[CURIOSIDADE] E quando um mangá muda de editora…. no Japão.

Texto publicado originalmente em 8 de junho de 2015
Republicado em 13 de abril de 2018
Atualizado em 25 de novembro de 2019

Muito tempo atrás, no dia 8 de junho de 2015, ainda nos primórdios deste blog, publicamos esta postagem que você está lendo agora. Na ocasião listamos cinco obras que mudaram de editora no Japão, com um deles até alterando o público alvo original e outros tendo impacto na publicação no Brasil.

Por ser uma postagem muito interessante e que merece ser vista por quem só conheceu o blog agora, resolvemos retirá-la do ar por um tempo, reformulá-la e acrescentar outros dois títulos à lista (Shaman King e Gunnm) de modo a torná-la mais ampla e atual. Agora ela volta a ser publicada e você pode ler ela na íntegra. Venha conhecer 7 mangás que mudaram de editora no Japão.


TRIGUN

Publicado originalmente entre 1995 e 1997 na revista Shonen Captain, da editora Tokuma Shoten, o mangá Trigun, de Yasuhiro Nightow, gerou três volumes encadernados, até que a revista foi descontinuada. Com o fim da revista, a continuação do mangá, agora chamada Trigun Maximum, foi parar na revista Young King Ours, de uma outra editora, a Shonen Gahosha, e ficou lá até ser concluído. Posteriormente os volumes originais de Trigun foram relançados pela Shonen Gahosha em uma edição compilada em dois volumes.

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O incrível dessa mudança foram os problemas causados aqui no Brasil. A Panini licenciou a versão da Shonen Gahosha de dois volumes, só que ela – a Panini – desejava que os dois tomos fossem divididos e virassem 4 edições. E assim ela o fez e lançou os dois primeiros volumes. Aí veio o problema.

O licenciante exigiu que a Panini respeitasse o número de volumes originais. Não há muitas informações sobre o porquê de ter havido esse problema, mas o fato é que a Panini cancelou a primeira publicação e voltou a lançar Trigun dessa vez em dois volumes. Para o consumidor, porém, as coisas não foram tão boas assim.

Essa versão trazia páginas inéditas, de modo que não bastava a você comprar apenas o volume 2 da nova edição para ter a história completa e obviamente isso gerou um grande descontentamento por parte de quem comprou a primeira leva. A Panini chegou a anunciar um recall (leia aqui), entretanto, o período para troca foi tão curto que quase ninguém ficou sabendo.


TOKYO TOY BOX

Publicado na revista seinen Weekly Morning, da editora Kodansha, o mangá Tokyo Toy Box, de UME, teve um total de dois volumes encadernados antes de seu fim. No entanto, a obra, assim como Trigun, acabou ganhando uma continuação, mas mudou de revista e de editora, indo para a Comic Birz, da Gentosha. Vale dizer que além de publicar a continuação, a Gentosha também relançou os dois volumes outrora publicados pela Kodansha.

No Brasil, o mangá teve um volume publicado pela editora Savana. Dado o histórico de que a Kodansha raramente licencia suas obras para editoras novatas, o licenciamento da obra no país só aconteceu porque a editora Gentosha é mais leve nesse sentido. Se bem que isso não é muito vantagem, pois como vocês devem lembrar, Tokyo Toy Box acabou cancelado…


ANGEL 

O mangá Angel, de U-jin, foi outro a mudar de editora no Japão, mas dessa vez por questões complexas. Inicialmente, ele foi publicado na revista seinen Young Sunday, da editora Shogakukan, mas uma série de controvérsias fizeram a obra ser cancelada e migrada.

O mangá era apresentado como uma paródia erótica da aclamada e hoje clássica série Kimagure Orange Road e retratava a vida de colegiais em várias situações eróticas. Nada muito fora do normal até aí, mas por volta de 1990, uma localidade do Japão viveu uma série de casos de sequestros e assassinatos de jovens e um pânico tomou conta de parte da população. Nisso muitas obras foram acusadas de estimular esse tipo de violência, e entre elas estava Angel. A obra foi afastada por um tempo da revista em que era serializada por pressão da associação de pais e mestres e, após seu retorno, o conteúdo sexual acabou sendo diminuído, mas isso não evitou o banimento da obra um tempo depois.

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Posteriormente, o mangá voltou a ser publicado pela editora Cybele e para evitar qualquer problema, a obra foi reclassificada como “seijin”, termo que, embora signifique apenas “adulto”, acaba sendo usado geralmente para segregar uma obra de caráter sexual, como os “Hentais” e “Ero-Guro” ou qualquer coisa que seja considerada indevida.

