízo de todas as obras.

      Como isso pode isso ser um dado objetivo se você compara da mesma forma um mangá em capa dura e um mangá sem ser capa dura? Um mangá em papel jornal e um mangá em papel Munken? Esse tipo de limitação faz a comparação não ser nada objetiva e, sim, totalmente subjetiva, visto que você deliberadamente ignora aspectos de um produto, comparando da mesma forma com um outro produto com aspectos totalmente diferentes.

      Eu não sei suas preferências e nem nada, mas aqui no blog boa parte do público consumidor é COLECIONADOR fazendo com que diversos aspectos importem e muito. Então o tipo de papel importa para o público do blog. Logo uma comparação de preço x página de obras com papeis de famílias diferentes não é nada objetivo. Pelo contrário é algo totalmente falho e muito sem sentido. É algo sem qualquer lógica válida, na verdade, visto que a comparação ignora o aspecto essencial para o consumidor.

      A única comparação objetiva de preço por páginas é comparar mangás com acabamentos similares. Foi isso o que fizemos na postagem quando falamos de Ninja Slayer. R$ 19,90 por 200 páginas em papel jornal. O preço é justo? Não, é um preço caro, pois os mangás com essa quantidade de páginas e esse tipo de papel custam entre R$ 13,90 e R$ 15,90, seja os da própria editora, sejam os da concorrência.

      Vamos deixar mais claro:

      O consumidor não precisa estar inteirado de nada sobre as editoras, não precisa saber quanto custa licenciar, não precisa saber os royalties, não precisa saber custos editoriais, gráficos e nem nada. O consumidor só precisa ser consumidor, basta ele OLHAR o preço de Ninja Slayer e ver que ele está caro pelo acabamento que tem.

      Como eu disse antes: papel importa para boa parte do consumidor de mangás. Papel é importante, papel é essencial. Não é algo que possa ficar fora da equação. Mesmo sem saber qualquer coisa interna da editora, mesmo sem saber o nome do papel usado, a pessoa vai ver o preço de Ninja Slayer, vai ver o papel cinza e horrível e vai achar muito caro. Principalmente se esse mesmo leitor coleciona um mangá com um papel branquinho (offset), possui orelhas e o mesmo preço R$ 19,90, como Vagabond que é da mesma editora.

      Vamos explicar de novo para não ter dúvidas:

      Se um dado volume de Vagabond tiver 200 páginas e um dado volume de Ninja Slayer tiver 200 páginas, ambos custando R$ 19,90, a estratégia de ver preço x página simplesmente não funciona. Pois irá dar um número idêntico. Só que o acabamento de Vagabond faz o preço ser justo, o acabamento de Ninja Slayer faz ele ser muito caro aos olhos do consumidor de mangás. Papel importa e precisa estar na conta.

      Não só o papel. Entenda que o acabamento como um todo faz parte do juízo de valor para grande parte do público consumidor de mangás e, por isso, a simples conta preço x página não é objetivo sem levar em conta todo o acabamento. De novo: o consumidor não precisa saber dos custos das editoras. Basta ao consumidor olhar e comparar subjetivamente, porque objetivamente é praticamente impossível.

      Vamos de novo: Guardiões do Louvre terá um formatão, terá capa dura, terá papel couchê 150g, terá todas as páginas coloridas. Acabamento totalmente de luxo, nenhum mangá ou outro produto do nicho otaku sequer chegou perto desse acabamento. Como consumidor, sem saber de nada interno da editora, eu digo que por todo o acabamento prometido, o valor não está caro. Qualquer comparação preço x página sem levar tudo isso em consideração, é uma comparação falha.

      Quando eu esqueço o meu lado consumidor e olho com uma visão crítica (que eu tentei passar um pouco na postagem acima) eu ainda vejo algo a mais, o fato de o mangá ser de Jiro Taniguchi (um autor de nicho, para poucos, que ja teve mangá cancelado no volume 1 de tão pouco que vendeu, etc). Ao ver que é de Jiro Taniguchi, aí eu já tenho mais certeza ainda de que não está caro mesmo. O valor é elevado? É, mas está dentro da normalidade.

