Mercado mexicano de mangás pode superar o brasileiro em 2018

Em número de publicações…

Os números deixam bem claro, não é só o mercado espanhol que está em crescimento, o mercado de mangás no México também está em franca expansão, uma expansão bem mais acelerada e acentuada do que imaginávamos no início do ano passado. Em 2017, foram lançados por volta de 390 volumes de mangás no México, dando uma média de 32 volumes por mês. Em 2016, essa média havia sido de 27, conforme falamos em uma matéria de março do ano passado.

Se formos ver apenas o segundo semestre de 2017, a média mexicana sobe para 34,6 tomos ao mês. Trata-se de um salto relativamente grande de um ano para o outro, o que faz crer que esse mercado – ainda novo – tem poder de crescer ainda mais, embora não seja possível prever até quando.

Cavaleiros do Zodíaco – Episódio G, versão mexicana…

Anteriormente já se havia publicado mangás no México, mas a antiga maior editora, a Vid, acabou sumindo deixando várias séries inacabadas no país. O atual boom de quadrinhos japoneses por lá começou por volta de 2014 quando a editora Panini começou a lançar mangás na terra do Chaves e do Chapolin. E o crescimento foi espantoso de rápido, com a filial da empresa italiana tendo investido pesado no país ao ponto de dominar praticamente 99% do mercado.

A Panini só tem uma concorrente no país, a Kamite, uma empresa que já existia antes do estabelecimento da italianinha por lá, mas que é conhecida por sua inconstância e lançamento muito espaçados, quase como a NewPOP. Não à toa, a Panini domina o país.

Para 2018, porém, a Kamite tem títulos de peso anunciados como Card Captor Sakura, Tsubasa Reservoir Chronicle, XXX Holic Prison School. Se a empresa fizer publicações regulares e a Panini continuar o seu investimento, 2018 será novamente de expansão no mercado mexicano de mangás. Caso se concretize esse aumento, provavelmente o mercado mexicano se tornará maior do que o brasileiro em número de publicações já em 2018.

Imagem do anúncio de Sakura para 2018 no México

Não é possível prever como será o nosso mercado durante este ano, mas nada leva a crer que será de grande expansão, visto o histórico dos anos anteriores, com aumento apenas leve e gradual, como comentamos em uma postagem anterior. Além disso, considerando que em 2017 tivemos 395 volumes publicados, contra 390 do México não será preciso muito esforço para o mercado mexicano superar o brasileiro neste ano.

Outra perspectiva

É preciso entender que isso é apenas uma curiosidade e que são só números. Ser ultrapassado pelo mercado mexicano não interfere em nada no mercado brasileiro. Tampouco, significa que o mercado mexicano tenha mais variedade do que o nosso. Por ser um mercado recente, quase tudo o que se publica no México já foi ou está sendo lançado no Brasil.

É claro que no México há títulos hoje impensados no Brasil como Rinne e Captain Tsubasa, mas de modo geral o mercado brasileiro de mangás possui algumas aberturas que o mercado mexicano ainda não tem. Aqui, por exemplo, se publica light novels, mangás em capa dura, mangás digitais, etc, enquanto lá não tem nada disso ainda.

Captain Tsubasa, da Panini México

O que precisamos no Brasil (mais shoujos, joseis, comédias slice of life, mangás clássicos, etc) o México também precisa, então estamos muito parecidos nesse sentido. Ou seja, mesmo que o mercado mexicano supere o brasileiro em número de lançamentos não existe qualquer razão para aquele velho alarmismo de achar o Brasil o pior lugar do mundo. Obviamente, se o mercado mexicano seguir em crescimento, a longo prazo ele pode sim ter bem mais variedade do que o nosso país, mas no momento estamos iguais.

Por ora, o que poderemos tirar de lição caso esse aumento se concretize é que apesar de ser um país mais pobre do que o Brasil e de ter um dos menores salários mínimos da América Latina, o México está passando por um melhor momento econômico e possui um público leitor – com um bom poder aquisitivo – provavelmente maior do que o Brasil.

