BBM Lista: 4 autores que tiveram problemas com suas editoras no Japão

Venha relembrar essas histórias…

A relação entre um trabalhador e uma empresa, muitas vezes, pode acabar de maneira conflituosa, quando ela começa a desagradar o empregado, de uma forma ou de outra. E trabalhar em um ambiente que já não te satisfaz diminui em muito sua produtividade.

Isso também pode ocorrer no trabalho artístico. Embora não seja comum, de vez em quando ficamos sabendo de casos em que autores se desentenderam com suas editoras no Japão, ocasionando o rompimento entre as partes. Na postagem de hoje iremos relembrar quatro casos que aconteceram no Japão.


Makoto Raiku x Shogakukan


Um dos casos de brigas de autor com a editora mais conhecidos é o de Makoto Raiku com a Shogakukan. Autor do mangá Zatch Bell (金色のガッシュ!!), Raiku entrou em discórdia com a editora justamente por seu mangá mais famoso.

Zatch Bell. Foto: Shogakukan

Para quem não sabe Zatch Bell foi publicado entre 2001 e 2007 na revista Weekly Shonen Sunday, da editora Shogakukan, rendendo um total de 33 volumes encadernados. Até aí tudo certo, mas em maio de 2008, poucos meses após o término do mangá, o autor divulgou por meio de seu blog que não estava mais trabalhando para a Shogakukan. Menos de um mês depois surgiu outra notícia, a de que o autor estava processando sua antiga editora.

Zatch Bell. Foto: Kodansha.

O motivo alegado por Raiku foi a perda de uma parte dos materiais originais de Zatch Bell (artes coloridas) que não teriam sido devolvidos a ele após o final da série. O valor pedido pelo autor foi 3,3 milhões de Ienes.

Raiku foi para a Kodansha, onde o mangá acabou relançado tempos depois, em uma edição que compilou os 33 volumes originais em apenas 16.


Yukito Kishiro x Shueisha


A briga de Yukito Kishiro com sua editora é um dos mais inusitados, tendo ocorrido por causa de algumas palavras (sim, palavras). Autor do mangá Battle Angel Alita (銃夢), Kishiro estava trabalhando na continuação, Battle Angel Alita – Last Order  (銃夢 Last Order) quando a editora Shueisha resolveu fazer um relançamento do mangá original. A empresa pediu ao autor que revisasse e mudasse certas passagens do mangá. Tais passagens diziam, entre outras coisas, mais ou menos que tal ou qual personagem “ficou louco” e a empresa tinha medo de que houvesse uma associação dos termos utilizados pelo autor com doenças mentais.

Kishiro estava no meio da criação do capítulo 100 de Last Order e realizar esse pedido poderia acabar atrasando a entrega. O autor chegou a perguntar ao editor se ele conhecia esse risco e se sabia que ele – Kishiro – poderia impedir novas reimpressões. O editor confirmou. Kishiro notadamente não gostou do pedido do editor, mas fez as mudanças necessárias e também terminou o capítulo 100 a tempo. Entretanto decidiu colocar o mangá em hiato e avisou que talvez jamais existisse um capítulo 101.

Battle Angel Alita – Last Order. Foto: Editora JBC

Meses depois Kishiro reuniu-se com o pessoal da revista Evening, da Kodansha, para viabilizar a publicação de Last Order, além de transferir todas as suas obras para essa nova editora. Antes, porém, ele fez uma oferta final à Shueisha. O departamento jurídico devia se desculpar por ter questionado os trechos e a Shueisha devia fazer um recall da reimpressão, revisando as palavras alteradas.

Os editores disseram a Kishiro que não poderiam fazer promessas, mas tentariam discutir a oferta com o departamento jurídico. Se essa oferta fosse aceita, o autor voltaria a publicar Last Order na Shueisha, caso fosse recusada ele se mudaria para a Kodansha.

Não houve um acerto e Last Order foi concluído na Kodansha. Atualmente Kishiro está trabalhando na Kodansha a última parte de sua série, chamada de Battle Angel Alita- Mars Chronicle (銃夢火星戦記) Falamos detidamente deste caso em outra postagem, clique aqui para ler.


Hiroyuki Takei x Shueisha


Litígios entre autor e editora muitas vezes não são públicos e poucos detalhes concretos se sabe. Um desses casos em que tudo é muito nebuloso é o de Hiroyuki Takei com a Shueisha, ao ponto de que a gente sequer pode afirmar com 100% de certeza de que houve uma briga de fato. A questão é que não há nada público, só que tudo indica que houve uma briga enorme ou que o contrato entre as duas partes terminou sem uma atmosfera amigável.