      —–
      Para encerrar, repito o que disse no texto:

      “Nem todos dão o mesmo valor a certas características dos produtos. Por isso, para muita gente um preço justo é apenas aquele mais baixo possível e não se importam com o tipo de papel e acabamento, contanto que a publicação seja barata. É por isso também que muita gente prefere o padrão Panini “de luxo” do que obras com acabamento realmente diferenciado. Para elas o custo-benefício dessas publicações é melhor.

      Não há nada de errado nisso. Se não podemos pagar por algo mais caro, claramente iremos preferir aquele produto em formato mais básico e mais economicamente viável para nós. ”
      […]

      “Se você acha Guardiões do Louvre caro porque não pode pagar pelo produto você está certo em dizer que está caro. Não importam as características da obra e o que levou a editora a colocar esse preço, você continuará não tendo dinheiro para comprá-lo, então está caro para você. Embora possa ter parecido o contrário, não quisemos mudar sua opinião nesse sentido.

      O objetivo da postagem foi colocar luz sobre questões que ficam obscuras para a maioria do público, de modo que mesmo que você considere o preço de Guardiões do Louvre ou qualquer outra publicação caro, você não fique criticando as editoras por colocar esse preço, considerando os preços injustos, e nem crendo em teorias da conspiração que se difundem nas redes sociais.”

      • NaBoa

        Respeito sua opinião, mas com subjetividade não se esclarece. Quando você fala que “papel importa para boa parte do consumidor de mangás”, há algum dado estatístico? Eu desconheço pesquisas sobre o assunto. Eu não comparei gibis de banca com encadernados, como disse acima, apenas peguei a lista no final da matéria para comparar e nenhum deles foi pra banca.
        Outra coisa, em nenhum momento eu disse se podia ou não pagar pelo gibi em questão. O que eu disse foi ” Posso aceitar pagar muito mais caro por um produto na qual me agrada mais que outros similares, mas daí vai da subjetividade do individuo.” .
        Eu não compro um livro pela capa, ou miolo, a estória vem em primeiro lugar, sempre. Eu não sou analista de papel, de custos, eu apenas vejo que há dois produtos na prateleira, similares, mas que um é bem mais caro que o outro. É isso.
        Se você e Roses tivessem se atentado para minha primeira postagem, teria visto que a minha critica em relação a PN era pro fato que eles cobram tão ou mais caro que suas concorrentes e a maioria acha justo, quando que nas concorrentes o povo só falta arranca o figado dos editores. Não critiquei quem compra e nem opinei se é certo ou errado a politica de preços do PN, apenas chamei atenção para essa situação.
        E por último, esse país é livre, a constituição no art 5º garante a todos liberdade de expressão e por isso tenho todo o direito de exercer minha critica . Em nenhum momento eu xinguei alguém ou faltei com respeito à alguém. Apenas discordo de sua opinião fugindo da subjetividade, utilizando dados, limitados como eu mesmo apontei. Se opinião contrária não é bem vinda, então que deixe claro isso na próxima vez.

        • SIRIUS BLACK

          Ué, cara… Ser paga pau e puxa-saco de editor/editora é a coisa mais normal do mundo, aqui no Brasil. As pessoas acham que é vantagem. Toda vez que eu vou criticar uma editora específica, mesmo eu tendo razão, sou crucificado. Fazer o que, é a vida. Eu somente queria saber o que elas ganham com isso. Fora isso… Não tem que entender.

          • hayashy

            Tö me intrometendo no debate de vocês…Peço desculpas pela intromissão.

            Concordo em partes que o NA BOA disse e também concordo com a visão da querida Roses e do amigo Kyon disseram. Pois bem, concordo que o mangá, mesmo com toda a ficha técnica do material (papel, miolo, capa,etc etc) esteja realmente caro pelo PN ou de quaisquer editoras brasileiras em alguns materiais lançados.

