Mercados Internacionais: os mangás publicados no México em 2019

Se, por ventura, você ainda não sabe, o mercado mexicano de mangás é emergente e com um crescimento intenso, ano após ano, impulsionado, sobretudo, pela presente da uma grande editora europeia, a Panini. No passado, até existiam editoras que publicavam mangás, mas entre falências e descontinuações, praticamente inexistia um mercado mexicano de mangás, até que em 2014, a Panini entrou no mercado e não parou de crescer desde então.

O México iniciou 2019 com três editoras de mangás, a Panini sempre dominante, a Kamite, sua principal concorrente, e a Smash, do grupo Televisa, que vinha para tentar um filão desde 2018. O ano, porém, terminou com apenas duas. Em meados de 2019, a Smash deu uma pausa em suas atividades e demitiu todos os funcionários. Com isso, algumas obras ficaram no limbo como Haikyuu! (que permanece inédito na América Latina como um todo) e D.Gray-Man. A editora disse que não era o fim, mas até o momento não retomou suas atividades. Os ex-editores da Smash, por outro lado, disseram que tentariam formar uma nova empresa, mas isso é um passo para o futuro e por ora não tem previsão.

Apesar da retirada de uma empresa, 2019 foi o ano mais intenso do mercado mexicano. Ao todo foram 616 volumes de mangás, divididos por 122 séries diferentes. A título de comparação, em 2014, quando a Panini entrou no mercado, foram lançadas 62 volumes de mangás divididos por 14 séries diferentes.

Gráfico 1. Número séries diferentes no México, em 2014 e em 2019. Fonte dos dados: Mis Comics.

Outro dado importante é que em 2017, quando o mercado já estava mais consolidado, foram lançados no México cerca de 390 volumes de mangás. Na época até fizemos uma postagem comentando que em 2018, o mercado mexicano iria superar o brasileiro em número de publicações, o que efetivamente ocorreu. O número em 2019, por exemplo, é muito maior do que era dois anos atrás.

Gráfico 2. Número de volumes de mangás lançados no México em 2014, 2017 e 2019. Fonte dos dados: Mis Comics e Blog BBM.

Ainda nesse tópico, vale comentar que em 2014, quando a Panini entrou no mercado só havia uma série que estava em publicação de anos anteriores, Hellsing, pela Kamite. Agora em 2019, havia 69 obras que estavam em publicação de anos anteriores, enquanto 53 novas começaram a sair no ano.

Falando especificamente sobre as editoras mexicanas em 2019, a Smash – antes de interromper suas atividades – teve apenas seis volumes de mangás publicados durante o ano, todos eles de GTO. Ela publicou do volume 17 até o 22, ficando a três de concluir a obra.

Como ela paralisou suas atividades, existe uma incógnita se ela vai concluir ou não o título em anos futuros. O único mangá completado pela empresa foi Battle Angel Alita, ainda em 2018. Já as obras anunciadas pela empresa são Battle Angel Alita – Last Order, Claymore, D.Gray-Man, Full Moon O Sagashite, Haikyuu! e NANA.

Desses títulos todos, existem rumores de que Claymore foi adquirido pela Panini mexicana, mas ainda não foi confirmado.

A Kamite, por sua vez, lançou 45 volumes de mangás, divididos por 19 séries diferentes. Apesar do número baixo, foi um ano de expansão na empresa nesse meio, com o início de publicação de 11 obras novas, duas das quais volumes únicos.

Os títulos que começaram a sair pela Kamite foram Guerreiras Mágicas de Rayearth, Aku no Hana, Clover, O Jardim das Palavras (volume único), Trinity Seven, Atrail, Akashic Records, Citrus, O Neto do Sábio, Kuroha e Nijisuke (volume único) e Konosuba. A empresa não completou nenhum mangá durante o ano.

Por fim, além dos quadrinhos japoneses, a Kamite iniciou a publicação de light novels em 2019, com a obra Sou uma Aranha (Kumo Desu ga, Nani ka?). Foram lançados dois livros durante o ano.

Por seu turno, a Panini foi inapelável e publicou 565 volumes de mangás, divididos por 102 séries diferentes. Dessas 102 séries, 60 já estavam em publicação, enquanto 42 foram novidades durante o ano.

Um dado interessante é que das quarenta e duas novidades, apenas cinco não estão licenciadas no Brasil até o momento: City Hunter, AtomHana no Kedamono, Ilha de Cachorros (volume único que a empresa lançou em capa dura) e Jojo’s Bizarre Adventure – Parte 4: Diamond Is Unbreakable. A empresa também começou a publicar As Quintuplas em 2019, mas esse foi anunciado no final do ano por aqui e sairá também pela Panini em 2020.