Ainda assim, por não morarmos no México e não termos muito contato com o país, trata-se de uma completa incógnita para nós os motivos específicos desse crescimento grandioso do mercado em tão pouco tempo. Será que o público otaku de lá é maior do que aqui? Será que ainda passam animações japonesas na televisão mexicana que façam alavancar as vendas de mangás? Nada disso sabemos no momento…

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Obs (1): Os dados aqui apresentados foram obtidos por pesquisa realizada por nós no site Manga México e na página das editoras mexicanas.
Obs (2): Os dados do mercado brasileiro foram obtidos por pesquisa própria junto ao banco de dados do Guia dos Quadrinhos. Os números não incluem light novels, databooks e mangás de outras nacionalidades.
Obs (3): A respeito do público leitor mexicano com poder aquisitivo ser maior do que o Brasil dissemos “provavelmente”, pois não existem dados de vendas e tiragem nem no Brasil, nem no México, de modo que não dá para saber se as vendas por lá são maiores do que aqui. É claro que se há um investimento pesado no México e uma ampliação de catálogo ano a ano é porque tem gente para comprar, mas não necessariamente se vende mais lá do que aqui. Talvez vender 5000 unidades por volume seja o suficiente para gerar mais investimento de uma editora em um país, ao passo que em outro país sejam necessários 10000 unidades por volume. Isso acontece frequentemente no mundo dos livros e no mundo dos mangás não deve ser diferente…

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Estamos fazendo algumas postagens de retrospetiva 2017. Caso queira ler todas elas, clique aqui.

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5 Comments

  • Guilherme

    Kyon achei interessante a forma como fez essa matéria, vc foi bastante sensato, apresentou um dado NUMÉRICO, só isso!O Brasil nesse caso se encontra na mesma situação que a Espanha alguns anos atrás.Quando superamos a Espanha em número de lançamentos mensais, não quer dizer que superamos eles como mercado.Nós nãotínhamos(e ainda não temos) a diversidade de títulos e gêneros da Espanha, a quantidade de editoras ativas que tem lá, a variedade de publicações(artbooks, guidebooks, etc) de lá e não temos a diversidade de formatos do mercado espanhol.Ou seja, apesar de superarmos eles em lançamentos mensais, não nos tornamos um mercado maior que o espanhol!!!Pra mim, o que define um tamanho de um mercado são vários fatores, eu particularmente acho que a diversidade, tanto de títulos como de empresas, é o grande diferencial, quantas editoras existem na França por exemplo, nos EUA, aquilo sim é diversidade, aquilo sim é ter mercado, não acha?

    • Não sei dizer, sinceramente.

      Geralmente o número de publicações é um indicativo da grandiosidade de um mercado e isso faz com que exista diversas editoras. O México é um caso totalmente à parte em que praticamente não tem concorrência e mesmo assim se está publicando muito e do nada. É um mercado para se ficar de olho, analisar melhor e ver para onde vai.

      Sobre o mercado espanhol teríamos que ver mais de perto. Sei que se publicou alguns artbooks na Espanha anos atrás e tal, mas teria que ver adequadamente 2013 e 2014 para saber como estava o mercado naquela época e o que se publicava naquela época. Veja que algumas das principais editoras alternativas da Espanha surgiram só em 2014 e isso explica uma parte do crescimento da Espanha em 2015. Talvez até em variedade, o mercado brasileiro tenha sido maior do que o espanhol em 2013-2014, mas como eu disse teria que analisar…

  • Roses

    “as que é conhecida por sua inconstância e lançamento muito espaçados, quase como a NewPOP.” XDDDDDDDDDDDDDDD

  • Roses

    “Não é possível prever como será o nosso mercado durante este ano, mas nada leva a crer que será de grande expansão, visto o histórico dos anos anteriores”, vale lembrar que a Beth falou que a Panini ia dar uma cortada no boom deles, não foi? Sendo a Panini quase 50% do mercado atual, aumento não deve ter.

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