No Brasil, o mangá foi lançado na década de 1990 por duas editoras diferentes, a Ninja (que o chamou de Angel, seu título original) e pela Nova Sampa (que o chamou de Japinhas Safadinhas). Ao que consta nenhuma das duas versões foi oficialmente licenciada. Isso foi muito comum no início da década de 1990, com vários hentais tendo sido lançados no Brasil sem licenciamento, muitos deles sem qualquer registro de sua existência por aqui.

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KOBATO

O mangá Kobato, do grupo CLAMP, também teve mudança de revista. Inicialmente ele foi publicado a partir de 2005 na revista mensal Sunday Gene-X, da editora Shogakukan, e ao todo foram lançados 7 capítulos nessa revista até que a obra parou de sair…

O mangá entrou em hiato e só foi ser retomada mais de um ano depois só que em outra revista, de outra editora. Kobato foi para a revista especializada em animes e mangás NewType, da editora Kadokawa Shoten, e nela foi publicada até o fim. Não encontramos nenhuma informação precisa sobre o motivo da mudança de revista e de editora.

No Brasil, o mangá foi publicado pela editora JBC.


ORANGE

De shoujo para seinen. Orange, de Ichigo Takano, é um mangá que começou a ser publicado na revista shoujo Bessatsu Margaret (ou betsuma, como também é conhecida), da editora Shueisha. Entretanto, após a publicação do nono capítulo o mangá entrou em hiato e não voltou mais. Não existem detalhes confiáveis e precisos do que aconteceu entre a autora e a editora para que a obra fosse paralisada.

Quando quase ninguém acreditava que Orange pudesse ser continuado, a obra voltou a ser lançada, mas na revista Manga Action, da editora Futabasha. O detalhe interessante é que a Mangá Action é uma revista seinen (voltada para homens jovens adultos). Apesar da mudança de demografia, o mangá não teve uma alteração abrupta e continuou do mesmo jeito que era antes.

Dois volumes de Orange tinham sido publicados pela editora Shueisha e, quando o mangá foi para a Futabasha eles foram relançados com outras capas. Acima você pode ver à esquerda a capa de Orange shoujo (Shueisha) e à direta a capa de Orange seinen (Futabasha).

No Brasil, o mangá foi publicado pela editora JBC.


Battle Angel Alita

Battle Angel Alita foi mais um mangá a mudar de editora no Japão. Ele e suas continuações Last Order e Mars Chronicles hoje estão sob “posse” da editora Kodansha no Japão. Anteriormente, a casa era a Shueisha. O motivo da mudança foi uma divergência do autor com a editora.

Yukito Kishiro estava produzindo mais um capítulo de Alita Last Order quando a Shueisha resolveu lhe pedir que mudasse alguns termos para uma nova edição do Alita original. O autor fez as alterações, mas não gostou nada da situação, colocou Last Order em hiato e entrou em litígio com a editora. O caso não foi solucionado a contento e Kishiro levou todas as suas obras para a Kodansha. Falamos mais detalhadamente deste caso em uma outra matéria. Você pode ler, clicando aqui.

No Brasil, o mangá foi publicado pela editora JBC em duas oportunidades, a primeira sob o título de Gunnm (romanização do nome original) e a segunda com o título de Battle Angel Alita.


SHAMAN KING

O caso mais recente desta lista é Shaman King. Em fins de 2016, o autor Hiroyuki Takei entrou em litígio com a Shueisha e, após alguns meses, conseguiu se desvencilhar da empresa e levou suas obras para a Kodansha. Devido a alguns registros em sites americanos e japoneses sabe-se que pelo menos desde julho de 2017, Shaman King está em nova casa, mas a revelação oficial para os japoneses só ocorreu em 1º de janeiro de 2018.

Capas da edição digital de Shaman King, relançada pela Kodansha em 2018.

Não existem razões públicas para o litígio, mas muitos fãs especulam que o autor não gostava da Shueisha desde a época em que publicava Shaman King. Segundo esses fãs o autor teria dado vários indícios em entrevistas de que ele queria fazer uma coisa com o mangá e os editores obrigavam ele ir para outro caminho. Nossas pesquisas, infelizmente, não retornaram nenhuma informação oficial.

Essa mudança de editora não fez qualquer estrago no Brasil, mas na Argentina o mangá está parado desde o final de 2016. A expectativa da editora argentina era que ele voltaria a ser publicado em 2019 (apesar de possuir os direitos, a Kodansha só podia (ou só queria) licenciar o mangá internacionalmente a partir de 2019), mas isso não ocorreu.

5 comentários

  1. Kyon, não teve o caso de Rozen Maiden não? Que teve uma treta monstro com as criadoras do Peach-pit, elas foram parar na Shueisha, da Shounen Jump?

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