Além de lançar vários títulos, a editora também concluiu alguns durante o ano, um total de 20 séries, sem contar os volumes únicos. Cinco se iniciaram em 2019 foram concluídos ainda durante o ano, como Re: Zero – Capítulo 2 e O Marido do Meu Irmão, enquanto 15 eram obras de anos anteriores. Dos que acabaram, Love Stage e Home Sweet Home foram os únicos a não estarem licenciados no Brasil.

Além dos mangás japoneses, a Panini mexicana também publicou um volume de mangá chinês (Ultramarine Magmell #01), quatro volumes de mangás franceses (Radiant #01 a #04), seis volumes de light novels (Overlord #01 a #05 e Death Note – Another Note), quatro databooks (Berserk Guia Oficial, Ataque dos Titãs – Inside, Ataque dos Titãs Outside e Ataque dos Titãs – Answers) e seis volumes de mangás americanos, todos eles da franquia Warcraft.

***

Nem tudo são flores, obviamente. Por lançar tantos mangás, há sempre reclamações de erros nos volumes da Panini aqui e ali. Além disso, um ponto importante e que é levantado por alguns leitores, é que a editora começou a utilizar traduções espanholas em alguns mangás, por meio de uma empresa chamada Daruma. Para piorar a situação, os leitores mexicanos também têm reportado que a Panini está reutilizando traduções espanholas de mais de quinze anos atrás. Não existe nada de errado nessa prática desde que se pague pelas traduções, o problema é que isso incomoda os leitores mais aficcionados, que desejariam ver algo próprio, mexicano e atual. Acaba sendo uma medida de economia e que não gera empregos no México.

Importante esclarecer que embora seja o mesmo idioma falado no país, não é a mesma coisa uma tradução mexicana e uma tradução espanhola, pois há trejeitos que são diferentes entre os dois países, de modo que causa um certo desconforto em alguns leitores, ainda que não sejam a maioria.

Mas existem as partes boas também. Em primeiro lugar, o uso de sobrecapa se tornou mais comum na terra do Chaves e do Chapolin. Até então, esse item era raro e quem mais usava era a concorrente, a Kamite. Além disso, ela fez formatos ousados, como um Dragon Ball – Kanzenban em uma edição grandona, do mesmo tamanho de uma Shonen Jump, e um mangá em capa dura e com sobrecapa, o Ilha de Cachorros, formato que seria repetido no Brasil no Monster.

Fora isso, a empresa está começando a usar offset na maioria de seus títulos. Uma das reclamações constantes dos consumidores mexicanos era em relação ao papel, visto que eles não gostavam nada do papel creme/amarelo. A editora começou a usar o “branquinho” em alguns títulos e no final do ano, ela comentou em suas redes sociais que a maioria dos títulos sairiam nele a partir de agora. Foi praticamente a mesma coisa que aconteceu no Brasil, com a diferença de que a Panini deixou de usar o papel jornal, devido às diversas reclamações, para começar a usar o offwhite, um papel “cremeado”, bem melhor que o anterior, mas não branco com o offset.


A seguir, você verá a lista com todos os mangás lançados no México em 2019, por todas as editoras. Como será possível notar, a grande maioria deles já sai, já saiu ou sairá no Brasil em breve.

Para 2020 estão programados:

  • Caçando Dragões (Panini)
  • Demon Slayer (Panini)
  • Edens Zero (Panini)
  • Granblue Fantasy (Panini)
  • Origin (Panini)
  • Rurouni Kenshin (Panini)
  • Sem Saída (Panini)
  • To Your Eternity (Panini)
  • Yu Yu Hakusho (Panini)

Existem rumores de que a Panini também publicará no México a light novel The Last: Naruto The Movie, e os mangás Atelier of Witch Hat, Bakemonogatari, Claymore, Fruits Basket, Cowa!, e The Gods Lie. Entretanto, esses títulos ainda não foram anunciados pela empresa.

Para terminar, em meados de 2019 surgiram rumores de que a Planeta Cómic começaria a publicar mangás no México. De fato, alguns mangás chegaram ao país, mas eram títulos importados da Espanha, então não fazem parte efetivamente do mercado mexicano de mangás, por isso não contamos com eles.


Essas são as informações sobre o México que a gente conseguiu levantar. Os dados foram obtidos por meio dos sites e das redes sociais das empresas, bem como sites catalogares como o Manga México e o Mis Comics.

2 comentários

  1. Kumo Desu ga… esse é um titulo que queria muito ter. Essa versão mexicana me interessou bastante. Overlord está no volume 5 lá… Ansioso para ler o volume 2.

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