            Trabalho, ganho bem, sou solteiro etc…Os mangás realmente estão se tornando artigos de luxo,sim, mesmo sendo sendo material do mais simples (papel jornal) até o couché totalmente coloridos, se é este o melhor papel, não lembro…) o produto não está sendo inviável para todos os brasileiros (o que deveria ser, não é? Mas é ilusão…eu sei…entendo o que Roses disse anteriormente a mim).

            E por isso que não concordo com os preços abusivos e aumentos que todas as editoras fizeram com toda a linha de Mangás e Comics. Sei que o produto vendido não é para todos, não é pra mim, etc. Temos o direito de criticar com argumentos construtivos (se haver bons argumentos findados) de protestar, reclamar e contra-argumentar contra as editoras e de opiniões de outras pessoas. Afinal, estamos consumindo algo que queremos e gostamos.

            Somos seres consumistas em todos os tipos de níveis como comprar carros, celular, um computador de ultima geração ou um console novo lançado, mangás se aplica a esta lógica de consumo, por mais supérfluo for o produto dos quais compramos. Mas olha tem muita gente passando fome…eu sei, mundo desigual que habitamos e posso está sendo hipócrita também, pois eu deveria ajudar estas pessoas que passam fome. Ajudo de uma maneira indireta e de outras formas. Ficou fora do assunto é mais pra expor uma ideia do que eu vou falar agora: Ninguém é dona da verdade, por mais que fato seja comprovada, difícil achar que exista uma ideia que derrube um fato comprovado, sempre haverá algo que conteste esta ideia comprovada.

            Acredito que, mesmo um produto caro ou não, temos o direito de opinar com argumentos que está ao nosso alcance e que acreditamos ser a verdade achar que aquele produto vendido é absurdamente caro.

            No final das contas, comprar quem quiser, se quiser comprar um carro de luxo, por exemplo, se mate de trabalhar, passe fome, seja solteiro, viva as custas dos outros, você consegue…Com mangá fica até fácil.

          • SIRIUS BLACK

            Hayashy… Ninguém está tirando o seu direito de criticar, não. Mas o que você disse é sim, extremamente subjetivo.

        • Yu-mon

          oi, não sendo puxa saca da PN e nem das outras editoras, mas resumo: imposto, se os impostos dos insumos não fossem absurdos e não acumulativos (imposto sobre imposto sobre….) os produtos de consumo básico e de lazer não seriam tão caros como é hoje em dia.
          Sobre questão da PN ser uma enpresa “Simples”, a gráfica parceira pode não ser, podendo encarecer o preço, e nem todas as editoras trabalham com as mesmas gráficas, as vezes trabalham com mais de 2 para se ter mais desconto e rapidez na entrega de varias publicações diferentes, assim como qualidade ou exclusividade, ou por ser só ela que tem o X papel maravilhoso. Pode ter certeza que a Panini e a JBC não mandam imprimir seus mangás de linha básica e “premium” na mesma gráfica, assim como nada impede que a panini não tenha um próprio parque gráfico para poder baratear alguns custos (essa parte é especulação), e SIM, tanto leitores antigos quanto aos atuais se importam em ter seu quadrinho com qualidade melhor, pois chega de papel jornal, foi-se na era pré-histórica de nós leitores velhos caducos consumirem os mangás que na época eram caros (R$2,90 3,90)para o nosso bolso, pois eramos estudantes, mal tinhamos mesada e juntava dinheiro do troco do lanche para tentar comprar todas as novidades pois não era normal naquela época publicarem mangá, principalmente regularmente (hoje estamos trabalhando, então podemos ter um pouco de luxo depois de uma jornada de trabalho cansativo). Cada um tem sua opinião assim como cada um vivenciou uma parte do crescimento do mercado dos mangás. Meu ponto de vista do mangá da PN, ela é e não é mangá, está tendo tratamento de um acabamento de HQ de luxo, não sei como foi publicado na França ou no Japão, mas para o meu pequeno conhecimento é de HQ. Assim sendo, ela está até mais barato que as graphics novels de HQ da Panini, que começaram barato e hoje é uma fortuna.

