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Resenha: Gunsmith Cats Burst (volume 1)

No dia 18 de dezembro de 2019, a editora JBC lançou o primeiro ebook do mangá Gunsmith Cats Burst, uma das novas obras da editora. O título saiu primeiro em formato digital para somente depois ganhar uma versão impressa, com uma outra roupagem. Enquanto a versão digital terá 5 volumes como no original japonês, a versão impressa será BIG, reunindo os cinco números em apenas dois tomos. A estreia está programa para março.

Se você ficou atento nas notícias, você já deve saber que Gunsmith Cats Burst é, na verdade, uma continuação de um outro mangá que nunca foi lançado no Brasil, intitulado apenas de Gunsmith Cats. A adaptação animada da obra original chegou a passar no país sob o título de As Gatas Atiradoras, mas muita gente nem lembra ou nem sabe disso. Daí que a ideia de ler um mangá que é continuação do outro não foi bem aceita por uma boa parte do público consumidor.

Gunsmith Cats (o original) é tratado como clássico em alguns países, especialmente na França, mas de toda forma soa estranho começar a ler uma obra por sua continuação. Além disso, alguns fãs disseram nos comentários das notícias que o início até pode ser lido sem conhecer a história prévia (embora você fique sem entender algumas coisas), mas para compreender o desenvolvimento final do Burst é necessário ter lido a obra original.

E aí? Aventurar-se ou não aventurar-se em Gunsmith Cats Burst? A gente resolveu dar uma olhada e ver como é essa obra nesse volume e saber se é algo que vale a pena ou não. Lido o volume um, agora viemos contar para vocês as nossas impressões desse mangá para vocês.

  • Sinopse Oficial

Rally Vincent e Minnie May. Elas podem parecer duas garotas comuns, mas na verdade são duas famosas mercenárias armadas e perigosas. A dupla estrela Gunsmith Cats Burst, grande sucesso dos mangás e animes que marcou época criado por Kenichi Sonoda. A história retoma as aventuras de Rally e Minnie. Donas da loja de armas Gunsmith Cats na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, elas são conhecidas no submundo como as mais eficazes mercenárias em atividade. A dupla usa toda a sua habilidade e conhecimento em armas e explosivos para trabalhos sujos que vão desde capturar criminosos até colocar chefões da máfia atrás das grades.

  • História e desenvolvimento

Mangás que não são de fantasia e se passam fora do Japão há aos montes, porém parece que eles são diminutos quando averiguamos as publicações brasileiras. Ainda assim, eles existem e Gunsmith Cats Burst é mais um deles. A obra acontece nos Estados Unidos e acompanha duas comerciantes de armas, Rally e Minnie, que também são duas famosas caçadoras de recompensas, mercenárias prontas para aceitar toda e qualquer missão. Junto a um séquito de personagens, o mangá é um daqueles títulos de ação e aventura, com muito tiro, perseguição e reviravoltas. É um bang-bang típico de Sessão da Tarde e Cinema em Casa em seus tempos áureos (embora não tenha lá tantos tiros assim).

Protagonistas que são, Rally e Minnie (mas principalmente Rally) são superpoderosas. Se a obra não é de fantasia, isso significa que elas conseguem ser surpreendentemente ágeis, além de habilidosas e inteligentes, de modo a conseguir escapar das mais diversas situações, mesmo quando tudo parece perdido. Se em um momento estão apontando uma arma para uma delas e o gatilho está prestes a ser puxado, a gente já sabe de antemão que alguma coisa vai acontecer (a maioria das vezes alguma atitude das próprias garotas) e elas sairão ilesas de tudo.

Morte, perigo? Isso não existe. A ação é frenética e as protagonistas estão lá a postos para se defenderem, proteger e prender pessoas, dentre outas coisas. A cada acontecimento, a gente jamais fica apreensivo e só fica imaginando o modo como elas irão se safar das mais diversas situações e qual o absurdo que acontecerá dessa vez, como em uma certa passagem em que um carinha come comida em lata (com a lata inteira. Rs) dada por uma das garotas e decide ajudá-la a escapar de uma situação de perigo.

Humor? Sim, também há.

Mas o mangá também tem suas belas passagens de humor, com diversos momentos em que uma situação hipoteticamente tensa é cortada com uma passagem que causa riso. Na imagem acima, por exemplo, um carinha estava exausto de empurrar o carro sem gasolina no meio do sol e prestes a perder a consciência, não existindo água por perto diz uma fala dessas, visto ser a única fonte de líquido bebível. A situação quase dramática vira uma cena de humor e que se propaga por páginas seguintes, com ele bebendo mijo de cavalo (i.e cerveja vencida).

