Número de volumes de mangás publicados no Brasil em 2018 diminui, mas fica praticamente estável

Devido aos problemas no mercado editorial, a expectativa é que a queda do número de publicações fosse acentuada, o que não se observou no final…

Talvez você nunca tenha pensado nisso ou nem se dado conta, mas o crescimento do mercado brasileiro de mangás é bem lento, a passos de tartaruga. Embora se publique títulos e mais títulos todos os anos, o número de volumes publicados quase não cresce.

Nos últimos anos, devido a crise econômica, altos e baixos vem se sucedendo e em meio a um cenário nebuloso, 2018 mostrou-se como um ano que seria catastrófico, mas que no fim acabou apenas tendo uma variação negativa muito pequena no número de volumes publicados. Enquanto em 2017 tivemos 395 volumes de mangás físicos (não contando digitais), em 2018 esse número caiu para 391, apenas 4 a menos. Vejam o gráfico de evolução ano a ano.

Gráfico 1. Número total de volumes de mangás oriundos do Japão publicados no Brasil. Fonte: Guia dos Quadrinhos e Blog BBM.

Em outras palavras, pode-se dizer que, apesar da queda, houve uma estabilidade no número de volumes de mangás físicos publicados em relação ao ano passado. Essa estabilidade se deve sobretudo à NewPOP que dobrou o número de publicações de um ano para o outro e compensou em parte a queda absurda da JBC. Vejam o gráfico abaixo:

Gráfico 2: Evolução de volumes publicados pelas três principais editoras brasileiras de mangás. Fonte: Guia dos Quadrinhos e Blog BBM. (Clique na Imagem para ampliar).

O Gráfico 2 mostra bem como a NewPOP teve o seu melhor ano publicando um total de 43 volumes de mangás (22 a mais que em 2017), enquanto a JBC teve apenas 91 volumes (28 a menos que no ano anterior). Os números da JBC seriam piores se a empresa não tivesse mudado seu modo de lançar mangás e começado a publicar em blocos (dos 91 volumes do ano, 21 estavam no checklist de dezembro). A Panini, por outro lado, manteve-se estável, com uma leve variação positiva.

  • Número de títulos novos

Apesar da estabilidade na quantidade de volumes publicados, o número de títulos novos – aqui considerados não apenas os mangás, mas databooks e light novels também – teve uma queda acentuada em relação a 2017, sendo o ano com menos títulos desde 2012. Vejam o gráfico.

Gráfico 3: Número de títulos novos (incluindo mangás, light novels, databooks e outras publicações impressas da área de cultura pop oriental). Fonte: Guia dos Quadrinhos e Blog BBM.

O ano só não foi pior porque a Panini continuou a lançar um monte de mangás desenfreadamente e a NewPOP, ainda que aos poucos, terminou por ter o seu melhor ano, com 15 lançamentos, igualando 2015.

Como será 2019? Isso é bem imprevisível…


*Os gráficos 1 e 2 incluem apenas os lançamentos de mangás de origem japonesa. Não inclui reimpressões ou box. Os dados também não incluem databooks, light novels, artbooks, entre outros.
**Os gráficos 1 e 2 consideram os mangás do checklist de dezembro da editora Panini, ainda que eles ainda não tenham sido publicados. O checklist da editora compreende do dia 10 de um mês, até o dia 10 do outro mês, então a editora têm até o dia 10 de janeiro para publicá-los. De modo análogo, e para manter a coerência, não incluímos os títulos do checklist de dezembro da 2017 da Panini que, por ventura, tenha sido publicados apenas nos primeiros dias de 2018.
***O gráfico 3 inclui todos os títulos novos publicados durante o ano não se limitando apenas a mangás. Ou seja, incluem databooks, light novels, etc.

Esta postagem faz parte da série Retrospectiva que fazemos todos os anos para relembrar o que de melhor e pior aconteceu no mercado brasileiro de mangás, além de outras notícias relacionadas ou não ao nosso país. Para ver todas as postagens deste ano, clique aqui.

3 comentários

  1. Panini, como sempre, ignorou completamente a situação do país. Livrarias e distribuição em crise? Tanto faz! É só aumentar em 50% o preço do mangázinho e tá de boas!
    Inacreditável como o mercado mudou tanto numa questão de 5 anos. Quando o confronto JBC x Panini estava equilibrado, tudo, em especial os consumidores, era tão diferente de hoje…

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    1. Um adendo: Tantos lançamentos entulhando bancas e livrarias, mas, ao mesmo tempo, tão pouca variedade…

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  2. Sei que esse comentário não tem nenhuma relação com o post, mas Kyon, eu gostava da cara do blog de antes, sem contar que antes de entrar na matéria, mostrava quantos comentários havia, e com essa mudança não aparece =/

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