Takei é o autor do mangá Shaman King (シャーマンキング) e, assim como os membros anteriores dessa lista, ele mudou sua obra para a Kodansha. Tudo o que se sabe sobre essa mudança é que em fins de 2016 o autor entrou em litígio com a Shueisha, ocasionando a suspensão dos  contratos em todo o mundo. Logo surgiu a informação de que a Shueisha já não detinha mais os direitos do mangá e que a Kodansha seria a nova casa, como se confirmou posteriormente.

Até essa confirmação oficial tudo o que se sabia era advindo da editora argentina Ivrea e de levantamento de fãs.

Shaman King. Foto: JBC

O que alguns fãs especulam é que essa briga não tenha sido nada amistosa porque a Shonen Jump (revista onde o mangá foi publicado originalmente) estava para completar 50 anos e vários títulos que já tinham mudado de editora (como Hokuto no Ken) estavam presentes nos pôsteres de divulgação, menos Shaman King.

A nova casa do mangá realmente é a Kodansha e a obra já foi relançada por ela. A Kodansha também é responsável pelos novos spin-offs da série.


Syuho Sato x Kodansha


Todos os três casos anteriores mostraram autores que tiveram algum problema com sua editora e se abrigaram na Kodansha. Seria então a Kodansha a melhor empresa para se trabalhar? Na verdade, autores também brigam com ela e existe um caso icônico, o de Syuho Sato.

O autor produziu um mangá pela Kodansha entre 2002 e 2006 chamado Say Hello to Black Jack (ブラックジャックによろし), inspirado em Black Jack de Osamu Tezuka. Não existem muitos dados sobre o motivo da briga, mas dizem que foi por questões financeiras, com o autor fazendo várias vezes postagens falando o quão mal ganhavam os mangakás. Inclusive, ele até lançou um mangá sobre isso.

Say Hello to Black Jack. Foto: Kodansha

O detalhe que fez esse caso ficar famoso é outro. Após conseguir para si todos os direitos de publicação da obra, foi noticiado que Sato teria deixado a obra em domínio público. Para quem não sabe, isso significa que você pode pegar o mangá, traduzir e disponibilizar na Internet e não será crime. Do mesmo modo, se você quiser montar uma editora, esse mangá pode ser a porta de entrada já  que não lhe cobrarão Royalties.

Mas apesar de isso não ter sido noticiado não sabemos se é bem assim, pois provavelmente ainda é preciso um contrato para aquisição da obra. Nos créditos da edição espanhola (lançada agora em 2021) diz-se que os direitos são de Sato e os materiais da edição foram conseguidos junto à empresa do autor, o que dá a entender que ao menos em parte isso é verdade.

De todo modo, se o motivo da briga foi mesmo por questões financeiras, deixar livre parte dos direitos é realmente uma ótima forma de mostrar e explicar a todos que o grande problema é a exploração e não o dinheiro.

11 Comments

      • Só com os editores dele mesmo,com a compania ele não chehou a ter. Um exemplo é o Giorno,que originalmente era pra ser mulher,ou o fato de que ele queria ter uma menina no grupo da Parte 3. E antes que alguém fale,tem uma historia na fanbase que o Annasui da Parte 6 originalmente seria uma mulher e foi mudado porque os editores não queriam personagens lesbicas,mas esse rumor é falso.

        • ringoroadonceagain

          Tem tbm uns rumores de que originalmente a Lisa Lisa derrotaria o Kars, e que a Ermes era pra ser uma lésbica transexual.
          Mas considerando a quantidade de fanfics da fandom de JoJo, não dá pra ter certeza de nada…
          Porém eu tbm não duvido que possa ser verdade.

      • ringoroadonceagain

        A Shueisha tbm teve suas tretas com o Araki por causa, principalmente, do excesso de violência nas Parts 5 e 6. Nessa época a Shonen Jump ainda era totalmente influenciada por Dragon Ball, e por isso as obras com mais violência e temas adultos eram oprimidas pra dar espaço para obras mais voltadas para o público infantil.
        Por fim, em 2004, o Araki transicionou JoJo Part 7 pra uma revista seinen, e nunca mais olhou pra trás, tendo em vista a liberdade criativa e de cronograma que ele ganhou.

  • musck29

    Assim como em qualquer lugar no mundo, nenhuma empresa é feita de santos, mas a Shueisha parece ser o lugar mais complicado de se trabalhar no Japão ao meu ver…seria algo como jogar no Real Madrid, a pressão de estar no maior muitas vezes é insuportável para a maioria.

    • sasukedoi

      Pô, curti oq o autor de Alita fez, o cara bateu o pé mesmo e não voltou atrás, acreditou na sua obra. Nesse último aí foi interessante tbm a questão de deixar em domínio público.

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