Retrospectiva 2017 – O ano que teve de mangás digitais a mangás em capa dura

Um ano muito bom…

O ano de 2017 trouxe muitas coisas interessantes ao mercado de mangás no Brasil, muitas delas até impensáveis pouco tempo atrás. Quando este blog começou em 2015, ninguém sequer imaginava que estivéssemos minimamente perto de ter mangás digitais, mangás com sobrecapa e mangás com capa dura em nosso país. Entretanto, em 2017 esses produtos já se tornaram uma realidade. Vejamos mais de perto^^.

  • MANGÁS DIGITAIS

Em 2016 já havíamos tido alguns mangás digitais no Brasil – como os hentais da Alto Astral distribuídos no Social Comics – mas foi em 2017 que eles começaram a aparecer um pouco mais, ainda que esse pouco mais seja bem pouco. Inicialmente, a editora Conrad disponibilizou algumas edições de seu mangá Gen Pés Descalços na plataforma Social Comics, dando esperanças de que outros mangás, de outras editoras tivessem o mesmo caminho.

Entretanto isso não se concretizou e acabamos descobrindo que será um tanto quanto difícil de acontecer a curto prazo. A JBC queria ter uma plataforma própria em que as pessoas pagassem uma mensalidade e pudessem ter acesso a várias obras, porém essa ideia não foi para frente porque os japoneses ainda estão céticos quando a esse tipo de negócio. Felizmente, a JBC contornou a situação e transformou o plano B (venda de mangás digitais) em plano A e começou a vender seus primeiros ebooks, quase todos eles da Kodansha. A ideia da editora é ampliar o catálogo digital ao longo do tempo.

Obviamente, agora que uma editora “grande” conseguiu lançar mangás digitais as chances de as outras seguirem o mesmo caminho são bastante altas. Resta esperar e ver se isso se concretiza. Para saber quais mangás digitais estão disponíveis, clique aqui.

  • MANGÁS EM CAPA DURA

Se a gente fica feliz com mangás digitais, também ficamos felizes com mangás em capa dura^^. Em dezembro de 2016 com a publicação do primeiro volume do kanzenban de Cavaleiros do Zodíaco pela editora JBC, tivemos o primeiro mangá em capa dura do Brasil, abrindo caminho para futuras publicações com esse formato.

Em 2017, foram lançados mais 6 volumes do kanzenban pela editora JBC, mas não parou por aí. Outra editora, a Darkside Books publicou um mangá em capa dura, Fragmentos do Horror, de Junji Ito. Quem iria imaginar dois mangás em capa há alguns anos? E não para por aí. Em 2018, a editora Veneta publicará o mangá Ayako, de Osamu Tezuka, também com esse acabamento.

Em outras palavras, o mercado brasileiro de mangás finalmente ganhou uma abertura para esse tipo de publicação. Até então, apenas grandes mercados como França, Itália, Alemanha e Estados Unidos haviam ganhado mangás com esse tipo de acabamento.

Obvia e claramente isso não se tornará um padrão do mercado e as três obras mencionadas são exemplos claros disso. Cavaleiros do Zodíaco já teve várias edições no Brasil e, mesmo assim, ainda é um sucesso de vendas. Uma versão em capa dura, portanto, era a coisa mais natural de se acontecer em algum momento. Fragmentos do Horror, por sua vez, veio por uma editora de livros que atualmente só publica obras em capa dura. Então ele só veio nesse formato porque veio por essa editora. Ayako é quase a mesma coisa. Ele vem por uma editora novata no ramo dos quadrinhos (nasceu em 2012) e que gosta de acabamentos luxuosos.

A não ser que exista alguma surpresa, futuros mangás em capa dura devem seguir exatamente esse tipo de padrão, uma obra de sucesso que já ganhou diversas versões ou mangás que sairão por editoras que prezam mais pela qualidade física e, consequentemente, preço mais elevado.

  • MANGÁS COM SOBRECAPA

Em fins de 2016, a publicação de Blame! e The Ghost In The Shell fez o Brasil ter novamente mangás com sobrecapa após muito anos de ausência. O que parecia ser algo isolado, continuou a acontecer em 2017 com outra obras. A JBC lançou três títulos com esse acessório, Akira The Ghost In The Shell – Perfect Book e The Ghost In The shell 2.0. Mas isso não se restringiu à JBC. A NewPOP publicou Great Teacher Onizuka e, por fim, a editora Devir, novata no ramo de mangás, publicou O homem que passeia e The Ancient Magus Bride.

Sobrecapa completa

Ainda é um número baixo de publicações, mas 2017 foi o melhor ano nesse quesito. Nunca tivemos seis obras a serem lançadas com sobrecapa no país. A expectativa agora é que em 2018 isso não pare^^.

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Um comentário

  1. Mangá vir em um acabamento excepcional como foi “Fragmentos do Horror”, “Akira” e “Great Teacher Onizuka” é de se louvar. E pensar que a história de sobrecapa começou lá na década passada com a finada Conrad e só recentemente retornou com tudo. Só espero que as editoras consigam chegar em um meio termo que se adeque a um preço que seja justo e também com um acabamento de primeira. Porque o que eu estou sentindo é que no momento atual estamos passando por um período de “testes” e “experimentos”. Espero futuramente não ver absurdos como o caso do preço da “Ayako” e nem papel jornal como no caso da Panini, há de se adaptar até chegar em um consenso. E seria interessante se o mangá digital viesse justamente para suprir a demanda daqueles que não possuem condições financeiras de adquirir uma versão de luxo ou para aqueles que estão esperando eternamente pela reimpressão dos volumes em falta. De toda forma, fica registrado o meu devaneio utópico aqui.

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