Resenha: Não mexa com minha filha! #01

não mexaA nova aposta da editora Alto Astral

A editora Alto Astral parece querer se focar mesmo nas obras japonesas de conteúdo mais erótico e, depois lançar vários hentais, a empresa publicou nesse mês de agosto o primeiro de três volumes de Não mexa com minha filha!, mangá erótico de Tamaki Nozomu.

Embora à primeira vista pareça um daqueles hentais que a editora já lançou, Não mexa com a minha filha! é apenas uma obra de conteúdo erótico intenso, com personagens em poses e situações constrangedoras, fetiches estranhos japoneses, mas sem o ato sexual em si como fim único da obra.

Tamaki Nozomu é o mesmo autor de Dance in the Vampire Bund, que ficou razoavelmente conhecido em 2010 após a exibição de seu animê no Japão. Nozomu é intenso leitor de quadrinhos Marvel e narrativas de super-heróis, tendo chegado a ajudar na tradução de quadrinhos americanos para o japonês. Não mexa com minha filha! surgiu em um momento em que as histórias de super-heróis começaram a estar na moda e o autor resolveu se arriscar nessa seara. Mais especificamente, o autor se baseou em histórias com heroínas em perigo, sendo espancadas pelos vilões em uma espécie de sadomasoquismo, porém o mangá não é (totalmente) assim.

Mas será que Não mexa com a minha filha! é uma boa obra e faz jus aos fãs do autor? Ou é apenas um daqueles títulos genéricos e decepcionantes?

não mexa com a minha filha

A história

Há vinte anos o mundo era atacado por um vilão chamado Blowjob e só por esse nome vocês já devem imaginar o conteúdo da narrativa^^. Encarregada de proteger o mundo, a organização de defesa N.U.D.E contava com uma heroína extremamente bela e forte chamada apenas de “Oitava maravilha da mundo”. Essa heroína, com seus sete poderes especiais, derrotou Blowjob e desapareceu, não sendo mais vista desde então. Nas lutas, Blowjob constantemente assediava sexualmente a Oitava maravilha de todas as maneiras possíveis, de modo que ela acaba combatendo o inimigo aos prantos em todas as lutas, tamanho o constrangimento que passava.

Agora a Oitava maravilha retornou para acabar novamente com Blowjob que aparentemente reapareceu  bem mais forte do que antes. Entretanto, a Oitava maravilha não envelheceu e parece a mesma garota juvenil de vinte anos atrás.

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Não se tratava, contudo, da mesma pessoa e Atena Haruka, a Oitava maravilha original, descobre que a novata é Clara, a sua filha. Atena, então, reencontra a N.U.D.E e, escondida da filha, começa a batalhar novamente e dar suporte para a luta de Clara, tudo para evitar que sua única herdeira sofra os mesmos constrangimentos (eróticos, sexuais) que ela sofrera na batalha de vinte anos atrás.

Desenvolvimento

Não mexa com minha filha! pode ser definido como uma história de luta do bem contra o mal, com inúmeras situações picantes. Nos primeiros capítulos você chega a pensar de que se trata de um hentai típico, tamanho o número de “situações sexuais” presentes na obra. Em um momento, um braço de robô viram tentáculos e começam a assediar Atena; em outro uma planta passa a controlar mulheres em busca de “Sextasy” (uma substância da história soltada pelas mulheres quando têm orgasmos); em mais um outro é o orgasmo de Atena que salva as pessoas, etc.

Entretanto, o mangá possui esses elementos mais como forma de humor do que como erotismo. Ou melhor dizendo, é uma mistura do humor com o erótico. Se, em um momento, você vê a planta inimiga assediando Atena e fazendo ela ter um orgasmo, no outro você está achando a situação bizarra (e engraçada) por ter sido exatamente isso que derrotou o inimigo.

A verdade é que Não mexa com minha filha! está cheio de cenas meticulosamente feitas para mostrar o corpo feminino ( o que por si só já deve afastar muitos leitores), entretanto não chega a ter uma cena de sexo (totalmente) explícita. As cenas sexuais meio que não estão lá como forma de prazer e sim para mostrar o constrangimento daquelas situações.

Todavia, após algumas dezenas de páginas a história começa a se desenvolver melhor  e o erotismo diminui, ainda que esteja presente aqui e ali. Na trama há um mistério envolvendo o pai de Clara (supostamente morto), e os inimigos se movem para tentar capturar a Oitava Maravilha ou saber sua verdadeira identidade.

Fora isso o mangá também melhora em comédia. O humor torna-se interessante ao ponto de nos fazer gargalhar em alguns momentos. E é impossível não destacar os dois enxertos abaixo:

2 fa de sailor moon

Na imagem acima você vê Clara (a nova Oitava maravilha) fazendo um discurso (à lá Sailor Moon) para um vilão que ela pretende destruir. Mas notem a cara de perplexo dele. O vilão acha estranho a heroína fazer um discurso antes de começar a lutar e ele dá a seguinte lição:

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Não, Clara, os vilões não irão te esperar…

Nota-se, obviamente, o quão clara Clara é uma heroína avoada e extremamente ingênua. Ela entrou nessa vida de super-heroína meio que por acaso, mas parece não ter muita experiência de vida.

Cenas como essa acima fazem a obra ter um charme a mais e vermos que ela não é só o erotismo puro e simples, pois nos oferece cenas de humor das boas. Não faz o mangá tornar-se a melhor coisa do mundo, mas faz ele ter mais relevância e passa a ser uma opção clara de compra entre uma certa parcela do público.