Ação, aventura e humor, tudo o que uma obra precisa, correto? Não é bem assim. A estrutura do mangá é um tanto quanto estranha e aliado ao fato de ser uma continuação deixa a gente com a sensação de que realmente está perdendo algo e isso preocupa para os volumes seguintes.

Para começar o mangá possui 3 histórias antes do primeiro capítulo de fato, com narrativas próprias e independentes. Logo na primeira história, há um momento que se deixa ver que o mangá é uma continuação ou pelo menos coloca na nossa cabeça a ideia de que tal coisa aconteceu no mangá anterior. Basicamente, as protagonistas revelam a uma outra personagem que existe uma câmera escondida e esta logo fala “não me diga que também me filmaram quando eu estava aqui?”. O que é esse “quando”? Essa história aconteceu no mangá anterior? Pois parece…

Ou seja, é um mangá que já começa do meio, como se já conhecemos os personagens e soubéssemos sua história pregressa. Para além disso, a segunda parte antes do capítulo um é um tédio sem tamanho. É uma parte dedicada exclusivamente a falar de armas e do modo se modifica ela e assim por diante. Não tem relevância para a história, é apenas um enxerto que pouco ou nada acrescenta. Será que se tornará útil nos volumes posteriores? A dúvida fica no ar.

Com isso, 50 páginas se vão com essas short-stories. A primeira e a terceira não chegam a ser ruins, mas parecem estar lá apenas para re-apresentar as personagens antes de iniciar essa continuação, mas nem apresentam direito. A gente só aceita que as coisas são assim e a história segue.

Entretanto, quando a história verdadeiramente começa a coisa muda um pouco de figura. A trama é mais uma história envolvendo organizações e coisas do submundo, do qual Rally está investigando. Naturalmente ela é conhecida, coisas acontecem e existe todo um plano envolvendo a própria Rally, ou antes seu carro. Conforme as páginas vão passando, a narrativa se adensa, se adensa e quando o volume termina você já está fisgado com uma história deliciosa de acompanhar. Você está fascinado pela estratégia de Rally e Minnie e quer ver como cada passo vai ser dado.

Como é costume, o número um termina em um cliffhanger, sem que trama tenha sido resolvida, te fazendo ansiar pelo próximo. E por estar lendo a versão digital, a coisa é pior, pois conforme  você se acostuma com a história, você começa a passar páginas e mais páginas rapidamente e quando vê, o volume terminou, sem que você esperasse^^. Ou seja, o mangá fica tão legal, mas tão legal, que chega um momento e ele acaba, do nada. Esse é Gunsmith Cats Burst.

  • Conclusão

Gunsmith Cats Burst não é um mangá ruim. Ele é aquele clichê básico das obras de ação e aventura, com gangsters e tiros aqui e ali. E a história agrada, você se envolve com a trama, com as protagonistas, e quer saber o que vai acontecer dali em diante.

O problema é que tem partes que são insuportáveis, além do fato de ser uma continuação de uma outra obra ainda não publicada no Brasil. Nesse primeiro volume já fica claro que há coisas faltantes para quem não conhece a obra original, e se os fãs do mangá disseram a verdade, o final da série ficará mais enigmático ainda e sem sentido.

Em outras palavras, se o Gunsmith Cats original tivesse sido publicado no Brasil, mesmo com partes em que não gostamos, a gente recomendaria bastante o Burst tendo em vista o primeiro volume. Sendo uma continuação, a gente não consegue dizer para vocês comprarem sem medo, pois a obra é até divertida, mas a gente não sabe como ela se desenvolverá de fato nos volumes seguintes.

De todo modo, nós vamos lá ver o As Gatas Atiradoras para entender mais esse universo criado por Kenishi Sonoda.

  • Ficha Técnica

Título Original: Gunsmith Cats Burst (ガンスミスキャッツバースト)
Título NacionalGunsmith Cats Burst
Autor: Kenishi Sonoda
Tradutor: Edward Kondo
Mídia: Ebook
Classificação indicativa: 16 anos
Número de volumes no Japão: 5
Número de volumes lançados no Brasil: 1 (ainda em andamento)
Preço (Ed. Digital): R$ 12,90
Onde comprar (Ed. Digital)Amazon

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2 Comments

  • Sinceramente não entendi essa estratégia da JBC. Eu tenho o mangá original completo e o Burst que saíram nos EUA e estava pensando em prestigiar a edição nacional. Mas lançando do meio fica difícil.

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