    • O ponto é: A galera reclama das outras editoras, porque elas cobram alto por uma qualidade que não condiz com o preço.
      Galera reclamou dos preços da Panini em cima de materiais com tiragens grandes, imprimido na Ásia (custos de impressão menor). Materiais esse sendo da DC, Marvel e Vertigo.
      Em relação a Mythos é a questão de preço mesmo, eles cobram muito mesmo por uma qualidade boa. Só ver Elric que custa 85 reais e TEM PROPAGANDA NO FINAL.
      Então,….”Por que a galera não reclama do PN?” Porque o preço deles condiz com o que eles entregam. Pode ser alto pra alguns? Pode, mas as edições são extremamente bem acabadas. Me diga uma obra que a Panini ou a Mythos publicou em Couchê 150g pelo preço que o PN pratica.
      O que acontece também é que esse pessoal que reclama tá acostumado somente a ler super heróis, material que costuma ser barato por todos esses motivos citados acima.
      Graphic Novels fora desse eixo, bande dessinée, fumettis e etc, já serão mais caras só pelo fato de serem materiais mais de nicho, pouco conhecidos e por conseguinte tedno menores tiragens. Adiciona um acabamento de luxo a este tipo de material e o preço vai subir mais ainda mesmo.
      Resumindo, o pessoal não reclama do PN, porque frente a outras editoras, o preço deles condiz com a qualidade que estão entregando. Basta pegar um material deles e ver a diferença.

      Posso ter sido redundante, mas tentei explanar da melhor maneira possível.

  • Alexandre K

    O Box de Another então… é a coisa mais bizarramente e objetivamente cara do mundo. O mangá extra que vem no Box tem apenas 1 capítulo e 40 páginas.

    • Castro9

      É um absurdo pagar o preço de capa da box Another, duvido que eles não tenha encarecido o preço por conta dos desconto da amazon.

  • Castro9

    Comprei o manga com o desconto da amazon e o cupom do canal pipoca e nanquim, fico em 45,90. Achei bom o preço se eles cumprirem com o que foi dito.

  • Muito legal o texto, realmente uma discussão manjada mas eterna. Não gosto do termo “justo”, muito subjetivo e varia de cada leitor, além de evocar a algo como justiça.

    Enfim, é um mangá caro sim e tem a ver com o posicionamento da empresa, não apenas os custos de impressão. Até porque se o preço fosse baixo, corria o risco até de desvalorizar a imagem da empresa e seus outros produtos.

    Falando no geral, justamente por serem p&b em papel jornal, sempre achei mangá caro em comparação com as HQ’s totalmente coloridas.

    Não sabemos as tiragens ou as vendas de nenhum título, seja mangá ou HQ, então fica difícil especular mais. Mas é uma boa reflexão mesmo assim. Aos trancos e barrancos o mercado de mangás vai evoluindo.

  • Meio atrasado, mas vamos lá… resumindo:

    Os quadrinhos da Pipoca e Nanquim são sim caros, quando a relação se encaixa em preço X bolso. Se falarmos de preço X qualidade, eles são justos! Cabê ao colecionador decidir se vale a pena investir ou não. Eu mesmo, sou da opinião que valeria a pena, mas ultimamente tenho gastos com outras coisas e diminuí em muito o quê consumo, pro meu bolso atualmente, a Pipoca e Nanquim é cara.

    Agora, uma outra coisa é certa. Muita gente tá acostumada a comprar o volume no mês de lançamento, isso virou moda, principalmente pelos rápidos esgotamentos. Quer comprar um quadrinho mais trabalhado, acha que vale a pena o investimento? Guarde um pouco de dinheiro, um, dois ou três meses pra aquele quadrinho, depois corra atrás do que deixou de pegar para que pudesse comprá-lo. Parte desse lance de ser caro, acredito eu que seja por que quem reclama, pensa que se não comprar quando é lançado, não vale.

