Retrospectiva 2018 – Editora JBC

Ano de crise…

Vamos começar sendo bem diretos: se alguma editora deixou transparecer mais os impactos da crise econômica e da crise editorial em 2018, essa editora foi a JBC. Só para se ter uma ideia, esse ano foi o que a editora menos lançou títulos novos desde 2009, em um total de 7 novidades. A empresa também, durante vários meses, lançou pouquíssimos volumes, fazendo o número total de publicações despencar em relação a 2017. Na verdade, pelo terceiro ano seguido a editora registrou queda. Vejam o gráfico abaixo:

A JBC foi afetada em cheio pelas duas grandes “quedas” do mercado editorial, o Grupo Abril e as Livrarias Saraiva e Cultura (falamos mais sobre isso em outra postagem) e como resultado a editora teve que fazer uma parada, lançando pouco e reestruturando o seu modo de lançamento.

O impacto fica claro ao analisar como estava o comportamento da editora no início do ano e com o que ocorreu no segundo semestre. Inicialmente, a empresa realizou vários anúncios e fez prognósticos de lançá-los em breve, mas a maioria acabou adiada. Depois do lançamento de Cavaleiros do Zodíaco – The Lost Canvas, no mês de julho, já no meio do turbilhão de problemas, a empresa só foi lançar outro título novo em dezembro.

No todo, a JBC retirou seus mangás das bancas de revistas e passou a lançar exclusivamente em livrarias e lojas especializadas, porém deixou de fornecer para a Saraiva e a Cultura. O resultado disso foi uma redução da tiragem dos mangás e um aumento de preço em todos os títulos que iam para bancas de revistas.

  • A era das temporadas

Com a crise mudanças se tornaram necessárias e a JBC acabou criando um novo sistema para o lançamento de seus mangás. Em vez de publicar um volume de um dado mangá por mês ou a cada dois meses, a editora resolveu lançar “blocos” de mangás, de dois a quatro volumes.

Assim quem pudesse comprar todos de uma vez poderia fazer. Do mesmo modo, a editora garantiu que as pessoas também poderiam ir comprando aos poucos, pois mesmo se eles esgotarem, a editora agora irá repor os volumes mais rapidamente.

Esse novo formato não significa que um mesmo título terá blocos de mangás todos os meses, existindo uma pausa de dois a quatro meses entre um bloco e outro. A editora ainda não deixou muito claro como será esse espaçamento. A “era das temporadas” começou em novembro então ainda pairam dúvidas sobre o funcionamento desse sistema e se será vantajoso para a empresa e para o consumidor.

  • Reimpressões e novos preços

Ainda nesse espectro da crise, no final do ano a JBC começou a divulgar diversas reimpressões de volumes esgotados, coisa que era rara anteriormente. As reimpressões, porém, começaram a seguir o mesmo esquema dos livros, vindo com um preço novo. Antigamente, sempre que um volume era reposto o preço antigo era mantido, mesmo se os volumes atuais estivessem custando mais caro.

Assim, por exemplo, Your Name., que saiu a R$ 15,90, passou a custar R$ 18,90 na reimpressão. Death Note Black Edition, que originalmente custavam R$ 39,00, passaram a custar R$ 44,90.

Ainda nessa questão de preços, como a editora não está mais enviando os produtos para bancas de revistas, a editora abandonou, ao menos provisoriamente, o uso de papel jornal nos novos títulos. Como as tiragens acabam sendo reduzidas, acaba não valendo a pena utilizar esse tipo de papel já que não barateará tanto o preço. Desse modo, os lançamentos de dezembro da editora, Edens Zero, Erased e Boa Noite Punpun, todos eles vieram em papel Lux Cream, os dois primeiros custando R$ 23,90, o outro R$ 44,90, por ser um BIG.

  • Os anúncios inesperados

Se o ano teve crise, o ano também teve surpresas. A primeira delas ocorreu no mês de março com o anúncio de Rosa de Versalhes, um mangá clássico até então impensável em nosso país. A outra grande surpresa foi o Overlord, a primeira grande light novel da editora. Por causa da crise, ambos os títulos ficaram para 2019.

Por fim, uma das maiores surpresas atende pelo nome de Edens Zero e sua publicação simultânea com o Japão. Falaremos mais disso no tópico abaixo.

  • Os mangás digitais

Desde o final de 2017, a editora JBC começou a publicar mangás em formato digital. Em 2018, a editora continuou a publicar diversas obras em ebooks, possuindo hoje um catálogo com mais de 20 títulos, em um total de mais de 200 volumes.

O grande marco de 2018, porém, foi a publicação simultânea de Edens Zero junto com o Japão em formato digital. Novo mangá de Hiro Mashima, autor de Fairy Tail, a obra começou a ser lançada digitalmente em diversos países ao mesmo tempo. O anúncio inicial não incluía o Brasil, mas tempos depois a JBC anunciou que também faria parte do pacote.

Até então não tínhamos nenhum mangá legalizado em que pudéssemos acompanhar capítulo a capítulo, semana a semana, junto aos japoneses, em língua portuguesa. Isso é algo para ser lembrado e comemorado. Falamos mais sobre isso em outra postagem de retrospectiva (clique aqui).

  • Os títulos novos publicados durante o ano

Em 2018, a editora JBC publicou apenas 7 títulos novos. Esse é o ano com o menor número de lançamentos da empresa desde 2009. Vejam a lista:

 

  • Os títulos concluídos durante o ano.

Além do box de Another, a editora JBC concluiu 11 títulos em 2018. A lista você vê a seguir.

 

  • Títulos licenciados

Por fim, a lista de títulos licenciados e anunciados pela editora JBC para serem publicados nos próximos anos compreende as seguintes obras:

De todos os títulos, o único sem previsão de lançamento para 2019 é Inu-Yasha, cujo projeto está parado e não sabe quando ele voltará a andar. Já Rosa de Versalhes e Battle Angel Alita – Last Order começarão a sair entre o final de janeiro e o início de fevereiro.


Retrospectiva é uma série de postagens que fazemos todos os anos para relembrar o que de melhor e pior aconteceu no mercado brasileiro de mangás, além de outras notícias relacionadas ou não ao nosso país. Para ver todas as postagens deste ano, clique aqui.

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Um comentário

  1. A JBC é a editora mais transparente ao meu ver, fora o contato com o leitor

    A distribuição em bancas já estava pra acabar, se você não fosse de sp ou do rj você era obrigado a comprar mangás online (acho que até gente desses 2 estados eram obrigadas, tendo em vista que a distribuição era tão falha que até pra 2 estados só ela conseguia ser ruim) pois era inviável comprar mangás amassados, batidos e tudo mais

    Porque não cria um whatsapp público pra todos poderem conversar sobre mangás e animes? Acho que seria muito bom

    Curtido por 1 pessoa

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