Deméritos

A edição de texto da Alto Astral está mediana. Em apenas uma leitura encontramos vários erros de revisão explícitos, sendo a maioria deles de letras trocadas (um “Qie” em vez de “que”, por exemplo), além de um balão não traduzido e uma má diagramação em alguns balões. Nenhum desses erro chega a incomodar realmente, mas não deveriam acontecer de jeito nenhum.

onomatopeia 2
Atena em posição constrangedora. E o balão não traduzido…

Fora isso, nenhuma das onomatopeias do mangá possuem tradução (se não me engano isso é uma regra dos mangás da Alto Astral), o que é um demérito muito grande para quem presta atenção nesses aspecto da arte do mangá. Se você não as lê não encontrará problemas nisso.

Veredicto

Esta resenha foi feita baseada na versão digital disponibilizada pela editora Alto Astral no Social Comics. Então não falamos absolutamente nada sobre papel, encadernação e outras coisas que não fazem diferença para uns, mas que são essenciais para outros. Comentando “apenas” pela história será que vale a pena?

O mangá terá três volumes ao todo e custa R$ 16,90. A primeira edição possui 160 páginas. Com tantos mangás saindo fica difícil arriscar em uma nova série um tanto quanto desconhecida assim do nada, então é preciso pensar bem sobre a aquisição desse mangá. De um lado Não mexa com minha filha! possui uma história interessante e divertida, que não é a oitava maravilha do mundo (sem trocadilho com o nome da personagem), mas consegue agradar. De outro há um excesso de erotismo que tende afastar muitos leitores, sem contar os erros de revisão.

Entre pontos e positivos e negativos, o fato é que essa obra é apenas para passar o tempo. Não é um lixo de história, mas também não é grandiosa, então eu digo que só vale a compra para quem gosta de hentais, ecchis e todo tipo de histórias que envolvem situações sexuais. Para os demais há outras obras por aí sendo lançadas que agradarão muito mais…

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BBM

20 Comments

  • Bruno

    Esse mangá é engraçado, só ler o Review já é engraçado

    estou pensando seriamente naquilo que já comentei, esperar sair um box com os 3 volumes

  • Roses

    Tem uns erros no enxerto também… “não faz em” me entalou totalmente para ler, não tava entendendo… Tem mais um obvio (óbvio), uns que que deveriam ser quê, etc. A tradução também tá tão travada… “Não é uma coisa de uma pessoa dessa época”, que fala esquisita… Algo como “Não é coisa que se faça hoje em dia” não seria muito melhor? Ou será que eu que estou velha e não consigo acompanhar as novas tendências (?)

    Mas o que mais me irritou foi a fonte tipográfica toda em caixa alta, credo.

    • Ao menos comparado a outras obras da alto astral, até que a fonte parece estar menos pior. Ler Omega Complex é o maior desafio para as vistas!! Mesmo com vista boa!!

  • Gente do céu, se isso ainda tinha alguma chance mínima de entrar na minha coleção, agora desapareceu completamente após ver essas cenas bizarras e os problemas apontados.

    Achei interessante a piada com o vilão, eu gosto muito quando algumas obras quebram essa “barreira do padrão”, ou utiliza piadas que satirizem outras obras.

    Porém realmente não dá, mesmo com piadas inteligentes, eu não consigo suportar obras que apelem para esse erotismo exagerado e (para mim) bagaceiro. A roupa tinha que ser tão cavada na parte de baixo? E aquela cena com os tentáculos?

    Sério, até hoje não entendi essa tara dos japoneses com tentáculos. Eles realmente gostam disso? É nojento.

    • A tara dos japoneses por tentáculos foi devida a represação seual que eles sofreram pelas mãos dos ocidentais cristãos no início da Era Meiji, salvo engano, no qual se tornou tabu “o pênis”.
      Quando se começou a popularizar os mangas eroticos acabava que desenhar pênis era tido como ofensivo, para diblar isto um tiozinho (acho que é o que vez o manga que deu origem ao filme A Lenda do Demônio, coisa fina – é bom, sério mesmo, cmo filme de horror, passava na Band) resolver substtiuir o pênis por tentáculos monstruosos.

  • Avisando: Cabei de ver o mangá na banca. NÃO É OFFSET.
    E pensem num manga fino, mas tão fino que parece meio tanto e dois dele dariam a grossura da nova versão de FMA!! É tenso a parada!

    • Fabio Rattis

      eu vi na banca esses dias aquee Pen Dragon, é a mesma coisa. Fino q parece um gibi do tio patinhas. sem zueira kkkk tranqueira.

    • Nossa…
      Do jeito que a Alto Astral é, eu nem duvidaria que eles fizeram uma versão digital completa e uma versão física com menos páginas. Que coisa.

      Esperando chegar em minha cidade ou alguém postar fotos na Internet…

    • SIRIUS BLACK

      Sério? Putz… É cara demais um mangá desses impresso em papel jornal pelo preço que está sendo vendido. Desta forma, é preferível mesmo esperar que seja lançado um box e com um preço razoável que compense a compra. Porque assim realmente não dá!

      • Sei não… pode talvez parecer fino por ser um papel de bun… digo, papel jornal de baixa gramatura…
        Na página da editora diz que o mangá é de 160 páginas.

  • Fernando7321

    Considerando que a editora faz as coisas pensando apenas em produzir um material bacana pro publico brasileiro, sem muita verba para super produções, bem no estilo “editora de garagem” acho que da pra relevar esse erros, não é todo dia que vemos esse tipo de produção de autor brasileiro, além do mais, são apenas 3 edições mesmo.

  • Eu gostei muuuuito da arte, e a história é constrangedoramente boa. Li na SOcial Comics e depois comprei a versão física. Gostei bastante, mas a tradução/adaptação está PÉSSIMA! Parece que foi um muleque de 10 anos que traduziu isso

  • Bruno

    Volume 2 e 3 nao existem nem no Japão ainda. Acho que o autor deu um tempo…

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