    E não, nosso mercado não é gigantesco ao ponto de as editoras lançarem título X em qualidade “Ayako”, qualidade “Vagabond” e qualidade “Toriko” de acabamento, pra consumidor escolher o que ele pode comprar.

    Sobre o que falaram dessa postagem acabar com essas coisas, duvido muito. Cada vez mais surgem novos leitores, os mangás estão sim bastante populares. A maioria é nova e depende da mesada dos pais, ainda nem emprego tem. Logo, sem o mínimo de costume com o Mercado, irá reclamar e vai demorar pra aprender como funciona. Aliás ninguém aprende, todos somos leigos neste assunto e olhe o tempo que estamos colecionando.

    Enfim, concordo muito com a matéria, parabéns Kyon e Roses pelo texto tão bem escrito.

  • Ah, um complemento: Jiro é um autor com obras reflexivas, não é popular tal qual autores da Jump. São obras adultas, voltadas para um público pensante e muitas vezes de mentalidade formada, tal qual algumas obras do Tezuka, ou as obras da coleção Tsuru. A Conrad mesmo, lá atrás, tinha suas edições comuns a preços cabíveis, porém ao mesmo tempo, obras como Buda e Adolf de Osamu Tezuka, saíram à respectivos 29,90 e 27,90 se não me engano. Depende da obra, vão sim utilizar um acabamento de qualidade.

  • Andre

    Eu já tinha uma visão parecida antes de ler o texto, mas realmente o texto é bem esclarecedor.

    O preço de Guardiões do Louvre é justo (justíssimo aliás, levando em conta toda a qualidade gráfica), agora se está caro ou não vai da realidade e do poder de compra de cada um.
    A Editora P&N já deixou claro que o público alvo deles são adultos colecionadores que já estão inseridos no mercado de quadrinhos como consumidores exigentes que presam além de uma boa leitura um item bem acabado que fique bonito na estante. Ou seja eles NÃO SÃO uma editora de entrada (aquela que capta novos leitores).
    O padrão deles é esse, trazer bons títulos e dar a melhor qualidade gráfica possível, e paga por isso quem pode.
    Eles poderiam trazer essa mesma obra e lançar em um formato menos luxuoso, assim diminuindo bastante o preço da publicação fazendo com que mais pessoas tivessem acesso a compra do mesmo? Poderiam, mas fugiria totalmente da proposta da editora.
    E outra, será que o grande o público se interessaria em adquirir esse tipo de conteúdo mesmo ele tendo um preço acessível? Acredito que não, pois quem consome esse material é o nicho do nicho do nicho.

    Concluindo, o público alvo de Guardiões do Louvre lançado pela editora P&N não é o consumidor de mangás médio (aquele estudante ferrado que no fim do mês junta suas economias pra ver quais quadrinhos vai dar pra ele comprar) e sim um público mais seleto…
    Claro que haverão casos em que você vai se interessar por uma publicação em que você não se enquadra no público alvo, e o pensamento de “Poxa vida se fosse mais barato eu conseguiria ler”, vai ser frustrante eu sei, mas infelizmente é assim que o mercado funciona. Agora, definirmos se o mercado está certo ou errado (pois apesar de estarmos falando de coisas supérfluas, também estamos estamos falando de cultura) já entramos em uma discussão um pouco mais complicada…
    No fim das contas é isso, o consumidor final não passa de números separados por grupos. rs

  • Kyon, faça um levantamento do Blog sobre os comentários

    acho que as postagens com mais comentários são as que envolvem preços, mas só você mesmo pra confirmar

  • GABRIEL BRASIL PICANCO

    Eu concordo com quase tudo que vcs falaram exceto pela parte da “conspiração da Amazon”. Não chamaria de conspiração, mas a verdade é que sabemos que quando a editora lança um material em capa dura, o lucro obtido com ele é maior. E muitas editoras agora aproveitaram a “onda” de fãs pedindo e comprando tudo que é material em capa dura, que eles agora lançam qualquer porcaria em capa dura. Vide o exemplar de “vilões”, um material Marvel que tem uma qualidade horrível e saiu aqui no Brasil diretamente em capa dura. Sabemos também que seria ideal as editoras disponibilizarem o mesmo material em formatos luxuosos e caros, porém isso não acontece devido aos custos.

    O que quero dizer, é que a Amazon pode até não ter culpa, mas ela faz parte do efeito que é gerado, quando as editoras lançam qualquer porcaria direto em capa dura para lucrar com isso. Não é errado uma empresa querer lucrar, mas também não é errado cobrarmos materiais com mais opções de acabamento.

    Isso quase não se aplica ao mundo dos mangás, e usei exemplo das comics pq é oq mais consumo. Mas fora isso concordo em tudo do texto de vocês! Parabéns pela lucidez!

  • Lis D

    Bom texto, deixou bastante explícito e bem explicado algumas idéias que podem soar bem óbvias para alguns, mas que acabam sendo esquecidas no panorama geral.

    Bem, já argumentaram extensamente nos comentários sobre vários pontos, mas achei interessante a comparação do amigo Naboa de preço x nº de páginas.
    Já argumentaram bastante também sobre como essa comparação é bastante rasa e subjetiva, mas os títulos levantados por ele me chamaram atenção. Então pensei em outra comparação talvez tão rasa quanto, mas que nos dá uma idéia melhor que acontece com os preços dessas publicações, e que usa informações que temos todo acesso:
    Preço, nº de páginas e _tamanho do papel_
    Como há muito falam, o que pesa não é o ‘nº de páginas’, mas a ‘quantidade de papel’ usado, então podemos fazer uma comparação do preço x área total de papel usado.

    Em ordem decrescente fica assim (R$/m² de papel)x(R$/página):
    * Artbook Lost Canvas (R$10,93/m²)x(R$0,66/pág)
    * CdZ Kanzenban (R$8,82/m²)x(R$0,27/pág)
    * Fragmentos do Horror (R$7,95/m²)x(R$0,24/pág)
    * Another Box (R$5,70/m²)x(R$0,15/pág)
    * Guardiões do Louvre (R$5,68/m²)x(R$0,44/pág)
    * Homem que Passeia (R$5,64/m²)x(R$0,22/pág)
    * Nononnba (R$5,38/m²)x(R$0,21/pág)
    * Ghost in the Shell 2.0 (R$5,23/m²)x(R$0,21/pág)
    * Ayako (R$4,98/m²)x(R$0,18/pág)
    * Ghost in the Shell (R$4,52/m²)x(R$0,18/pág)
    * Akira 1 (R$4,24/m²)x(R$0,19/pág)
    * Speed Racer (R$3,33/m²)x(R$0,10/pág)

    Já dá pra perceber algumas mudanças de posição nessa ordem de comparação, com Guardiões ficando na mesma faixa de valor que Homem que Passeia (outro do autor) e Nononnba, todos eles de nicho, e isso sem levar em consideração o tipo de papel e impressão (P&B x colorido).
    Uma publicação que Naboa não incluiu na comparação por ‘não ser HQ’ foi o Lost Canvas Artbook, que, em muitos aspectos, se aproxima bastante do tipo de publicação de Guardiões, seja pelo tamanho, tipo de papel, impressão (por ser artbook, deve ser ainda mais custosa) e ‘popularidade’ (mesmo sendo Cavaleiros, é um artbook e não é barato, imagino que o número de cópias deva se mais reduzido), e olha onde esse fatores levaram o preço.

    Enfim, acho que a única coisa que eu concluí dessa análise agora é que Ayako no fim das contas não tá tão caro assim, se tivessem separado a edição em duas talvez eu acabasse levando…

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: